Pela primeira vez na história do Rock in Rio, agentes de segurança pública de todo o Brasil poderão adquirir ingressos com direito à meia-entrada. Garantido por lei municipal, o benefício contempla policiais penais, civis e militares, além de bombeiros e guardas municipais em eventos culturais e esportivos realizados na cidade.
O direito é garantido tanto aos profissionais da ativa quanto aos aposentados e, no caso dos militares, também aos integrantes da reserva.
O benefício foi instituído por meio de lei de autoria do vereador e policial penal licenciado Fernando Armelau (PL), aprovada pela Câmara do Rio e em vigor desde 1º de abril.
“Essa é uma lei, não um favor. Muitas vezes, enquanto as pessoas estão se divertindo, os agentes estão trabalhando para garantir que todos possam chegar e sair com segurança. Nada mais justo do que reconhecer esses profissionais, assegurando a eles o direito de também frequentar esses eventos em seus momentos de lazer, pagando meia-entrada”, afirmou o vereador.
Direito à meia-entrada
Além dos agentes de segurança pública, o benefício é válido para estudantes, menores de 21 anos, pessoas com 60 anos ou mais, pessoas com deficiência e seus acompanhantes, professores e profissionais da rede de ensino do Rio de Janeiro, jovens de baixa renda, garis da Companhia Municipal de Limpeza Urbana (Comlurb) e pessoas com doenças graves, conforme a legislação vigente.
Muito antes de o Rio ganhar os contornos que hoje percorrem o mundo todo por meio das fotografias — e, mais recentemente, das redes sociais —, um pequeno teleférico começou a transportar passageiros entre a Praia Vermelha e o alto do Pão de Açúcar. Inaugurado em 1912, o Bondinho, primeiro teleférico do Brasil e terceiro do mundo, completa 114 anos na próxima terça-feira (27) com uma trajetória que se confunde com a própria história do turismo carioca e atravessa avanços tecnológicos, mudanças na paisagem da cidade e, claro, a vista, que continua sendo unanimidade entre moradores e visitantes.
A ideia de construir um “caminho pelo ar” surgiu em 1908, quando o engenheiro brasileiro Augusto Ferreira Ramos participou da organização da Exposição Nacional. O projeto parecia ousado para a época: vencer os paredões de pedra para conectar os três pontos por meio de um sistema de cabos suspensos. As obras começaram em 1910, com o trabalho de centenas de operários, que precisaram transportar materiais por terrenos íngremes e de difícil acesso.
O engenheiro civil Augusto Ferreira Ramos foi o idealizador do Bondinho — Foto: Reprodução
Em 27 de outubro de 1912, o primeiro trecho do Bondinho entrou em funcionamento, ligando a Praia Vermelha ao Morro da Urca. Mas só em 1969 a Companhia do Pão de Açúcar foi autorizada a duplicar a linha. Depois dessas reformas, os bondinhos também foram trocados, passando para a capacidade de 75 passageiros.
A terceira parte do trajeto, que iria ligar o Bondinho ao Morro da Babilônia, nunca chegou a ser feita. A primeira e a segunda parte possuem 600 e 850 metros de extensão, respectivamente, e estão ativas até hoje no passeio.
De acordo com o historiador Carlos Ditadi, do Arquivo Nacional, o Bondinho foi uma iniciativa privada e, até hoje, pertence à mesma família do construtor.
“O bondinho foi construído por alpinistas suíços especialmente treinados que levaram as peças nas costas em escaladas super perigosas. Estima-se que, ao todo, carregaram quatro toneladas de equipamentos. Os dois bondinhos de madeira maciça, feitos na Alemanha, com capacidade para 22 passageiros, foram içados por cabos de aço e um guincho manual desmontável construído no topo do Morro da Urca”, disse o historiador.
Bondinho em 1940 — Foto: Reprodução
Cinema e música marcam a história do Bondinho
Na época, as cabines eram diferentes das atuais e também transportavam menos passageiros. Mas o sistema passou por uma grande modernização em 1972, quando os antigos bondinhos deram lugar a cabines maiores, com laterais transparentes, ampliando a capacidade de transporte através da oferta de uma nova experiência para quem fazia o trajeto: além de chegar ao alto dos morros, o visitante passou a ter uma visão ainda mais ampla da cidade durante a subida.
