O Espaço Cultural Correios prorrogou a exposição “Serpente do mundo: memória, destino, conhecimento e liberdade” até o dia 29 de março. A mostra, que está em cartaz desde janeiro, é fruto do trabalho de Káliman Chiappini, que percorreu quatro continentes ao longo de quatro anos para registrar as experiências e desafios vividos por mulheres ao redor do planeta.
“A exposição reúne poemas e 30 fotografias impressas, que refletem a trajetória da mulher ao longo da história, os sistemas que tentam limitá-la e as possibilidades de libertação dessas amarras”, explica Chiappini.
A artista visitou países como Índia, Gana, Costa do Marfim, Tunísia, Qatar, Omã e Nepal.
“Esse trabalho conecta diferentes narrativas de mulheres de várias culturas, mostrando como, em muitos contextos, somos levadas à culpa e à submissão, mas encontramos força e conhecimento para ressignificar nossas trajetórias”, emendou.
O Centro Cultural Correios fica na Rua Visconde de Itaboraí, 20, no Centro do Rio; e a exposição pode ser visitada de terça a sábado, das 12h às 19h, com entrada gratuita.
A Prefeitura do Rio entregou, neste domingo (20), as obras do programa Bairro Maravilha em Coelho Neto, na Zona Norte. A intervenção, que inclui pavimentação e reforma de praças e vias, recebeu um aporte de R$ 11,8 milhões.
Os trabalhos abrangeram a aplicação de 2,5 mil metros quadrados de pavimentação e a construção de 15,3 mil metros quadrados de novos passeios. Uma nova rede de drenagem pluvial, de 1,1 quilômetro, também foi instalada, na tentativa de resolver os problemas de alagamento que a região costuma enfrentar.
Além disso, segundo a prefeitura, 635 metros de tubulações de abastecimento de água também foram instalados em Coelho Neto como parte do pacote de obras.
Três praças locais passaram por revitalização completa, recebendo gramado novo, pintura, sinalização, alambrados reformados, novos playgrounds, academias ao ar livre e mobiliário urbano atualizado.
Com a conclusão das obras em Coelho Neto, o programa Bairro Maravilha chegou a 12 áreas contempladas na Zona Norte. Outros sete pacotes de obras do projeto seguem em andamento. Desde 2021, o programa já alcançou mais de 70 localidades em toda a cidade, somando investimentos superiores a R$ 1,1 bilhão, segundo a prefeitura.
A falta do nome de Benedita da Silva, do PT — candidata a senadora na coligação encabeçada pelo ex-prefeito Eduardo Paes — parece não ser exceção, mas quase a regra no material de campanha dos aspirantes do PSD a uma vaga de deputado federal e estadual.
Basta uma rápida consulta às redes sociais dos candidatos do partido de Paes.
Nos perfis de estrelas de primeira grandeza, como os deputados federais Daniel Soranz e Laura Carneiro, ao da suplente de vereadora Antônia Leite Barbosa, passando pelo do secretário de Administração da Prefeitura do Rio, Bernardo Egas, há pedido de votos para Paes e para o candidato a senador do partido, Pedro Paulo.
Propaganda de Soranz, com Paes e Pedro Paulo, mas nem sinal de Benedita – Foto: Reprodução das redes sociais
Mas para Benedita, necas.
Egas, por exemplo, resolveu recorrer ao bom e velho método da cartinha assinada para apresentar suas escolhas eleitorais. Na relação enviada a eleitores estão Marcelo Queiroz (PSDB) para federal, Guilherme Schleder (PSD) para estadual, Pedro Paulo e Paes.
A ligação com Queiroz é antiga: Egas foi secretário parlamentar no gabinete do deputado entre 2023 e junho de 2025 e hoje ocupa justamente a Secretaria de Administração da Prefeitura — substituindo o amigo.
A cartinha de Bernardo Egas, sem Benedita – Foto do leitor
Só houve um pequeno lapso de memória eleitoral. O Rio escolhe dois senadores, mas a cartinha de Egas parou em Pedro Paulo. Benedita da Silva ficou de fora.
Antônia Leite Barbosa, criadora da Agenda Carioca e suplente de vereadora pelo PSD, vai além. A moça até pede votos para Pedro Paulo. Mas, para a segunda vaga, vai de… Carlos Portinho, do PL — justamente a principal oposição ao seu partido.
