A UniRio e Promacom promovem, neste sábado (04), o 1° Fórum do Laboratório de Políticas Públicas de Cultura e Educação de São Gonçalo, no Colubandê.

O Ministério Público Eleitoral (MPE) se manifestou a favor de que o jogador Vinícius Jr. tenha direito de resposta pela utilização não autorizada de sua imagem em uma propaganda eleitoral do candidato ao governo do estado pelo PL, Douglas Ruas.
“Tal estrutura audiovisual induz o eleitor a concluir erroneamente que, assim como o atleta Representante tem uma vinculação na vida pessoal, ele estaria inserido no bloco de apoios políticos divulgados na sequência da propaganda eleitoral”, diz o MPE.
O mérito do processo ainda será analisado pela Justiça Eleitoral. Enquanto isso, a Meta, responsável pelo Facebook, informou que o material de Ruas com a imagem de Vini Jr. já foi retirado do ar. A campanha também havia informado anteriormente que determinou a remoção da publicidade e pediu desculpas ao jogador e a Virginia Fonseca.
Na última segunda-feira (27), o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) já havia determinado a suspensão imediata da peça do ar. A propaganda fazia referência ao relacionamento de Vini Jr. com a influenciadora Virginia Fonseca e, na sequência, estabelecia uma comparação com a disputa pelo governo do estado do Rio, associando Eduardo Paes (PSD) ao presidente Lula (PT) e Ruas ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Segundo o pedido apresentado pelo jogador, a utilização de sua imagem ocorreu sem autorização e de forma descontextualizada. A alegação foi de que a montagem poderia levar o eleitor a entender que havia algum tipo de vinculação política entre Vini Jr. e Douglas Ruas.
A decisão judicial registra ainda que o jogador afirmou não ter envolvimento com nenhum dos candidatos nas eleições de 2026.
Com informações do colunista Ancelmo Gois, do jornal “O Globo”.
O Centro Empresarial Arcos da Lapa, na Rua Teixeira de Freitas 31, será transformado em um empreendimento residencial. O projeto prevê 384 unidades habitacionais, além de sete lojas no térreo e fachada ativa.
De acordo com a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano e Licenciamento, o imóvel terá 25 mil metros quadrados de área construída. A estrutura atual será mantida, mas passará por uma transformação de uso para receber o novo empreendimento residencial.
O licenciamento foi aprovado na modalidade de modificação com acréscimo de área em edificação existente e mudança de uso. O empreendimento também será beneficiado pela lei que integra o programa Reviver Centro. Segundo a Prefeitura do Rio, o projeto está de acordo com os parâmetros urbanísticos atualmente em vigor.
No processo de licenciamento ainda não há, porém, uma data definida para o início das obras.
O projeto também foi submetido à avaliação dos órgãos responsáveis pela preservação do patrimônio, já que o imóvel está inserido na região da Lapa. O Instituto Estadual do Patrimônio Cultural (Inepac) e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) já se manifestaram favoravelmente, sem apresentar objeções à proposta. A análise do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH), por sua vez, ainda está em andamento.
Com informações do jornal “O Globo”.
Tem coisa que os números explicam. Mas há números que os governantes precisam explicar. O simpático município de São João da Barra, no Norte Fluminense, é um desses casos. A cidade tem o terceiro maior PIB por habitante do Estado do Rio, com R$ 382 mil por morador em 2023, segundo o IBGE. Está entre os municípios mais ricos do país em riqueza produzida, graças aos royalties do petróleo e ao Porto do Açu, considerado o maior complexo portuário-industrial privado da América Latina.
Também não falta dinheiro nos cofres públicos. Em 2025, a Prefeitura teve mais de R$ 1 bilhão em receitas. Fazendo uma conta simples, são mais de R$ 26 mil por habitante.

Mas aí vem a parte que não combina muito com a fotografia da riqueza.
Mais de 70% dos moradores estão registrados no CadÚnico, a principal base do governo federal para identificar famílias de baixa renda e direcionar programas sociais. Em abril de 2026, o percentual chegava a 72,28% da população.
E não para por aí.
Quando o assunto é saneamento, São João da Barra aparece na 89ª posição entre os 92 municípios do Estado do Rio. Está, portanto, entre as quatro cidades fluminenses com pior situação nesse indicador.