A história do bondinho também se cruza com momentos que “furam a bolha” e ultrapassam os limites do turismo. Em 1979, o teleférico foi cenário de produções internacionais, como o filme 007 Contra o Foguete da Morte, de 1979. da franquia James Bond, além de receber personalidades como Albert Einstein, em 1925; Marie Curie, em 1926; o ex-presidente dos Estados Unidos, John Kennedy, em 1941; e Bob Marley, em 1980.
Alguns anos antes, em 1973, o conjunto formado pelos morros do Pão de Açúcar, da Urca, Cara de Cão e Babilônia — complexo geográfico e histórico na Zona Sul do Rio — foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em reconhecimento à sua importância para a paisagem do município.
O Morro da Urca também ganhou “vida própria” para além do embarque e desembarque dos passageiros e em 1980 passou a receber o projeto Noites Cariocas, idealizado pelo produtor Nelson Motta, que levou artistas e shows ao espaço e ajudou a consolidá-lo como um verdadeiro palco da música brasileira.
O Bondinho completa 114 anos na próxima terça (27) — Foto: Divulgação/Parque Bondinho Pão de Açúcar
Modernização ao longo de uma história que se confunde com a do próprio Rio
Ao longo das décadas, o Bondinho passou por modernizações para acompanhar os avanços tecnológicos e ampliar a segurança da operação. Em 2008, as cabines foram substituídas por modelos fabricados na Suíça, com recursos como sistema digitalizado, controle automatizado do trajeto e painéis que monitoram fatores como o vento e a pressão dos freios. O processo de modernização incluiu ainda a implantação de um novo sistema de esgoto, trazendo mais eficiência e suporte à operação do atrativo.
Quatro anos depois, no centenário do teleférico, o Rio recebeu da Unesco o título de Patrimônio Mundial na categoria Paisagem Cultural, que reconhece e contempla a relação entre a natureza e a ocupação humana na cidade, incluindo áreas como a Baía de Guanabara, o Pão de Açúcar e a orla de Copacabana.
De acordo com informações divulgadas pelo Parque Bondinho Pão de Açúcar, mais de 50 milhões de visitantes passaram pelo local desde a inauguração, em 1912.
Disputa pela tirolesa no Pão de Açúcar
Mas a relação entre turismo e preservação da paisagem, que acompanha a história do Bondinho, também está no centro de uma disputa mais recente na Justiça. O projeto de instalação de uma tirolesa entre os morros da Urca e do Pão de Açúcar provocou questionamentos sobre os impactos da estrutura em uma das áreas mais emblemáticas do Rio.
A concessionária do parque tentou retomar os planos para a atração, mas o Tribunal Regional Federal manteve a paralisação e a exigência de que a empresa apresente um plano de recuperação da área degradada. Isso porque o projeto é alvo de críticas sobre os impactos ambientais provocados pelo corte das rochas.
O projeto da Tirolesa do Parque Bondinho foi aprovado em maio de 2022 e, desde então, passou por sucessivas paralisações e tentativas de retomada. Segundo a concessionária do parque, a nova atração teria quatro linhas de 755 metros, por onde os visitantes poderiam atingir uma velocidade máxima de 100 km/h em menos de um minuto.
Obras no Parque Bondinho — Foto: Reprodução/MPF
Novo posicionamento de marca nos 114 anos
A tentativa de ampliar as experiências oferecidas aos visitantes não é a única novidade do Bondinho. O parque também passa por uma renovação de imagem, com o lançamento do novo posicionamento de marca: Original do Rio, que procura destacar a relação da atração centenária com a identidade da cidade.
O conceito faz referência tanto ao pioneirismo do parque, primeiro atrativo turístico do Brasil, criado a partir de uma ideia visionária, quanto à essência carioca que inclui criatividade, simpatia e a capacidade de ainda se surpreender com a beleza do Rio — mesmo já acostumado com a paisagem.
O posicionamento também destaca que, embora seja um cartão-postal visitado por turistas de todas as partes do mundo, o Parque Bondinho é genuinamente carioca. Essa identidade também se expressa na relação do parque com a cultura, a música e outras expressões culturais do Rio.
Programação especial para o dia 27
Além do trajeto entre os morros, o Parque Bondinho mantém uma programação que inclui atividades culturais, ações ligadas à natureza e iniciativas voltadas à memória do local. Entre elas estão o projeto Amanhecer no Parque Bondinho, o Bem-Estar no Parque Bondinho, o Bosque das Artes e o Espaço de Memória Cocuruto.