Os federais do PSD são fiéis a Eduardo Paes e a Pedro Paulo. Mas postam com vários candidatos a deputado estadual — as famosas dobradas. Até com gente de outros partidos. Mas nada de Benedita.
Laura Carneiro publicou, em collab no seu perfil, a postagem de um adesivo de carro assinado por Flávio Pato, o qual o segundo suplente do PSD na Câmara do Rio pede votos para ela (claro), João Pires, Paes e Pedro Paulo.
Mas para Benedita, que é a segunda candidata ao Senado da chapa, nem um postzinho. Nem para fazer graça, a duas semanas do primeiro turno — o decisivo para a eleição dos deputados e senadores.
Como na expressão popular, a reta final da campanha é a hora do salve-se quem puder.
“Se a vida começasse agora…”. É bem assim, na toada da canção-tema do Rock In Rio, que Sergio Carvalho, orgulhoso portador de um crachá-relíquia da primeira edição do festival, está dando, aos 79 anos, o pontapé inicial em sua carreira musical. O ex-segurança e assistente de produção da fase áurea do Barão Vermelho acabou de finalizar a gravação de “Adeus! Vou-me embora”, feita em parceria com o também compositor Sidney Maestro. A música está sendo lançada nas plataformas digitais.
Crachá de Sergio no primeiro Rock In Rio, em 1985: verdadeira relíquia — Foto: Arquivo pessoal
O curioso é que Sergio, testemunha mais do que ocular da efervescência do Rock Brasil 80, foi buscar inspiração ainda mais longe, em suas origens, para compor. A música é um bolero suingado, mais ao estilo de quando Sérgio começou a dar seus primeiros passos na noite. Já a história da letra? Bem, é uma colcha de retalhos.
“A música surgiu três anos atrás. Eu estava pensando nas dores de amor dos compositores, das histórias que contavam, da experiência em busca dele. Vi muito daquilo. E resolvi tocar a ideia adiante”, conta ele.
Histórias com a banda pelo Brasil inteiro
E Sergio realmente viu muita coisa. Atuou diretamente no mercado musical de 1980 a 1988, sendo os últimos quatro anos dedicados ao Barão Vermelho. Rodou o Brasil inteiro com a banda. E viu muita coisa acontecer.
“Uma vez, estávamos com a banda em Andrelândia (SP). Uma pessoa subiu no palco para dançar. O Frejat fez sinal que deixasse. Depois que o cara desceu, passou um tempo e subiu mais um. Aí, o Frejat pediu para tirar. Levei o cara para trás do palco. Depois do show, estávamos jantando, e apareceu o cara com uns 15. Era filho de um dos sujeitos mais ricos da cidade. Vieram com umas facas. Nós pegamos as facas do restaurante e ficou aquela tensão. Mas, felizmente, não passou disso”, lembra.
Em pé, da esquerda para a direita: Fernando Magalhães, Maurício Barros, Frejat, Sergio Carvalho e Guto Gofi. Sentados: Peninha e Ezequiel Neves — Foto: Arquivo pessoal
O sumiço de Cazuza no meio de uma madrugada qualquer
Sergio, que é empresário e terapeuta em dependência química aposentado, relata que Frejat era um sujeito tranquilão. Já Cazuza, apesar de extremamente doce, era pipa voada.
“Uma vez, em Rondônia, chegamos para um show. O contratante avisou que podíamos fazer de tudo na cidade, menos ir a um bar chamado Copacabana. Tinha bandido, pistoleiro, o diabo por lá. Dá três da manhã, batem no meu quarto e dizem que o Cazuza sumiu. Eu já sabia onde ia achar. Fui até esse tal Copacabana, e Cazuza estava lá. Se divertindo, botando músicas na vitrola eletrônica, cantando, cheio de gente em volta”, conta.
Quarto fechado e máquina de escrever noite adentro
O ex-segurança da banda diz que tinha uma ótima relação com Cazuza. Lembra que o cantor não gostava que entrassem no seu quarto. Somente Sérgio, que passava nos corredores de hotel de madrugada e ouvia o barulho da máquina de escrever Olivetti Lettera 22, que era portátil.
“Cazuza viajava com uma bolsa daquelas de tenista. Enfiava roupas, tudo ali. E a máquina de escrever junto. Ele levava pra qualquer lugar”, relata.
