A Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu nesta terça-feira (12), o “Trenzinho da alegria” na Ponte Rio-Niterói, após constatar mais de dez infrações de trânsito. O caso aconteceu por volta das 16h, na altura da praça do pedágio. O veículo é usado para circular pela cidade para apresentações e eventos, e é extremamente popular.
Durante a fiscalização, policiais rodoviários federais do Grupo de Fiscalização de Trânsito (GFT) da 2ª Delegacia (Niterói) identificaram as seguintes infrações: sem luz de placa; sem para-brisas, apenas uma resina; disco de tacógrafo vencido; tacógrafo defeituoso; bancos sem cinto de segurança; transporte recreativo sem autorização do poder concedente; sem pneu estepe; alteração de cor; iluminação alterada; passageiros em pé; motorista com exame toxicológico vencido e sem curso especializado de transporte coletivo.
Após emitidas as notificações pelas infrações de trânsito, o veículo foi retido e encaminhado para o depósito.
Um imóvel do Rioprevidência com área equivalente a um terço da Ilha dos Caiçaras, na Lagoa Rodrigo de Freitas, Zona Sul do Rio, foi arrematado nesta terça-feira (15) pelo Clube dos Caiçaras. O espaço, que foi comprado pelo menor lance do leilão — R$ 23,7 milhões — já é utilizado pelo clube há décadas para atividades sociais, esportivas e recreativas.
O leilão foi realizado na sede do Rioprevidência, no Centro do Rio, como parte do plano de desinvestimento imobiliário do fundo previdenciário para arrecadar recursos destinados ao pagamento de aposentadorias e pensões dos servidores estaduais.
Clube dos Caiçaras já havia manifestado interesse na compra
Antes mesmo da renovação da autorização, o Clube dos Caiçaras havia demonstrado interesse em continuar utilizando a área e preservar os interesses da instituição em um eventual processo de venda do imóvel.
No início de setembro, a administração comunicou aos associados que pretendia participar do leilão. Segundo a instituição, o Conselho Deliberativo aprovou a adoção das medidas necessárias para a compra, com validação do Conselho Fiscal.
O clube também informou que pretendia exercer o direito de preferência assegurado ao ocupante regular do imóvel, conforme a legislação e as regras previstas no edital do leilão.
Com a arrematação nesta terça, o espaço utilizado pelo Caiçaras há décadas passa a ser adquirido definitivamente pela própria instituição.
Um incêndio em um restaurante tradicional do Catete, na Zona Sul do Rio, assustou quem passava pelo local na manhã desta terça-feira (15). Imagens divulgadas nas redes sociais mostram uma cortina de fumaça saindo do segundo andar do Butecão Gril & Bar, esquina da Rua do Catete com a Rua Andrade Pertence.
Segundo o Corpo de Bombeiros, o incidente começou por volta das 9h, após uma fritadeira na cozinha superaquecer e provocar um curto-circuito. As chamas se alastraram e geraram bastante fumaça. Não houve registro de vítimas.
Os bombeiros conseguiram controlar rapidamente o incêndio. No fim da manhã, o imóvel já havia sido liberado para a entrada dos funcionários, que realizavam a limpeza do local.
As chuvas que atingem o estado do Rio nas últimas semanas, quase sem pausas, também afetaram a Estação de Tratamento de Água (ETA) Guandu, em Nova Iguaçu, e o Sistema Acari. Municípios da Baixada Fluminense e a capital podem ter o abastecimento de água afetado.
ETA Guandu
A Cedae disse que a ETA Guandu opera com 90% da capacidade total desde a noite de segunda-feira (14), medida adotada para garantir maior controle do processo de tratamento e assegurar a manutenção dos padrões de potabilidade, diante das alterações na qualidade da água bruta causadas pelas chuvas.
Confira as regiões que podem ser impactadas:
A Águas do Rio especificou onde o abastecimento pode ser impactado. As concessionárias Iguá Rio e Rio+Saneamento também comunicaram aos clientes que as áreas atendidas por elas também podem ser afetadas. A segunda especificou que a Zona Oeste entra na lista.
