Ontem, uma pessoa muito querida comemorou em seu grupo na irmandade o fato de estar um ano longe da bebida. Não pude ir, porque estava trabalhando. Triste por um lado, muito feliz por outro. O fato de ela estar recebendo essa conquista, e eu estar conseguindo trabalhar mais uma vez, depois de achar que tudo estava perdido. Então, vão aqui algumas lembranças.
Quando ela chegou à clínica, eu já estava internado há mais de 20 dias. Minhas mãos ainda tremiam, mas eu conseguia escrever. Inclusive estavam sendo gestados os primeiros textos do que viria a se tornar meu livro. Ela chegou assustada, claro, como todo mundo. Não bastassem todas as dificuldades, foi obrigada a dividir o quarto na clínica com uma das piores pessoas que tive o desprazer de conhecer na vida. Uma pessoa realmente ruim, cujo menor dos problemas era ser uma maníaca movida a cocaína.
Essa hoje minha amiga suportou tudo em silêncio. Foi evoluindo na recuperação. Apaixonou-se pela literatura de Narcóticos Anônimos, que era nossa ferramenta usual no tratamento. E foi ganhando forças. Superou o estigma de ser alcoólatra mesmo sendo mulher e mãe. Porque se a sociedade é dura com os bêbados, a misoginia mostra sua face ainda mais cruel quando se trata de mulheres que têm a doença da dependência da bebida. São imediatamente condenadas ao inferno, como se dentro dele já não estivessem. Mas me faltam palavras para escrever sobre o que ela viveu e descrever o tamanho de sua conquista. Vamos deixá-la falar:
“Perdi pro álcool na pandemia. Nunca fui uma pessoa de frequentar os bares e círculos de amizade que usavam álcool. Mas, na pandemia, o álcool chegou como sendo uma droga social. Bebia, trocava figurinha com uma amiga sobre as bebidas. Logo isso se tornou um problema. Um pouco tempo assim, eu lembro que aproximadamente uns nove meses, eu já estava tendo os apagões, já estava tendo perda de controle, não sabia mais as coisas que eu tinha falado. As doses que eu comprava já não eram mais suficientes, eu bebia tudo, e depois eu queria mais. E foi se criando um ciclo de dependência mesmo. E aos poucos a droga foi virando tudo pra minha vida, tudo, pra lidar com todas as situações difíceis que a pandemia trouxe pra mim. Eu precisava daquela dose pra poder relaxar, pra poder sair dali e me conectar. E primeiro pra relaxar e no final da noite pra esquecer tudo de ruim que estava acontecendo à minha volta. Sou mãe atípica, que tem uma criança especial, que sofreu muito na pandemia. Eu não soube lidar com esse sofrimento, e o álcool virou meu melhor amigo. Busquei ajuda psiquiátrica, redução de danos, não consegui parar, a coisa só foi só evoluindo, a gente saiu da pandemia, e eu continuei com a minha dificuldade de lidar com as situações difíceis, impor limites para as pessoas, e isso só foi piorando.
Até que um dia eu tive um descontrole tão grande que eu fiquei pela rua mais de doze horas seguidas, de lugares e lugares, procurando uma dose. Saí de casa nove horas da manhã, só cheguei em casa onze horas da noite, isso porque me acharam, né, numa praça perto de casa. E depois desse dia, eu decidi que tinha que dar um basta pra mim, e fiquei aí seis, sete meses sem beber. Mas a doença ainda estava em mim. E a gente sabe que é uma doença física, emocional e espiritual. E eu não tinha mais espiritualidade. Não tinha mais a minha moral, tinha perdido tudo. E em pouco tempo, passou esses sete meses, eu olhei pra uma garrafa na prateleira do mercado e falei assim: Eu posso, só uma. Eu tenho controle, né? Peguei, vim pra casa com aquela uma, aquela uma virou duas, tentei dar uma disfarçada no outro dia, ela virou três, e desde desse dia eu nunca mais parei, até a minha internação.
No ano passado, em 17 de setembro, eu me internei, por conta de outros fundos de poço que aconteceram. E a última foi que eu tava consumindo álcool de limpeza. Do banheiro da clínica que meu filho faz terapia de reabilitação, e eu fui confrontada pela gerente dessa clínica. Foi muito constrangedor. Vim embora para casa, 20 quilômetros dirigindo embriagada. Com o meu filho no carro! E quando eu cheguei em casa algo dentro de mim falou que eu precisava de uma ajuda maior.
