“A Polícia Civil já havia identificado o criminoso. As diligências da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da Baixada Fluminense (DRE-BF) estavam no encalço do grupo, que, diante da iminência da prisão, decidiu executar um de seus integrantes, na tentativa de evitar um confronto com a polícia”, explicou o secretário de Polícia Civil, delegado Felipe Curi.
O corpo, atingido por diversos disparos, foi encontrado na Estrada de Paciência, também na Zona Oeste, próximo a um colete supostamente falsificado da Draco, usado na invasão. A Delegacia de Homicídios realizou perícia no local, e as investigações continuam para capturar os demais envolvidos.
O ataque ao hospital ocorreu por volta das 2h30 de quinta-feira (18). Os oito criminosos foram diretamente ao centro cirúrgico da unidade em busca de Lucas Alegado, de 31 anos. Ele havia sido vítima de uma emboscada na quarta-feira (17), quando foi atingido por nove tiros, mas não foi encontrado na ocasião, pois estava internado em outra ala da unidade.
Pandemia. Pessoas isoladas temendo a contaminação por um vírus potencialmente mortal. Para matar o tempo, reúnem-se com o devido isolamento em torno da literatura. Um casal se conhece e se apaixona. Poderíamos estar falando do clássico “Decamerão”, de Giovanni Boccaccio, ambientado na Peste Negra do século XIV. Mas nossa história é bem mais recente. Acontece na pandemia da Covid-19, em Lisboa, e tem seu ápice no Rio de Janeiro com um escritor como cupido: Machado de Assis.
A guia Juliana Fiúza, de 31 anos, há dez concluiu seu curso e resolveu se especializar em rotas turísticas literárias no Rio de Janeiro. Tem vários roteiros. O mais concorrido é, disparado, o de Machado de Assis, fundador da Academia Brasileira de Letras. Foi graças ao Bruxo do Cosme Velho que sua história se misturou com a do casal.
Durante a pandemia, Rui Carvalho e Sofia Vicente dedicaram parte do seu tempo à literatura, participando de um clube. Descobriram que eram apaixonados por Machado de Assis. Mais um pouco e descobriram-se, agora, apaixonados um pelo outro. Depois do casamento, os portugueses procuraram Juliana, que conheceram através das redes sociais, para comemorar a lua de mel de um jeito diferente e especial: fazendo o roteiro literário de Machado de Assis no Rio.
Personagens de uma história contada e recontada
E as artes do bruxo vão mais longe e criam outra conexão. O arquiteto e historiador Nireu Cavalcanti tem um sonho. Nele, caminham pelas ruas do Rio de Janeiro Bentinho, olhando para os lados, desconfiado do que aconteceu no passado. O filósofo Quincas Borba filosofa e se pergunta onde errou. Ao mesmo tempo, o transeunte precisa ter cuidado com seus trejeitos. Podem ser mal interpretados por um tal Dr. Simão Bacamarte, que não hesitará em levar o desavisado para uma internação compulsória. Na mente de Nireu, os personagens de um dos maiores escritores brasileiros de todos os tempos, Machado de Assis, passeiam por aí, a clamar, como fantasmas, um caminho delimitado por “templos” onde o povo possa prestar a devida homenagem a seu criador.
Nireu Cavalcanti sabe tudo de Machado de Assis — Foto: Arquivo pessoal
Nireu Cavalcanti tem a ousada ideia de tornar o Rio uma Cidade Machadiana. As ideias serão expostas em dois eventos. Na próxima terça-feira (11), às 9h, acontece o Circuito Machadiano – Bem Jurídico Imaterial, na Escola de Magistratura do Estado do Rio de Janeiro. No dia 25, quem recebe o debate é o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro.
“Temos até 2039 (ano do bicentenário do escritor) para criar o roteiro. É uma homenagem justa, mais do que merecida”, diz Nireu, de 82 anos, que tem uma relação de décadas com Machado de Assis. Conheceu a obra do escritor ainda garoto, em Alagoas, onde nasceu.
Evento vai discutir a proposta do arquiteto
Intervenções arquitetônicas para preservar a memória
A proposta do arquiteto e historiador inclui intervenções em dez locais, sendo nove deles antigas moradias de Machado de Assis. O roteiro vai da Rua do Livramento, na Gamboa, ao Cosme Velho, passando por bairros como São Cristóvão, Centro, Lapa, Laranjeiras, Catete e Cosme Velho. A décima intervenção aconteceria num prédio que hoje pertence à Assembleia Legislativa do Rio. Demolição é a solução apresentada.
“A edificação foi reformada e transformada em um caixote revestido de vidro”, escreve Nireu, quase com repugnância.
A presença de Machado de Assis na cidade é tema do livro de Nireu — Arte/Divulgação
As intervenções propostas por Nireu têm um grande entusiasta. Trata-se do desembargador João Batista Damasceno, presidente do Fórum Permanente de Sociologia Jurídica da Escola de Magistratura.
“Machado de Assis pode ser considerado um dos fundadores da literatura brasileira. O que tínhamos, antes da Indendência (1822), era literatura portuguesa. No caso do roteiro da Cidade Machadiana, temos ainda muita coisa que pode se perder com o tempo caso nada seja feito”, alerta Damasceno.
Registros imortais e um pouco de fofoca literária
O desembargador é tão apaixonado pela obra do escritor que, pesquisando textos de vários literatos brasileiros, escreveu o artigo ”Machado de Assis: Talaricagem, catarse ou fake news? Este é o enigma”. Nele, discorre sobre literatura e… fofoca. Mais de 150 anos depois, Machado de Assis ainda é babado!
“Mas e se a obra for autobiográfica e Machado a tiver escrito como um mea culpa ou catarse, explicitando o que não poderia dizer publicamente e às claras? Há criminosos que decorridos tempos de seus delitos procuram autoridades e relatam o que cometeram, sem o que jamais se saberia sobre a autoria”, discorre Damasceno, falando sobre “Dom Casmurro”, o livro mais conhecido de Machado, e usando uma fofoca secular para botar fogo no parquinho.
