Moradores e turistas que fazem caminhadas e corridas na Praia das Conchas, em Cabo Frio, têm relatado um desafio particular na hora de praticar atividade física na orla: a presença de cães soltos na areia, que, segundo os frequentadores, já atacaram e morderam várias pessoas no local.
Os episódios se tornaram tão frequentes que banhistas e corredores já acionaram a Prefeitura de Cabo Frio e o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), responsável pelo Parque Estadual da Costa do Sol, para alertar sobre o assunto.
Os cães circulam principalmente no trecho entre a Cabana do Pescador e o costão da Praia das Conchas. Eles se alimentam nos quiosques e também nas tendas instaladas na região, que substituíram as barracas derrubadas por determinação da Justiça Federal.
O medo dos ataques já estaria mudando a rotina de frequentadores e, segundo os relatos, alguns corredores deixaram de praticar a atividade na Praia das Conchas por causa da presença dos animais. Além disso, os cães também também perseguem o quadriciclo do Projeto Albatroz, que, com patrocínio da Petrobras, realiza o monitoramento de animais marinhos que chegam, vivos ou mortos, à praia.
Embora a Lei Estadual nº 4.808, de 2006, proíba a circulação e a permanência de animais nas areias das praias de todo o estado do Rio, moradores afirmam que os órgãos locais não têm realizado ações efetivas para o recolhimento dos animais que vivem soltos na Praia das Conchas.
Presença dos cães na Praia das Conchas também pode facilitar proliferação de doenças
Além do perigo de mordidas e ataques, a presença de cães soltos na areia também acende um alerta de saúde. Veterinários alertam que as fezes dos animais podem contaminar a areia e transmitir doenças, já que a areia da praia pode oferecer condições favoráveis à sobrevivência de determinados parasitas.
“Há um cenário sanitário que já apresenta riscos, como a presença de parasitas zoonóticos em fezes de cães em praias, evidenciada em estudos”, afirma a médica-veterinária Carla Roberta Willemann, que orientou estudo da Universidade Federal de Santa Catarina sobre o tema.
Para moradores e frequentadores, a situação exige uma ação urgente e coordenada das autoridades.
“Os cachorros estão expulsando as pessoas das caminhadas. É um absurdo tudo isso. Isso já ocorre há bastante tempo e, como ninguém faz nada, o problema só vem crescendo. Não dá para caminhar tranquilamente porque os cães avançam para morder”, lamenta Maria de Lourdes Henriques, moradora do Peró.