Um incêndio de grandes proporções atinge o Parque Estadual do Grajaú na tarde desta quarta (05). Por causa das chamas e da fumaça, uma faixa da Autoestrada Grajaú-Jacarepaguá, no sentido Zona Norte, está inteditado na altura do km 1,5 no trecho do Engenho Novo.
O local onde ocorre o incêndio se encontra no lado direito da imagem abaixo, uma faixa da pista, de acordo com o Centro de Operações da Prefeitura do Rio.
Trecho da Grajaú-Jacarepaguá onde ocorre o incêndio — Foto: Reprodução/Goggle Street Views.
De acordo com o Corpo de Bombeiros. a corporação foi acionada por volta das 16h46. Inicialmente, eram dois focos de incêndio próximos um do outro. Mas por causa da velocidade com a qual as chamas se alastraram, até a publicação desta reportagem, ambos os focos se tornaram em um só.
Apesar da interdição de um trecho da via, ainda de acordo com o Centro de Operações, não houve alterações na circulação de ônibus pela região. Ainda segundo o COR, uma faixa de rolamento da pista está ocupada para que os bombeiros possam atuar no combate às chamas.
Equipes do quartel do Grajaú do Corpo de Bombeiros seguem no local trabalhando para controlar o incêndio. Até o momento, não há informação sobre feridos. Também não se sabe o que causou o fogo na área.
A Prefeitura do Rio iniciou, neste domingo (20), a segunda fase das obras do Polo Automotivo da Mangueira, na região próxima ao Maracanã e à estação de São Cristóvão. O projeto conta com um investimento superior a R$ 2,3 milhões e prevê a construção de 14 novas oficinas padronizadas: sete para automóveis e sete para motocicletas.
Os estabelecimentos serão destinados aos comerciantes locais previamente cadastrados. O espaço voltado para motos terá acessos independentes e infraestrutura própria.
O prefeito Eduardo Cavaliere (PSD) esteve no local nesta manhã para lançar a nova etapa das obras, que fazem parte do programa de urbanização Morar Carioca. Segundo ele, além do Polo Automotivo da Mangueira, o projeto inclui a implantação de redes completas de abastecimento de água, esgoto e drenagem pluvial, além de caixas d’água individuais, cisterna e sistemas de apoio operacional. Também está previsto o reforço estrutural de muros próximos à linha férrea.
A área também deve receber melhorias na circulação de veículos e pedestres, com recuperação de calçadas internas e externas, plantio de árvores, paisagismo e criação de áreas de convivência e estacionamento.
As campanhas eleitorais de 2026 no Rio de Janeiro já pagaram R$ 40,2 milhões a pessoas físicas, segundo levantamento feito a partir da base oficial de prestação de contas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O valor reúne pagamentos feitos por candidatos de todos os cargos e inclui serviços e despesas como pessoal, aluguel de imóveis, advocacia, contabilidade e militância.
Ao todo, são 33.820 pagamentos destinados a 28.228 CPFs diferentes. A conta considera apenas valores já desembolsados pelas campanhas até 17 de setembro, deixando de fora despesas contratadas, mas ainda não quitadas.
A maior parte dos pagamentos individuais está longe das cifras milionárias que costumam aparecer nas prestações de contas. No entanto, há uma faixa de beneficiários recebeu dezenas de milhares de reais em uma única operação.
O maior pagamento individual chegou a R$ 90 mil, feito pela campanha de Chico Alencar (PSOL), candidato a deputado federal, a Inacio Rodrigues Martins. O lançamento foi registrado como “locação de imóvel”.
Na sequência, Vera Lucia Paiva Camurate recebeu R$ 80 mil da candidatura de Jean ‘Bolsonaro’ Lopes (PL), também por aluguel de imóvel. Simone de Mello Canelas aparece em terceiro, com R$ 70 mil pagos pela campanha de Daniel Marques (PL), novamente por locação.
O quarto maior lançamento foi de R$ 60 mil, pago por Tiago Careca (PSDB) a Daiane Fernandes Silvino da Silva por serviços contábeis.
Só então aparece um pagamento diretamente relacionado ao trabalho de campanha: André Diniz da Silva recebeu R$ 50 mil da legenda de Axel Grael (PDT), registrado como despesa com pessoal e descrito como administração financeira.