Ao longo de 114 anos, o teleférico passou por mudanças tecnológicas e acompanhou as transformações do Rio, mas manteve o percurso que o tornou conhecido.
A vista da cidade a partir dos morros da Urca e do Pão de Açúcar continua sendo uma das principais atrações para quem visita o local e, para marcar o aniversário na próxima terça-feira (27), o parque preparou uma programação com atividades culturais, música e experiências para diferentes faixas etárias. Confira:
10h: recepção dos visitantes do Parque Bondinho com mate, Biscoito Globo e exposição;
De 10h às 17h: oficina de personalização de cartões-postais;
14h: apresentação do grupo de passinho “Charme Du Bom”;
15h: hora do “parabéns” no Espaço Maria Ercília para celebrar os 114 anos do parque;
Nascido e criado no Rio, o candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) votou no início da manhã deste domingo (25), na Escola Municipal Barão Homem de Mello, em Vila Isabel, na Zona Norte.
O senador chegou por volta das 8h20, um pouco depois da abertura dos portões, repetindo o horário em que compareceu às urnas no primeiro turno. Ele votou na seção 170.
Flávio estava acompanhado da esposa, Fernanda, e do governador eleito do Rio, Douglas Ruas (PL). Na saída do local de votação, o candidato fez um breve pronunciamento e afirmou que o país precisa de uma mudança de rumo.
“Eu acho que chegou a hora da mudança de verdade. Foi assim no 1º turno, que seja no 2º. O Brasil não aguenta mais quatro anos do jeito que está”, declarou.
Breve conversa com a imprensa
Depois de votar o candidato deu uma breve declaração para a imprensa, em que criticou a situação econômica e a segurança pública do país, afirmando que os brasileiros enfrentam dificuldades financeiras e vivem com medo da violência.
“A vida de todo mundo piorou. Então, não tem por que continuar insistindo no erro. A esperança virou medo — medo de andar na rua de noite, medo de ter o celular roubado, medo de ter a moto roubada, medo da geladeira vazia, medo de não conseguir pagar as contas que estão atrasadas”, afirmou.
Ao comentar a campanha no segundo turno, o candidato afirmou estar satisfeito com as atividades realizadas nas ruas e destacou a participação de apoiadores no Rio de Janeiro, ao lado de Douglas Ruas.
“Levamos alegrias às ruas, [foi] uma campanha leve, uma campanha limpa, felicidade no rosto de quem estava com a gente nas ruas aqui no Rio de Janeiro, com o Douglas”, disse.
Na saída, Flávio também convocou os eleitores a comparecerem às urnas: “faça chuva ou faça sol, bora sair de casa para votar, que o Brasil vai mudar e vai vencer”.
A Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) assinou um novo contrato de Seguro de Responsabilidade Civil de Administradores e Diretores (conhecido no mercado como Seguro D&O). O valor da contratação é de R$ 730 mil com a empresa Allseg Seguradora S.A., com validade de 12 meses.
A ideia é proteger o patrimônio pessoal de conselheiros, diretores, administradores e outros gestores da Cedae no exercício de suas funções. A apólice garante cobertura de até R$ 20 milhões para o pagamento de custos de defesa (como honorários advocatícios e despesas processuais), indenizações e acordos decorrentes de processos judiciais, administrativos, arbitrais ou investigações promovidas por órgãos de fiscalização e controle (como Ministério Público, Tribunal de Contas, CVM e Poder Judiciário).
Está expressamente excluída a cobertura para atos dolosos, fraudes ou crimes contra a administração pública.
A evolução dos valores
O processo administrativo mostra que o valor do prêmio pago pela Cedae para manter essa proteção caiu significativamente ao longo dos anos, principalmente após o processo de concessão de parte dos seus serviços de saneamento à iniciativa privada, o que reduziu o perfil de risco da empresa:
Com o término da vigência limite de 60 meses do contrato antigo em agosto de 2026, a Cedae precisou fazer uma nova licitação para evitar a interrupção da cobertura.
Durante a fase de planejamento e pesquisa de preços no mercado, a empresa enfrentou baixa adesão de seguradoras (apenas duas apresentaram propostas válidas: Zurich por R$ 830,5 mil e Fator por R$ 1,3 milhão).
Seguindo orientação do Tribunal de Contas da União (TCU) para mercados restritos, a diretoria fixou o preço de referência da licitação em R$ 830.555,56.
