A Secretaria de Estado de Transporte e Mobilidade Urbana do Rio (Setram) firmou um contrato de R$ 4,2 milhões, sem licitação, com a Drata Analytics Ltda. A contratação direta, por inexigibilidade, tem como objeto a prestação de serviços de engenharia de dados e o fornecimento de solução em software para auditoria do Sistema de Bilhetagem Eletrônica do Estado.
O acordo chama a atenção pelo fato de a sede da empresa estar localizada em um apartamento residencial, pelo capital social de R$ 1 mil e pelas relações de parentesco que conectam o sócio da contratada à cúpula da pasta. A secretaria justifica a contratação citando a expertise da empresa no serviço a ser prestado:
“A inexigibilidade está fundamentada na notória especialização da empresa e na inviabilidade de competição diante da natureza técnica e altamente especializada do serviço, associadas à necessidade de cumprimento, dentro do prazo estabelecido, das determinações do TCE-RJ para o fortalecimento da governança da Bilhetagem Eletrônica do Estado”, disse a pasta, em nota cuja íntegra foi publicada ao fim desta reportagem.
A Drata Analytics é administrada por Alberto Toufic Saba, identificado em registros como primo de primeiro grau de Najla Georges Saba, nomeada para a Coordenadoria de Gestão do Vale Social semanas após a posse da secretária de Transportes, Priscila Sakalem.
“A servidora que atua no Vale Social não possui qualquer ingerência sobre o contrato citado”, afirma a nota da Setram.
Em publicações passadas, a secretária se referia a Najla como sua “dindinha postiça”. A empresa tem endereço cadastrado em um prédio residencial no bairro de Botafogo, na Zona Sul do Rio.
A justificativa técnica do processo é a notória especialização
O processo administrativo (SEI-100001/001282/2026) fundamenta a inexigibilidade no artigo 74 da Lei Federal nº 14.133/2021 (notória especialização para serviços técnicos de natureza intelectual) e na determinações do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) para que o governo passe a auditar diretamente os dados do transporte, sem depender dos relatórios processados por concessionárias privadas.
O contrato prevê o processamento diário de dados de 17.547 validadores ao custo de R$ 20 mensais por equipamento, resultando em R$ 350.940 por mês durante um ano.
Para comprovar a capacidade técnica exigida por lei, a documentação do processo fundamenta a expertise da Drata em três pilares principais:
Atestados no ecossistema de transportes
A empresa apresentou contratos e notas fiscais de serviços prestados à Federação das Empresas de Mobilidade (Semove) e aos quatro consórcios operadores de ônibus do município do Rio (Internorte, Intersul, Transcarioca e Santa Cruz), cobrindo a manutenção de sistemas de TI em cerca de 4 mil validadores.
Domínio de regras e tecnologia restrita
O processo cita a habilidade da empresa em descriptografar, extrair e estruturar arquivos binários brutos (dados L0) diretamente dos equipamentos físicos, integrando-se às regras de negócio da rede Riocard, do sistema Jaé e das câmaras de compensação tarifária do Estado.
Arquitetura de dados complexa
A justificativa abrange o desenvolvimento de pipelines de dados em grande escala (Arquitetura Medalhão: camadas Bronze, Prata e Ouro) operando 24×7, além da conversão dos dados anonimizados em padrão aberto (PostgreSQL/CSV) para conformidade com a LGPD e fiscalização direta do Estado.
O que diz a Setram
Em resposta aos questionamentos, a Secretaria estadual de Transporte enviou uma nota. Segue a íntegra:
“A Secretaria de Estado de Transporte e Mobilidade Urbana (Setram) informa que a contratação da Drata Analytics Ltda. atende aos requisitos legais, às regras de integridade e compliance e foi submetida à análise e aprovação da Assessoria Jurídica da Secretaria, conforme documentação encaminhada à redação.
A capacidade técnica da Drata foi comprovada por contratos e atestados relativos a trabalhos diretamente relacionados aos setores de transporte e bilhetagem. A empresa já executou serviço semelhante para os consórcios Internorte, Intersul, Transcarioca e Santa Cruz, envolvendo aproximadamente 4 mil validadores, e já opera com as tecnologias utilizadas pela Riocard e pelo Jaé.
A empresa reúne expertise na gestão dos dados gerados pelos validadores e na operação de sistemas de bilhetagem, incluindo integração tarifária e mecanismos de compensação, além de experiência específica em descriptografia e interpretação de arquivos brutos de validadores, processamento de grandes volumes de transações, auditoria e estruturação de bases de dados auditáveis.
O valor contratado, de R$ 350.940 mensais, foi definido com base em parâmetro de mercado documentado no processo, com redução por ganho de escala.
