O Diretório Regional do Partido Liberal (PL) protocolou duas novas Ações de Investigação Judicial Eleitoral (AIJEs) no Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) contra o ex-prefeito e candidato derrotado ao governo do estado Eduardo Paes (PSD). Em uma delas, o atual prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere (PSD), também aparece entre os investigados.
Nas duas ações, o partido pede que sejam apuradas possíveis irregularidades eleitorais e, caso as acusações sejam comprovadas, que os responsáveis sejam declarados inelegíveis por oito anos.
Na semana passada, a coligação do governador eleito Douglas Ruas (PL) já havia recorrido à Justiça Eleitoral após a divulgação, durante um debate televisivo, do site anônimo ruasdeverdade.com, apontado como uma tentativa de desgastar a imagem do então adversário. Desta vez, as denúncias envolvem possíveis pressões sobre servidores municipais e a publicação de conteúdos na internet que questionam o resultado da eleição estadual.
Suspeita de pressão sobre servidores da prefeitura
Na ação que envolve o prefeito Eduardo Cavaliere, o Partido Liberal aponta possível abuso de poder político por meio de assédio eleitoral a servidores, terceirizados e trabalhadores contratados pela administração municipal.
A representação destaca a continuidade administrativa após a saída de Eduardo Paes da Prefeitura, em março de 2026, para disputar o governo estadual. Na ocasião, Cavaliere, então vice-prefeito, assumiu o comando da cidade.
Segundo om PL, servidores e trabalhadores vinculados à administração municipal teriam sido pressionados por superiores hierárquicos a participar de atividades políticas em favor de Paes. A denúncia menciona convocações em grupos profissionais de WhatsApp, reuniões, listas nominais de presença e receio de represálias, como demissões ou não renovação de contratos.
A petição utiliza informações reunidas pelo Ministério Público do Trabalho da 1ª Região (MPT-RJ), que investigou denúncias de assédio eleitoral na prefeitura. Entre os episódios relatados estão pressões sobre profissionais da rede municipal de ensino, especialmente da Secretaria Municipal de Educação, para comparecer a encontros políticos.
Investigação do MPT
O MPT chegou a expedir uma recomendação preventiva à Secretaria de Educação para coibir práticas de assédio eleitoral. Segundo a petição do PL, o município não havia apresentado resposta formal à recomendação quando foi ajuizada a ação civil pública do órgão trabalhista.
O partido pede que a Justiça Eleitoral investigue se Cavaliere teve conhecimento das denúncias e se houve omissão ou participação consciente na eventual utilização da estrutura administrativa municipal em benefício da candidatura de Paes.
A ação também inclui Jane Reis (MDB), candidata a vice-governadora na chapa de Paes. O próprio PL, porém, ressalva que a responsabilidade individual dela vai depender de uma apuração específica.
A ação civil pública apresentada pelo MPT contra o município foi extinta sem julgamento do mérito, após a Justiça reconhecer sua incompetência para analisar o caso. O órgão recorreu da decisão. Assim, as denúncias ainda não foram objeto de julgamento de mérito pela Justiça.
PL questiona campanha digital sobre segundo turno
A segunda ação tem como foco o canal público de WhatsApp denominado “Exército do Dudu 55”, que, segundo a documentação apresentada pelo partido, chegou a aproximadamente 60 mil seguidores.
O PL sustenta que a ferramenta foi utilizada para mobilizar apoiadores de Paes e divulgar conteúdos que questionam a vitória de Douglas Ruas no primeiro turno.
Além do ex-prefeito, são investigados o deputado federal eleito Renan Ferreirinha (PSD), o secretário municipal de Conservação, Diego Vaz, e a deputada estadual eleita Joyce Trindade.
Segundo a representação, os três divulgaram conteúdos relacionados ao movimento nas redes sociais. A petição, entretanto, individualiza as participações: Renan aparece em material audiovisual defendendo a realização de segundo turno, enquanto Diego e Joyce são apontados pela divulgação de peças gráficas e convites para ingresso no canal.
Um dos principais questionamentos do PL é a divulgação de informações que tratam a realização de um segundo turno como uma possibilidade praticamente certa ou já definida. O partido argumenta que o TRE-RJ homologou, por unanimidade, em 15 de outubro, o resultado da retotalização dos votos, que confirmou a eleição de Douglas Ruas no primeiro turno, com 50,88% dos votos válidos.
A petição também menciona a ação movida pelo PSD no Supremo Tribunal Federal (STF), que questiona os efeitos da exclusão dos votos de Anthony Garotinho (Republicanos). O PL argumenta, no entanto, que a existência do processo não significa que um segundo turno já esteja definido nem que o resultado proclamado pela Justiça Eleitoral tenha deixado de valer.
O PL pede que o canal do WhatsApp seja suspenso temporariamente. Caso isso não seja concedido, solicita que sejam retiradas as publicações que a Justiça considerar irregulares. O partido também quer que a Meta preserve os registros do canal e forneça informações que ajudem a identificar seus criadores e administradores.