Ao fim do pregão eletrônico nº 0053/2026, a vencedora Allseg Seguradora S.A. assinou a nova apólice pelo valor final de R$ 730 mil, gerando economia em relação ao teto orçamentário previsto.
A Prefeitura do Rio estima captar R$ 2,75 bilhões em operações de crédito em 2027, como novos empréstimos e financiamentos, voltados para obras de infraestrutura, transporte e modernização da cidade.
O valor representa um aumento de 17% em relação aos R$ 2,35 bilhões previstos no orçamento de 2026. O crescimento foi identificado em um levantamento realizado pelo gabinete do vereador Fernando Armelau (PL), que comparou as estimativas de receitas e despesas para os dois exercícios, com base nos projetos de lei enviados pelo Executivo municipal à Câmara do Rio.
De acordo com os dados compilados pela equipe de Armelau, a prefeitura contratou cerca de R$ 8 bilhões em operações de crédito desde 2021.
O documento estima ainda que os compromissos relacionados à dívida consolidada do município poderão representar aproximadamente R$ 25 bilhões em pagamentos até 2048.
Receitas de capital crescem 13%
Além das operações de crédito, o levantamento aponta mudanças em outras fontes de receitas de capital, utilizadas para financiar investimentos e outras despesas dessa natureza. No conjunto, a previsão dessa categoria passa de R$ 3,02 bilhões em 2026 para R$ 3,41 bilhões em 2027, crescimento de aproximadamente 13%.
As transferências de capital, que incluem recursos recebidos para investimentos, aumentam 31%, de R$ 457,94 milhões para R$ 600,43 milhões. Já a previsão de receita com alienação de bens cai 74%, passando de R$ 216,83 milhões para R$ 56,06 milhões.
A arrecadação com amortização de empréstimos também apresenta aumento, de R$ 197,8 mil para R$ 300 mil (variação de 52%).
As receitas correntes, que incluem a arrecadação de tributos, contribuições e transferências regulares, devem passar de R$ 49,39 bilhões em 2026 para R$ 51,80 bilhões em 2027.
Entre os componentes dessa categoria, as transferências correntes apresentam uma das maiores altas em valores absolutos. A previsão passa de R$ 16,39 bilhões para R$ 18,61 bilhões, enquanto a arrecadação com impostos, taxas e contribuições de melhoria deve crescer 4%, alcançando R$ 21,30 bilhões.
As outras receitas correntes têm alta prevista de 19%, chegando a R$ 2,37 bilhões, enquanto a receita industrial cresce 20%, para R$ 14,75 milhões. As contribuições avançam 2%, alcançando R$ 7,62 bilhões.
ISS continua como principal fonte de arrecadação tributária
Dentro da previsão de R$ 21,30 bilhões em impostos, taxas e contribuições de melhoria, o Imposto sobre Serviços (ISS) permanece como a principal fonte de arrecadação tributária do município. A estimativa passa de R$ 10,40 bilhões em 2026 para R$ 10,75 bilhões em 2027.
A receita com o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) deve crescer 5%, de R$ 5,44 bilhões para R$ 5,70 bilhões. Para o Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis (ITBI), a previsão é de aumento de 8%, de R$ 1,59 bilhão para R$ 1,73 bilhão.
Já a arrecadação do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) apresenta queda estimada de 2%, passando de R$ 2,13 bilhões para R$ 2,09 bilhões.
O orçamento também incorpora uma nova rubrica relacionada ao Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), instituído no contexto da reforma tributária, com previsão inicial de R$ 9,17 milhões.
Orçamento prevê R$ 5,26 bilhões em investimentos
O projeto de lei orçamentária reserva R$ 5,266 bilhões para investimentos no exercício do próximo ano. Entre as áreas contempladas, Urbanismo concentra a maior parcela, com R$ 2,253 bilhões, seguida por Transportes, com R$ 1,085 bilhão.
Para Educação, estão previstos R$ 272,6 milhões, enquanto a Saúde tem R$ 83,49 milhões destinados a investimentos. Na Segurança Pública, a previsão é de R$ 33,24 milhões.
Na justificativa encaminhada aos vereadores, a Prefeitura afirma que a captação de recursos por meio de operações de crédito é voltada a obras de infraestrutura necessárias à manutenção e à modernização da cidade.