Partida de futebol com direito a Gonzaguinha em campo
Se como segurança, Sérgio precisou tirar a banda de umas roubadas, como assistente de produção teve que jogar nas 11. Literalmente. O pessoal, com exceção de Cazuza, gostava de bater uma bola. E lá ia Sérgio arrumar um campinho e armar a pelada:
“Numa dessas, depois da passagem de som no Mineirinho (BH), achei um campo disponível com um pessoal batendo bola. Era o time do Gonzaguinha, que também curtia futebol”.
O baile perfumado do mito Emílio Santiago
Ao longo da carreira no mundo da música, Sergio colecionou curiosidades. Uma delas com o mítico Emílio Santiago, que considera um dos melhores intérpretes que já ouviu.
“Emílio tinha uns 40 perfumes no camarim, em todos os shows. Antes de vestir a camisa, ele escolhia de seis a oito para usar. Era uma gotinha em cada lóbulo da orelha, em cada mamilo e por aí vai”, conta.
Dos malucos do rock ao trabalho com terapia
De tanto lidar com “maluquez misturada com a lucidez”, como cantou Raul Seixas, Sergio acabou enveredando pela carreira de terapeuta em dependência química, após encerrar as atividades como empresário. Também deu por encerrado esse ciclo. E agora inicia um outro. Diz que tem pelo menos dez temas bem adiantados para se tornarem música nos próximos meses. Os planos para o futuro? Mais ou menos como na música do Barão preferida de Sérgio: “Pro dia nascer feliz”.
Sergio Carvalho está pronto para começar tudo de novo
A Prefeitura do Rio iniciou, neste domingo (20), a segunda fase das obras do Polo Automotivo da Mangueira, na região próxima ao Maracanã e à estação de São Cristóvão. O projeto conta com um investimento superior a R$ 2,3 milhões e prevê a construção de 14 novas oficinas padronizadas: sete para automóveis e sete para motocicletas.
Os estabelecimentos serão destinados aos comerciantes locais previamente cadastrados. O espaço voltado para motos terá acessos independentes e infraestrutura própria.
O prefeito Eduardo Cavaliere (PSD) esteve no local nesta manhã para lançar a nova etapa das obras, que fazem parte do programa de urbanização Morar Carioca. Segundo ele, além do Polo Automotivo da Mangueira, o projeto inclui a implantação de redes completas de abastecimento de água, esgoto e drenagem pluvial, além de caixas d’água individuais, cisterna e sistemas de apoio operacional. Também está previsto o reforço estrutural de muros próximos à linha férrea.
A área também deve receber melhorias na circulação de veículos e pedestres, com recuperação de calçadas internas e externas, plantio de árvores, paisagismo e criação de áreas de convivência e estacionamento.
As campanhas eleitorais de 2026 no Rio de Janeiro já pagaram R$ 40,2 milhões a pessoas físicas, segundo levantamento feito a partir da base oficial de prestação de contas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O valor reúne pagamentos feitos por candidatos de todos os cargos e inclui serviços e despesas como pessoal, aluguel de imóveis, advocacia, contabilidade e militância.
Ao todo, são 33.820 pagamentos destinados a 28.228 CPFs diferentes. A conta considera apenas valores já desembolsados pelas campanhas até 17 de setembro, deixando de fora despesas contratadas, mas ainda não quitadas.
A maior parte dos pagamentos individuais está longe das cifras milionárias que costumam aparecer nas prestações de contas. No entanto, há uma faixa de beneficiários recebeu dezenas de milhares de reais em uma única operação.
O maior pagamento individual chegou a R$ 90 mil, feito pela campanha de Chico Alencar (PSOL), candidato a deputado federal, a Inacio Rodrigues Martins. O lançamento foi registrado como “locação de imóvel”.
Na sequência, Vera Lucia Paiva Camurate recebeu R$ 80 mil da candidatura de Jean ‘Bolsonaro’ Lopes (PL), também por aluguel de imóvel. Simone de Mello Canelas aparece em terceiro, com R$ 70 mil pagos pela campanha de Daniel Marques (PL), novamente por locação.
O quarto maior lançamento foi de R$ 60 mil, pago por Tiago Careca (PSDB) a Daiane Fernandes Silvino da Silva por serviços contábeis.
Só então aparece um pagamento diretamente relacionado ao trabalho de campanha: André Diniz da Silva recebeu R$ 50 mil da legenda de Axel Grael (PDT), registrado como despesa com pessoal e descrito como administração financeira.
