O Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) aceitou por unanimidade, nesta terça-feira (22), o registro de candidatura de Rueda (União Brasil) para deputado federal. O julgamento havia sido suspenso em 11 de setembro para que a Corte reunisse documentos após o surgimento de novas informações sobre o candidato, entre elas acusações feitas pelo banqueiro Daniel Vorcaro em uma proposta de delação ainda não aceita pelas autoridades.
Vorcaro havia afirmado que Rueda e o também dirigente do União Brasil ACM Neto atuaram para facilitar negócios do Banco Master com institutos de previdência de diferentes estados. O relato citava o Rioprevidência, órgãos do Amapá e do Amazonas e a Cedae, além de uma suposta comissão de 10% sobre R$ 2 bilhões em operações.
No voto que levou ao deferimento do registro, porém, o relator, desembargador Paulo Cesar Salomão Filho, não analisou essas acusações. Segundo Salomão, a suposta delação não fazia parte dos pontos que o Tribunal havia determinado investigar e, por isso, não entrou na análise do caso.
Relator diz que diligências não encontraram ligação de Rueda com grupos paramilitares
O principal ponto analisado pelo relator foi a relação de Rueda com pessoas apontadas pela Justiça Eleitoral como integrantes ou articuladores de organizações paramilitares. Entre elas estão Eduardo Araújo e Fabinho Varandão, que ocuparam secretarias na Prefeitura de Belford Roxo em 2025 e fizeram publicações de apoio à candidatura de Rueda.
Segundo Salomão Filho, porém, as diligências não encontraram registros de que a estrutura desses grupos tenha sido usada em favor da campanha. Todas as zonas eleitorais de Belford Roxo também informaram que não houve, durante a eleição, casos de ameaça, violência, destruição de propaganda, controle territorial, coação de eleitores ou uso de homens armados em benefício das candidaturas de Rueda e Márcio Canella.
O relator também destacou que Eduardo Araújo e Fabinho Varandão deixaram os cargos na prefeitura em setembro de 2025. Rueda, segundo o voto, nunca ocupou cargo ou função pública no município.
Para Salomão Filho, as manifestações de apoio feitas pelos dois nas redes sociais não foram suficientes para ligar Rueda aos grupos paramilitares. Segundo ele, não havia nos autos indicação de que o candidato tivesse pedido, combinado, financiado ou respondido às publicações.
Decisão da Justiça Eleitoral não extingue a possibilidade de novas investigações
Ao final do voto, o relator fez uma ressalva: o deferimento do registro não significa que Rueda esteja livre de futuras investigações eleitorais.
Segundo o magistrado, se surgirem novos fatos ou provas que indiquem alguma ligação do candidato com grupos criminosos armados, a Justiça Eleitoral ainda poderá analisá-los.
Com a decisão desta terça-feira, Rueda mantém o registro para disputar uma vaga de deputado federal pelo Rio nas eleições de 2026.