O Executivo também informa que a proposta foi elaborada com base nas receitas realizadas nos últimos exercícios, na arrecadação do primeiro semestre de 2026, nas metas fiscais e nos efeitos esperados de mudanças na legislação e de medidas de aperfeiçoamento da administração tributária.
Cidade do Rio aparece como boa pagadora no cenário nacional
A previsão de aumento nas operações de crédito é feita em um cenário no qual o município apresenta indicadores de endividamento abaixo do limite estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal e com uma melhora recente em sua classificação de risco.
Segundo a justificativa do próprio projeto orçamentário, a dívida consolidada bruta do Rio caiu de R$ 19,139 bilhões no fim de 2024 para R$ 16,220 bilhões em dezembro de 2025. No mesmo período, a dívida consolidada líquida, que considera as disponibilidades de caixa e outros haveres financeiros, recuou de R$ 16,964 bilhões para R$ 13,245 bilhões.
Em agosto de 2026, a agência de classificação de risco Fitch Ratings elevou o rating nacional de longo prazo do município de AA+(bra) para AAA(bra), a nota máxima da escala nacional. A agência também aumentou o Perfil de Crédito Individual do Rio de BB para BB+, destacando a melhora das contas públicas e a posição de liquidez da cidade.
Tempo Surreal (Alerta de humor): Secretaria de Segurança ainda não foi unificada, mas já conseguiu produzir sua primeira ocorrência, a crise de autoridade
A futura Secretaria de Segurança do Rio de Janeiro já apresenta resultados antes mesmo de começar a funcionar. Sem prédio, secretário, orçamento ou organograma, a pasta conseguiu registrar sua primeira ocorrência: uma crise de autoridade entre os parlamentares que mais defendem a disciplina e a hierarquia.
A confusão começou quando integrantes da chamada bancada da bala descobriram que o governador eleito Douglas Ruas (PL) pretende recriar uma Secretaria de Segurança, com as polícias Civil e Militar subordinadas a um comando central. A proposta causou desconforto entre deputados que, embora acostumados a defender a cadeia de comando, não esperavam descobrir que também poderiam ficar fora dela.
O problema ganhou contornos ainda mais graves quando surgiram informações de que o futuro secretário não deverá ser um parlamentar. A notícia provocou um fenômeno até então pouco estudado pelas academias de polícia: a indignação preventiva por ausência de nomeação.
Bancada da bala pede criação de delegacia especializada em políticos que não foram consultados. A nova unidade teria investigadores dedicados a apurar reuniões realizadas sem a presença de deputados. Entre os crimes investigados estariam a omissão de convites, o silêncio em grupos de WhatsApp e a realização de encontros estratégicos sem autorização prévia dos interessados.
A delegacia também contaria com um setor de perícia especializado em identificar quem visualizou mensagens e não respondeu, além de uma central de denúncias para parlamentares que descobriram decisões importantes pela imprensa.
Outra proposta em análise no universo surreal é a criação de um protocolo de segurança institucional para proteger autoridades contra o risco de não serem lembradas na distribuição de cargos.
Enquanto a população aguarda soluções para a violência, e a bancada da bala enfrenta um desafio igualmente complexo: descobrir quem vai mandar em quem.
Por unanimidade, o plenário do Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE-RJ) aprovou parecer prévio contrário à aprovação das contas do ex-prefeito de Teresópolis Vinícius Claussen, referentes ao exercício de 2024. A decisão seguiu o voto do conselheiro-relator Christiano Lacerda Ghuerren e recomenda que a Câmara de Vereadores da cidade mantenha a reprovação no julgamento político do caso.
A rejeição do balanço anual foi motivada por duas irregularidades consideradas graves pelo tribunal. A primeira delas foi o descumprimento do limite constitucional para a Educação. A prefeitura aplicou 23,52% das receitas resultantes de impostos e transferências na manutenção e desenvolvimento do ensino, ficando abaixo do piso mínimo obrigatório de 25% exigido pelo artigo 212 da Constituição Federal.
A segunda falha determinante foi a falta de repasse integral das contribuições ao Regime Próprio de Previdência Social (RPPS), incluindo valores cobrados da parte patronal e verbas que haviam sido descontadas diretamente do pagamento dos servidores públicos.
Além das razões principais para o parecer contrário, o relatório apontou falhas de gestão e gargalos fiscais que comprometeram o encerramento do mandato. A administração fechou o ano com um déficit financeiro acumulado de aproximadamente R$ 9,8 milhões.