É muita riqueza no PIB, muito dinheiro no orçamento e, ao mesmo tempo, problemas básicos que ainda batem à porta da população.
No Bolsa Família, eram 5.642 famílias beneficiárias em outubro de 2025.
• PIB per capita: R$ 382.417,42 (Dado oficial consolidado pelo IBGE). Esse valor coloca São João da Barra na 9ª posição entre os maiores PIBs per capita do Brasil e na liderança estadual.
• PIB Total: O PIB total estimado gira na casa dos R$ 14,8 bilhões (calculado com base na população estimada de 38.740 habitantes).
Se quiser ver diretamente na página do IBGE é só clicar aqui, ou copiar o link https://cidades.ibge.gov.br/brasil/rj/sao-joao-da-barra/panorama
Famílias cadastradas — setembro de 2026: 13.535
• Famílias em situação de pobreza: 6.566 (49%)
• Famílias de baixa renda: 2.066 (15%)
• Famílias acima de ½ salário mínimo: 4.903 (36%)
Total: 6.566 + 2.066 + 4.903 = 13.535 famílias (100%).
Se quiser ver diretamente na página do CadÚnico é só clicar aqui, ou copiar o link https://cecad.cidadania.gov.br/painel03.php#
Se existe tanta riqueza e tanto dinheiro entrando nos cofres públicos, por que isso ainda não aparece na vida de quem mora na cidade?
Com a palavra, a Prefeitura.
COM FÁBIO MARTINS
A pista ficou salgada para a criançada que esperava receber doces de políticos cariocas em campanha no Dia de São Cosme e São Damião no último domingo (27), às vésperas das eleições. Pelo menos nas redes sociais não houve movimentação de candidatos mostrando sua devoção aos santos e fazendo um agrado às crianças. Isso se dá num contexto em que religiões neopentecostais fazem críticas duras a tradições afro-brasileiras, caso da celebração dos santos, resultado do sincretismo entre as crenças de matriz africana e a Igreja Católica. O eleitorado evangélico representa mais de 30% da população fluminense, segundo levantamento da Mar Asset Management.
As exceções que fizeram referência à data (mas não apareceram distribuindo doces) foram nomes como o deputado estadual (atualmente na suplência) Átila Nunes (PSD), candidato a novo mandato, Tarcísio Motta (PSOL) e Marcos Braz (PSDB), que disputam a reeleição para o cargo de deputado federal. O professor, aliás, fez um vídeo divertido montando o saquinho “perfeito” de Cosme e Damião.
“Tem que ter doce de abóbora, quebra-queixo, dinheiro para a educação, professor com tempo de planejamento”, enumerou Tarcísio.
Átila Nunes tem forte ligação com as religiões de matriz africana. Em 2017, ele foi autor de projeto na Assembleia Legislativa do Rio que buscava reconhecer os festejos de São Cosme e São Damião como patrimônio imaterial do Estado do Rio de Janeiro. Em 2025, o político apresentou projeto relacionado ao reconhecimento do Cantinho de Cosme e Damião como patrimônio religioso, social e cultural imaterial do Estado.
Para marcar a data neste domingo, Átila postou um vídeo educativo mostrando a importância do Dia de São Cosme e São Damião e dando informações sobre a origem da festa. Segundo a tradição católica, os santos viveram no século 3 (DC) e atuavam como médicos na região da Ásia Menor, ajudando os doentes sem cobrar nada. Morreram martirizados por volta do ano 303. Já a crença afro-brasileira associa os santos aos Ibejis e aos Erês, divindades infantis. Átila também postou um ritual homenageando os Ibejis.

Marcos Braz também postou homenagem e pedido de tolerância e respeito às crenças.
“Que este dia seja marcado por fé, carinho, união e respeito às nossas tradições. Um domingo abençoado para todas as famílias do Rio de Janeiro!”, escreveu ele, ao lado de uma imagem do tradicional saquinho de doces com as figuras dos santos.
A exploração da intolerância religiosa usada eleitoralmente pode ser notada em casos como um vídeo que circula no WhatsApp, em que o candidato a governador Eduardo Paes (PSD) é apontado como o candidato que frequenta a umbanda enquanto o adversário que está em segundo lugar nas pesquisas, Douglas Ruas, é apresentado como um homem ligado à religião cristã.
