Imagine por um momento a aventura de uma vida começando na sala de espera de um consultório odontológico. Filme esquisito e improvável, né? Não para o aventureiro niteroiense Maurício Acklas, que, num estalo, enquanto ouvia do lado de fora o temido “zzzzzzzzzzz” da broca do dentista descobriu um outro Z. O da cidade perdida, objeto de busca e trágico destino do militar e aventureiro britânico Percy Fawcett.
Mas tentemos contar essa história com alguma organização, desde o começo, se é que há um, visto que fim, definitivamente, não existe. Ainda.
Maurício Acklas percorreu mais de 100 mil quilômetros pelo mundo inteiro, checando várias teorias, entrando em contato com várias culturas. Tudo por uma obsessão. Saber o que aconteceu com o coronel Fawcett, que desapareceu no Alto Xingu, no Mato Grosso, em 1925. O inglês procurava a mítica Cidade Perdida de Z, nunca encontrada. Acklas procura Fawcett. E essa busca incessante rendeu vários vídeos e outros trabalhos, entre eles o livro em quadrinhos “Decifrando Fawcett – O Homem”, primeiro de uma série em quatro episódios que vai contar a saga deste aventureiro e está sendo lançado no Bienal de São Paulo.

“Li tudo que foi publicado sobre Fawcett. Livros, documentos obscuros. Viajei o mundo procurando pistas”, conta Acklas, apelidado de Indiana Jones de Niterói.
Expedições realizadas por vários lugares do mundo
As expedições de Acklas já passaram por regiões como Serra do Roncador, Xingu, Amazônia e Acre, além de países como Peru, Chile, Colômbia, Itália, Grécia, Turquia, França, Espanha, Portugal e Reino Unido.
Na última, recentemente, esteve na Turquia pesquisando ruínas de uma cidade subterrânea de 19 pavimentos. Para baixo, por supuesto.
“Era uma cidade incrível. As entradas eram estreitas, difíceis, um homem por vez podia passar. Uma excelente defesa contra invasores. Podiam mandar um exército de seis milhões. Não ia adiantar. Ia ter que entrar um de cada para encarar as lanças”, entusiasma-se Acklas, dizendo que o sítio arqueológico visitado é datado em 12.500 anos.
Teorias que envolvem até mesmo a mítica Atlântida
Mas o que uma cidade subterrânea na Turquia tem a ver com o desaparecimento de um aventureiro inglês no Mato Grosso? Para juntar essas peças, basta recorrer a um dos maiores mistérios, lenda para muitos, da humanidade. O continente perdido de Atlântida, que teria afundado no oceano após um cataclisma.
“Fawcett acreditava que os criadores da Cidade de Z fossem descendentes dos atlantes”, explica Acklas.
O aventureiro niteroiense, seguindo essa pista, chegou até o celebrado “manuscrito 512”, que está na Biblioteca Nacional.
“Esse documento é um relato de bandeirantes que teriam avistado na Bahia uma cidade perdida de proporções ciclópicas (gigantes), como as grandes erguidas pelas populações do passado”, conta Acklas.
O incansável niteroiense percorreu as pistas procurando também essa cidade. Não achou nada. Assim como está longe de encontrar a Cidade Perdida de Z, em cuja busca sumiram tanto o coronel Percy Fawcett quanto seu filho, Jack, e um amigo deste, Raleigh Rimmell. Sumiram para, até agora, nunca mais.
“Na década de 50, alguns indígenas apareceram dizendo terem sido os assassinos do trio. Disseram que jogaram os corpos dos jovens no rio e mostraram uma tumba onde estariam os restos do coronel”, lembra Acklas.
Polêmica e mito da da imprensa envolvidos
Mais uma pista sem saída. O esqueleto chegou ser levado para a Inglaterra, onde foi negada de forma veemente a possibilidade de pertencer a Fawcett. O que não impediu o financiador da exposição de outrora, o não menos aventureiro (este num não tão bom sentido da palavra) Assis Chateaubriand de vender muitos jornais e revistas.
Acklas, que é somente aventureiro e está longe de possuir uma fortuna, até agora só amealhou gastos com suas andanças. Depois de onze anos gerindo bares em cruzeiros de luxo, juntou os recursos e com eles até hoje financia suas aventuras. Reserva para o futuro? Necas!
“As viagens em si já foram boas. Mudaram minha concepção de vida”, reflete Acklas, que ainda contará a história de Fawcett em mais três volumes, “O explorador”, “A caçada” e “O místico”.
Por enquanto, a Cidade Perdida de Z, esteja onde estiver, pode esperar. Porque Acklas não é de desistir fácil…




























































