O posto de gasolina São Sebastião, em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, recebeu mais de R$ 37 milhões em pagamentos da prefeitura desde 2012 e entrou no radar da Polícia Federal durante a investigação que levou à prisão do ex-prefeito e deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil).
Segundo a PF, o estabelecimento movimentou mais de R$ 10 milhões em depósitos em dinheiro vivo, operações comunicadas ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), órgão ligado ao Ministério da Fazenda.
Mas apesar de aparecer nas investigações, o posto não foi alvo da Operação Unha e Carne, deflagrada na última quinta-feira (15). Para a PF, a movimentação financeira identificada em dinheiro vivo é compatível com práticas de ocultação de valores.
A operação da PF investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado R$ 7,6 bilhões. De acordo com as apurações, o grupo contava com quase 100 postos de combustíveis para misturar recursos de origem ilícita ao dinheiro obtido com a venda de gasolina, incluindo valores provenientes de verbas públicas.
Canella é apontado como integrante do núcleo empresarial e político do esquema.
Dos sete contratos, um foi assinado quando Canella ainda era prefeito
De acordo com as invetigações, foram localizados sete contratos — que somam valores de cerca de 20 milhões — com o posto em Belford Roxo. Um deles foi assinado quando Canella era prefeito da cidade.
O contrato é com a Secretaria Municipal de Transportes, de 10 de novembro de 2025, antes de Canella renunciar ao mandato para concorrer à Assembleia Legislativa (Alerj).
O último documento foi assinado dois dias depois de Canella se tornar o segundo deputado estadual mais votado do Rio, com quase 200 mil votos, já na gestão de sua sucessora na prefeitura, no dia 06 de outubro.
Mariana Malta, que adotou o apelido Canella do aliado, não foi alvo da Operação Unha e Carne. Mas a Polícia Federal identificou um pagamento do deputado estadual eleito de R$ 50 mil à Mariana.
O posto de gasolina que recebeu mais de 37 milhões pertence a Bruno Viana de Souza. Segundo a polícia, Canella e Bruno são sócios numa outra empresa, a Brumar Empreendimentos.
A Polícia Federal investiga se o dinheiro público que saiu da prefeitura, comandada pelo grupo de Canella, teria entrado no posto de gasolina comandado por um sócio dele e voltado para o grupo através dessa outra empresa.
Com informações do “RJ2”.

































