Ousadia para derrubar o que está atrapalhando
E se demolir um prédio, como o anexo da Assembleia, pode chocar os mais afeitos a “deixar tudo como está”, Nireu, em sua proposta, é didático:
“Registrar as nove moradias do gênio Machado de Assis não deve se restringir a colocação de placas em suas fachadas. Mas restaurar os imóveis e lhes dar função social, cultural, histórica, turística e revitalizar o seu entorno”.
É bom lembrar que menos de duas décadas atrás, muita gente considerou até sacrilégio implodir a Perimetral, pra revitalizar o Porto Maravilha. As ideias de Nireu nem envolvem tanto barulho e poeira, mas explosivas. Incluindo botar abaixo o terminal atual das barcas (somente a parte não tombada) para revitalizar a Praça XV.
“O espaço urbano onde Machado de Assis viveu e trabalhou por tantos anos (no Ministério da Agricultura, de 1873 a 1908) é o centro histórico onde localizava-se o Palácio Imperial, a Câmara de Deputados, a Sé Catedral (Igreja do Carmo e Capela Imperial); o porto de desembarque de escravos, dos navios mercantes, de passageiros estrangeiros e nacionais, dos moradores de Niterói, na Estação das Barcas, das embarcações do interior da baía de Guanabara e da Província do Rio de Janeiro. Os navios de guerra do Brasil e das diversas nações estrangeiras”.
Uma Praça Quinze vibrante, como Machado de Assis via
O visionário quer ver mais vida de volta à Praça Quinze.
“Nesse sítio urbano fervilhava o comércio com o Mercado Municipal, os quiosques, os vendedores ambulantes, as baianas e as lojas de variados ramos comerciais. Tinha os hotéis famosos da cidade, os cafés, confeitarias, casas de pasto (restaurantes), sorveterias, tabacarias, livrarias, sedes dos principais jornais da cidade, lojas de moda francesa, de móveis, de instrumentos musicais, sapatarias, escritórios e consultórios de famosos advogados, contadores, médicos, dentistas e sedes de empresas importantes”, detalha.
Autor do livro “Machado de Assis – Caminhos de suas moradias no Rio de Janeiro”, Nireu vai defender suas propostas nos dois eventos citados no início deste texto. E pretende trazer para a ideia os mais variados setores da sociedade, do poder público a entidades da sociedade civil.
O presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio de Janeiro (CAU/RJ), Sydnei Menezes, está ansioso pelo encontro como Nireu Cavalcanti.
“A importância desse trabalho, elaborado pelo professor, de nos oferecer e especializar na questão urbana toda a vivência, a própria obra, a inspiração de Machado de Assis, é muito importante para o CAU reconhecer esse trabalho, apoiar e fazer o devido encaminhamento institucional junto à prefeitura da cidade do Rio de Janeiro para tentar aproveitar essa ideia e valorizar esses espaços da cidade que têm um valor não só urbano, arquitetônico e histórico, mas sobretudo um valor cultural, de inspirar. Para que perpetuassem nas suas obras essa realidade tão pitoresca da cidade do Rio de Janeiro”, diz.
Ligação profunda até mesmo com o turismo europeu
E, voltando ao início, de nossa narrativa, ficamos com o depoimento de Juliana (@papodeguiario), que vê praticamente todos os dias o efeito da literatura de Machado e outros escritores na divulgação do Rio de Janeiro mundo afora:
“Machado é muito conhecido e tem um nome muito forte em outros países. Outro dia, uma família holandesa me procurou”, conta ela, que faz o roteiro do Bruxo do Cosme Velho bimestralmente, porque em sua agenda também precisa abrir espaços para outros escritores brasileiros, como José de Alencar e Lima Barreto. Mas isso é uma outra história…
O casal apaixonado por Machado com Juliana durante a visita — Foto: Arquivo pessoal
A orla da Praia de Icaraí, em Niterói, vai passar por uma ampla revitalização ao longo dos próximos meses. De acordo com a prefeitura, o edital deve ser lançado ainda em agosto para a execução das obras, com previsão de conclusão até o fim de 2027.
O projeto prevê uma ciclovia contínua ao longo da praia, com 1.285 metros de extensão — ligando a Rua Miguel de Frias à Estrada Leopoldo Fróes —, além da ampliação do calçadão em cerca de cinco metros a partir da linha atual de arborização; novos quiosques com banheiros; e a readequação das baias de ônibus.
Segundo a prefeitura, a pista da ciclovia será separada da área destinada aos pedestres por meio de um desnível físico de aproximadamente 13 centímetros, pavimentação diferenciada e sinalização apropriada.
Junto à faixa de areia, também será criada uma faixa lisa de granito com 1,5 metro de largura, destinada à circulação de cadeirantes e também utilizada para caminhada e corrida.
Proposta busca reorganizar o fluxo de pedestres, ciclistas e usuários do transporte coletivo na cidade
Ainda de acordo com a Prefeitura de Niterói, a intervenção prevê um novo sistema de iluminação para o calçadão e a faixa de areia, instalação de bancos, lixeiras, bicicletários e equipamentos de lazer e reforma do mirante localizado no trecho da orla, que receberá novo piso, guarda-corpo e iluminação.
A discussão sobre a requalificação da orla de Niterói não é recente. Em setembro do ano passado, a prefeitura iniciou uma série de oficinas e consultas públicas para discutir o chamado Projeto Orla, com participação de moradores, comerciantes, trabalhadores e visitantes.
Após cobrança de Cavaliere, Anac vai atuar com a prefeitura na fiscalização de voos panorâmicos na cidade; prefeito defende suspensão temporária da atividade
O prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere (PSD), pediu à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) uma fiscalização extraordinária dos voos panorâmicos realizados na cidade após a queda de um helicóptero que matou quatro pessoas na região da Vista Chinesa, no Alto da Boa Vista.