Douglas Ruas já contratou mais de duas mil pessoas
Dentro do universo de R$ 40,2 milhões, há um recorte específico para entender quanto as candidaturas estão desembolsando com sua própria estrutura. A rubrica “despesas com pessoal” soma R$ 16,9 milhões no estado, com 13.488 pagamentos destinados a 11.181 CPFs. É nesse grupo que aparecem coordenadores, administradores financeiros e outros profissionais contratados para atuar diretamente nas campanhas.
O maior pagamento nessa categoria foi o de André Diniz. Depois dele, a campanha de Rick Azevedo (PSOL) registrou três pagamentos de R$ 35 mil: para Marcos Vitor de Oliveira Gouvea, Rafaele de Lima e João Victor Alves Felix, todos ligados à coordenação da candidatura.
Na faixa dos R$ 30 mil aparecem Eli Dias Soares, da candidatura de Max Lemos (União); Jacqueline Nicole Negrete Blass, da campanha de Darla Muniz (PSB); e Rodrigo Taveira Bonel, da candidatura do ex-jogador Edmundo (PSDB).
Já quando a conta é feita por candidatura, e não por beneficiário, Douglas Ruas (PL) concentra a maior despesa com pessoal: R$ 1,99 milhão em 2.185 pagamentos para 2.032 pessoas.
Pró-Saúde terá que devolver R$ 5,4 milhões aos cofres públicos por irregularidades na gestão do Instituto do Cérebro e Hospital Anchieta, decide TCE-RJ
Deu refluxo. O Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) julgou irregulares as contas da Organização Social de Saúde (OSS) Pró-Saúde Associação Beneficente de Assistência Social e Hospitalar e determinou a devolução de R$ 5,46 milhões aos cofres estaduais por danos ao erário relacionados à gestão do Complexo Estadual do Cérebro, formado pelo Instituto Estadual do Cérebro Paulo Niemeyer e pelo Hospital Estadual Anchieta.
O acórdão determina a imputação de débito de 1.102.232,44 UFIR-RJ, valor equivalente atualmente a R$ 5.467.513,80, que deverá ser recolhido com recursos próprios ao erário estadual no prazo de 15 dias.
Segundo o processo, a tomada de contas foi instaurada pela Secretaria de Estado de Saúde para apurar despesas não reconhecidas pela Comissão de Acompanhamento e Fiscalização (CAF) durante a análise da prestação de contas do quarto trimestre de 2018.
O TCE-RJ concluiu que houve dano ao erário (prejuízo aos cofres públicos) decorrente de despesas não reconhecidas pela fiscalização do contrato firmado entre a Secretaria de Estado de Saúde e a Pró-Saúde em novembro de 2014 para a administração do Complexo Estadual do Cérebro, motivo pelo qual declarou a irregularidade das contas e condenou a entidade ao ressarcimento integral dos valores.
A decisão também autoriza, desde já, a cobrança judicial e extrajudicial da dívida caso não haja pagamento após o trânsito em julgado do processo. Além disso, o acórdão determina a comunicação da decisão ao secretário de Estado de Saúde e ao controlador-geral do estado.
Fechado há anos, o antigo “Verdinho da Cinelândia”, ao lado do Cine Odeon, vai reabrir — mas com café da manhã no lugar do chope. Os responsáveis pela rede Belmonte anunciaram que vão inaugurar um bistrô no espaço onde funcionava a Chopperia Cinelândia, conhecida pelo apelido “verdinho”.
O jogador Vini Jr. acionou a Justiça Eleitoral contra uma propaganda da campanha de Douglas Ruas (PL), candidato ao governo do estado, que utilizou sua imagem em uma peça eleitoral. O atleta pediu direito de resposta e a retirada do conteúdo do ar.
A propaganda fazia referência à relação de Vini Jr. com a influenciadora Virginia Fonseca. Em seguida, comparava o namoro com a disputa eleitoral no Rio para apresentar os apoios políticos dos dois principais candidatos: Eduardo Paes (PSD) associado ao presidente Lula (PT), com sinal negativo, e Douglas Ruas associado ao ex-presidente Jair Bolsonaro, com sinal positivo.
Segundo o pedido apresentado pelo jogador, a utilização de sua imagem ocorreu sem autorização e de forma descontextualizada. A alegação foi de que a montagem poderia levar o eleitor a entender que havia algum tipo de vinculação política entre Vini Jr. e Douglas Ruas.
A decisão judicial registra ainda que o jogador afirmou não ter envolvimento com nenhum dos candidatos nas eleições de 2026.