Belford Roxo: todo o município.
Duque de Caxias: Bar dos Cavalheiros, Centenário, Centro, Doutor Laureano, Gramacho, Jardim 25 de Agosto, Olavo Bilac, Parque Duque, Parque Fluminense, Parque Sarapuí, Periquito, São Bento, Vila São José e Vila São Luiz.
Mesquita: todo o município.
Nova Iguaçu: Ambaí, Austin, Botafogo, Cabuçu, Cacuia, Caioba (Kennedy), Califórnia, Campo Alegre, Caonze, Carlos Sampaio, Carmari, Centro, Cerâmica, Chacrinha, Comendador Soares, Danon, Engenho Pequeno, Inconfidência, Ipiranga, Jardim Alvorada, Jardim Guandu, Jardim Iguaçu, Jardim Palmares, Jardim Pernambuco, Jardim Tropical, KM 32, Lagoinha, Luz, Marapicu, Moquetá, Nova América, Nova Era, Ouro Verde, Palhada, Paraíso, Parque Flora, Ponto Chic, Posse, Prados Verdes, Prata, Rancho Novo, Riachão, Rodilândia, Santa Eugênia, Tinguazinho, Três Corações, Valverde, Vasco da Gama, Viga, Vila Guimarães, Vila Nova e Vila Operária.
Queimados: todo o município.
Rio de Janeiro: Acari, Anchieta, Bancários, Barros Filho, Benfica, Bento Ribeiro, Bonsucesso, Cacuia, Cachambi, Caju, Catete, Catumbi, Centro, Cidade Nova, Cidade Universitária, Cocotá, Coelho Neto, Colégio, Complexo do Alemão, Cordovil, Costa Barros, Del Castilho, Engenho da Rainha, Engenho Novo, Estácio, Flamengo, Freguesia (Ilha do Governador), Galeão, Gamboa, Glória, Guadalupe, Higienópolis, Honório Gurgel, Inhaúma, Irajá, Jacaré, Jacarezinho, Jardim América, Jardim Carioca, Jardim Guanabara, Lapa, Laranjeiras, Madureira, Mangueira, Manguinhos, Maré, Marechal Hermes, Maria da Graça, Moneró, Olaria, Oswaldo Cruz, Parada de Lucas, Parque Colúmbia, Pavuna, Penha, Penha Circular, Pilares, Pitangueiras, Portuguesa, Praia da Bandeira, Ramos, Riachuelo, Ribeira, Rocha, Rocha Miranda, Sampaio, Santo Cristo, São Cristóvão, São Francisco Xavier, Saúde, Tauá, Tomás Coelho, Turiaçu, Vicente de Carvalho, Vigário Geral, Vila da Penha, Vila Kosmos, Vista Alegre e Zumbi.
São João de Meriti: todo o município.
Sistema Acari
Também na segunda-feira (14), a Cedae confirmou a paralisação temporária do Sistema Acari, que opera com 90% da capacidade total, para controlar a qualidade da água durante o período chuvoso. De acordo com a assessoria da Águas do Rio, a situação permanece a mesma.
Confira as regiões que podem ser impactadas:
Belford Roxo: Itaipu, Lote XV, Maringá, Nova Aurora, Recantus, São Vicente, Shangrila, Vale do Ypê e Wona.
Duque de Caxias: Alto da Serra, Amapá, Barro Branco, Cângulo, Chácaras Arcampo, Chácaras Rio-Petrópolis, Cidade dos Meninos, Cidade Parque Paulista, Figueira, Imbariê, Jardim Anhangá, Jardim Primavera, Lamarão, Mantiqueira, Parada Angélica, Parada Morabi, Parque Capivari, Parque Eldorado, Pilar, Santa Cruz da Serra, Santa Lúcia, Santo Antônio, Saracuruna, Taquara e Xerém.
