Há muitos anos, o Brasil convive com um elevado déficit fiscal, um problema que parece não ter fim. Governos entram e saem prometendo um equilíbrio fiscal, que nunca é alcançado. O lugar comum é culpar o Executivo, mas há um ator que nunca assume sua parcela de responsabilidade: o Congresso Nacional.
Deputados e senadores têm sido responsáveis por muitas decisões que agravam o desequilíbrio das contas públicas. Aprovam projetos aumentando despesas sem promover fontes de financiamento, criam benefícios sem previsão orçamentária, ampliam gastos permanentes como se o dinheiro público fosse infinito, e autorizam um orçamento anual em que pagamentos obrigatórios já consomem cerca de 90% da despesa, sufocando investimentos e o próprio funcionamento da máquina pública.
No entanto, por serem voltadas para os mais pobres e menos influentes, fica mais fácil acusar-se as políticas sociais pelo crescente déficit público. Programas como o Bolsa Família são frequentemente tratados como vilões do orçamento, apesar de representarem uma fração ínfima do gasto total.
O que quase não se discute é o peso dos quase 700 bilhões de reais de renúncia fiscal, com subsídios concedidos a setores poderosos da economia, que se perpetuam por décadas sem qualquer avaliação séria de custo-benefício. A Zona Franca de Manaus é um exemplo emblemático: criada como medida temporária há quase 60 anos, tornou-se um incentivo permanente, blindado de qualquer revisão.
Todavia, o problema se agrava quando analisamos como se gasta e não quanto se gasta. A má aplicação dos recursos públicos corrói a eficiência do Estado e reduz a capacidade de investimento em áreas essenciais. A gestão ineficiente, somada ao uso político das verbas, transforma o orçamento em um mosaico de interesses particulares.
Nesse cenário, se destacam as emendas parlamentares inventadas nos últimos anos. O mecanismo, que deveria servir para corrigir distorções regionais, virou moeda de troca e instrumento de pressão política. Em vez de fortalecer políticas públicas estruturadas, pulveriza recursos em pequenas obras e projetos de baixa prioridade, muitas vezes sem planejamento adequado. O resultado é um gasto fragmentado, difícil de fiscalizar e com impacto reduzido na vida da população.
Neste sentido, o país precisa discutir com seriedade o papel do Congresso na construção do déficit. Não é possível exigir responsabilidade fiscal apenas do Executivo (que tem sua parcela de culpa, sim) enquanto o Legislativo continua no bem bom, posando de bom moço e aprovando despesas sem medir consequências. Somente na primeira semana deste junho a imprensa denunciou a aprovação pelo Congresso de várias “pautas bombas”, criando despesas sem determinar a origem dos recursos, o que é flagrantemente inconstitucional.
Evidentemente, o hipocritamente desejado equilíbrio das contas públicas não será alcançado enquanto parlamentares tratarem o orçamento como um instrumento de conveniência política, e não como um compromisso com o futuro do país.
E isso só será possível quando o povo se conscientizar e eleger um Congresso que assuma sua responsabilidade e coloque o interesse público acima dos interesses eleitorais. E, atenção eleitores, isso já deveria começar nas eleições do próximo outubro.


Mandou muito bem, como sempre.
O Brasil da promiscuidade moral e política !!! Os escândalos diários dão conta da inviabilidade do Estado , seus 3 poderes ocupados em rapina dos cofres públicos. Hoje quase 1/4 das cidades são comandadas pelo narcotráfico e a população subjugada e sem saída .
O artigo é o retrato fiel da nossa realidade.
Enquanto Elon Musk da’ marcha ré nos foguetes, nosso Brasil segue ladeira abaixo rumo ao Terceiro Mundo.
O q o Brasil precisa é de um ditador nacionalista e patriota, como foram Getulio Vargas, Mao, Fidel, Kadaf e ouros. Com esta nossa democracia não dá.
Sem dúvida o parlamento é parte do problema, mas a reeleição também é um catalisador.
Enquanto Elon Musk da’ re’ nos foguetes e a China simplesmente revoluciona a tecnologia, abandonando o aco por fibra de carbono (https://youtu.be/eA4-NjXNzd0?is=ziUMRO2y-NpG9hpr) o Brasil continua estacionado e retornando ao século 19, atrasado na Educacao, gastando mais que arrecada, ampliando o Deficit Publico para ser pago pelas próximas gerações de brasileiros. Nesse artigo nosso querido Alfeu Valença explora e contextualiza as entranhas dos 3 Poderes, e nos faz refletir sobre a mesquinharia que impera em Brasilia e se propaga pela Máquina Publica em todos os níveis… Precisamos de um GRANDE RESET, seguindo os passos do PM Lee Kwan Yew, que transformou em apenas DUAS DECADAS a cidade de Cingapura, conhecida anteriormente como centro de droga, pirataria e prostituicao.
O tema escolhido para o texto é super polêmico e de maior idade. Realmente, a hora do conserto é nessa próxima eleição. Uma excelente oportunidade. Parabéns.
Realmente, as prioridades do congresso são questionáveis. Uma imoralidade, mais de 100 deputados federais e cerca de 20 senadores na mira do judiciário respondendo a processos judiciais . Espero que o povo em vez de ficar só reclamando do congresso, acorde, e comece a votar consciente. Excelente texto Alfeu!