Douglas Ruas manda retirar propaganda do ar e pede desculpas
Em nota, Douglas Ruas afirmou que “tão logo soube da ação, a coordenação da campanha determinou que o anúncio fosse retirado de todos os meios, inclusive das redes sociais”.
A campanha também pediu desculpas a Vini Jr. e Virginia Fonseca. Segundo a nota, a peça não afirmava nem insinuava que os dois apoiavam Douglas Ruas.
O caso chegou inicialmente à 238ª Zona Eleitoral do Rio de Janeiro. O juiz Leonardo Grandmasson Ferreira Chaves, porém, entendeu que o órgão não tinha competência para analisar uma questão relacionada às eleições de 2026 para o cargo de governador.
A decisão, portanto, não julgou se a propaganda era irregular nem decidiu sobre o direito de resposta solicitado por Vini Jr. O magistrado apenas declinou da competência e determinou o envio do processo ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), responsável por analisar questões relativas à eleição para governador.
Quem nunca ficou com um jingle de candidato na cabeça? As músicas “chiclete” são marca registrada de campanhas eleitorais, mas, nas eleições de 2026, ganharam um adicional curioso: as ferramentas de inteligência artificial têm substituído os compositores e, em alguns casos, os intérpretes dos famosos jingles dos candidatos ao governo do estado.
Pelo menos quatro candidatos usaram ferramentas de IA em diferentes etapas da produção dos jingles: Eduardo Paes (PSD), Douglas Ruas (PL), André Marinho (Novo) e Coronel Busnello (Missão).
O uso dessas ferramentas é permitido pela Justiça Eleitoral, desde que respeitando as normas estabelecidas. Por exemplo: caso um jingle ou peça publicitária de áudio use conteúdo sintético multimídia gerado ou manipulado por inteligência artificial, é obrigatório informar de forma explícita que o conteúdo foi manipulado e qual tecnologia foi utilizada.
Já nos casos em que a IA foi utilizada em detalhes técnicos — como para melhorar a qualidade do áudio — a declaração não é obrigatória.
Como cada candidato fez seu jingle
As equipes de todos os nove candidatos a governador foram procuradas pelo TEMPO REAL. As campanhas de Anthony Garotinho (Republicanos) e Luan Monteiro (PCO) não confirmaram os créditos dos jingles e se houve uso de IA na criação do material. Confira as respostas dos demais nomes na disputa
Eduardo Paes
O jingle “Eduardo Paes 55” teve letra e melodia feitas pela equipe de criação da campanha do político. Os recursos de inteligência artificial foram utilizados apenas para o refinamento da voz, segundo a equipe do candidato.
Douglas Ruas
Os jingles de Ruas seguiram um modelo semelhante ao de Paes; composição de música e letra foram resultado de trabalho coletivo da equipe de marketing, liderada por Paulo Vasconcelos. O uso de IA se restringiu a uma ferramenta de finalização da peça, de acordo com a assessoria.
André Marinho
A campanha de André Marinho forneceu informações sobre três jingles utilizados na eleição. Dois deles, “Faz o M” e “Marinho, Marinho, Marinho” surgiram a partir de ideias do candidato, mas tanto a letra quanto a melodia finais foram produzidas por aplicativos de IA.
O terceiro jingle é “André Marinho 2026”, de autoria do compositor Anderson da Silva, o “Chumbinho”, que foi contratado pela campanha e ficou responsável pela letra, melodia, arranjo e produção musical. A inteligência artificial foi utilizada apenas posteriormente, como ferramenta de finalização da produção.
William Siri
A campanha de William Siri (PSOL), marcada pelo jingle “Com Siri eu vou”, também não usou IA nas músicas, segundo a assessoria. Letra e interpretação são de Carine Moutinho e Psé Diminuta, enquanto o arranjo é de João Callado e a produção musical é de Zé Campos, junto a João Callado.
Cyro Garcia
O tema de Cyro Garcia (PSTU), intitulado “Cyro 16”, não teve uso de IA em nenhuma etapa. A composição é de Danilo Garcia, a produção é de Bruno Danton e a voz é de Beth Dau.
Coronel Busnello
O jingle do candidato do Missão foi feito por Elker Buriti; porém, ele usou IA no processo, de acordo com nota da equipe do político
Juliete
Juliete (UP), a única candidata mulher ao cargo, tem o jingle “Ela luta, eles só prometem – Juliete 80 Unidade Popular”. Não houve uso de IA na produção do material, que teve composição e voz de Debrá de Souza e produção musical de Frank.
