O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) ampliou nesta quarta-feira (09) a interpretação sobre organizações criminosas que podem impedir uma candidatura e incluiu no conceito a atuação de grupos que, mesmo sem o uso ostensivo de armas ou o controle territorial típico das milícias e facções narcotraficantes, se apropriam da máquina pública para operar esquemas criminosos. A interpretação, batizada no julgamento de “milícia de gravata”, foi aprovada por 4 votos a 3.
A decisão parte do artigo 17, §4º, da Constituição Federal, que proíbe os partidos políticos de utilizar organização paramilitar. O TRE-RJ se baseou em interpretações recentes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que ampliaram a proteção constitucional para organizações “congêneres” e para grupos criminosos organizados capazes de interferir no voto em determinadas regiões.
Candidato de Teresópolis levou o TRE-RJ a ampliar o debate sobre crime organizado
Foi a partir de uma ação de registro de candidatura que o Tribunal travou esse debate. O processo analisava o caso de Paulo Lomenha, que desejava disputar uma vaga de deputado federal pelo Mobiliza, mas teve a candidatura contestada pelo Ministério Público Eleitoral.
A Procuradoria sustentou que Lomenha havia sido apontado como líder e articulador de uma organização criminosa investigada na Operação Serro, que teria atuado em fraudes a licitações e contratos públicos em municípios do estado.
Segundo a denúncia, o grupo que Lomenha foi acusado de integrar não teria como método de atuação o uso de violência, ameaças, intimidação ou armas para exercer domínio sobre determinado território. Foi com base nessa distinção que a defesa contestou o pedido do MPE e afirmou que não havia elementos para enquadrar o candidato como integrante de uma organização paramilitar — que é o tipo expressamente vedado pelo artigo 17, §4º, da Constituição.
O advogado sustentou ainda que os precedentes anteriores do TRE-RJ e do TSE envolviam situações em que a atuação de grupos criminosos interferia diretamente na liberdade do eleitor, com domínio territorial, presença armada ou imposição de medo.
Relator defende que o crime organizado pode capturar o Estado ‘sem recorrer à violência armada’
O relator do caso, porém, adotou outra leitura. Guilherme Calmon, desembargador eleitoral, afirmou que o julgamento exigia estabelecer uma premissa que poderia orientar não apenas o caso de Paulo Lomenha, mas outros registros de candidatura para as eleições de 2026 que envolvessem suspeitas de infiltração de organizações criminosas na política. Para o desembargador, limitar a proteção constitucional às estruturas armadas deixaria de fora uma transformação do crime organizado que já ocorre dentro do próprio Estado.
Foi nesse ponto que Calmon apresentou o conceito de “milícia de gravata” ou “milícia burocrática”: “os termos descrevem grupos com atuação interna no aparato do Estado, sem necessidade de violência armada aparente, desempenhando o mesmo papel que a milícia tradicional exerce geograficamente”.
Em vez de controlar um território pela força, esses grupos podem, segundo a tese apresentada no julgamento, influenciar contratações públicas, nomeações, beneficiários de serviços e decisões administrativas, além de utilizar cargos políticos para preservar sua influência.
Na avaliação do desembargador, a diferença está no instrumento de poder, e não necessariamente no objetivo. A referência a organizações “congêneres” feita anteriorimente pelo TSE permitiria alcançar “todo e qualquer grupo criminoso organizado” que interfira direta ou indiretamente no processo eleitoral.
Divergência alerta para risco de criar nova causa de inelegibilidade por interpretação da Constituição
Depois do voto do relator, Bruno Bodart abriu divergência e afirmou que os precedentes do TSE tratavam de grupos com violência armada, domínio territorial e coação do eleitorado. Para ele, estender a regra a organizações criminosas que atuam na máquina pública significaria criar uma nova restrição ao direito de candidatura.
“Os precedentes têm um denominador comum que não é a corrupção, não é o aparelhamento do Estado, não é a existência de ação penal, é a violência armada como um instrumento de domínio de território e de coação do eleitorado”, contestou.
O desembargador ainda considerou que a aplicação dessa interpretação nas eleições de 2026 poderia representar uma mudança relevante na jurisprudência durante o processo eleitoral. Por isso, levantou também a proteção do artigo 16 da Constituição, que estabelece a anterioridade de um ano para alterações que afetem o pleito.
‘O crime organizado chegou ao ponto de disputar orçamento com a caneta’
O desembargador Fábio Ribeiro Porto acompanhou o relator e aprofundou a ideia de que a atuação do crime organizado não pode mais ser analisada apenas a partir da presença de armas ou do domínio de territórios. Para ele, a evolução dessas estruturas também alcançou a disputa por recursos públicos e a capacidade de influenciar decisões.
“O crime organizado percorreu em pouco mais de duas décadas uma trajetória que nenhum de nós poderia imaginar. Começou disputando território com arma, passou a disputar mercado com empresas e chegou ao ponto de disputar agora orçamento com caneta”, explicou.
Na frase mais contundente do voto, Porto resumiu o que, para a maioria, caracteriza a chamada “milícia de gravata”: “a milícia no conceito constitucional que desta construção resulta não é o grupo que tem armas, é o grupo que tem o Estado”.
Com Calmon, Porto e Fernando Cerqueira, três desembargadores defenderam a aplicação ampliada do artigo 17, §4º, da Constituição. Bodart, Paulo Cesar Salomão e Tathiana Costa ficaram na corrente contrária, entendendo que a jurisprudência não poderia ser estendida a grupos criminosos sem atuação armada imediatamente. O placar entre os desembargadores terminou empatado em 3 a 3.