Doutor em Teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RIO), o professor Fábio Py diz não ter dúvidas de que a intolerância religiosa afasta os políticos do Dia de São Cosme e São Damião.
“Os santos são muito ligados à umbanda e ao candomblé. A gente vê o cristianismo cada vez mais fundamentalista. É um momento muito complicado. É arriscado, nesse contexto, quer se apoie algo ligada às religiões afro, ainda mais a uma semana da eleição. Infelizmente isso está acontecendo. É o espírito da época”, pontua o professor o professor, autor do livro “Pandemia cristofacista” (Recriar, 2020).

A data que festeja os santos e a política do Rio de Janeiro, mais especificamente a da Baixada Fluminense, também guarda uma curiosidade. Foi o dia do nascimento de Tenório Cavalcanti, o temido e famoso “Homem da Capa Preta”, figura mítica de Duque de Caxias. Ele costumava celebrar a data distribuindo doces em sua casa, conhecida como “A Fortaleza”. Eram grandes festas, que reuniam, além da criançada, políticos e até jogadores de futebol, como o craque Garrincha, que também era da Baixada Fluminense.
Os vereadores Luiz Ramos Filho (PSD) e Paulo Messina (PL) são amigos de longa data. Na noite desta segunda-feira (28), Luiz entregou a Medalha Pedro Ernesto ao colega de plenário. Mas não como prova de amizade, e sim pelo reconhecimento de seu engajamento na causa dos autistas e neurodivergentes.
Pai de dos jovens autistas, Paulo Messina se tornou uma das maiores lideranças da causa, com várias leis aprovadas para beneficiar autistas e famílias atípicas e grande destaque nas redes sociais, onde reúne mais de três milhões de seguidores e já é um dos políticos com maior engajamento.
“Essa medalha está aprovada desde 2021, quando Messina ficou sem mandato. Como reconhecimento por tudo o que ele fez e faz por esta causa tão importante e sensível “, explicou Luiz Ramos Filho. “Eu me senti na obrigação de fazer essa homenagem por tudo o que você já fez na vida pública . Você está num patamar muito alto, meu irmão, parabéns!”
O procurador aposentado Antonio Sá, que compôs a mesa, elogiou a inteligência do homenageado.
“O período em que ele esteve à frente da Casa Civil foi o único período em que a prefeitura fechou no azul no governo Crivella. E ver o carinho com que tratava os filhos, que ele levava para as reuniões, era muito emocionante”, contou Sá.

A Companhia Estadual de Águas e Esgotos do Rio de Janeiro (Cedae) já começa a colher os primeiros resultados do pente-fino em contratos e procedimentos que colocou a nova gestão da companhia sob tensão e chegou a provocar ameaças a diretores. Um dos primeiros casos revelados pelas auditorias levou à suspensão de um contrato de mais de R$ 35 milhões, após a identificação de suspeitas de favorecimento em uma licitação.
O consórcio vencedor apresentou documentos que trazem o nome do filho do ex-diretor financeiro da estatal, Antônio Carlos dos Santos, que também aparece ligado às empresas envolvidas na contratação.
O contrato previa o fornecimento de uma solução tecnológica baseada em inteligência artificial para estações de tratamento de água e esgoto, e foi vencido pelo consórcio W2T Inteligência Artificial Generativa RJ, cuja principal empresa é a T7 Consultoria de Empreendimentos Ltda.
Segundo a auditoria da própria Cedae, documentos apresentados pelo consórcio têm como autor Felipe Silva dos Santos, filho de Antônio Carlos dos Santos, ex-diretor financeiro da companhia.
Em um dos arquivos, que comprovaria a capacidade da empresa para executar o serviço, o nome de Felipe aparece novamente como autor, ao lado dos nomes de sua esposa e de sua filha.
O mesmo documento foi assinado por José Luiz Hermenegildo de Souza, em nome da empresa Zil, que declarou que a T7 havia demonstrado excelência na execução de projetos semelhantes de inteligência artificial. A auditoria, porém, identificou que os sites institucionais da Zil e da T7 estão registrados sob a titularidade de Felipe Silva dos Santos.