Douglas Ruas já contratou mais de duas mil pessoas
Dentro do universo de R$ 40,2 milhões, há um recorte específico para entender quanto as candidaturas estão desembolsando com sua própria estrutura. A rubrica “despesas com pessoal” soma R$ 16,9 milhões no estado, com 13.488 pagamentos destinados a 11.181 CPFs. É nesse grupo que aparecem coordenadores, administradores financeiros e outros profissionais contratados para atuar diretamente nas campanhas.
O maior pagamento nessa categoria foi o de André Diniz. Depois dele, a campanha de Rick Azevedo (PSOL) registrou três pagamentos de R$ 35 mil: para Marcos Vitor de Oliveira Gouvea, Rafaele de Lima e João Victor Alves Felix, todos ligados à coordenação da candidatura.
Na faixa dos R$ 30 mil aparecem Eli Dias Soares, da candidatura de Max Lemos (União); Jacqueline Nicole Negrete Blass, da campanha de Darla Muniz (PSB); e Rodrigo Taveira Bonel, da candidatura do ex-jogador Edmundo (PSDB).
Já quando a conta é feita por candidatura, e não por beneficiário, Douglas Ruas (PL) concentra a maior despesa com pessoal: R$ 1,99 milhão em 2.185 pagamentos para 2.032 pessoas.
Pró-Saúde terá que devolver R$ 5,4 milhões aos cofres públicos por irregularidades na gestão do Instituto do Cérebro e Hospital Anchieta, decide TCE-RJ
Deu refluxo. O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) julgou irregulares as contas da Organização Social de Saúde (OSS) Pró-Saúde Associação Beneficente de Assistência Social e Hospitalar e determinou a devolução de R$ 5,46 milhões aos cofres estaduais por danos ao erário relacionados à gestão do Complexo Estadual do Cérebro, formado pelo Instituto Estadual do Cérebro Paulo Niemeyer e pelo Hospital Estadual Anchieta.
O acórdão determina a imputação de débito de 1.102.232,44 UFIR-RJ, valor equivalente atualmente a R$ 5.467.513,80, que deverá ser recolhido com recursos próprios ao erário estadual no prazo de 15 dias.
Segundo o processo, a tomada de contas foi instaurada pela Secretaria de Estado de Saúde para apurar despesas não reconhecidas pela Comissão de Acompanhamento e Fiscalização (CAF) durante a análise da prestação de contas do quarto trimestre de 2018.
O TCE-RJ concluiu que houve dano ao erário (prejuízo aos cofres públicos) decorrente de despesas não reconhecidas pela fiscalização do contrato firmado entre a Secretaria de Estado de Saúde e a Pró-Saúde em novembro de 2014 para a administração do Complexo Estadual do Cérebro, motivo pelo qual declarou a irregularidade das contas e condenou a entidade ao ressarcimento integral dos valores.
A decisão também autoriza, desde já, a cobrança judicial e extrajudicial da dívida caso não haja pagamento após o trânsito em julgado do processo. Além disso, o acórdão determina a comunicação da decisão ao secretário de Estado de Saúde e ao controlador-geral do estado.
Fechado há anos, o antigo “Verdinho da Cinelândia”, ao lado do Cine Odeon, vai reabrir — mas com café da manhã no lugar do chope. Os responsáveis pela rede Belmonte anunciaram que vão inaugurar um bistrô no espaço onde funcionava a Chopperia Cinelândia, conhecida pelo apelido “verdinho”.
O jogador Vini Jr. acionou a Justiça Eleitoral contra uma propaganda da campanha de Douglas Ruas (PL), candidato ao governo do estado, que utilizou sua imagem em uma peça eleitoral. O atleta pediu direito de resposta e a retirada do conteúdo do ar.
A propaganda fazia referência à relação de Vini Jr. com a influenciadora Virginia Fonseca. Em seguida, comparava o namoro com a disputa eleitoral no Rio para apresentar os apoios políticos dos dois principais candidatos: Eduardo Paes (PSD) associado ao presidente Lula (PT), com sinal negativo, e Douglas Ruas associado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, com sinal positivo.
Segundo o pedido apresentado pelo jogador, a utilização de sua imagem ocorreu sem autorização e de forma descontextualizada. A alegação foi de que a montagem poderia levar o eleitor a entender que havia algum tipo de vinculação política entre Vini Jr. e Douglas Ruas.