Estagiária sob a supervisão de Felipe Galeno e Berenice Seara.
Ainda faltam mais de quatro meses para o início da disputa entre as escolas de samba no Rio, mas, fora da Sapucaí, o carnaval já virou motivo de treta em outra “competição”. As campanhas de Douglas Ruas (PL) e Eduardo Paes (PSD), rivais nas eleições para governador do Rio, trocaram críticas sobre o assunto ao longo da semana e o assunto voltou a render neste sábado (19).
Em evento de campanha neste sábado, Ruas se defendeu das críticas recebidas ao longo da semana por ter dito, em entrevista à TV Globo, que o último desfile na Sapucaí foi o “maior ataque já visto à instituição sagrada que é a família”. No discurso, ele disse que gosta, sim, do carnaval e classificou a festa como “maior manifestação cultural do estado”.
“Eu disse que vou acabar com os recursos para essa farra dele [Paes], porque o recurso tem que ir direto para a escola de samba, para os fazedores de cultura, para os nossos artistas anônimos. E ele tentou, através de uma narrativa, dizer que a gente não gosta do carnaval. Nada disso. A gente gosta e respeita. A gente não quer que ele use o dinheiro público para fazer farra com os amigos dele de Brasília”, disse Ruas.
Relembre a treta
A treta começou na terça (15). Na entrevista ao programa “RJ1”, o candidato do PL disse que pretende acabar com o camarote do governo do estado na Sapucaí, caso seja eleito, e disse que os desfiles desse ano foram um “ataque à família”. Ele também criticou a participação do rival Paes nos desfiles.
“Nós vimos esse ano, no carnaval de 2026, na Sapucaí, o meu adversário, o Eduardo Paes, num camarote visivelmente embriagado, regado a uísque, cerveja, comida, tudo pago com dinheiro do povo e ainda utilizou daquele momento para zombar das pessoas com deficiência visual. Estavam ele e o Lula assistindo, sambando e aplaudindo o maior ataque já visto à instituição sagrada que é a família. Tudo isso com o dinheiro público. Então nós vamos acabar com essa farra e o dinheiro do contribuinte vai ser revertido para serviços de qualidade na saúde e na educação”, disse o presidente da Alerj.
‘Se diz evangélico na eleição, mas vai rebolar em fevereiro’, rebateu Paes
A fala não foi muito bem recebida no mundo do samba e o adversário de Ruas nas urnas aproveitou para fazer críticas ao candidato. Paes relembrou a participação do presidente da Alerj em desfiles da Porto da Pedra, escola de samba de São Gonçalo que contou com investimentos da prefeitura local nos últimos desfiles. A Prefeitura de São Gonçalo é comandada, desde 2021, pelo pai de Ruas, capitão Nelson (PL).
“O sujeito se diz evangélico na eleição, mas vai rebolar em fevereiro na Marquês de Sapucaí. Agredir a principal manifestação cultural do Brasil, muito enraizada no Rio de Janeiro e que tem um impacto econômico importantíssimo para o Rio de Janeiro. As pessoas que vão ao carnaval não são desrespeitosas, que não preservam suas famílias. Ele é feito de muita gente do bem. Foi uma hipocrisia, ele tentando vender algo que ele não é”, rebateu Paes.
Cavaliere também entrou na treta
Ex-vice de Paes e atual prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere (PSD) aproveitou para entrar na história. Neste sábado, enquanto visitava as obras da futura Fábrica do Samba Rosa Magalhães, em São Cristóvão, Cavaliere gravou um vídeo com alfinetadas para Ruas.
“A gente mais uma vez viu, essa semana, os meses que a gente já conhece: de dia, atacam o Carnaval e, à noite, gostam mesmo de um camarote na Sapucaí. Agora, sabe de uma coisa? Tá na hora da gente acabar com essa conversa. Tá na hora da gente ter claro e riscar o chão quem defende e quem não defende o povo trabalhador que faz a maior manifestação cultural do nosso país”, disse o prefeito do Rio.
Durante décadas, ir ao cinema no Rio significou também ocupar as ruas. Espalhadas por diferentes bairros, as salas de exibição eram pontos de encontro, lazer e convivência, ajudando a movimentar o comércio local e a vida dos arredores do espaço.
Mais do que lugares para assistir filmes, os cinemas de rua se tornaram parte da memória e da identidade carioca.
