A Prefeitura do Rio estima captar R$ 2,75 bilhões em operações de crédito em 2027, como novos empréstimos e financiamentos, voltados para obras de infraestrutura, transporte e modernização da cidade.
O valor representa um aumento de 17% em relação aos R$ 2,35 bilhões previstos no orçamento de 2026. O crescimento foi identificado em um levantamento realizado pelo gabinete do vereador Fernando Armelau (PL), que comparou as estimativas de receitas e despesas para os dois exercícios, com base nos projetos de lei enviados pelo Executivo municipal à Câmara do Rio.
A proposta orçamentária prevê receita de R$ 55,218 bilhões para o próximo ano, alta de aproximadamente 5% em relação ao orçamento de 2026. A estimativa da prefeitura é que, do total, R$ 41,299 bilhões correspondam ao Orçamento Fiscal, e R$ 13,919 bilhões ao Orçamento da Seguridade Social.
Aumento nas dívidas do município
De acordo com os dados compilados pela equipe de Armelau, a prefeitura contratou cerca de R$ 8 bilhões em operações de crédito desde 2021.
O documento estima ainda que os compromissos relacionados à dívida consolidada do município poderão representar aproximadamente R$ 25 bilhões em pagamentos até 2048.
Receitas de capital crescem 13%
Além das operações de crédito, o levantamento aponta mudanças em outras fontes de receitas de capital, utilizadas para financiar investimentos e outras despesas dessa natureza. No conjunto, a previsão dessa categoria passa de R$ 3,02 bilhões em 2026 para R$ 3,41 bilhões em 2027, crescimento de aproximadamente 13%.
As transferências de capital, que incluem recursos recebidos para investimentos, aumentam 31%, de R$ 457,94 milhões para R$ 600,43 milhões. Já a previsão de receita com alienação de bens cai 74%, passando de R$ 216,83 milhões para R$ 56,06 milhões.
A arrecadação com amortização de empréstimos também apresenta aumento, de R$ 197,8 mil para R$ 300 mil (variação de 52%).
As receitas correntes, que incluem a arrecadação de tributos, contribuições e transferências regulares, devem passar de R$ 49,39 bilhões em 2026 para R$ 51,80 bilhões em 2027.
Entre os componentes dessa categoria, as transferências correntes apresentam uma das maiores altas em valores absolutos. A previsão passa de R$ 16,39 bilhões para R$ 18,61 bilhões, enquanto a arrecadação com impostos, taxas e contribuições de melhoria deve crescer 4%, alcançando R$ 21,30 bilhões.
As outras receitas correntes têm alta prevista de 19%, chegando a R$ 2,37 bilhões, enquanto a receita industrial cresce 20%, para R$ 14,75 milhões. As contribuições avançam 2%, alcançando R$ 7,62 bilhões.
ISS continua como principal fonte de arrecadação tributária
Dentro da previsão de R$ 21,30 bilhões em impostos, taxas e contribuições de melhoria, o Imposto sobre Serviços (ISS) permanece como a principal fonte de arrecadação tributária do município. A estimativa passa de R$ 10,40 bilhões em 2026 para R$ 10,75 bilhões em 2027.
A receita com o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) deve crescer 5%, de R$ 5,44 bilhões para R$ 5,70 bilhões. Para o Imposto sobre a Transmissão de Bens Imóveis (ITBI), a previsão é de aumento de 8%, de R$ 1,59 bilhão para R$ 1,73 bilhão.
Já a arrecadação do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) apresenta queda estimada de 2%, passando de R$ 2,13 bilhões para R$ 2,09 bilhões.
O orçamento também incorpora uma nova rubrica relacionada ao Imposto sobre Bens e Serviços (IBS), instituído no contexto da reforma tributária, com previsão inicial de R$ 9,17 milhões.

Orçamento prevê R$ 5,26 bilhões em investimentos
O projeto de lei orçamentária reserva R$ 5,266 bilhões para investimentos no exercício do próximo ano. Entre as áreas contempladas, Urbanismo concentra a maior parcela, com R$ 2,253 bilhões, seguida por Transportes, com R$ 1,085 bilhão.
Para Educação, estão previstos R$ 272,6 milhões, enquanto a Saúde tem R$ 83,49 milhões destinados a investimentos. Na Segurança Pública, a previsão é de R$ 33,24 milhões.
Na justificativa encaminhada aos vereadores, a Prefeitura afirma que a captação de recursos por meio de operações de crédito é voltada a obras de infraestrutura necessárias à manutenção e à modernização da cidade.
O Executivo também informa que a proposta foi elaborada com base nas receitas realizadas nos últimos exercícios, na arrecadação do primeiro semestre de 2026, nas metas fiscais e nos efeitos esperados de mudanças na legislação e de medidas de aperfeiçoamento da administração tributária.
Cidade do Rio aparece como boa pagadora no cenário nacional
A previsão de aumento nas operações de crédito é feita em um cenário no qual o município apresenta indicadores de endividamento abaixo do limite estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal e com uma melhora recente em sua classificação de risco.
Segundo a justificativa do próprio projeto orçamentário, a dívida consolidada bruta do Rio caiu de R$ 19,139 bilhões no fim de 2024 para R$ 16,220 bilhões em dezembro de 2025. No mesmo período, a dívida consolidada líquida, que considera as disponibilidades de caixa e outros haveres financeiros, recuou de R$ 16,964 bilhões para R$ 13,245 bilhões.
Em agosto de 2026, a agência de classificação de risco Fitch Ratings elevou o rating nacional de longo prazo do município de AA+(bra) para AAA(bra), a nota máxima da escala nacional. A agência também aumentou o Perfil de Crédito Individual do Rio de BB para BB+, destacando a melhora das contas públicas e a posição de liquidez da cidade.

Comentários 2
Interessante, o TJ RJ em 2025 acabou de extinguir 700 cargos efetivos para nomear 700 comissionados. Isso pq entende que o comissionado trabalha muito, não deixa um passivo previdênciario, pois ele paga INSS, não fem FGTS, nem seguro desemprego em caso de exoneração. São pessoas qualificadas, que se não desempenharem bem as funções são trocados. Já o servidor pode embromar e vai só somando benefícios sem fim. O que tem que se fazer é fiscalizar se trabalham, se tem função. Pra não ser o conhecido cabide de emprego.
Isso aí está longe de ser a realidade da Prefeitura do Rio, que é uma máquina de terceirização e de transformar secretários em políticos. Alguns largaram os cargos para ser candidatos até a deputado federal. O próprio Eduardo Paes começou na política com cargo de subprefeito e se elegeu vereador. As subprefeituras são máquinas de eleger vereadores.