E me internei. Fiquei 86 dias internada. Cheguei com muita crise de abstinência. Precisei tomar muita medicação. Só por hoje não tomo mais. Só por hoje eu consegui. Consegui fazer com que essa droga virasse, me apagasse. Não conseguia dormir. Tomava muita medicação. Tive muitas crises de ansiedade, coceira, insônia. Mas nessa internação eu aprendi a lidar comigo. A lidar com as situações ao meu redor. Entendi que a grande protagonista dessa história era eu mesma. Permiti que aquela droga entrasse na minha vida. Aceitei a minha parte da responsabilidade. E a irmandade não trabalha com culpa, trabalha com responsabilidade. Aprendi isso e encarei os meus defeitos de frente um por um.
Através da vivência dentro dessa clínica, eu pude sentir um pouco daquele bem querer, daquela espiritualidade que já tem dentro das salas, de que todo mundo quer ajudar o adicto que está sofrendo. Não foi diferente em Vila Serena. A gente, de certa forma, um ajudava o outro, e as pessoas que estavam mais tempo limpas ajudavam e nos orientavam. E quando eu conheci essas irmandades, a literatura, me apaixonei e encarei esse desafio como um desafio para a minha vida inteira. Comecei a fazer os passos, terminei o meu primeiro ciclo de passos, e foi a melhor decisão que eu tomei na minha vida. De ter admitido que eu tinha perdido, que eu não tinha mais controle, que aquela primeira dose não ia ficar só na primeira nunca mais.
E pela primeira vez na vida eu comecei a me autoconhecer, a ver onde estavam aquelas falhas, as lacunas, onde eu deixei espaço para as outras pessoas fazerem comigo aquilo que elas bem queriam. E eu comecei a ser protagonista da minha vida. Ainda estou só engatinhando, um ano… um ano limpa, então, estou só começando. Mas hoje eu posso dizer que eu devo muito a essa irmandade, devo muito à programação dos 12 Passos, a todos os meus amigos, que são para a vida.
A gente se fala como se a gente se visse todo dia, e a sensação e o espírito de carinho e de amorosidade, ele fica, ele não se acaba nunca. E ficar limpo dá muita sorte, porque usar dá azar, dá muito azar, e estou com muita sorte agora que eu tô limpa, tô caminhando para fazer o que eu gosto da minha vida, trabalhar com o que eu gosto, cuidando do meu filho, que é a pessoa mais importante para mim. E só por hoje eu não quero mais beber.
Encontrei nas salas a espiritualidade que eu precisava. Senti de verdade que existe um poder maior do que eu, porque ele me devolveu à sanidade. E só vivo 24 horas e 24 horas. É um ano, mas só está valendo essas 24 horas aqui. As outras que já passaram e as que vão vir. Novos desafios e novas situações ainda irão se apresentar para mim. Mas só por hoje eu sei lidar com elas, porque eu tenho vocês”.
Acho que não preciso escrever mais nada, né? Obrigado, companheira. Parabéns por sua conquista. Que venham muitas. Todas as 24 horas da sua vida.
Comentários 30
Com a ciclovia vai estrangular mais o fluxo na Alameda, devido ao crescimento econômico de Maricá. O ideal é construir um elevado desde a ponte Rio Niterói até o Caramujo, criando condições de trânsito melhor para os ônibus, sob o viaduto, e áreas de estacionamento para dinamizar o comércio na via.
Ta maluco? Que mané elevado. É Necessário que o gov do estado faça a parte dele e crie um metrô/trem passando pelo coelho/jockey. Um Elevado vai matar o bairro e a cidade não precisa ser corredor pra outras cidades
Porque não se fas uma via de duas mãos, direto do getulinho até aponte, entre as duas alamedas. Essa via seria só direto p. Ponte.
Da pra fazer
Tem que ter um elevado mesmo, quem for tratar de algum assunto perto da alameda , que passe embaixo do elevado, o bairro já é feio mesmo , o trânsito ficaria melhor para tanto para quem mora ali na região da alameda quanto para quem está so de passagem, por que temos que passar pela alameda? se nao temos nada para fazer por ali
O viaduto só desvaloriza qualquer bairro, o exemplo é o viaduto Paulo de Frontin no Rio Comprido, acabou com o bairro….que se faça viaduto sobre a Avenida Contorno.