Entre as medidas, Cavaliere sugeriu a possibilidade de suspensão das atividades por uma ou duas semanas para que a agência faça uma fiscalização mais rigorosa de helipontos, aeronaves e manutenção.
Em nota, a Anac informou que “está em contato com a prefeitura do Rio de Janeiro, para uma atuação conjunta na fiscalização especialmente de voos panorâmicos”. A Agência lamentou o acidente deste sábado (08) e disse que o helicóptero “estava com certificado de aeronavegabilidade válido e tinha autorização para fazer serviço aéreo especializado (SAE) de voo panorâmico, conforme informações do Registro Aeronáutico Brasileiro (RAB)”.
Em 55 dias, dois acidentes com helicópteros deixam 10 mortos no Rio
A queda da aeronave que resultou na morte de três turistas colombianas da mesma família e o piloto brasileiro, ocorreu 55 dias após outra tragédia envolvendo helicópteros na cidade do Rio. Em 14 de junho, seis pessoas morreram depois que duas aeronaves se chocaram no ar, na região do Recreio dos Bandeirantes.
O prefeito Eduardo Cavaliere relacionou a cobrança à Anac, neste sábado (08), justamente à ocorrência de mais de um acidente aéreo no Rio, em um curto intervalo de tempo.
“Eu quero que a Anac tome essas medidas, inclusive com a possibilidade de suspensão de voos panorâmicos por uma semana ou por duas semanas, ou pelo tempo que seja necessário para a Anac fazer uma fiscalização mais intensa nos helipontos, nas aeronaves, na manutenção dessas aeronaves, para que a gente possa ter segurança dos visitantes que visitam a cidade, dos turistas que visitam a cidade e da população que circula aqui pela cidade”, afirmou o prefeito.
Cavaliere esteve presente no local do acidente para acompanhar o trabalho das equipes de resgate. Segundo o prefeito, ele entrou em contato com o presidente da Anac e a prefeitura encaminhou um comunicado à agência pedindo providências em relação aos voos na cidade.
“Isso não pode ser considerado normal. Fiz questão de ligar para o presidente da Anac e encaminhamos imediatamente um comunicado da Prefeitura do Rio para que tome providências em relação aos voos no Rio de Janeiro”, disse Cavaliere.
Nos últimos quatro anos, o rombo nas finanças do estado do Rio aumentou — e os gastos do governocom as chamadas despesas com diárias dispararam. Entre janeiro de 2022 e julho de 2026, os valores empenhados — verbas que o estado reservou e se comprometeu a pagar — somaram R$ 90,21 milhões.
Deste total, R$ 84,13 milhões já foram efetivamente depositados nas contas dos beneficiários ao longo dos quatro anos.
Segundo o Executivo estadual, as diárias são um instrumento para cobrir despesas de alimentação, hospedagem e deslocamento de servidores durante viagens a trabalho, tanto no Brasil quanto no exterior.
No estado do Rio de Janeiro, a concessão das diárias a servidores, empregados públicos e contratados temporários é regulamentada pelos decretos estaduais nº 46.611/19 e nº 47.961/22.
Gastos quase dobraram em três anos
Somente em 2025, os pagamentos atingiram um pico histórico de R$ 25,5 milhões, o que representa uma alta de 96,5% na comparação com 2022, quando o valor foi de R$ 12,98 milhões.
A participação das viagens internacionais também cresceu. Elas representavam 9,4% dos pagamentos em 2022 e passaram a responder por 20,3% em 2023, 21,1% em 2025 e 19,4% no acumulado de 2026.
Os dados foram extraídos do Portal da Transparência e do Sistema de Execução Orçamentária e Financeira do Estado do Rio de Janeiro (SIAFE-RJ).
Aumento de gastos com viagens ao exterior
Entre janeiro de 2022 e 14 de julho de 2026, a base estadual registrou R$ 84,13 milhões em pagamentos relacionados a diárias. Desse total, R$ 69,45 milhões foram contabilizados como deslocamentos dentro do país e R$ 14,68 milhões como viagens ao exterior.
O aumento dos gastos acompanha o crescimento no número de viagens: em 2025, o governo autorizou quase 21 mil diárias, frente às cerca de 15 mil registradas no ano anterior.
A alta nas despesas também reflete o aumento das missões oficiais ao exterior. Além de crescerem em quantidade, essas viagens passaram a concentrar os maiores valores pagos em diárias pelo Estado.
Em 2025, as despesas atingiram o pico
Os valores de viagens nacionais e internacionais seguem a classificação contábil oficial, a partir de dados obtidos no Sistema de Execução Orçamentária e Financeira. No entanto, uma análise dos registros mostra inconsistências na base de dados do governo.
Em 2025, por exemplo, um empenho de quase R$ 4,9 mil foi registrado como viagem nacional, embora a justificativa oficial informasse uma missão em Montevidéu, no Uruguai. Mesmo com esse tipo de divergência, o peso das viagens internacionais nos gastos aumentou. A participação delas passou de 9,4% do total pago em 2022 para 21,1% em 2025.
A Secretaria de Estado da Casa Civil foi o epicentro dos deslocamentos internacionais, concentrando mais de um quarto de todas as despesas com viagens ao exterior no período analisado.
Já nas viagens domésticas, a maior concentração de recursos aparece no Detran-RJ, que somou quase R$ 16,7 milhões em recursos totais comprometidos, motivados principalmente por operações de fiscalização de trânsito.
Quem liderou os gastos com diárias em viagens internacionais a cada ano
Em 2023, Bruno de Queiroz Costa, então subsecretário adjunto da Casa Civil, foi o servidor com maior gasto em viagens internacionais no estado. Ao todo, recebeu R$ 119,5 mil distribuídos em oito empenhos.
