Tenho o costume, não sei se por defeito ou qualidade, de acompanhar os noticiários e questioná-los procurando explicações que me pareçam mais lógicas. As tarifas comerciais impostas pelo governo americano a diversos países têm tido, no tocante ao Brasil, interpretações que não me deixam à vontade.
Existem teorias que simplificam problemas complexos e uma dessas afirma que as taxações impostas pelo governo Donald Trump sobre produtos brasileiros seriam fruto da influência direta de políticos nacionais — como se decisões estratégicas de uma potência global se deixassem influenciar por cochichos saídos de Brasília. Essa tese ignora a estrutura monumental de informação, inteligência e planejamento que sustenta cada movimento econômico dos Estados Unidos.
Estamos falando de um país que abriga dezenas de ganhadores do Prêmio Nobel, que possui universidades que lideram rankings mundiais, que opera com estatísticas de altíssima precisão e que conta com agências de inteligência capazes de mapear cadeias produtivas globais com detalhes que nenhum governo latino-americano sequer sonha em acessar. A ideia de que um político brasileiro, seja quem for, teria capacidade de influenciar decisões tarifárias americanas é, no mínimo, ingênua ou enganosa. Acreditar nisso é fazer o jogo de valorizar quem carece de valor ou dar importância a quem não merece.
Essas tarifas se inserem em um contexto muito mais amplo e coerente com a plataforma política atual dos EUA. Desde a campanha de 2016, Trump martelou a promessa de “Make America Great Again”, um slogan que, apesar de simples, carrega uma estratégia econômica clara: reduzir a dependência de importações, repatriar indústrias que migraram para países com mão de obra barata e reconstruir a base manufatureira doméstica. Não podemos perder de vista que as taxações só atingiram produtos que são produzidos pelos EUA, numa claríssima forma de protecionismo. As tarifas são, portanto, claramente instrumentos de política industrial.
Ao taxar nossos produtos, Trump não está atendendo a pressões de políticos sem mandato, como querem fazer crer alguns personagens megalomaníacos. Ele está cumprindo um projeto nacionalista de reindustrialização, que busca transformar os Estados Unidos de consumidores passivos em fornecedores competitivos. É uma tentativa de reverter décadas de desindustrialização. O Brasil, nesse cenário, é apenas mais um ator na engrenagem global, não é o protagonista. A interferência dessa taxação sobre a política brasileira é apenas um efeito secundário e colateral, valorizado por alguns de nossos homens públicos com interesses eleitorais.
Outro ponto frequentemente ignorado é o caráter estratégico das tarifas como ferramenta de negociação. Os EUA utilizam barreiras comerciais não apenas para proteger setores internos, mas também para criar margem de barganha em acordos futuros. Países que possuem recursos estratégicos, como petróleo, energia limpa e as badaladas terras raras, entram no radar americano não por influência política, mas por relevância geoeconômica. Tarifas podem ser elevadas hoje para serem reduzidas amanhã, desde que isso resulte em vantagens concretas para Washington.
A lógica é simples: ao impor tarifas, os EUA aumentam seu poder de negociação. Ao retirar tarifas, colhem concessões. É um jogo de xadrez econômico, não um teatro de política tropical. Isso sempre aconteceu e a enorme diferença é que, agora, o governo americano trocou a política do “soft power”, até então bem-sucedida, pelo uso do agressivo “manda quem tem mais força”. Possivelmente, no longo prazo, isso será danoso para aquele país, uma vez que buscaremos outros mercados para as nossas exportações, além de acirrar o sentimento de antiamericanismo.
Portanto, na minha opinião, insistir na tese de que políticos brasileiros influenciam decisões tarifárias americanas é desconhecer a escala real das forças envolvidas. As tarifas de Trump não são sobre nós, são sobre eles. E compreender isso é o primeiro passo para que possamos enfrentá-las com maturidade, pragmaticamente, e sem a ilusão de que alguns poucos políticos tupiniquins podem influenciar o tabuleiro geoeconômico daquela superpotência.
Comments 8
Tem aplicativos como o WAZE, mas um sistema de comunicação que avisasse os motoristas de carros e caminhões de engarrafamento na ponte e sugerisse alternativas de saída ANTES de chegar a ponte seria o ideal.
Big brother 1984 George Orwell
?️
Quanto tempo até esse maravilhoso aparato de segurança ser usado para caçar perigosos devedores de IPVA?
Adianta nada aqui no ES tem pra todo lado os caras roubar as motos bota a mão na placa na hora de passar ou colam fita isolante na placa.
1984 O GRANDE IRMÃO.
SR. PREFEITO: INSTALAR 1M CÂMARAS EM TODA CIDADE; INTEGRANDO TODOS OS TRANSPORTES DA CIDADE.
ADOTAR O SISTEMA DE CRÉ DITO CHINÊS.
E brincadeira o rio de janeiro quase no colapso, e o prefeito querendo fera a população, pega bandido nada aí o cidadão fica no sinal eletrônico, o povo besta ainda bate palma para um palhaço deste prefeito.
Deveriam tomar vergonha e ajeitar os asfalto, zona sul e centro tudo cheio de buracos, pago IPVA e iptu muito caro, e não dá pra andar sem cair nos buraco e ferrar meu carro, vergonhoso de mais, em vez de fazer algo útil, vão fazer do rio big brother sabendo que não adianta nada com as entradas das comunidade livres pra eles roubar e entrar, essas câmeras serve mais pra vigiar o cidadão de bem, do que os criminosos