Todas as atenções estavam voltadas para os dois candidatos mais bem colocados nas pesquisas de intenção de votos, e os eleitores já se dividiam antes mesmo de a mediadora dar a tradicional sorridente boas-vindas: quem sairá vencedor do debate, Eduardo Paes (PSD) ou Douglas Ruas (PL)?
Mas já passava da meia-noite quando as redes sociais deram a resposta. Entre o ex-prefeito e o presidente da Assembleia Legislativa, os insones que acompanharam o embate até o fim acharam mais divertido o desempenho de… Anthony Garotinho (REP).
Performance teatral à parte, o encontro teve a clássica formação todos contra um — mais especificamente, contra Douglas Ruas. Identificando o presidente da Assembleia Legislativa como o que está mais próximo do governo Cláudio Castro (PL), os adversários, do franco atirador Garotinho ao único representantes da esquerda, William Siri (PSOL), voltaram suas baterias para ele. Eduardo Paes, o adversário mais direto, e principal interessado na contenda, aproveitou até para passar parte da noite vendo a luta da arquibancada.
Desde o início, ficou clara a estratégia de cada um: Ruas reforçou que é o candidato de Flavio Bolsonaro e tentou colar Lula em Paes; o ex-prefeito relembrou a ligação de Ruas com Cláudio Castro, Rodrigo Bacellar e o esquema de corrupção da Alerj. E só falou de Lula quando não teve outro jeito.
E como ninguém ia dar espaço para Garotinho, ele tratou de cavar seu próprio — e hilário — caminho.
Na parte séria da contenda, o estreante bem treinado conseguiu levar o experiente Paes às cordas duas vezes. A pergunta sobre as acusações de violência doméstica contra Pedro Paulo (PSD), fiel escudeiro e candidato a senador, tirou o ex-prefeito do eixo. Ele devolveu com a informação de que um irmão do adversário passou por processo semelhante e, como Pedro Paulo, fora inocentado.
Mas titubeou e não foi enfático o suficiente para rebater o provocador. Ainda nervoso, tentou engatar, em seguida, numa dobradinha com William Siri — esquecendo-se que o candidato do PSOL já havia respondido antes e não poderia ser perguntado.
Paes também não deu explicações quando Douglas Ruas perguntou se havia encontrado Bacellar em algum momento, no período em que o ex-presidente da Assembleia deixou a prisão.
No fim do debate, parecendo estar sem energia, disse que “depois responderia” as acusações que ficaram no ar.
Garotinho provocou, jogou denúncias no ar e flanou pelo debate
André Marinho (Novo) não foi convidado para a festa, mas deu “carteirada” ao conseguir uma decisão do presidente do TSE, o ministro Nunes Marques. Não fez diferença no espetáculo.
William Siri se saiu melhor ao defender as bandeiras do PSOL e conquistou alguns momentos nos refletores quando fez dobradinha com Paes. Ainda teve algumas tiradas irônicas, como quando perguntou a Douglas Ruas se o candidato do PL “veio de Marte”, e não sabia “nada do que está acontecendo” no Rio.
Mas foi Garotinho quem roubou a cena. Logo de saída, citou a existência de uma tal “lista do Bacellar”, que teria nomes de políticos envolvidos em corrupção da Assembleia Legislativa. “E tem gente de tudo quanto é partido, inclusive do meu”, disse.
Em outro momento, lembrou de um projeto que implantara chamado “Leitinho feliz” e arrancou risadas dos adversários.
O ex-governador está com o registro indeferido e tem pouquíssimas chances de ganhar a eleição, mas aproveitou cada minuto. Leu, numa tosca folha de papel cheia de anotações e rabiscos, uma interminável lista de acusações, deixou outras no ar. Desmoralizou o governo do estado (“que não sabe nem dividir o estado”), e flanou pelo palco.
“O Leo Dias da política fluminense”, disse André Marinho (Novo) em sua melhor tirada, referindo-se ao polêmico e performático colunista.
Douglas foi bem, mas Paes pode sair ganhando
Se dá para dizer que o embate teve algum vencedor, pode-se concluir que Douglas Ruas saiu-se bem, apesar de apanhar muito.
Mas, no fim, pode ser Paes o maior beneficiado.
Apesar de hoje estar legalmente fora da disputa, Garotinho aproveitou o momento e fez um recall de seu nome em grande estilo. Ele está recorrendo ao TSE para conseguir voltar ao jogo, de preferência, antes de domingo. Mesmo que não tenha sucesso, seu nome estará na urna, e ele poderá receber os votos que sua performance no debate ajudou a conquistar.
E votos para candidato indeferido são anulados. Votos anulados ajudam quem estiver na frente na disputa — que hoje é… Eduardo Paes.



















