Entre as viagens estão deslocamentos para conferências do Grupo de Líderes Empresariais em Londres e Milão, agendas em Boston e Washington com visitas ao Massachusetts Institute of Technology (MIT) e à empresa CloudHQ, participação na Conferência das Nações Unidas sobre a Água, em Nova York, além de uma missão para assinatura de um memorando com a área de tecnologia da Nasdaq.
Mas foi em 2024 que o polêmico advogado e também subsecretário adjunto da Casa Civil Victor Rosa Travancas passou a liderar o ranking, com R$ 99,6 mil em despesas classificadas como viagens internacionais. Entre as justificativas estão a representação do Gabinete do Governador no Fórum de Lisboa e agendas na Universidade de Valladolid, na Espanha, e na Universidade de Siena, na Itália.
Os registros também incluem um pagamento de R$ 24,6 mil para um “estudo científico de modelos de abertura dos Palácios Guanabara e Laranjeiras”, realizado em parceria com instituições italianas. Já outro empenho, de R$ 30 mil, foi registrado apenas como despesa com viagens internacionais, sem informar o destino da missão.
Travancas parece ter tomado gostinho pela agenda internacional. No ano seguinte, em 2025, ele recebeu R$ 228.632,48; e o roteiro incluiu Roma, Madri, Nova York, Montevidéu, Paris, Lisboa, Amsterdã, Houston, Barcelona, Buenos Aires, Miami e Cracóvia; sempre com a justificativa de visitas a universidades e cooperação acadêmica.
E em 2026, ele ainda recebeu R$ 97.738,24. Neste ano, as visitas foram a Dubai, Dublin, Doha, Cairo, Bangkok, Phuket, Singapura, Bali, Nova York e Orlando. A justificativa?
As mesmas visitas institucionais a universidades e intercâmbio acadêmico.
Ranking total de maiores gastos com diárias, de 2022 a julho de 2026
A Casa Civil concentra seis dos dez primeiros nomes com os maiores volumes financeiros recebidos em toda a estrutura estadual. O ex-governador Cláudio Castro (PL), vejam só, aparece na quarta posição, cujas diárias somaram quase R$ 370 mil no período avaliado, principalmente em agendas com comitivas estaduais em cidades como Nova York e Dubai, além de viagens a Brasília e São Paulo.O grande destaque do alto escalão foi mesmo Victor Travancas.
Ele assumiu o topo das listas de 2024 e 2025, somando mais de meio milhão de reais em toda a série histórica, sendo a imensa maioria referente a roteiros internacionais.
Travancas foi exonerado da Casa Civil em março deste ano após dizer que o “Palácio Guanabara é o gabinete do crime organizado”, em uma participação no podcast “Pode Garotinho?”.
Viagens internacionais sob pretexto acadêmico
Apenas no exercício de 2025, as despesas ligadas a Victor Travancas dispararam e chegaram a R$ 228,6 mil, distribuídas em viagens para destinos que incluem Roma, Madri, Nova York, Paris, Amsterdã e Barcelona.
As justificativas oficiais para as viagens do subsecretário costumam citar cooperação internacional, visitas a universidades e representação institucional. Mas os próprios registros apresentam erros evidentes. Há viagens com datas preenchidas com um mês inexistente ou até com o ano registrado como “20255”.
Também há casos de textos repetidos em missões diferentes. Em viagens para Argentina, França, Itália e Emirados Árabes Unidos, por exemplo, foi usada a mesma justificativa que menciona uma aproximação com o “cenário acadêmico norte-americano”, mesmo quando o destino não era os Estados Unidos.
Essas inconsistências, somadas aos pagamentos registrados de forma genérica, permitem identificar o forte aumento dos gastos e das viagens internacionais da cúpula do governo. Por outro lado, o detalhamento das viagens continua pouco transparente.
Na prática, a base de dados não permite saber com clareza todas as agendas realizadas, os deslocamentos feitos e o destino dos recursos em cada missão oficial, apenas identificar o aumento exponencial nos últimos anos.
Os líderes em gastos com diárias em viagens nacionais
Apesar de concentrarem a maior parte dos gastos, as viagens nacionais esbarram em um problema de transparência. Em alguns órgãos, milhares de reais são pagos por meio de uma única nota de empenho anual ou com descrições genéricas, como apenas “diárias”. É o caso do Detran-RJ e da Representação do Governo em Brasília.
A lista dos gastos em voos nacionais também revela uma falha na transparência dos gastos: em alguns órgãos, dezenas de milhares de reais são concentrados em um único empenho anual, descrito apenas como “diárias” ou como uma autorização genérica para todo o ano.
Com esse modelo, não é possível identificar quantas viagens foram realizadas, quais foram os destinos nem quanto foi gasto em cada deslocamento.
Um dos exemplos é o de Ricardo Cardoso dos Santos. Em 2023, a base de dados detalhava viagens individuais da Representação do governo estadual do Rio em Brasília para compromissos no Rio de Janeiro. Já em 2024 e 2025, a maior parte dos pagamentos passou a ser concentrada em empenhos anuais.
Em 2025, por exemplo, os R$ 91.989,25 pagos ao servidor aparecem em uma única nota de empenho para custear “diárias e translados” ao longo de todo o exercício. O documento não informa quantas viagens foram feitas nem detalha os períodos ou as agendas que motivaram os pagamentos.
A Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) justificou a contratação de quatro SUVs blindados para integrantes de sua diretoria alegando uma combinação de fatores externos e internos: a violência do Rio de Janeiro e o aumento da exposição dos executivos após a adoção de “medidas repressivas enérgicas” no âmbito de seu programa de compliance. O contrato, firmado por R$ 1.292.800,32, terá duração de 36 meses.
Segundo a justificativa técnica que embasa a adesão à Ata de Registro de Preços do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), a companhia afirma que o fortalecimento das políticas de compliance passou a contrariar interesses relacionados a contratos, gestão de pessoas e fiscalização das concessionárias, aumentando o risco à integridade física dos diretores.