O contrato inclui a estruturação do Núcleo de Análises em Mobilidade e Políticas Públicas (NAMPP), na sede da Setram, e a transferência de conhecimento para os servidores, ampliando a autonomia da Secretaria no tratamento, conferência e validação dos dados da bilhetagem.
A inexigibilidade está fundamentada na notória especialização da empresa e na inviabilidade de competição diante da natureza técnica e altamente especializada do serviço, associadas à necessidade de cumprimento, dentro do prazo estabelecido, das determinações do TCE-RJ para o fortalecimento da governança da Bilhetagem Eletrônica do Estado.
Implementada desde junho, a solução permite ao Estado receber, tratar e validar os dados primários da bilhetagem, ampliando a transparência e a rastreabilidade das informações.
A partir de agosto, etapas que antes dependiam da operacionalização da Riocard passam a ser executadas diretamente pelo Estado, com os valores apurados, conferidos e validados internamente, sob sua própria governança, e repassados diretamente ao operador, ampliando o controle sobre os recursos públicos.
A contratação foi conduzida por servidores formalmente designados no processo, e sua execução é acompanhada por equipe própria e independente, conforme ato publicado no Diário Oficial. A servidora que atua no Vale Social não possui qualquer ingerência sobre o contrato citado.
COM FÁBIO MARTINS

Comments 13
Esse vereador deve ser proprietário de vários imóveis e quer lucrar cada vez mais sem se importar com a segurança e a tranquilidade dos condomínios de imóveis unifamiliares.
Sabe o que é melhor de tudo , e não investir no Brasil não podemos ficar livre de nada , ninguém paga o condomínio o IPTU , isso ele não fala , engraçado isso
Querem arrecadar de qualquer forma custe o que custar
Kkk quanta asneira!!!!!
Esse vereador acabou de ser empossado e chegou com esse projeto beneficiando 100% a rede hoteleira, isso não é compatível com um vereador. Primeiro o município não pode interferir nessa forma na relação dos proprietários e condomínios é por isso que existe as convenções e assembleias, para regularizar essa relação. O Airbnb não interfe em nada na economia, pois no Carnaval tiveram 98% de ocupação, senão fosse as locações por temporada não teria local para tantos turistas. E sobre impostos, já é cobrado IPTU bem caro para não ter retorno. Pois as caladas são esburacadas, lixo excessivo, cracolandias e etc. Projeto descente esse rapaz não fez, mas pelo jeito ele tem que pagar os empresários que votaram nele.
Eu administrei um condomínio que tem serviços, o problema da segurança e a rotatividade de pessoas estranhas sem a convivência típica do residencial é um grande problema!!!! Isso precisa de fato de uma regulamentação porque o brasileiro só pensa no seu umbigo! Agora com a incorporadoras inflando o RJ com Studio misturado com residencial o problema ficará sem controle! Todos só pensam no seu bolso, do corretor a incorporadora, o comprador se lasca
Desse jeito sem segurança quem paga os acréscimos de contas de água, luz somos proprietários que residem .
Nós, da Casapē Boutique de Imóveis, apoiamos a regulamentação, desde que ela não torne a atividade inviável devido ao excesso de burocracia. Nosso foco é garantir a segurança dos proprietários de imóveis, dos condomínios e, principalmente, contribuir para o crescimento econômico da nossa querida cidade maravilhosa.
Atualmente no meu prédio tenho a impressão de estar morando num hotel duas estrelas.
Deve estar sendo patrocinado pela rede hoteleira.
Deixem o condomínio resolver. Parem de controlar a vida da pessoas. Parem de querer faturar nas costa do trabalhador. Cambada de sanguessugas…
Quando o estado só pensa em arrecadar impostos, fica muito difícil para o povo, já pagamos IPTU IVA e outros impostos, e querem aumentar? As vezes é a própria casa, que quando recebe um hóspede, vai para casa de um filho e isso é a verdade em muitos casos.
Daqui a pouco terá máfia dos hoteleiros, além de milicianos e traficantes… e pior de tudo… liderado por vereadores e deputados.
Realmente, isso prova que políticos não entendem nada de economia. O Rio depende de turismo e sites como AirBNB estão não apenas aumentando muito o turismo no Rio de Janeiro, mas vários estrangeiros procuram imóveis para comprar aqui para colocar no AirBNB. Como vai ser depois? Vão deixar de comprar. E o que vai acontecer? O preço dos imóveis não vai subir mais como está subindo. Por que os bairros que mais valorizaram no Rio foram Leblon e Ipanema? Por causa dos estrangeiros e investidores que compram imóveis nesses bairros para fazer aluguel por temporada. Muito bem, deixem mais uma vez os políticos destruírem a economia. Sabemos que ninguém para a conta neste país mesmo pelos erros. O Rio está em entregue às baratas mesmo. Essa lei vai enterrar o Rio.