As demais empresas que participaram da licitação não apresentaram propostas ou foram eliminadas. Com isso, o consórcio acabou sendo o único concorrente restante.
Diante das suspeitas, a nova gestão da Cedae suspendeu o contrato antes que qualquer pagamento fosse realizado. O acordo previa mais de R$ 35 milhões para a solução tecnológica.
A auditoria também identificou que, juntas, T7 e Zil receberam R$ 48 milhões por meio da Cedae Saúde, empresa ligada à companhia que oferece assistência médico-hospitalar a funcionários e ex-funcionários da estatal.
O caso foi encaminhado ao Ministério Público.
Antônio Carlos dos Santos, ex-diretor financeiro da Cedae, afirmou que as empresas citadas na apuração não possuem qualquer vínculo com ele. Ele também disse que nunca participou de nenhuma licitação nem interferiu a favor ou contra qualquer empresa e classificou como infundadas as afirmações da auditoria sobre as suspeitas de irregularidades.
Felipe Silva dos Santos, filho de Antônio Carlos dos Santos, negou ter qualquer sociedade com as empresas envolvidas e afirmou que apenas presta serviços de criação de sites para diferentes clientes.
Com informações do “RJ2”.
A deputada federal Talíria Petrone (PSOL) também vai denunciar à Justiça Eleitoral e ao Ministério Público o episódio envolvendo Alexandre Knoploch (PL) e militantes do comitê de Flavio Serafini (PSOL), na Tijuca, Zona Norte do Rio. Candidato à reeleição, ele é acusado de ameaçar sacar uma pistola contra pessoas que trabalhavam na campanha do psolista nesta segunda-feira (28).
Segundo testemunhas, Knoploch se revoltou com uma música que provocava o senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL). Ainda de acordo com os relatos, ele teria disparado spray de pimenta contra os militantes e proferido xingamentos.
Talíria comparou o episódio ao caso envolvendo a então deputada federal Carla Zambelli (PL), que, às vésperas do segundo turno das eleições de 2022, sacou uma arma durante uma discussão e perseguiu um homem pelas ruas de São Paulo.
“Todo ano é a mesma coisa. Em 2022, foi Carla Zambelli, agora, Knoploch. É inadmissível esse tipo de violência durante as eleições. Ele precisa ser responsabilizado e preso”, afirmou.
O episódio também será levado à Justiça pelo próprio Flavio Serafini. A campanha do candidato informou que vai registrar boletim de ocorrência e apresentar notícia-crime à Justiça Eleitoral, além de entregar às autoridades imagens, vídeos e outros elementos sobre a confusão.
O deputado também pretende pedir uma medida cautelar para impedir que Knoploch se aproxime de seus comitês, integrantes da campanha, trabalhadores, voluntários e militantes.
Em declaração após o episódio, Serafini afirmou que considera o caso uma “ameaça armada” e disse que não pretende se calar diante do ocorrido.
Em nota, o candidato à reeleição pelo PL não negou as acusações e afirmou que também pretende enviar uma denúncia à Justiça Eleitoral pela veiculação da música “de baixo calão” sobre Flávio Bolsonaro.
Confira o posicionamento na íntegra:
“Durante uma agenda na Tijuca na manhã desta segunda-feira (28), o deputado estadual Alexandre Knoploch (PL) estava distribuindo panfletos próximo ao comitê de um candidato do PSOL, quando foi questionado por uma senhora sobre uma música que continha termos de baixo calão como “cabeça do meu pau” (sic) e “cabeça da minha pica” (sic), tocada ali no momento pela equipe de Serafini. Ao responder que era ilegal, seis ocupantes do comitê ouviram a conversa e foram em direção ao deputado, com ameaças.
Sobre o episódio, Knoploch informa que fez o registro da ocorrência e deve enviar denúncia ao TRE pelo uso de palavras de baixo calão em logradouro público e contra o adversário Flávio Bolsonaro.
Este não foi o primeiro flagrante da execução da música pornográfica pela esquerda. Na manhã de domingo, dois cabos eleitorais do PT tocavam a letra em uma caixa de som na frente de crianças que faziam uso da orla de Copacabana para o lazer. A dupla caminhava em direção à Caminhada de Mulheres de Direita, que foi liderada pela candidata à vice-governadora Fernanda Louback (PL) e teve presença de outras mulheres, incluindo a mulher de Douglas Ruas, Mariana Ruas”.
O Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) aplicou multa de R$ 218.257,60 à Organização Social Projeto Social Cresce Comunidade — Prima Qualitá Saúde e determinou uma auditoria extraordinária em todos os contratos e firmados pela entidade com municípios fiscalizados pela corte.
A decisão apontou indícios de direcionamento de contratações, conflito de interesses e violação aos princípios da impessoalidade e da moralidade administrativa.
O caso envolve contratos de gestão na área da saúde celebrados pela Prima Qualitá com Cachoeiras de Macacu, Santa Maria Madalena, São Gonçalo e Saquarema. A investigação foi aberta a partir de representação da Secretaria-Geral de Controle Externo (SGE) do TCE-RJ.
Segundo o acórdão, três empresas contratadas pela organização social apresentaram um conjunto de circunstâncias considerado suficiente para caracterizar favorecimento indevido: Bozza e Guerra Consultoria e Serviços de Saúde Ltda., Moraes e Matos Advogados e Ssantana Comércio de Veículos e Serviços Ltda.
Entre os problemas identificados estão a ausência de procedimentos objetivos de seleção, deficiência na motivação das contratações, vínculos entre pessoas ligadas às empresas e à organização social e indícios de ação coordenada na escolha dos fornecedores.
Um dos casos chamou atenção pela proximidade entre a criação da empresa e sua contratação. A Bozza e Guerra foi constituída em 6 de junho de 2019 e contratada apenas quatro dias depois, em 10 de junho, sem procedimento seletivo objetivo. O TCE também apontou que suas sócias participavam simultaneamente da estrutura de administração da Prima Qualitá.
O tribunal fez uma distinção importante no julgamento: uma coisa é verificar se houve irregularidade na escolha das empresas; outra é saber se os serviços foram efetivamente prestados e se houve prejuízo aos cofres públicos.
Assim, mesmo que a futura apuração conclua que os serviços foram realizados, que os preços eram compatíveis ou que não houve dano ao erário, isso não elimina, por si só, uma eventual irregularidade já ocorrida na formação das contratações, segundo a relatora Marianna Montebello Willeman.
E essa segunda parte da investigação ainda está aberta.
O tribunal ordenou a conversão parcial do processo em Tomada de Contas ex officio para verificar a execução dos contratos, os preços praticados, eventual sobrepreço ou superfaturamento e a existência de dano ao erário.
No procedimento, os responsáveis foram chamados a apresentar defesa ou recolher, solidariamente, valores relacionados às três contratações. São R$ 667.859,37 referentes à Bozza e Guerra, R$ 31.965,38 relativos à Moraes e Matos e R$ 44.539,15 relacionados à Ssantana. O total chega a R$ 744.363,90.
A auditoria determinada pelo TCE também terá alcance maior. A corte vai examinar todos os contratos e demais ajustes da Prima Qualitá vinculados às parcerias com os quatro municípios, incluindo os procedimentos usados para contratar terceiros, a execução dos objetos, a rastreabilidade dos recursos públicos e os mecanismos de governança, integridade, gestão de riscos, controles internos e prevenção de conflitos de interesses.
Além da Prima Qualitá, o Tribunal aplicou multas a três ex-secretários municipais de Saúde. Carlos Eduardo da Silva Aguiar, de Cachoeiras de Macacu, e Luís Gustavo Manhães Silva, de Santa Maria Madalena, foram multados em R$ 12.401 cada. Já João Alberto Teixeira Oliveira, de Saquarema, recebeu multa de R$ 24.802.
As penalidades foram relacionadas ao não cumprimento de determinações do Tribunal e às obrigações de fiscalização dos contratos. As quatro multas somam R$ 267.861,60.
A defesa do então secretário de Saúde de São Gonçalo, Gleison Rocha da Silva, foi acolhida. Já as defesas dos ex-secretários de Cachoeiras de Macacu, Santa Maria Madalena e Saquarema foram rejeitadas ou acolhidas apenas parcialmente.
Apesar de ter reconhecido as irregularidades, o TCE-RJ não declarou a Prima Qualitá nem as três empresas inidôneas para contratar com o poder público. A relatora considerou as circunstâncias do caso e optou pela aplicação da multa à organização social em substituição à declaração de inidoneidade.