Japeri: Alecrim, Aljezur, Belo Horizonte, Cajuri, Delamare, Esperança, Jardim Primavera, Jardim São João, Jardim Transmontano, Jardim Tri-Campeão, Jardim Willis, Laranjal, Parque dos Santos, Pedra Lisa, Rio D’Ouro, Santa Amélia, Santa Inês, Santo Antônio, Teófilo Cunha, Vila Conceição e parte do bairro Dos Eucaliptos.
Nova Iguaçu: Adrianópolis, Ambaí, Boa Esperança, Botafogo, Caiçara, Caioaba, Carlos Sampaio, Carmari, Cerâmica, Cobrex, Corumbá, Figueiras, Geneciano, Grama, Iguaçu Velho, Jaceruba, Jardim da Posse, Jardim Natal, Jardim Real, Jardim São Vicente, Kennedy, Miguel Couto, Montevidéu, Nossa Senhora de Fátima, Nova América, Parque Ambaí, Parque Flora, Parque São Carlos, Ponto Chic, Posse, Rancho Fundo, Rio D’Ouro, Santa Rita, Tinguá, Tinguazinho, Três Corações, Vila de Cava, Vila Fluminense e Vila Guarita.
Queimados: Belmonte, Carmo, Fanchem, Fátima, Jardim Queimados, Jardim Tri-Campeão, Luiz de Camões, Paraíso, Rio D’Ouro, Roncador, São Jorge, São Simão, Tinguá, Três Pontes, Vale Ouro, Vila Camarim, Vila Central, Vila Nanci, Vila São Francisco e Vila Tinguá.
As chuvas também afetaram unidades operadas pela própria Águas do Rio. Em Magé, as Unidades de Tratamento (UTs) Piabetá , Paraíso e Santo Aleixo tiveram a operação impactada, podendo afetar o abastecimento nas seguintes localidades:
Magé: Barbuda, Bela Floresta, BNH (Santo Aleixo), Britados, Campo Grande, Capela, Centro de Piabetá, Cidade Horário, Corumbá, Fazenda Sobradinho, Figueira (partes), Gandé, Ilha (partes), Jardim Esmeralda, Jardim Novo Horizonte, Malrimarcia, Maria Conga, Nova Marília, Parque Humaitá, Parque Santana, Parque São Jorge, Parque Veneza, Saco (partes), Santo Aleixo, São Geraldo, São Paulo (Buraco da Onça), Vila Carvalho, Vila Esperança, Vila Rachel, Vila Santo Antonio, Vila Velha, Santo Aleixo, Capela, BNH (Santo Aleixo), Jardim Esmeralda, Vila Santo Antonio, Nova Marília, Figueira (partes), Saco (partes) e Gandé.
Em Duque de Caxias, a ETA Taquara, também administrada pela Águas do Rio, teve a operação temporariamente paralisada devido às condições provocadas pela chuva. A unidade atende Taquara, Barro Branco, Imbariê, Jardim Rotsen e Vila Sapê.
Recomendações das concessionárias
As concessionárias têm recomendações em comum para que os clientes utilizem a água armazenada em caixas-d’água de forma consciente. Além disso, reforçam que assim que as operações forem retomadas o abastecimento será normalizado de forma gradativa.
A Prefeitura do Rio lançou nesta terça-feira (15) uma nova política voltada à primeira infância, com a proposta de integrar informações de diferentes órgãos para colocar crianças de até 6 anos no centro das decisões de diferentes áreas da administração municipal.
O decreto que cria Política Municipal Integrada da Primeira Infância Carioca (PMIPIC) institui uma nova estrutura de governança, sob responsabilidade da Secretaria municipal da Casa Civil, e integra cerca de 18 órgãos em torno de ações de saúde, educação, assistência social, habitação, alimentação, mobilidade e direito à cidade.
A política começou a ser testada em abril, em 14 bairros da região de Madureira, na Zona Norte do Rio, onde o monitoramento de 6.627 crianças e gestantes levou, em 30 dias, à regularização de 619 pessoas que apresentavam alguma pendência nos serviços públicos.
