O Ministério Público Eleitoral (MPE) enviou parecer ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) favorável ao indeferimento do registro de candidatura de Márcio Canella (UNIÃO), que concorre ao cargo de deputado estadual. O documento marca uma mudança de posição: anteriormente, o MPE havia opinado pela liberação da candidatura do ex-prefeito de Belford Roxo.
A manifestação desfavorável é semelhante à que foi emitida a respeito da candidatura do principal aliado político de Canella, o presidente nacional do União, Antônio Rueda, candidato a deputado federal.
Os dois integram a mesma aliança política e fazem campanha conjunta (a famosa “dobradinha”) no estado.
Entenda a reviravolta no caso
Assim como no caso de Rueda, o MPE havia opinado inicialmente a favor de liberar a candidatura de Canella por entender que, naquele primeiro momento, faltavam provas oficiais no processo.
Contudo, o julgamento ser suspenso pelo TRE-RJ para a realização de diligências urgentes junto à Polícia Federal, ao Supremo Tribunal Federal (STF), ao MPE e a órgãos de inteligência policial. Com a chegada de novas provas, o órgão ministerial avaliou que novas informações graves vieram à tona.
Os motivos apontados pelo Ministério Público
No novo parecer, a Procuradoria Regional Eleitoral apontou três eixos principais para pedir o indeferimento de Canella, sempre com base na proibição constitucional do uso de organizações paramilitares e milícias no processo eleitoral:
Aparelhamento e apoio de milicianos
O candidato nomeou para cargos de secretários municipais em Belford Roxo dois homens barrados pela Justiça Eleitoral em 2024 por ligação com milícias — Fabinho Varandão e Eduardo Araújo.
Mesmo após deixarem formalmente os cargos, ambos continuaram atuando diretamente como puxadores de voto na campanha de Canella e Rueda para 2026.
Investigação no STF
Canella é investigado formalmente no Inquérito 5.020/DF, que tramita no Supremo Tribunal Federal sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, focado em combater organizações criminosas, extorsão e lavagem de dinheiro.
Apreensão de fuzil e prisão
Durante a 6ª fase da Operação “Unha e Carne”, deflagrada pela Polícia Federal, policiais encontraram um fuzil calibre 5.56 da Polícia Militar dentro do carro blindado do candidato. O episódio resultou na prisão em flagrante de Canella por posse ilegal de arma de uso restrito, além da apreensão de R$ 919 mil em espécie, carros de luxo e relógios valiosos.
Para o MPE, a soma desses fatos demonstra uma “simbiose entre o poder político e forças armadas irregulares”, o que é expressamente proibido pela Constituição Federal para proteger a legitimidade do processo eleitoral.
O que diz a defesa de Canella
Em sua defesa juntada ao processo, Márcio Canella alegou que a proibição constitucional não se aplica como causa automática de inelegibilidade sem condenação prévia.
Sobre as nomeações em Belford Roxo, afirmou que ocorreram de forma legítima e que os secretários já foram exonerados.
“Trata-se de dois vereadores que já faziam parte da administração anterior a minha. Eles já eram secretários do governo anterior, curiosamente do impugnante e meu adversário político na cidade. Quando eu soube da condenação exonerei os dois. Agora, imagina se essa regra pega no Brasil. Confio na justiça e tenho certeza que tudo será esclarecido” disse Canella.
Em relação ao fuzil apreendido em seu veículo, a defesa sustentou que a arma pertence ao Estado do Rio de Janeiro e estava sob a responsabilidade do policial militar designado para fazer sua escolta oficial.

























