A relação da cidade com o cinema, aliás, começou cedo. Foi na Rua do Ouvidor que ocorreu, em 1896, a primeira sessão pública de cinema no Brasil, em uma sala alugada do Jornal do Commercio. Poucos anos depois, a recém-inaugurada Avenida Central (atual Avenida Rio Branco) e os arredores se tornaram o coração do entretenimento carioca, com a inauguração, em 1907, do Cine Pathé, na então Avenida Central (atual Avenida Rio Branco), e o Cine Íris, na Rua da Carioca, inaugurado em 1914.
Ao longo do século XX, as salas se espalharam pela cidade e ganharam espaço também nos subúrbios.
Transformações graduais levaram à extinção dos cinemas de rua no Rio
Com o passar dos anos, porém, o cenário mudou. A televisão, o VHS, o DVD, a internet e, mais recentemente, o streaming ampliaram as possibilidades de acesso aos filmes. Ao mesmo tempo, os cinemas de rua passaram por transformações dentro do próprio mercado de exibição, enquanto os shopping centers se consolidaram como novos espaços para as salas.
Para Talitha Ferraz, professora do Programa de Pós-Graduação em Cinema e Audiovisual da Universidade Federal Fluminense (UFF), o desaparecimento dos cinemas de rua não pode ser explicado por um único motivo.
“Os motivos são muitos, um conjunto de fatores variados, como novas tecnologias, transformação no acesso ao audiovisual, mudanças de ordem urbana, do próprio mercado de entretenimento e lazer, fatores de ordem econômica, além de fatores mais recentes como a pandemia. A sala de cinema passou a enfrentar a concorrência de outras formas de acesso aos filmes, como televisão, mídias físicas, internet e streaming. Com isso, o audiovisual deixou de estar restrito à grande tela. Mas o que se pode precisar na historia do Rio, é que o fechamento acompanhou um fenomeno brasileiro”, explicou a professora.
Foi a partir dos anos 1980 que alguns bairros do Rio começaram a perder suas salas, em um processo que se intensificou na década seguinte. Além das mudanças tecnológicas, houve transformações no próprio modelo de exibição, com salas menores e novas configurações, acompanhando as mudanças do mercado e dos hábitos do público.
Prédios ainda guardam histórias
Mesmo fechados, alguns desses imóveis continuam de pé e carregam marcas de um período em que o cinema fazia parte da rotina dos bairros cariocas. É o caso de antigos espaços como o Cine Matilde, em Bangu; o Cine Vaz Lobo, no bairro de mesmo nome; e o Cine Costinha, em Cachambi.
De acordo com Talitha Ferraz, no bairro de Ramos, outro antigo cinema também chama atenção pelo estado de conservação. O imóvel, conhecido anteriormente como Cine Rosário, está à venda por R$ 4,5 milhões e, de acordo com a professora, ainda mantém sua estrutura interna preservada.
Para a professora, recuperar esses espaços significa também recuperar uma forma de ocupar a cidade. A presença de um cinema na rua cria oportunidades de encontro e fortalece os vínculos entre moradores e o território. Ela destaca ainda o papel que esses espaços podem desempenhar na democratização do acesso à cultura e ao cinema brasileiro. Diferentemente de um equipamento restrito ao ambiente de um shopping, o cinema de rua se insere no cotidiano do bairro.
“Esses equipamentos são importantes para ativar os laços de sociabilidade, para ocupar as cidades. É uma ocupação profícua, uma ocupação muito frutífera do espaço urbano. A gente também pode pensar essas reativações não apenas estritamente como salas de cinema. Mas essa relação também forte desse equipamento com a calçada, de a gente saber que, se a gente andar na rua, se a gente dobrar numa esquina, vai ter ali um equipamento que oferece uma possibilidade de encontro com o audiovisual”, ressaltou Talitha.
Cine Vaz Lobo — Foto: IHGBI/Divulgação
Programa Reviver Cinema
É nesse cenário que, por meio da RioFilme, a Prefeitura do Rio lançou o Reviver Cinema, programa voltado à recuperação e modernização de antigos cinemas de rua da cidade.
A iniciativa foi estruturada em três fases, com equipamentos já existentes, imóveis em processo de desapropriação e um mapeamento de outros espaços que poderão receber intervenções.