O caso também será encaminhado ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, inclusive para ciência das evidências de possível favorecimento envolvendo o então secretário de Saúde de Saquarema.
O julgamento foi realizado pelo plenário do TCE-RJ em 2 de setembro de 2026 e a decisão foi aprovada por unanimidade. Confira aqui a íntegra do acórdão.
COM FÁBIO MARTINS
A circulação de grandes quantias de dinheiro em espécie durante a campanha eleitoral no Rio de Janeiro entrou no radar do Escritório Nacional Antifacção, estrutura do Ministério da Justiça criada para integrar ações de combate ao crime organizado.
Um dos nomes investigados é o da Zocar Rio Caminhões, empresa que já esteve no centro de inquéritos da Polícia Federal e que mantém aeronaves registradas em seu nome.
Dados da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) mostram que a companhia é proprietária de helicópteros, entre eles um modelo que foi utilizado pelo então presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar (União), em deslocamentos pelo estado.
Com informações do colunista Lauro Jardim, do jornal “O Globo”.
O deputado estadual e candidato à reeleição Flavio Serafini (PSOL) anunciou que vai apresentar queixa contra seu colega da Assembleia Legislativa (Alerj), Alexandre Knoploch (PL), após ele ter ameaçado sacar uma arma contra militantes em frente ao comitê eleitoral do psolista, na Tijuca, Zona Norte do Rio.
Imagens registraram a confusão e mostram Knoploch armado, com uma pistola presa à cintura, diante de integrantes da campanha. Em determinado momento, o deputado leva a mão à região da arma.
De acordo com a campanha de Serafini, o episódio envolveu provocações e tentativa de constrangimento da militância, além do uso de gás de pimenta e de agressões. O grupo afirma que vai entregar às autoridades as imagens e outros elementos que registraram o ocorrido.
Flávio Serafini afirmou que considera o episódio uma ameaça à militância e disse que vai tomar medidas para evitar novas aproximações de Knoploch.
“É inadmissível que o deputado vá para a frente do nosso comitê, faça provocações, ameace a nossa militância e, por fim, puxe uma arma. Nós não vamos nos silenciar e entendemos isso como uma ameaça. Uma ameaça armada”, afirmou.
A campanha informou que vai registrar boletim de ocorrência e apresentar notícia-crime à Justiça Eleitoral para que sejam apuradas eventuais infrações eleitorais e criminais relacionadas ao episódio.
Também será feito um pedido cautelar para impedir que Knoploch se aproxime do comitê eleitoral, de integrantes da campanha, trabalhadores, voluntários e militantes ligados à candidatura de Serafini.
Em nota enviada na noite desta segunda-feira (28), o candidato à reeleição pelo PL não negou as acusações e afirmou que também pretende enviar uma denúncia à Justiça Eleitoral pela veiculação da música “de baixo calão” sobre Flávio Bolsonaro.
Confira o posicionamento na íntegra:
“Durante uma agenda na Tijuca na manhã desta segunda-feira (28), o deputado estadual Alexandre Knoploch (PL) estava distribuindo panfletos próximo ao comitê de um candidato do PSOL, quando foi questionado por uma senhora sobre uma música que continha termos de baixo calão como “cabeça do meu pau” (sic) e “cabeça da minha pica” (sic), tocada ali no momento pela equipe de Serafini. Ao responder que era ilegal, seis ocupantes do comitê ouviram a conversa e foram em direção ao deputado, com ameaças.
Sobre o episódio, Knoploch informa que fez o registro da ocorrência e deve enviar denúncia ao TRE pelo uso de palavras de baixo calão em logradouro público e contra o adversário Flávio Bolsonaro.
Este não foi o primeiro flagrante da execução da música pornográfica pela esquerda. Na manhã de domingo, dois cabos eleitorais do PT tocavam a letra em uma caixa de som na frente de crianças que faziam uso da orla de Copacabana para o lazer. A dupla caminhava em direção à Caminhada de Mulheres de Direita, que foi liderada pela candidata à vice-governadora Fernanda Louback (PL) e teve presença de outras mulheres, incluindo a mulher de Douglas Ruas, Mariana Ruas”.