O documento também registrou um aumento expressivo no pagamento de dívidas judiciais — os gastos com precatórios saltaram de R$ 5,8 milhões em 2021 para R$ 86,9 milhões em 2024.
O tribunal criticou ainda a falta de eficácia na arrecadação tributária local, apontando a ausência de mecanismos de cobrança via protesto em cartório, deficiência na fiscalização do ISS e falta de atualização da planta de valores para o IPTU, além do fato de o Conselho Municipal de Saúde não ter emitido parecer sobre a totalidade das contas do setor no ano.
O lado correto da gestão
Por outro lado, o relatório registrou o cumprimento de outras obrigações legais.
Na área da Saúde, Teresópolis investiu 22,66% das receitas próprias, superando o piso mínimo de 15%. Os gastos com pessoal do Poder Executivo fecharam o último quadrimestre em 53,50% da Receita Corrente Líquida, dentro do teto máximo de 54% estipulado pela Lei de Responsabilidade Fiscal.
Já quanto aos recursos do Fundeb, a prefeitura destinou 100% da verba elegível para a remuneração dos profissionais da educação básica, atendendo com folga o mínimo legal de 70%.
Os próximos passos em Teresópolis
Com a emissão do parecer pelo TCE-RJ, o processo segue para a Câmara de Teresópolis, órgão competente para julgar em definitivo as contas do ex-gestor.
O tribunal determinou também o envio de notificações com os achados da auditoria ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, ao Ministério da Saúde e à Secretaria do Tesouro Nacional.
No próximo domingo (25), eleitores de todo o estado — e do Brasil inteiro — escolhem o presidente no segundo turno das eleições. Lá em Itaguaí, porém, eleitores também precisarão votar para a prefeitura. Acontece neste fim de semana a eleição suplementar no município, determinada pela Justiça Eleitoral após o afastamento de Rubão (Podemos).
Apesar de ter sido eleito em 2024, Rubão teve o registro de candidatura indeferido. Desde as eleições municipais, a disputa pela cadeira de prefeito passou por diferentes fases e, agora, os itaguaienses escolhem prefeito e vice para um mandato que termina em 31 de dezembro de 2028.
São candidatos no município o atual prefeito interino Haroldinho (PDT), Luciano Mota (PT), Marcelo Cunha (Democrata) e Kelaine Goulart (Novo), que concorre sub judice.
Relembre todas as reviravoltas que marcaram esse caso.
Por que Rubão foi afastado?
Em 2020, Rubão assumiu a Prefeitura de Itaguaí em um mandato tampão, após o impeachment do prefeito e do vice. Ao todo, foram seis meses no comando da prefeitura. No mesmo ano, ele se candidatou e foi eleito prefeito nas eleições regulares.
Em 2024, ele foi candidato à reeleição e, novamente, terminou como o mais votado. Seu registro de candidatura, porém, foi barrado pelo TRE-RJ; para a Corte, o fato de ele ter ocupado o cargo em um mandato tampão configuraria a eleição em 2024 como um terceiro mandato consecutivo.
A defesa tentou assegurar a permanência no cargo por meio de liminares, mas o Supremo Tribunal Federal (STF) negou o último recurso do prefeito em fevereiro deste ano.
Ainda em 2025, quando Rubão assumiria a cadeira de prefeito de novo, Haroldinho Jesus (PDT), então presidente da Câmara de Itaguaí, assumiu a prefeitura por conta do indeferimento do candidato eleito. Ele era o próximo na linha sucessória e, por isso, se tornou prefeito interino.
Porém, depois de uma intensa disputa judicial, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu efeito suspensivo autorizando a diplomação e posse de Rubão no cargo.
Posteriormente, Rubão foi novamente afastado, em novembro do ano passado. Haroldinho, então, retornou ao cargo do executivo municipal e seguiu na cadeira até a decisão final do TSE determinando eleições suplementares. Com isso, Haroldinho entrou oficialmente na disputa eleitoral para permanecer no cargo.
Eleição foi marcada pro afastamento de Rubão, mandato interino de Haroldinho e indeferimento de Kelaine — Foto: Reprodução/Redes sociais
Kelaine Goulart teve registro indeferido no TRE e disputa sub judice
A empresária se candidatou a dois cargos ao mesmo tempo em 2026. Na teoria, se tratavam de eleições diferentes, pois um dos cargos era o de deputada federal, nas eleições gerais, enquanto o outro era o de prefeita, nas eleições suplementares.