A construção do elevado resolveria muitos problemas. E é projeto do início dos anos 70, estava no pacote de melhorias do trânsito previsto após a inauguração da ponte Rio Niteroi. Não foi feito mas pelo menos, do conjunto, fizeram a Niterói Manilha e duplicaram a estrada do contorno e a Av. Jansen de Melo.
Mais uma obra de péssima qualidade que será entregue pela prefeitura que odeia o Niteroienses
Olá boa tarde! Ano passado enviei um e-mail para a Prefeitura de Niterói questionando se com essas obras na Alameda São Boaventura no Fonseca, as antigas árvores seriam sacrificadas! Na época me responderam que não! Espero que a Prefeitura mantenha a sua palavra de não sacrificar essas lindas árvores! Muitas já foram mortas quando construíram as baías dos ônibus!
O trânsito em Niterói só tem uma solução, Alameda e Roberto Silveira precisam tirar os semáforos e botar passarelas. Aqui passam praticamente 3 cidades (Itaboraí, Maricá e são Gonçalo) e como tem muito semáforo sobrecarregam demais.
Tirar os sinais e como faz com os carros nas ruas transversais a essas?
Um elevado desvalorizaram mais ainda os imóveis.Q por sinal n temos mais o marajoara,e neste pedaço já existem imóveis vazios.Imaginem com elevado
Vão gastar rios de dinheiro só para deixar mais bonita e não vai resolver o problema do trânsito caótico. A alameda é uma via que recebe uma rodovia estadual e desagua trânsito de Itaboraí, Maricá e são Gonçalo, tem que se ter mais vias inclusive uma exclusiva para acesso à ponte.
Quando fizeram a primeira obra de remodelação da alameda a prefeitura a época garantiu que os engarrafamentos acabariam e haveria fluxo constante com a tal da onda verde, semáforos inteligente que resolveriam o problema. O que aconteceu após o término dos trabalhos. Menos verdes, tiraram quase todas as árvores centenária, o rio alameda antigo conseguia desaguar bem as enchentes, havia poucos sinais. O viaduto saindo do ponto de cem Reis com mão dupla. Absorveria o trânsito da ponte e descendo dos vários municípios que passam pela alameda. Políticos adoram contar estórias. Moro 72 anos no fonseca. Adoram prometer. Eleições aproximando. Hoje é uma bagunça só. Qualquer batida na ponte ou na alameda param o trânsito em niterói. A solução é simples. Nunca ouviram os moradores. Fazem projetos mirabolantes que só funcionam no papel. Rodrigo é um excelente prefeito mas está mal, muito mal assessorado.
Rodrigo é um péssimo prefeito e odeia o Niteroienses, não é a toa que distribui cargos comissionados pra um número suficiente de pessoas pra sempre ser eleito
Já foi comprovado que colocar os ônibus para circular no centro da via nao resolveu nada, pelo contrário, só piorou tudo, pq os ônibus saem do meio e ocupam uma faixa da via. Além dos pedestres precisar atravessar a via, isso é muito ruim
Tem que voltar com as vias do canto, próximos das calçadas para os ônibus, assim como é na rua da Conceição.
Mobilidade não se resolve com tinta no asfalto.
Se resolve com engenharia.
Porque não se fas uma via de duas mãos, direto do getulinho até aponte, entre as duas alamedas. Essa via seria só direto p. Ponte.
Da pra fazer
Só quero ver como eles vão escoar este trânsito quando estiver em obras . Devem jogar em Tenente Jardim mais antes eles teriam que preparar o bairro para receber este trânsito .
Viaduto. Loucura.Vejam o que aconteceu no Rio Comprido. Com o viaduto da Paulo de Frontin,total desvalorização do bairro,barulho infernal no moradores dos prédios próximos. Poluição causando doenças nos moradores caos total. Creio que com o terminal do Caramujo o fluxo de ônibus reduza consideravelmente. Tem um morro que ladeira Alameda,será que não seria viável um estudo para construção se uma via.
Deveria ter uma parceria entre os municípios que são atendidos pela alameda e a sim, realizar um projeto de grande vulto com a construção de um elevado saindo do caramujo e indo até a ponte rio Niterói, desafogando as vias de acesso e transversais que cortam a alameda.
Solução tem, basta vontade política pra resolver de vez e não obra de maquiagem.