A primeira etapa reúne três projetos. Em Santa Teresa, o Cine Santa deve ganhar uma nova sala de exibição, com 50 lugares, além de um espaço de convivência e eventos. No Complexo do Alemão, o CineCarioca Nova Brasília passa por um processo de modernização com nova tela, projetor e sistema de som. Enquanto isso, o Estação Botafogo está sendo reformado pela iniciativa privada em parceria com a prefeitura, com previsão de retorno ainda este ano.
A segunda fase mira justamente alguns dos prédios históricos que ficaram pelo caminho: Cine Vaz Lobo; Cine Costinha e Cine Matilde — inaugurado em 1963 e desativado desde os anos 1990, o espaço deverá ser transformado em um equipamento cultural com duas salas de cinema, teatro e outros espaços de atividades.
Já a terceira etapa do programa será dedicada ao mapeamento de outros antigos cinemas que possam ser incorporados ao programa e receber ações de recuperação e modernização.
Depois de décadas em que a sessão de cinema migrou cada vez mais para dentro dos shoppings e para as telas da televisão de casa, a tentativa agora é fazer o caminho inverso: levar novamente o cinema para as ruas dos bairros e da vida cotidiana do Rio.
Segundo o MPRJ, a contratação da Triunfo Consultoria Educacional Ltda. teria sido direcionada por meio da adesão indevida a uma ata de preços de um consórcio de Minas Gerais. Para as promotorias, a operação resultou em desvio de recursos públicos e possível dano ao erário.
A principal inconsistência apontada na ação está no próprio objeto da contratação. A ata usada como referência previa uma plataforma voltada ao reforço escolar, enquanto o serviço contratado pela secretaria tinha outra finalidade: capacitar gestores, técnicos e servidores públicos em temas como orçamento, finanças, gestão de convênios e prestação de contas.
MP aponta relação entre empresa contratada e integrantes da secretaria
A investigação também identificou vínculos anteriores entre pessoas envolvidas na contratação. O sócio-administrador da Triunfo, Vanderlan Ribeiro Vieira, havia trabalhado como assessor e subsecretário na administração estadual sob a chefia de André Moura. Depois, passou a integrar o quadro societário da empresa que acabou contratada por ele.
O então subsecretário de Administração da SERGB, Ricardo Cardoso dos Santos, também permaneceu na estrutura da pasta durante a gestão de Moura. De acordo com o MPRJ, ele participou da formalização da contratação e da ordenação das despesas em favor da Triunfo.
As promotorias apontam ainda indícios de baixa capacidade técnica, operacional e patrimonial da empresa. Segundo a ação, a Triunfo iniciou as atividades em 2022 e não possuía nenhum registro de vínculo formal de emprego.
André Moura deixou governo em março para ser candidato em Sergipe
André Moura integrou a administração de Cláudio Castro (PL) desde 2019. Ele passou pela secretaria de Estado da Casa Civil e Governança e, posteriormente, ocupou os cargos ao mesmo tempo: secretário de Governo e de Representação do Governo do Estado do Rio de Janeiro em Brasília.
Moura deixou a representação em Brasília em março deste ano e, desde então, passou a se dedicar à articulação eleitoral. Hoje, é candidato ao Senado em Sergipe pelo União Brasil.
A ação de improbidade administrativa foi ajuizada em julho pelas 5ª e 8ª Promotorias de Justiça de Tutela Coletiva do Patrimônio Público e da Cidadania do Rio. O bloqueio de bens é uma medida cautelar e não representa condenação dos envolvidos. O caso ainda será analisado pela Justiça.
Com informações do colunista Ancelmo Gois no jornal “O Globo”.
Na matemática promocional do governo, a conta funciona assim: tira-se 22% dos comissionados, economizam-se R$ 16,7 milhões nessa prateleira e, quando chega ao caixa, a folha aparece R$ 169 milhões mais cara.
É a Black Friday perfeita do serviço público: o estoque diminui; a etiqueta sobe; e o consumidor — no caso, o contribuinte — descobre que levou menos vínculos por mais dinheiro.
Se fosse anúncio de supermercado, já teria Procon perguntando onde está o desconto.
O governador em exercício Ricardo Couto, portanto, poderia lançar o slogan oficial da temporada: “Tudo pela metade do dobro”. A cada dois cargos que somem, a planilha ganha vida própria e devolve a gentileza com alguns milhões a mais.
Pela aritmética do Tempo Surreal, −3.678 vínculos + R$ 169 milhões = economia em estado quântico: existe na coluna dos comissionados, desaparece quando alguém olha o total e reaparece apenas na coletiva de imprensa.