Pequenos Cariocas
À frente da iniciativa estará o Pequenos Cariocas, que vai usar um painel de monitoramento desenvolvido pela IplanRio para cruzar informações de diferentes órgãos e identificar situações de vulnerabilidade. O sistema vai acompanhar cerca de 130 mil crianças, gestantes e puérperas, o equivalente a 33,2% das crianças cariocas na primeira infância e a 26% das gestantes atendidas pela rede pública municipal.
A política foi dividida em nove eixos, que incluem atenção especial às famílias mais vulneráveis, combate à violência e garantia de direitos, alimentação adequada, inclusão, moradia e acesso à cidade. Também entram na estratégia o direito ao brincar, a participação das crianças nas decisões e o fortalecimento das famílias e dos cuidados.
Durante a experiência em Madureira, a equipe da 5ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE) encontrou uma criança de 4 anos que não estava matriculada. Ao aprofundar a busca, descobriu que os três irmãos mais velhos também estavam fora da escola. Os quatro acabaram sendo matriculados.
A partir do Pequenos Cariocas, a Secretaria Municipal de Educação estruturou uma busca ativa específica para localizar crianças de 4 e 5 anos em situação de vulnerabilidade. O cruzamento de dados com unidades de saúde e o CadÚnico ajuda a encontrar famílias que ainda não chegaram à rede de Educação e que, sem esse compartilhamento de informações, poderiam continuar fora do alcance das políticas públicas.
Cartão Primeira Infância Carioca
O programa Pequenos Cariocas também passa a monitorar, em escala municipal, situações relacionadas à saúde e à assistência, como vacinação, consultas, visitas domiciliares, vinculação à Atenção Primária, pré-natal, puerpério, testes rápidos durante a gestação, documentação civil e atualização do Cadastro Único. Na Educação, entram no acompanhamento a inscrição e matrícula em creches e pré-escolas e a frequência escolar.
A política também incorpora o Cartão Primeira Infância Carioca. Coordenado pela Secretaria Municipal de Assistência Social, o benefício prevê recargas mensais de R$ 200 para a compra de alimentos. Podem receber o cartão: famílias com renda mensal de até R$ 218 por pessoa, que tenham crianças de zero a quatro anos e não recebam o Bolsa Família.
Aliado histórico de candidaturas do PT, o cantor e compositor Chico Buarque voltou a declarar apoio às candidaturas do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) nas eleições deste ano. Entre os nomes destacados pelo artista está Marina do MST (PT), que disputa a reeleição para deputada estadual no Rio.
“Nessas eleições, vamos apoiar candidatos que pensem em valores coletivos, na solidariedade, no humanismo, na justiça e na soberania. Nós temos excelentes candidatos do MST para votar este ano. E, no nosso Rio de Janeiro, temos a Marina do MST”, afirmou Chico Buarque.
Marina é a única representante do MST na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Presidente da Comissão de Segurança Alimentar, ela tenta conseguir seu segundo mandato nas eleições deste ano.
Chico é apoiador do PT há décadas e declarou voto em Lula (PT) nas últimas eleições presidenciais. O cantor foi um dos artistas que participou da gravação do jingle político “Lula lá” na campanha presidencial de 1989.
Costumava ir a Del Castilho lá na década de 1990 quando, ainda na trincheira do jornalismo diário, tinha folgas em dias de semana, quando costumava me enfiar no cinema para dois filmes na sequência e o Shopping Nova América tinha boas salas e programação variada. Mas creio que não fui lá neste século. Com o vizinho bairro de Maria da Graça, também na Zona Norte, tenho uma relação mais estável, proporcionada pelo Bar Amendoeira, um precioso exemplar dos botequins cariocas. Mas fui levado a voltar a esse trecho da Zona Norte porque os vereadores aprovaram e o prefeito sancionou a criação do novo Bairro dos Ingleses, delimitado pela subdivisão de Maria da Graça e Del Castilho, como estabelece a Lei Complementar 302/2026.