Além disso, a Cedae sustenta que a “notória e grave insegurança pública” no estado, especialmente no município do Rio de Janeiro e na Baixada Fluminense, reforça a necessidade de proteção aos executivos.
A empresa também destaca que não possui SUVs blindados em sua frota própria, razão pela qual optou pela locação dos veículos por meio de adesão à ata do GSI.
Os veículos serão destinados exclusivamente aos diretores das áreas Financeira (DFI), Jurídica (DJU), Suprimentos (DSU) e Segurança e Governança (DSG). O contrato foi firmado com a empresa Rei dos Blindados Locação de Veículos Ltda. e prevê a locação de quatro SUVs zero quilômetro, com blindagem nível III-A, sem motorista e sem fornecimento de combustível.
Cada automóvel custará R$ 8.977,78 por mês, totalizando um investimento de R$ 1.292.800,32 ao longo dos três anos de vigência do contrato.
VAR não foi suficiente: após ordem do TCE para anular contrato de mais de R$ 100 milhões, Duque de Caxias renova outro vínculo milionário com a mesma empresa
Apenas quatro dias após o Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE) determinar a anulação de um contrato de mais de R$ 100 milhões com a Geo Ambiental Empreendimentos LTDA – ME para locação de equipamentos e serviços, a Prefeitura de Duque de Caxias oficializou a renovação de outro vínculo milionário com a mesma empresa, oriundo de um processo diferente, no valor de R$ 16,9 milhões.
A publicação no Diário Oficial, realizada na última quarta-feira (22), prorroga por mais 12 meses o Termo de Prestação de Serviços. O aditivo prevê a locação de equipamentos e maquinários para a Secretaria Municipal de Obras e Agricultura — pasta sob a gestão do secretário Valber Rodrigues Januário —, com valor global fixado em R$ 16.918.587,51.
A assinatura do aditivo ocorreu em 10 de julho de 2026, garantindo a continuidade da prestação de serviços com a emissão de uma nota de empenho parcial inicial no valor de R$ 200 mil.
TCE diz que falhas em outro contrato contrariam princípio da Lei de Licitações
Conforme noticiado no último sábado (18), o plenário do TCE determinou, por unanimidade, que a Prefeitura de Duque de Caxias anule no prazo de 15 dias o contrato firmado com a Geo Ambiental para o mesmo fim (locação de maquinários e equipamentos). Na ocasião, a Corte ordenou também a suspensão imediata dos pagamentos decorrentes do acordo milionário, que ultrapassava R$ 100 milhões.
O acórdão acolheu o voto da conselheira Marianna Montebello Willeman, que apontou uma série de irregularidades no planejamento da concorrência eletrônica SRP nº 041/2025 e concluiu que os problemas comprometem a competitividade do certame e, além disso, impedem a manutenção do contrato firmado entre a Secretaria Municipal de Obras e Agricultura e a empresa vencedora.
Entre as principais falhas identificadas pelo TCE estão a ausência de estudo comparativo entre a locação e a compra dos equipamentos, inconsistências na estimativa de preços e dos quantitativos, além da concentração de todo o objeto em um único lote, sem justificativa técnica considerada suficiente pelo tribunal. Segundo a decisão, essas falhas restringiram a competitividade e contrariaram princípios previstos na Lei de Licitações.
A Corte também considerou ilegais exigências de qualificação técnica previstas no edital, como registro em conselho profissional, Certidão de Acervo Técnico (CAT), experiência mínima e vínculo prévio de profissionais, por entender que essas condições não guardavam relação com o objeto contratado e restringiam a participação de empresas interessadas.
Além disso, o tribunal apura possível desrespeito à lealdade institucional, uma vez que o contrato de R$ 100 milhões foi assinado no mesmo dia em que o TCE emitira cautelar para suspender a licitação. O próprio secretário Valber Rodrigues Januário, que assina o novo aditivo de R$ 16,9 milhões publicado esta semana, foi notificado a apresentar defesa no processo do TCE.
Diferença de processos
Vale ressaltar que, diferentemente da Concorrência nº 041/2025 que foi objeto de determinação de anulação pelo TCE, o aditivo recém-publicado é referente a um procedimento licitatório anterior: a Concorrência SRP nº 036/2022.
Ainda que se trate de licitações distintas, a manutenção dos pagamentos e a prorrogação milionária a favor da Geo Ambiental Empreendimentos LTDA ocorrem exatamente no momento em que a conduta da Secretaria de Obras e os contratos de aluguel de maquinário pesado do município estão sob severa auditoria da Corte de Contas.
O primeiro encontro entre os candidatos ao governo do estado do Rio nas eleições de 2026 está marcado para este domingo (9), às 20h. O debate terá transmissão especial do TEMPO REAL em parceria com a Band e marcará também a estreia do portal na cobertura de uma eleição estadual.
O debate será realizado na Casa Firjan, em Botafogo, na Zona Sul do Rio, com transmissão ao vivo pela Band, na TV aberta, pela BandNews FM Rio (90.3 FM) e pelo YouTube do TEMPO REAL.
Os candidatos confirmados são André Marinho (Novo), Anthony Garotinho (Republicanos), Douglas Ruas (PL), Eduardo Paes (PSD) e Willian Siri (PSOL).
O público também poderá acompanhar a cobertura pelo Instagram do TR com transmissão e atualizações nos Stories.
Em 2024, o TEMPO REAL acompanhou as eleições municipais em todo o estado do Rio, ampliando já naquele época a cobertura eleitoral para além da capital.
Cobertura especial começa antes do debate
A partir das 19h, tem início a pré-transmissão no YouTube, com informações sobre os bastidores, a preparação para o encontro e os principais temas que devem marcar o primeiro debate entre os candidatos ao Palácio Guanabara.
A cobertura será realizada em uma operação integrada com a Band Rio, a BandNews FM Rio e as plataformas digitais do grupo, acompanhando desde os momentos que antecedem o debate até a transmissão ao vivo.
