A ação penal que julga o envolvimento da deputada estadual Lucinha (PSD) com a milícia comandada por Luís Antônio da Silva Braga, o “Zinho”, avançou para a fase de produção de provas no Tribunal de Justiça (TJRJ). E entre as testemunhas indicadas pelo Ministério Público do Rio (MPRJ) — que apresentou a denúncia contra a parlamentar da Zona Oeste — está o ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PSD), candidato ao governo do estado nas eleições de 2026.
Paes foi convocado pelo MP como uma testemunha de acusação. Na prática, isso significa que o Órgão pediu que ele seja ouvido pela Justiça por considerar que seu depoimento pode ajudar a esclarecer fatos descritos na denúncia — e não que Eduardo Paes seja investigado no processo.
O depoimento foi marcado para a última quinta-feira (06), na 40ª Vara Criminal, no Centro do Rio. Até o momento, não há informação pública sobre o comparecimento do candidato. Um documento do TJ encaminhado ao Ministério Público solicita, inclusive, o endereço atualizado de Paes para fins de intimação.
Depoimento de Paes está relacionado a agenda na Zona Oeste
A inclusão do ex-prefeito no rol de testemunhas de acusação está relacionada a um dos episódios descritos pelo Ministério Público na denúncia contra Lucinha e sua ex-assessora Ariane Afonso Lima.
Segundo o MP, em julho de 2021, as duas teriam repassado a integrantes da milícia informações sobre compromissos de Eduardo Paes na Zona Oeste do Rio. A acusação afirma que as informações permitiram que integrantes do grupo deixassem determinadas áreas antes da passagem do então prefeito.
Justiça marcou duas audiências para ouvir testemunhas
A Justiça marcou duas audiências para a etapa de depoimentos no processo. A primeira ocorreu em 6 de agosto, na 40ª Vara Criminal, no Centro do Rio, e foi destinada às testemunhas de acusação indicadas pelo Ministério Público — como Eduardo Paes.
A próxima está marcada para 13 de agosto, também às 11h30 e no mesmo local. Desta vez, serão ouvidas as testemunhas apresentadas pelas defesas. Depois dos depoimentos, Lucinha e Ariane deverão ser interrogadas pela Justiça.
Durante a preparação da defesa, Lucinha chegou a indicar o ex-governador Cláudio Castro (PL) como sua testemunha, mas posteriormente desistiu de ouvi-lo no processo.
Acusação contra Lucinha aponta atuação política em favor da milícia
Segundo o Ministério Público, a denúncia foi baseada em elementos reunidos durante a Operação Dinastia I. A investigação sustenta que a milícia comandada pelo Zinho possuía diferentes núcleos, entre eles um núcleo político.
De acordo com a acusação, Lucinha e Ariane integrariam esse grupo e teriam atuado politicamente em defesa de interesses da organização criminosa. A denúncia foi apresentada em junho de 2024. Em dezembro de 2025, o Órgão Especial do TJ recebeu a acusação e tornou Lucinha e Ariane rés no processo.
Zinho, apontado pelo MP como chefe da organização, foi preso em dezembro de 2023, após se entregar à Polícia Federal.
O processo é relatado pelo desembargador Milton Fernandes de Souza e não tramita em sigilo.
Com informações do jornalista Ralfe Reis, da “Tribuna NF”.