Maria da Graça e Del Castilho são estações da Linha 2 do metrô do Rio e este carioca – favorável ao transporte público mesmo quando tinha carro – sempre usou os bons serviços dos trilhos para ir até lá. Mas nunca tinha ouvido falar desses ingleses que viraram bairro. Falha nossa, naturalmente: desde meados do século passado, os moradores de um conjunto de ruas usavam esse nome para denominar a região – até alguns ingleses viveram ali. A origem do novo bairro e do nome está na Companhia Nova América de Tecidos, fábrica inaugurada em 1925 em Del Castilho – e fechada em 1991 para dar lugar ao shopping. A empresa trouxe da Inglaterra alguns engenheiros, para a construção, e técnicos, para a operação fabril: para eles e outros funcionários, a Nova América alugava a preços subsidiados imóveis num numa área urbana recém-loteada, vizinha à fábrica.
Essa área está na origem do bairro Maria da Graça: foi lançado, também em 1925, o Bairro-Jardim Maria da Graça pela Companhia Immobiliaria Nacional S/A, que comprara a antiga Fazenda Maria da Graça. O empreendimento foi erguido sob o conceito de garden-city, surgido na Inglaterra (olha os ingleses novamente) com previsão de ruas arborizadas e praças – uma espécie de oásis paliativo para as cidades poluídas da Revolução Industrial. Foi, aliás, a Imobiliária Nacional que patrocinou a construção da estação ferroviária de Maria da Graça – da linha auxiliar da Central do Brasil – em 1929. O traçado dessa linha foi usado na Linha 2 do Metrô: sua estação Maria Graça fica no lugar da antiga estação ferroviária.
Ruas arborizadas, calçadas largas, quebra-molas no asfalto: características do recém-criado Bairro dos Ingleses (Foto: Oscar Valporto)
Para chegar ao novo Bairro das Ingleses, basta desembarcar do metrô exatamente naquela estação – as 10 ruas (Pires de Carvalho, Domingos de Barros, Ferreira Cardoso, Silva Rosa, Antônio de Freitas, Atílio Milano, Guanacás, Jacutinga, Resende Costa e Travessa Malafaia) que formam o bairro faziam, quase todas, parte de Maria da Graça. E elas têm mesmo características próprias na pequena elevação no lado direito dos trilhos na direção da Pavuna: muitas casas, prédios baixos, residências na grande maioria.
Há alguns poucos serviços – academia de ginástica, cabeleireiro, oficina mecânica – ocupando os cerca de 800 imóveis, pelas contas da Associação de Moradores e Amigos do Bairro dos Ingleses, fundada em janeiro pelo pessoal empenhado na oficialização do novo bairro, finalmente formalizado com a aprovação pela Câmara no começo de agosto (com um jabuti municipal, abrindo caminho para a criação de fundos imobiliários: mas isso é outra história). Mas comércio de verdade só na Avenida Dom Helder, que contorna o Bairro dos Ingleses e serve de divisa com os vizinhos Maria da Graça e Del Castilho. E há grades na entrada de, ao menos, quatro ruas para delimitar o bairro – e uma cabine telefônica ao estilo londrino, com uma placa caprichada na frente, no acesso pela Pires de Carvalho.
Muros altos, reforço de arame farpado, câmeras: preocupação com a segurança no Bairro dos Ingleses (Foto: Oscar Valporto)
A segurança é preocupação evidente; e, natural, numa Zona Norte onde o policiamento ostensivo é sempre precário. As casas e edifícios têm, em maioria, muros altos e cercas de arame farpado; câmeras de segurança também tornam a paisagem menos inglesa. Numa tarde nublada deste setembro um tanto londrino no Rio de Janeiro, poucas pessoas e poucos carros circulam pelo bairro – a velocidade nas ruas é limitada por seguidos quebra-molas. Um morador garante que, nos fins de semana, há mais movimento, que os vizinhos se frequentam, crianças brincam na calçada e idosos se exercitam na pracinha.