Com tradição na realização de debates eleitorais, a Band promove o encontro como um espaço para o confronto de ideias e para que os eleitores conheçam as propostas dos candidatos. A mediação será da jornalista Adriana Araújo.
Como vai ser o debate
O formato do debate consiste em três blocos de perguntas e respostas, confrontos diretos entre os participantes e espaço para considerações finais.
A ordem das perguntas será definida por sorteio, e o mediador apenas fará a condução do debate. Esgotados os tempos de cada candidato, o áudio do microfone será cortado.
Na sequência, haverá novos confrontos diretos com temas livres, seguindo o mesmo formato de tempo e controle por cronômetro.
No terceiro e último bloco serão feitas as considerações finais.
Serviço
Debate entre candidatos ao governo do estado do Rio de Janeiro
Data: domingo, 09 de agosto de 2026
Horário: 20h
Transmissão: Canal Band, BandNews FM e YouTube do TEMPO REAL
Pré-hora: 19h, com cobertura especial pelo YouTube do TEMPO REAL
Piloto brasileiro e três turistas colombianas da mesma família são as vítimas da queda de helicóptero no Rio; passeio foi com portas abertas e custou R$ 2.550
As quatro vítimas da queda de um helicóptero na região da Vista Chinesa, no Alto da Boa Vista, na manhã deste sábado (08), foram identificadas: o piloto brasileiro Alessandro Rocha; e três turistas colombianas da mesma família, Rocio Cubillos, Sofia Murillo e Wendy Manrique. Elas realizavam um passeio panorâmico em uma aeronave sem portas antes do acidente.
As três contrataram uma volta pelos pontos turísticos do Rio na modalidade “doors off” (sem as portas), que é oferecido pela empresa Voos Rio Panorâmico (VRP).
A duração prevista era de cerca de 20 minutos e incluía no roteiro o sobrevoo da Floresta da Tijuca, local onde o helicóptero caiu. De acordo com o próprio comprovante de pagamento, elas pagaram R$ 2.550 pelo passeio.
Bombeiros encontraram as vítimas carbonizadas
O helicóptero explodiu ao cair na encosta, e chamas se alastraram pela mata. De acordo com o Corpo de Bombeiros, agentes especializados em combate a incêndios florestais foram mobilizados e conseguiram controlar o fogo.
A operação mobilizou cerca de 40 militares, 11 viaturas e 4 unidades operacionais.
Entre as eleições de 2014 e 2026, os bens do atual candidato do União Brasil na corrida por uma vaga na Câmara do Rio, passaram de R$ 737,8 mil para R$ 2,13 milhões, alta de 188,7%.
Entre os bens informados, chama atenção um prédio residencial avaliado em R$ 620 mil e um outro imóvel de R$ 400 mil.
A relação de bens reúne ainda um apartamento de R$ 277,1 mil, outro de R$ 260 mil e um veículo Discovery D300, ano 2023, declarado por R$ 330 mil. Também aparecem na lista cerca de R$ 177 mil em aplicações e fundos.
Declaração de bens de Bernardo Rossi em 2026 — Foto: Reprodução/Divulgacand
Na disputa de 2014, quando concorreu e foi eleito deputado estadual pelo então PMDB, Rossi declarou patrimônio total de R$ 737.861,00. Entre os bens estavam dois apartamentos, avaliados em R$ 250 mil e R$ 240 mil, além de R$ 165,8 mil em dinheiro em espécie, R$ 70 mil em crédito decorrente de empréstimo e saldos bancários.
Seis anos depois, em 2020, quando disputou a eleição para a Prefeitura de Petrópolis pelo PL, o patrimônio de Rossi subiu para R$ 1.254.388,53, alta de 70 % em relação a 2014 . Naquele ano, a declaração incluía uma casa e um outro imóvel na cidade da Região Serrana, avaliados em R$ 620 mil e R$ 260 mil respectivamente; um apartamento no Rio no valor de R$ 277,1 mil e um Land Rover Sport 2011 avaliado em R$ 90 mil, além de valores depositados em conta bancária.
De 2014 a 2026: aumento de 188,7% do patrimônio
Agora, em 2026, candidato a deputado federal pela União Brasil, Rossi declarou R$ 2.130.168,58 em bens. Em relação a 2020, a alta foi de 69,8%.
Considerando todo o intervalo entre 2014 e 2026, o patrimônio declarado por Rossi cresceu R$ 1.392.307,58, uma alta nominal de aproximadamente 188,7%.
A relação de bens foi informada pelo próprio candidato à Justiça Eleitoral durante o registro da candidatura. As declarações são públicas e podem ser consultadas por qualquer eleitor no sistema DivulgaCand, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Declaração de bens de Bernardo Rossi em 2014 — Foto: Reprodução/Divulgacand
Declaração de bens de Bernardo Rossi em 2020 — Foto: Reprodução/Divulgacand
A Prefeitura de Armação dos Búzios, na Região dos Lagos, entrou com uma ação civil pública contra a Meta com o objetivo de identificar os responsável por nove perfis do Instagram que publicam notícias, críticas e conteúdos sobre a política e a administração municipal. Isso porque, de acordo com a prefeitura, tais perfis têm publicado informações falsas.
Protocolada no dia 1º de julho de 2026, a ação tramita na 2ª Vara do município e também pede a identificação de eventuais financiadores das páginas, a retirada de postagens consideradas falsas, a suspensão de contas inautênticas e o pagamento de indenizações. A primeira tentativa de obter essas medidas em caráter urgente, entretanto, foi rejeitada pela Justiça após manifestação contrária do Ministério Público. São réus a Facebook Serviços Online do Brasil e a Meta Platforms Inc., responsável pela operação do Instagram.
Os administradores dos perfis não foram incluídos no processo porque, segundo a prefeitura, não foi possível conseguir a identificação dos responsáveis. O processo tem como alvo informações relacionadas a nove contas. São elas: @buziosinformacoes; @politicanewsregiaodoslagos; @buziosnoticias; @fofoca_na_calcada; @gladysnunesbuzios; @acorda_buziosrj; @buziosnuecru; @mayfelixrj; @choqueibuzios.
