Regra obrigatória na hora de passar um imóvel para outra pessoa, o Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD) deve ter reajuste em 2027, ano em que passam a valer as novas regras desta cobrança de acordo com o que foi aprovado na reforma tributária, aprovada no fim de 2023. Por isso, o Brasil registrou um aumento na doação de bens, inclusive o estado do Rio de Janeiro.
De acordo com o levantamento do Colégio Notarial do Brasil – seção Rio de Janeiro (CNB-RJ), as famílias fluminenses realizaram 9.970 escrituras públicas de doação de bens em 2025. O número é 89% maior que o registrado no anterior, que teve 5.271 registros desse tipo. O avanço reflete uma crescente busca por planejamento sucessório e pela antecipação da transferência de patrimônio antes da entrada em vigor das novas regras tributárias.
O ITCMD é estadual e incide sobre o recebimento gratuito de bens e direitos, tanto por herança quanto por doação. No Estado do Rio de Janeiro, onde é chamado de ITD, o imposto possui alíquotas progressivas que variam de 4% a 8%, conforme o valor transmitido.
Segundo o advogado tributarista David Nigri, as novas regras não significam que todas as heranças serão automaticamente tributadas pela alíquota máxima. O cálculo depende do valor recebido por cada beneficiário, da legislação do estado competente e das características dos bens transmitidos.
“A análise precisa ser individualizada. É necessário verificar a composição do patrimônio, os valores atribuídos aos bens, a existência de dívidas, as possíveis isenções e a forma como será realizada a divisão entre os herdeiros”, afirma David Nigri.
Alternativas podem reduzir custos do imposto
Ainda segundo Nigri, muitas famílias somente se preocupam com o imposto depois do falecimento, quando já precisam enfrentar o inventário e outras despesas relacionadas à transferência do patrimônio. Além disso, ele explica que existem alternativas legais que podem reduzir, postergar ou até afastar o pagamento do imposto em situações específicas. Entre elas estão as hipóteses de isenção e não incidência previstas em lei, a correta dedução de dívidas do falecido, o questionamento de avaliações fiscais indevidas e a elaboração de um planejamento sucessório.
Esse planejamento pode envolver instrumentos como testamento, doação em vida com reserva de usufruto, seguro de vida, previdência privada, acordo entre sócios e constituição de uma holding familiar. A escolha, entretanto, depende das características de cada família.
“A holding familiar não é uma fórmula automática para deixar de pagar imposto. Em determinados casos, pode facilitar a administração e a sucessão do patrimônio. Em outros, pode gerar custos tributários, societários e cartorários superiores à economia pretendida”, alerta David Nigri.
Transmissão em vida não impede a cobrança do imposto
O cenário tem levado cada vez mais pessoas a antecipar a transferência de patrimônio para filhos e herdeiros por meio de escrituras públicas de doação em cartórios de notas. Além de permitir a incidência do imposto pelas regras atualmente vigentes, a medida reduz incertezas futuras, evita que a valorização dos bens amplie a carga tributária e proporciona maior previsibilidade para o planejamento familiar.
Para a presidente do CNB-RJ, Edyanne Frota, uma das modalidades mais utilizadas é a doação com reserva de usufruto. Por meio desse instrumento, os pais transferem a propriedade do imóvel aos filhos, mas mantêm para si o direito de uso, moradia, administração e recebimento de eventuais rendimentos do bem durante toda a vida.
“A Reforma Tributária tem levado muitas famílias a anteciparem discussões sobre sucessão patrimonial que, em muitos casos, eram postergadas. Observamos um aumento significativo na procura por instrumentos de planejamento sucessório em todo o país, impulsionado pela necessidade de compreender os impactos das novas regras e buscar soluções que garantam segurança jurídica, previsibilidade e proteção ao patrimônio familiar.”, argumenta
Apesar disso, Migri esclarece que a doação em vida não elimina necessariamente o ITCMD, pois a própria doação pode gerar a cobrança. A operação deve ser comparada com o custo de uma futura transmissão por herança e com seus possíveis reflexos no Imposto de Renda.
“Não existe uma solução única para evitar o imposto. O que existe é a possibilidade de organizar o patrimônio dentro da lei, utilizar corretamente as isenções e impedir que o contribuinte pague mais do que deveria”, acrescenta o especialista.
Comments 10
Quem recorre a justiça sobre obra irregular , se decepciona …segundo a lei , obra legalizada tem prioridade sobre a ilegal ,menos no TJRJ , menos na Prefeitura ,mesmo que tenha dinheiro público investido,mesmo que vc pague tudo aquilo que a mesma Prefeitura te obrigou a fazer …Se o TJRJ exige que Prefeitura impeça crescer essas ilegalidades , deveriam obrigar a Prefeitura a devolver tudo o que pagamos a ela , qdo ela não fez a parte dela , tipo : ITBI , IPTU e o mais miserável de todos , pagar financiamento ao Prevrio , e nem aea Prefeitura fiscalizar , aquilo que tem obrigação de fiscalizar …Coisa de gente sem qualquer tipo de caráter …eu não sei qual o bairro que o Prefeito e candidato ao Estado mora ,mas, aposto que na fronteira da casa dele ,prédio etc , não tem o que a Prefeitura não fiscaliza perto do patrimônio do trabalhador …
A prefeitura precisa olhar mais pra Jacarepaguá.
Passo com frequência no mato alto na praça seca em jpg. E noto lentamente o crescimento da comunidade neste local!!!!
Concordo plenamente !! Esta area esta completamente abandonada, com cracudos fazendo a festa!!!
Eduardo Paes e o crescimento das favelas andam de mãos dadas no Rio.
Esse é o prefeito que governar o Estado.
Região da Pedra da Panela mesmo sendo area tombada e de preservação as invasões seguem em ritmo acelerado e não adianta comunicar a PMRJ, alegam área perigosa ou seja crime dominou a área, esse Paes ainda quer ser governador se não da conta da cidade imagina o estado.
A direita está no poder mas de 10 anos agora a culpa é do Paes?
Podia estender a decisão pra cidade toda pq a prefeitura caga!
Jacarepaguá é área dominada… ninguém mexe… entenderam ?
A direita está no poder mas de 10 anos agora a culpa é do Paes?
Talita Galhardo saiu da subprefeitura de Jacarepaguá e as demolições de construções irregulares simplesmente ACABARAM