Cabine imitando ícone londrino na entrada do bairro: rastros ingleses na Zona Norte carioca (Foto: Oscar Valporto)
Mas, como qualquer britânico legítimo iria reparar, falta um pub neste Bairro dos Ingleses no subúrbio carioca. No perímetro delimitado pela prefeitura, a opção para uma cerveja é na fieira de barracas vizinhas à estação do metrô. Para as almas boêmios, melhor atravessar a linha – por dentro da estação – e andar pouco mais de 10 minutos até o Bar da Amendoeira, onde matei as saudades da moela da casa, cantarolando um samba de Aldir Blanc para homenagear os 80 anos (em 2 de setembro) do cronista da alma carioca.
Ali, entre o balcão e as mesas sob a amendoeira que rebatizou o Café e Bar Lisbela, os frequentadores parecem não se opor à criação do novo bairro, tirando uma costela de Maria da Graça; um morador deste lado dos trilhos do metrô lembra que “tem gente do lado de lá que se acha mesmo meio inglês”. Só não podem, concordam os companheiros de mesa, tirar a brasileira Maria da Graça do nome da estação.
O Bar da Amendoeira, tradicional botequim de Maria da Graça, bairro vizinho ao dos Ingleses: para as almas boêmias (Foto: Oscar Valporto)
Segundo o Executivo estadual, a parcela fora da renegociação prevista pelo Propag chegaria, em média, a R$ 436 milhões. O Estado estima economizar mais de R$ 6 bilhões com o programa apenas em 2026.
Correção do saldo devedor
O Propag também estabelece que o saldo devedor seja corrigido apenas pelo IPCA, sem a incidência de juros. O Rio optou pela amortização de 20% da dívida e, com a adesão ao programa, a previsão é de uma economia de R$ 12 bilhões para o estado em 2027.
Entre as contrapartidas da renegociação está a destinação de 1% do saldo da dívida ao Fundo de Equalização Federativa (FEF), mecanismo que prevê a distribuição dos recursos acumulados entre os estados.
Medidas que o Rio deve tomar por se enquadrar no programa
Também está prevista a adoção de um teto de gastos para os estados incluídos no programa, por meio de um projeto de lei que ainda vai ser enviado à Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). A medida pretende ampliar o controle sobre as despesas.
Outra exigência é o investimento de 1% do saldo devedor em áreas como educação profissionalizante, infraestrutura e segurança. No segundo semestre de 2026, serão destinados R$ 1 bilhão para esses setores. Em 2027, o valor sobe para R$ 2,2 bilhões.
Somente para o Ensino Técnico de Nível Médio, estão previstos cerca de R$ 600 milhões ainda neste ano. A expectativa é criar mais de 30 mil novas vagas, por meio das redes próprias e de parcerias, dobrando a capacidade atual.
A troca de apartamentos antigos por novos no mesmo edifício após incorporado é uma tendência em crescimento na Zona Sul do Rio. O fenômeno de permuta sempre existiu, mas a vontade de antigos proprietários em permanecer no endereço, ao invés de receber um valor à vista, tem se tornado bastante comum em novos empreendimentos na região — um reflexo da alta dos aluguéis de curta duração na cidade e sua rentabilidade para os proprietários.
Quem confirma a tendência são os proprietários da TGB Imóveis e da SIG Engenharia, que fizeram a oferta de permuta a proprietários de apartamentos de um antigo prédio no Leblon. Quase todos preferiram a troca, o que Guili Chor, diretor da TGB, entende como justificável, pois os donos sabem que os aluguéis vão duplicar ou triplicar com o prédio novo.
Inclusive, quando o apartamento antigo já era usado para renda, a troca pode envolver até mais de uma unidade no novo empreendimento. Por exemplo, um apartamento de 120m² pode se tornar três de 40m², o que dá ao proprietário a oportunidade de alugar três unidades simultaneamente.
Com lançamento para este mês, residencial no histórico Edifício Unidos, no Centro do Rio, terá 123 unidades; valor geral de vendas é estimado em R$ 82 milhões
Prédio que faz parte da paisagem histórica do Centro do Rio, o Edifício Unidos, construído em 1937 na Avenida Rio Branco, está prestes a ganhar uma nova função. O imóvel, que por décadas teve uso comercial, será transformado em um residencial com 123 apartamentos, em um projeto de retrofit da incorporadora WPX que chega ao mercado ainda neste mês. As unidades terão preços a partir de R$ 263 mil.