Acusação de “estética pseudojornalística” e suspeita de “repetição” no Instagram
Em um anexo de 36 páginas, o município relacionou 31 publicações, sendo a maior parte — 14 conteúdos — atribuída ao perfil @buziosnuecru. Outras seis são do @buziosinformacoes, quatro do @acorda_buziosrj, duas do @fofoca_na_calcada e as demais estão distribuídas entre as outras páginas.
Na petição inicial, a gestão municipal afirma que os perfis empregam “estética pseudojornalística”, manchetes conclusivas, memes, montagens e acusações por associação para repercutir temas relacionados a hospitais, contratos, obras, programas públicos e agentes municipais. Além disso, o Executivo também alerta que a “repetição sincronizada” de narrativas parecidas entre contas diferentes poderia produzir uma aparência artificial de confirmação. A ação pretende descobrir se as páginas são independentes ou se compartilham administradores, equipamentos, contas publicitárias, meios de pagamento ou uma estrutura coordenada.
Trecho da ação civil pública que pede a investigação de nove páginas no Instagram sobre Búzios — Foto: Reprodução.
Na ação, a prefeitura também pede informações cadastrais, endereços eletrônicos, telefones, IPs, dispositivos utilizados, histórico de nomes, administradores atuais e anteriores, contas vinculadas, meios de recuperação, contas publicitárias e dados de pagamento. Com isso, a Meta também seria obrigada a elaborar uma tabela comparativa, indicando se os perfis compartilham telefones, dispositivos, endereços de IP, administradores, contas de anúncios, meios de pagamento ou gerenciadores de negócios.
Ação também requer anúncios e impulsionamentos e cita morte de criança como exemplo de fake news
As 31 publicações relacionadas pela prefeitura tratam de assuntos diversos. A lista inclui manchetes sobre prisões na Assembleia Legislativa, supostos acordos políticos, sucessão municipal, alterações no Fundo Municipal do Meio Ambiente, royalties, regularização fundiária, fiscalização urbana, lixo, uniformes escolares, número de secretarias e relações do prefeito Alexandre Martins com outras figuras políticas.
Entre os títulos questionados estão “Jantar clandestino em Búzios”, “Prefeito em campanha aberta para eleger a esposa”, “Os rostos por trás da destruição do Mirante Pai Vitório”, “A grande família de Búzios: secretarias viram cabides de empregos” e “Esgoto e migalhas pra você, luxo e viagens pra mim!”.
O caso descrito com maior detalhamento envolve uma publicação do perfil @choqueibuzios, divulgada em 29 de junho de 2026. O card trazia a manchete: “Urgente: criança de 2 anos morre após aguardar transferência para unidade de alta complexidade”.
De acordo com a prefeitura, Anthony Romanelli Pavuna, de dois anos e oito meses, foi atendido no Hospital Municipal Rodolph Perissé, inserido no sistema de regulação e transferido para um hospital em Araruama. O óbito teria sido confirmado quando o paciente já se encontrava na unidade receptora.
A administração municipal classifica o conteúdo como uma “falsidade contextual”. A tese é que a publicação, ao informar que a criança morreu após aguardar uma transferência sem mencionar que o procedimento efetivamente ocorreu, teria induzido o público a responsabilizar a rede municipal pela falta de remoção.
O município afirma possuir registros assistenciais que sustentam sua versão. A inicial, porém, apresenta a narrativa da prefeitura; caberá ao processo confrontá-la com os documentos e com a versão dos responsáveis pela publicação.
Trecho da argumentação da prefeitura de Búzios sobre a respeito da morte de uma criança de 2 anos — Foto: Reprodução.
Trecho da argumentação da prefeitura de Búzios sobre a morte de uma criança de 2 anos — Foto: Reprodução.
O pedido de Búzios à Justiça
Em caráter urgente, antes da apresentação da defesa das empresas, a prefeitura solicitou:
Preservação integral dos registros dos nove perfis;
Entrega dos dados de titulares e administradores;
Identificação de anunciantes e financiadores;
Cruzamento técnico das informações das contas;
Retirada das publicações relacionadas no processo;
Interrupção de anúncios e impulsionamentos;
Suspensão temporária de contas que não fossem vinculadas a pessoas autênticas;
Proibição de distribuição paga por contas ainda não identificadas;
Multa diária de R$ 50 mil por obrigação descumprida.
A prefeitura pediu que a multa seja aplicada separadamente de acordo com o perfil, publicação, campanha ou conjunto de dados.
No julgamento definitivo, o município pretende obter a remoção permanente dos conteúdos considerados ilícitos, a desativação das contas comprovadamente falsas ou utilizadas continuamente para ilegalidades e a exclusão de cópias idênticas das publicações.
A ação também busca obrigar os responsáveis a publicar correções ou retratações por pelo menos 30 dias, além de ressarcir os custos que a prefeitura afirma ter suportado para responder às informações questionadas.
O valor desses danos não foi calculado. O município pede ainda indenização por dano moral coletivo, também sem indicar a quantia. Apesar da dimensão das pretensões, atribuiu à causa o valor provisório de R$ 1 mil.
Município afirma que ação não busca impedir críticas
Ao longo da petição, a prefeitura procura diferenciar críticas políticas de afirmações factuais que considera falsas.
“A presente ação civil pública não foi concebida para proteger o governo municipal do desconforto inerente à crítica”, afirma o documento. Em outro trecho, o município sustenta que “a fiscalização social, a imprensa crítica, a oposição política, a denúncia responsável, a sátira e o escrutínio severo dos atos administrativos integram o núcleo essencial da liberdade de expressão”.
Segundo a Procuradoria-Geral do Município, o problema começaria quando contas sem responsáveis publicamente identificados apresentam acusações graves como fatos comprovados, sem indicar fontes verificáveis.