A disputa simultânea levou Kelaine a ter sua candidatura indeferida. Ela recorreu, mas a Corte manteve a sentença de primeira instância. O relator do caso, desembargador eleitoral Bruno Bodart, argumentou que a legislação eleitoral não permite que uma mesma pessoa tenha registros de candidatura em circunscrições diferentes ao mesmo tempo.
Kelaine, agora, ainda aguarda análise de recursos no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e segue com candidatura indeferida.
A escolha definitiva: cerca de 158,7 milhões de brasileiros estão aptos a voltar às urnas neste domingo (25) para escolher o próximo presidente da República. Somente no Rio de Janeiro, são cerca de 12,8 milhões de eleitores que poderão participar do segundo turno das eleições de 2026, em que Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) disputam o comando do país pelos próximos quatro anos.
Diferente do primeiro turno, em que o cidadão fluminense precisou escolher seis candidatos para diferentes cargos, dessa vez o voto será apenas para presidente — com exceção de Itaguaí, que onde vão rolar eleições suplementares para prefeito.
A votação acontece das 8h às 17h, pelo horário de Brasília. Para evitar imprevistos, a Justiça Eleitoral recomenda que os eleitores confiram antecipadamente o endereço da seção eleitoral e separem os documentos necessários.
Previsão de chuva para o horário da votação
Na capital fluminense, a previsão do tempo também exige atenção: o Climatempo prevê mínima de 21°C e máxima de 27°C, com 94% de chance de chuva, ainda mais durante o período de votação. A previsão indica precipitação a partir do fim da manhã, com tarde e noite chuvosas.
A previsão do Sistema Alerta Rio, da Prefeitura do Rio, também aponta pancadas de chuva acompanhadas de raios a qualquer momento neste domingo de eleições, além de declínio das temperaturas. Os ventos podem variar de moderados a pontualmente fortes.
Filas devem andar mais rápido no segundo turno
De acordo com o juiz de fiscalização de propaganda eleitoral do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), Marcello Rubioli, o tempo que uma pessoa leva na cabine de votação deve reduzir bastante no Rio de Janeiro.
A expectativa é que o tempo caia de seis a dez minutos do primeiro turno para cerca de 30 segundos, já que a quantidade de candidatos caiu de seis para um.
Apenas um local de votação mudou no Rio
O estado do Rio de Janeiro teve apenas um local de votação alterado entre o primeiro e o segundo turno. A mudança ocorreu em Brás de Pina, na Zona Norte da capital, e afeta mais de 1,8 mil eleitores de cinco seções eleitorais.
Quem votou na Rede de Ensino EEEPV, na Rua Muaná, 105, deverá comparecer à unidade da mesma instituição localizada na Rua Irapuá, 243, em Penha Circular. O novo endereço fica a cerca de 1,3 quilômetro do anterior.
Nos outros 92 municípios fluminenses, os eleitores poderão votar nos mesmos locais utilizados no primeiro turno, realizado em 4 de outubro. Ao todo, o estado tem 5.040 locais de votação e 37.675 seções eleitorais.
Quais documentos levar para votar?
Para votar, é necessário apresentar um documento oficial com foto. São aceitos: Carteira de identidade (RG); Carteira Nacional de Habilitação (CNH); Passaporte; Carteira de trabalho física; Carteira de categoria profissional reconhecida por lei; Certificado de reservista; e-Título, desde que o aplicativo apresente a fotografia do eleitor.
Não é obrigatório levar o título eleitoral em papel. Quem não tiver o e-Título com foto deverá apresentar outro documento oficial com fotografia, mesmo que esteja vencido, desde que permita a identificação.
Também vale lembrar: quem não votou no primeiro turno poderá participar normalmente da votação deste domingo, desde que esteja com a inscrição eleitoral regular.
Depois de se encontrar com apoiadores em Minas Gerais, o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) se deslocou para o Rio de Janeiro, mais precisamente para o reduto do pai na capital fluminense — a Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste da cidade.
Os apoiadores do candidato se reuniram na tarde deste sábado (24), na Praça do Ó, em um ato de campanha na véspera do segundo turno das eleições ao lado de Flávio. A concentração começou por volta das 14h.