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O ideal para alameda é passar as Baias dos ônibus para a direita, concretar todo o valão como fizeram, retirar todas as árvores e com isso fazer mais uma pista de rolamento de ida e outra de volta, com isso seriam 4 pistas para cada sentido. Duplicar a subida e a descida da ponte. Duplicar a subida e a descida da Caixa d’água. Mudar o trânsito que atravessa a alameda, fazer algumas passarelas para pedestre e com isso diminuir o número de semáforos.
Obs: A cada árvore retirada, plantar 3, poderia ser no Horto.
Alameda precisa voltar com as faixas de ônibus para a direita (reduz drasticamente a quantidade de sinais e desenvolve o comércio). Precisa de faixas reversíveis de acordo com o fluxo, mais faixas de manhã sentido rio, e sentido são Gonçalo à tarde (separadas por cones). E sobre as árvores q precisarão ser cortadas, que haja uma grande contrapartida na forma de novos plantios, porém em outro local, pois estão pensando no meio ambiente, mas não pensam em quanta poluição os engarrafamentos provocam. Árvore dá p plantar em outro lugar.
Mais uma obra que não vai adiantar muita coisa. Há décadas toda população do bairro espera o viaduto, pois ele sim seria a obra que requalificaria o trânsito do bairro. O que a prefeitura vai fazer é a famosa “obra de fachada”, vai tentar deixar algumas coisas bonitas, mas sem nenhum impacto prático pros moradores. Até mesmo o aterramento da fiação foi flexibilizado. Quando o projeto foi divulgado, toda a fiação seria aterrada. Agora apenas telefonia e internet. Considerando que 70% da distribuição de energia em Niterói é oriunda de furto de energia, Rodrigo Neves não quer pagar o preço político de deixar uma boa parcela de seus eleitores sem energia.
Rio de Janeiro derrubando todos os elevados, acertadamente, e transformando em túneis e o pessoal pedindo um elevado como solução para a alameda. Projeto dos anos 70 podem ser revisados sem problema nenhum.
Um elevado do fim da Alameda ligando a ponte resolveria o problema, não é preciso se inteligência pra fazer a obra, acordem políticos, o projeto atual da prefeitura é mt bonito, mais não resolveria em nada. Ouçam o povo que são moradores e usuários da Alameda , vcs políticos estáo mt preocupados com o bolso de vcs.
Se for fazer elevado em Niterói, não pode ser só na alameda, tem que fazer da Jansen de Melo até a Roberto Silveira e no contorno também, mas tudo isso é em vão, de nada vai adiantar pra o “trânsito. Somente uma 2° ponte Rio Niterói vai dar certo, além do mais a nossa ponte já tem 50 anos e é muito usada, mais pelos vizinhos do que por nós mesmos, a melhor solução seria uma ponte Rio-São Gonçalo forçando quem é de São Gonçalo, Maricá, Itaboraí, manilha entre outros a ir por lá, a região oceânica de Niterói cresceu muito e vai continuar a crescer, fora novos apartamentos e prédios no centro, e vão levantar muito mais prédios, São Gonçalo está crescendo muito também, Itaboraí nem se fala, e esses veículos vão pra onde, até muitos moradores do RJ estão vindo morar aqui, podem se preocupar que esse dinheiro e 2 anos de mais engarrafamento diário não vai solucionar nada, lembrando que engarrafamento só é bom pra taxista, fora isso é perda de tempo e de vida !!!!
O povo está ainda na era de elevado. Elevado destrói o bairro e não melhora nada, mas um túnel seria uma boa, como está acontecendo no Rio.
Por que as autoridades só pensam em rodovias? As cidades precisam de metrô, não de ciclovias somente! Aliás Niteroi precisa de ORDEM! Chega de bikes e MOTOS em CALÇADAS!! Mais FISCALIZAÇÃO sr. Prefeito!!!
É hora de pensar no futuro. A alameda já não suporta mais o número de veículos que nela trafega. Realmente fazer viaduto em toda a extensão não é uma boa ideia, pois vai ofuscar a estética do bairro. Assim, não vejo outra solução, além do projeto de redução de linhas de ônibus e implantação dos modelos com maior capacidade, de se ganhar mais espaço com a desapropriação de imóveis ao longo da via e construção de passarelas para melhorar o fluxo dos veículos e facilitar as mobilidades dos pedestres.
Um viaduto seria o último prego no caixão do Fonseca. A solução está no subsolo, seja com um túnel ou uma linha de metrô ligando o getulinho com as barcas e eventualmente o centro do Rio.