A decisão judicial registra ainda que o jogador afirmou não ter envolvimento com nenhum dos candidatos nas eleições de 2026.
Douglas Ruas manda retirar propaganda do ar e pede desculpas
Em nota, Douglas Ruas afirmou que “tão logo soube da ação, a coordenação da campanha determinou que o anúncio fosse retirado de todos os meios, inclusive das redes sociais”.
A campanha também pediu desculpas a Vini Jr. e Virginia Fonseca. Segundo a nota, a peça não afirmava nem insinuava que os dois apoiavam Douglas Ruas.
O caso chegou inicialmente à 238ª Zona Eleitoral do Rio de Janeiro. O juiz Leonardo Grandmasson Ferreira Chaves, porém, entendeu que o órgão não tinha competência para analisar uma questão relacionada às eleições de 2026 para o cargo de governador.
A decisão, portanto, não julgou se a propaganda era irregular nem decidiu sobre o direito de resposta solicitado por Vini Jr. O magistrado apenas declinou da competência e determinou o envio do processo ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), responsável por analisar questões relativas à eleição para governador.
Quem nunca ficou com um jingle de candidato na cabeça? As músicas “chiclete” são marca registrada de campanhas eleitorais, mas, nas eleições de 2026, ganharam um adicional curioso: as ferramentas de inteligência artificial têm substituído os compositores e, em alguns casos, os intérpretes dos famosos jingles dos candidatos ao governo do estado.
Pelo menos quatro candidatos usaram ferramentas de IA em diferentes etapas da produção dos jingles: Eduardo Paes (PSD), Douglas Ruas (PL), André Marinho (Novo) e Coronel Busnello (Missão).
O uso dessas ferramentas é permitido pela Justiça Eleitoral, desde que respeitando as normas estabelecidas. Por exemplo: caso um jingle ou peça publicitária de áudio use conteúdo sintético multimídia gerado ou manipulado por inteligência artificial, é obrigatório informar de forma explícita que o conteúdo foi manipulado e qual tecnologia foi utilizada.
Já nos casos em que a IA foi utilizada em detalhes técnicos — como para melhorar a qualidade do áudio — a declaração não é obrigatória.
Como cada candidato fez seu jingle
As equipes de todos os nove candidatos a governador foram procuradas pelo TEMPO REAL. As campanhas de Anthony Garotinho (Republicanos) e Luan Monteiro (PCO) não confirmaram os créditos dos jingles e se houve uso de IA na criação do material. Confira as respostas dos demais nomes na disputa
Eduardo Paes
O jingle “Eduardo Paes 55” teve letra e melodia feitas pela equipe de criação da campanha do político. Os recursos de inteligência artificial foram utilizados apenas para o refinamento da voz, segundo a equipe do candidato.
Douglas Ruas
Os jingles de Ruas seguiram um modelo semelhante ao de Paes; composição de música e letra foram resultado de trabalho coletivo da equipe de marketing, liderada por Paulo Vasconcelos. O uso de IA se restringiu a uma ferramenta de finalização da peça, de acordo com a assessoria.
André Marinho
A campanha de André Marinho forneceu informações sobre três jingles utilizados na eleição. Dois deles, “Faz o M” e “Marinho, Marinho, Marinho” surgiram a partir de ideias do candidato, mas tanto a letra quanto a melodia finais foram produzidas por aplicativos de IA.
O terceiro jingle é “André Marinho 2026”, de autoria do compositor Anderson da Silva, o “Chumbinho”, que foi contratado pela campanha e ficou responsável pela letra, melodia, arranjo e produção musical. A inteligência artificial foi utilizada apenas posteriormente, como ferramenta de finalização da produção.
William Siri
A campanha de William Siri (PSOL), marcada pelo jingle “Com Siri eu vou”, também não usou IA nas músicas, segundo a assessoria. Letra e interpretação são de Carine Moutinho e Psé Diminuta, enquanto o arranjo é de João Callado e a produção musical é de Zé Campos, junto a João Callado.
Cyro Garcia
O tema de Cyro Garcia (PSTU), intitulado “Cyro 16”, não teve uso de IA em nenhuma etapa. A composição é de Danilo Garcia, a produção é de Bruno Danton e a voz é de Beth Dau.