Cerca de meia hora depois, o público já lotava a praça e ocupava as pistas da orla da praia ao longo de um quarteirão. Flávio chegou ao local por volta das 16h para participar da mobilização, que encerra a campanha do senador antes da votação deste domingo (25).
A escolha da Barra da Tijuca repete o movimento feito por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que também realizou uma passeata no Rio na véspera do primeiro turno.
A programação prevê ainda uma caminhada até o condomínio onde Jair Bolsonaro tem casa.
Ato encerra agenda de Flávio no Sudeste
Antes de chegar ao Rio, Flávio participou de uma mobilização em Belo Horizonte, em Minas Gerais, na manhã deste sábado. O evento, organizado pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), integrou o chamado “Bloco do 22” e incluiu uma motociata entre a Praça do Papa e a Praça da Liberdade.
A agenda mineira contou com a presença de Nikolas e do governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Os dois estavam entre os nomes de destaque da mobilização realizada pela manhã.
Na barra, seus aliados políticos o acompanharam e se juntaram à base política do PL no estado fluminense, como o recém-eleito governador Douglas Ruas (PL).
“Está faltando alguma coisa. Está sempre faltando alguma coisa. Se é uma bebida, se é um amor. Oh, diabo, eu não sei”. Raul Seixas escreveu isso em algum momento de sua carreira, retrato da turbulenta vida que levava. Não à toa, era dependente químico. E o que ele disse encaixa perfeitamente na vida de um bêbado que está sem beber como eu. Quando estava na ativa, faltava sempre a próxima dose. E a próxima, e a próxima. Até o esgotamento. Em recuperação, vêm momentos em que surge aquele estalo. “Está faltando alguma coisa”. Acontece deitado na rede, andando pela rua, dentro do ônibus.
Nessas horas é preciso fazer o movimento contrário. “Todo mundo espera alguma coisa de um sábado à noite”, era a música que eu ouvia direto numa balada que ia nos anos 90. Achava insuportável. Mas eu me divertia assim mesmo. Bebendo, bebendo e bebendo. E tudo parecia que ia dar certo. O fundo de poço estava muito distante naquela ocasião.
Muito velório rolou de lá pra cá, como diria Mano Brown. E quase o meu próprio. Hoje, posso dizer com certeza o que espero deste sábado à noite. Uma reunião no meu grupo de escolha da irmandade. Talvez uma leitura depois, com o gato Severino no colo. Se eu me organizar, vou passar num sebo e tentar achar um exemplar de “A vingança do timão”, de Carlos Moraes. Sempre compro esse livro. Nunca tenho. É tão importante na minha vida que compro, releio e passo adiante.
Nos dias de sinto, nas noites de laço, preciso olhar para minha personalidade multifacetada e encontrar os melhores que sou. Por exemplo, me transformo em Belchior quando estou caminhando pela manhã rumo à praça e canto “vou viver as coisas novas, que também são boas, o amor e o humor das praças, cheias de pessoas. Agora eu quero tudo. Tudo outra vez”. Noutras ocasiões, indo tomar um sorvete de três reais (baunilha, sempre!) no shopping, sou Gal Costa, cantando “Baby”.
De repente, vou entrar numa igreja hoje. Não para pedir porra nenhuma. Mas para agradecer. Não importa o fato de eu ser ateu. Tenho um cachorro e quatro gatos. Eles, sem dúvida, acreditam em São Francisco. Isso me basta.
Por falar no cachorro, Lunga nos últimos dias finalmente conseguiu fazer amizade com a gatinha da oficina da Rua Teodoro da Silva. Foram meses. Inicialmente, ela corria pros fundos. Depois, olhava curiosa. Mais um tempo e passou se aproximar, desconfiada. Nesta semana ela fez focinho com focinho com ele. Ele foi pra casa com o coração saltitando. Eu fiquei com o meu quentinho.
O universo não tolera o vazio. Nem eu. Pra mim, o grande segredo atualmente consiste em preenchê-lo com coisas que já estão ali. E foi pensando nisso que descobri o que está faltando neste momento. Estava no 232, indo pro trabalho no Centro, em plena Radial, quando tive a iluminação. Está faltando uma carrocinha de churros na Praça Edmundo Rêgo, no Grajaú. Que é onde fica a igreja que abriga meu grupo. Pra que eu saia da reunião, lambuze os dedos, a barba e não sinta nem um tantinho de culpa por aquela quantidade de gordura e doce de leite. Afinal de contas, é só por hoje!