Coube ao presidente do TRE-RJ, Cláudio de Mello Tavares, dar o voto de desempate. Ao acompanhar Calmon, ele não apenas definiu o resultado do registro de Paulo Lomenha, mas também reforçou a interpretação de que a jurisprudência sobre organizações paramilitares e seus “congêneres” pode alcançar grupos que utilizem a estrutura pública para interferir na disputa eleitoral.
Comments 20
Parabéns ao governador interino Ricardo Couto pela medida corajosa no intuito de controlar o desvio de armas no estado do Rio de Janeiro.
O GOVERNADOR DEVERIA ABRIR UM INQUÉRITO SOBRE AS REFORMAS NOS QUARTÉIS DO CORPO DE BOMBEIROS. COMO O DE CAMPINHOS. FOI FEITO UMA REFORMA BISONHA PARA MUITOS MILHÕES DE REAIS. A TINTA USADA PARA PINTAR O QUARTEL FICOU ROSA.
DA PARA VER QUE UMA TINTA DE TERCEIRA LINHA.
Ilmo. Sr. Doutor Ricardo Couto
O DETRO é um câncer. Incompetente, incapaz, ineficaz. Suas portarias não respeitam os passageiros e os IDOSOS. Suas fiscalizações são infrutíferas e tendenciosas.
Parabéns pela iniciativa. Espero que haja armeiro e local pré-definido para salvaguarda e controle dessas armas. É o mínimo que a sociedade espera de um Estado responsável pela segurança pública.
Tem que controlar o armamento dos traficantes e não de militares ou pertencentes ao governo
Quando o governador em exercício vai ver quem tem direito a reintegração dos pedidos da anista da comissão mista do Palácio Guanabara que ser encontra com o senhor EMANUEL para ser analisado
Isso não vai resolver nada nada ….
O que o RJ precisa é de uma rigorosa formação com a exigência para todos os candidatos a soldado a PM oficial e polícia civil…
A lei precisa exigir
Que para ser soldado tem que ter graduação em direito
Para oficial tem que ter graduação em direito e mestrado em segurança pública
Para ser agente da polícia civil ter direito a pós graduação em segurança pública…
Para ser delegado tem que ter graduação em direito e mestrado doutorado em segurança pública…
Todos devem devem ter pós graduação em dependência química!!!!
Mas acho difícil isso acontecer um dia….pois para ser presidente da República só precisa saber ler e escrever
Tem que ser candidato a governador nesta eleição. Só não pode ser LULADRÃO
Esse é governador que o RJ precisa . Seria também que nao tivesse eleição ou ele concorrese a governador do RJ
Mais se o militar for bandido,tem que controlar,e o que mais se ver policiais corruptos vendendo ar na pra traficante
Tem que pedir intervenção militar ? imediatamente o Rio de janeiro está em guerra!
Vamos deixar o orgulho o eco e pedir a intervenção militar já! Sem tempo pra terminar!
Vamos colocar os fuzileiros navais juntos com os policiais militares e civis para terminar com essa guerra de terroristas .
Isso que esta acontecendo no Rio de janeiro não o traficante não! É terroristas !
Só não vê quem não quer!
Tem terroristas em todas as partes nos setores público do Brasil!
Tem que pedir intervenção militar 🪖 imediatamente o Rio de janeiro está em guerra!
Vamos deixar o orgulho o eco e pedir a intervenção militar já! Sem tempo pra terminar!
Vamos colocar os fuzileiros navais juntos com os policiais militares e civis para terminar com essa guerra de terroristas .
Isso que esta acontecendo no Rio de janeiro não o traficante não! É terroristas !
Só não vê quem não quer!
Tem terroristas em todas as partes nos setores público do Brasil!
É o governador que chefia o GOLPE no Estado do RJ, sob ordens do STF, para ajudar aí corrupto Paes a conseguir a cadeira de governador, mas que nem assim, conseguirá?!
Falou uma viúva do Barcellar e do TH Joias
RICARDO COUTO deveria ser o Governador eleito pena que quer, o Rio merecia um governador assim. Espero que o Eduardo Paes aproveite tudo de bom que ele vai deixar.
Vc deve ser mais um patriota defensor da familia bolsonaro e do governo que nao deixara saudades do Claudio Castro
O Rio de janeiro n tem cura. O câncer da corrupção está instalado em todas as instituições . Qdo aparece alguém tentando frear é tirado de cena . Vcs n viram o caso do Bolsonaro. Fechou a torneira do dinheiro pronto tiraram ele de cena.
O GOVERNADOR AS GLOCKS E BERRETAS QUE ESTÃO ACAUTELADAS , VENDE PARA OS POLÍCIAS DESCONTANDO O VALOR NO CONTRA-CHEQUE, A SIM TIRA A RESPONSABILIDADE DO GOVERNO SOBRE OS ARMAMENTOS E GANHA RECEITA PARA O ESTADO.
Ilmo. Sr. Doutor Ricardo Couto
O DETRO é um câncer. Incompetente, incapaz, ineficaz. Suas portarias não respeitam os passageiros e os IDOSOS. Suas fiscalizações são infrutíferas e tendenciosas.
O governador em exercício está certíssimo,tem que acabar com a (farra) das armas envolvendo servidores do estado, o estado do Rio é sem dúvida nenhuma o estado mais vacalhado e bagunçado do Brasil, corrupção,na política,na saúde, Detran nas forças policiais,já basta o crime organizado que reina no estado.