Coronel Busnello
O jingle do candidato do Missão foi feito por Elker Buriti; porém, ele usou IA no processo, de acordo com nota da equipe do político
Juliete
Juliete (UP), a única candidata mulher ao cargo, tem o jingle “Ela luta, eles só prometem – Juliete 80 Unidade Popular”. Não houve uso de IA na produção do material, que teve composição e voz de Debrá de Souza e produção musical de Frank.
Estagiária sob a supervisão de Felipe Galeno e Berenice Seara.
Ainda faltam mais de quatro meses para o início da disputa entre as escolas de samba no Rio, mas, fora da Sapucaí, o carnaval já virou motivo de treta em outra “competição”. As campanhas de Douglas Ruas (PL) e Eduardo Paes (PSD), rivais nas eleições para governador do Rio, trocaram críticas sobre o assunto ao longo da semana e o assunto voltou a render neste sábado (19).
Em evento de campanha neste sábado, Ruas se defendeu das críticas recebidas ao longo da semana por ter dito, em entrevista à TV Globo, que o último desfile na Sapucaí foi o “maior ataque já visto à instituição sagrada que é a família”. No discurso, ele disse que gosta, sim, do carnaval e classificou a festa como “maior manifestação cultural do estado”.
“Eu disse que vou acabar com os recursos para essa farra dele [Paes], porque o recurso tem que ir direto para a escola de samba, para os fazedores de cultura, para os nossos artistas anônimos. E ele tentou, através de uma narrativa, dizer que a gente não gosta do carnaval. Nada disso. A gente gosta e respeita. A gente não quer que ele use o dinheiro público para fazer farra com os amigos dele de Brasília”, disse Ruas.
Relembre a treta
A treta começou na terça (15). Na entrevista ao programa “RJ1”, o candidato do PL disse que pretende acabar com o camarote do governo do estado na Sapucaí, caso seja eleito, e disse que os desfiles desse ano foram um “ataque à família”. Ele também criticou a participação do rival Paes nos desfiles.
“Nós vimos esse ano, no carnaval de 2026, na Sapucaí, o meu adversário, o Eduardo Paes, num camarote visivelmente embriagado, regado a uísque, cerveja, comida, tudo pago com dinheiro do povo e ainda utilizou daquele momento para zombar das pessoas com deficiência visual. Estavam ele e o Lula assistindo, sambando e aplaudindo o maior ataque já visto à instituição sagrada que é a família. Tudo isso com o dinheiro público. Então nós vamos acabar com essa farra e o dinheiro do contribuinte vai ser revertido para serviços de qualidade na saúde e na educação”, disse o presidente da Alerj.
‘Se diz evangélico na eleição, mas vai rebolar em fevereiro’, rebateu Paes
A fala não foi muito bem recebida no mundo do samba e o adversário de Ruas nas urnas aproveitou para fazer críticas ao candidato. Paes relembrou a participação do presidente da Alerj em desfiles da Porto da Pedra, escola de samba de São Gonçalo que contou com investimentos da prefeitura local nos últimos desfiles. A Prefeitura de São Gonçalo é comandada, desde 2021, pelo pai de Ruas, capitão Nelson (PL).
“O sujeito se diz evangélico na eleição, mas vai rebolar em fevereiro na Marquês de Sapucaí. Agredir a principal manifestação cultural do Brasil, muito enraizada no Rio de Janeiro e que tem um impacto econômico importantíssimo para o Rio de Janeiro. As pessoas que vão ao carnaval não são desrespeitosas, que não preservam suas famílias. Ele é feito de muita gente do bem. Foi uma hipocrisia, ele tentando vender algo que ele não é”, rebateu Paes.
Cavaliere também entrou na treta
Ex-vice de Paes e atual prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere (PSD) aproveitou para entrar na história. Neste sábado, enquanto visitava as obras da futura Fábrica do Samba Rosa Magalhães, em São Cristóvão, Cavaliere gravou um vídeo com alfinetadas para Ruas.
“A gente mais uma vez viu, essa semana, os meses que a gente já conhece: de dia, atacam o Carnaval e, à noite, gostam mesmo de um camarote na Sapucaí. Agora, sabe de uma coisa? Tá na hora da gente acabar com essa conversa. Tá na hora da gente ter claro e riscar o chão quem defende e quem não defende o povo trabalhador que faz a maior manifestação cultural do nosso país”, disse o prefeito do Rio.