A ação argumenta que o uso de pseudônimos não é necessariamente ilegal, desde que exista uma pessoa real identificável judicialmente. Também sustenta que o sigilo da fonte protege o informante, mas não elimina a responsabilidade de quem decide publicar, editar e impulsionar um conteúdo.
Chamado a se manifestar antes da decisão sobre a liminar, o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro recomendou que os pedidos urgentes fossem rejeitados.
Promotoria afirmou que publicações deveriam ser mantidas
Em parecer apresentado em 5 de julho, a 2ª Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva do Núcleo Cabo Frio afirmou que as publicações deveriam permanecer acessíveis para que a população pudesse conhecer os fatos e formar sua própria avaliação.
Segundo o promotor Rodrigo de Figueiredo Guimarães, a maioria dos conteúdos questionados já teria sido repercutida por outros meios de comunicação, incluindo informações sobre prisões de integrantes do Legislativo estadual, relações políticas do prefeito e críticas à gestão.
“As informações veiculadas nos posts […] não se mostram fantasiosas num primeiro momento”, afirmou o Ministério Público. Para a Promotoria, os conteúdos tratam de “fatos públicos, notórios e já publicados por outros meios de comunicação”.
O parecer também ressalta que autoridades e gestores públicos estão sujeitos ao escrutínio da população. Na avaliação do MPRJ, a prefeitura não demonstrou a probabilidade do direito alegado nem a existência de perigo de dano que justificasse a intervenção urgente.
Justiça nega todas as medidas urgentes
Em 8 de julho, o juiz Danilo Marques Borges acompanhou a posição do Ministério Público e indeferiu a liminar.
A decisão afirma que as publicações tratam de fatos de interesse público relacionados à administração municipal e à atuação de agentes políticos, assuntos submetidos ao “legítimo escrutínio da sociedade em um Estado Democrático de Direito”.
O magistrado considerou que não havia demonstração concreta da ilegalidade das postagens nem risco imediato de desaparecimento das provas.
“A pretensão de preservação compulsória de dados e conteúdos, sem a demonstração concreta de ilicitude das publicações ou de risco efetivo de perecimento da prova, demanda instrução processual e exame mais aprofundado”, registra a decisão.
Com isso, não foram autorizadas a preservação obrigatória dos registros, a identificação dos administradores, a retirada das publicações, a suspensão dos perfis ou as restrições aos impulsionamentos.
A decisão é provisória. O indeferimento da liminar não encerra o processo nem declara que todas as publicações são verdadeiras ou lícitas — significa apenas que o juízo não encontrou elementos suficientes para impor as medidas antes da apresentação das defesas e da produção de provas.
Pedido de reconsideração
Após a negativa, o Município de Búzios apresentou, em 19 de julho, um pedido de reconsideração parcial.
Na nova manifestação, a prefeitura deixou de insistir na retirada ampla das publicações. Passou a concentrar a pretensão em duas medidas: a suspensão de contas que a Meta não conseguisse vincular a uma pessoa autêntica e, subsidiariamente, a proibição de anúncios, monetização e impulsionamentos políticos enquanto seus responsáveis não fossem identificados.
“A gestão pública deve suportar crítica dura, injusta, irônica, hostil”, reconheceu o município no pedido.
A Procuradoria afirmou que a decisão poderia ser mantida na parte que recusou a indisponibilização generalizada dos conteúdos.
O argumento passou a ser o de que os perfis poderiam continuar publicando organicamente, mas não deveriam comprar alcance ou monetizar conteúdo político enquanto não houvesse uma pessoa identificável que respondesse pelas contas.
A prefeitura reiterou o pedido de multa de pelo menos R$ 50 mil por obrigação descumprida. Na íntegra processual disponibilizada, não consta decisão sobre essa tentativa de reconsideração.
Meta ainda não apresentou defesa sobre o conteúdo da ação
A Facebook Brasil foi citada eletronicamente, mas informou ao juízo, em 15 de julho, que a petição inicial não estava disponível nos autos acessíveis à empresa. A companhia pediu a habilitação de seu advogado e a devolução do prazo para apresentar defesa.
Em 24 de julho, o juiz determinou que a serventia retirasse eventual sigilo indevidamente atribuído à inicial e aos documentos, mantendo restrição apenas sobre materiais legalmente protegidos. O magistrado também devolveu integralmente o prazo de defesa, contado a partir da disponibilização efetiva do processo.
A certidão processual registra ainda que a Meta Platforms Inc. não chegou a ser citada diretamente porque não havia endereço indicado para a diligência.
Até a última movimentação incluída no documento, publicada em 28 de julho, não constava contestação de mérito da Facebook Brasil ou da Meta. Dessa forma, a íntegra analisada não contém a versão das empresas sobre os pedidos de identificação, preservação de dados, remoção de conteúdo e suspensão das contas.
Também não há manifestação individual dos administradores dos nove perfis, que não integram formalmente o processo até o momento.
Disputa seguirá com produção de provas
A ofensiva judicial permanece aberta, mas começou com uma derrota para a prefeitura: o Ministério Público se posicionou contra as medidas e a Justiça negou integralmente a urgência solicitada.
O julgamento definitivo ainda poderá examinar a autenticidade das contas, a veracidade de cada publicação, a existência de impulsionamentos, a eventual coordenação entre perfis e os danos alegados pelo município.
Até agora, porém, não há decisão reconhecendo que os perfis sejam falsos, coordenados ou financiados pela mesma estrutura. Também não existe pronunciamento judicial declarando ilícita qualquer uma das 31 publicações.
O processo coloca em lados opostos a tentativa do poder público municipal de identificar e responsabilizar páginas que considera inautênticas ou desinformativas e, de outro, a proteção constitucional conferida à liberdade de expressão, ao direito à informação e ao escrutínio público de autoridades. A definição dessa fronteira dependerá da análise individual das publicações e das provas que ainda serão produzidas.