O projeto tem Valor Geral de Vendas (VGV) estimado em R$ 82 milhões. Algumas unidades terão varanda e outras, terraço, acompanhando a configuração da fachada. A quantidade de janelas e a chamada “boca de sala” também são características que a incorporadora destaca como diferenciais do empreendimento.
A convenção de vendas do empreendimento aconteceu na última quinta-feira (10), no Cine Odeon, na Cinelândia, e reuniu mais de mil corretores. O edifício tem 16 andares, fachada em estilo art déco e foi projetado pelo arquiteto Luiz Fossati. A construção ficou a cargo da Christiani & Nielsen Engenheiros e Construtores Ltda.
A nova ocupação vai manter características da construção original, mas adaptar os espaços para o uso residencial. Serão 92 estúdios, com áreas entre 23,48 m² e 42,52 m²; 28 apartamentos de um quarto, de 35,40 m² a 53,29 m²; e três coberturas, que variam de 50,88 m² a 94,11 m².
Estrutura para quem quer morar no Centro
Apesar de preservar a identidade de um edifício quase centenário, o novo residencial terá uma estrutura pensada para a rotina atual. O projeto prevê dois rooftops, com piscina, sauna, academia panorâmica, lounge e mercadinho.
Também estão previstos coworking, lavanderia compartilhada, bicicletário, maleiro, espaço para recebimento de encomendas e portaria automatizada.
Por estar enquadrado no Reviver Centro, o projeto também prevê isenção de ITBI para os primeiros compradores, conforme as regras do programa. Como o edifício é tombado pelo Iphan, também terá isenção de IPTU, segundo as condições aplicáveis ao imóvel.
Endereço estratégico
A localização coloca o futuro residencial no meio de um dos circuitos culturais e turísticos mais movimentados do Centro do Rio. O prédio fica perto da Praça Mauá; do Museu do Amanhã; do MAR; do Boulevard Olímpico; do CCBB; do Paço Imperial; e da Pedra do Sal. O endereço também tem acesso ao VLT e fica próximo ao Aeroporto Santos Dumont e às Barcas da Praça XV.
O estande de vendas funciona no próprio edifício e já está preparado para receber os interessados. A partir do dia 19, às 09h, será possível visitar os dois apartamentos decorados montados no local.
Cerca de um terço da área total da Ilha dos Caiçaras, na Lagoa Rodrigo de Freitas, vai a leilão nesta terça-feira (15) na sede do Rioprevidência, no Centro. O lance inicial é de cerca de R$ 23,4 milhões. O certame faz parte de um plano de desinvestimento imobiliário do fundo previdenciário para captar recursos voltados às aposentadorias e pensões dos servidores estaduais. O edital prevê disputa em modo fechado e aberto, com vitória para o maior lance por item.
O espaço é ocupado há décadas pelo Clube dos Caiçaras para atividades esportivas, sociais e recreativas. Em maio, o Rioprevidência renovou por um ano a autorização de uso, de caráter provisório, precário e mediante taxa mensal, garantindo a permanência do clube até a realização do leilão.
Antes sequer da renovação da autorização para uso de um terço da ilha, o clube reafirmou seu interesse em usar a área e preservar os interesses da instituição em eventual processo de alienação. Assim, o Caiçaras continuou ocupando a parte da ilha até a data do leilão.
Clube dos Caiçaras tem interesse em arrematar de vez o seu terço da ilha
A administração do Clube dos Caiçaras afirmou, em uma nota enviada aos associados no começo de setembro, que tem como objetivo participar da disputa pelo um terço da Ilha Caiçaras. De acordo com o clube, o Conselho Deliberativo já aprovou a adoção das medidas necessárias para a compra, com a validação do Conselho Fiscal.
O plano da instituição é exercer o direito de preferência assegurado ao ocupante regular de bem público, conforme prevê a legislação e o próprio edital. A diretoria pediu sigilo aos sócios sobre a capacidade financeira, alternativas de estratégias jurídicas preparadas pelos advogados.