ATUALIZAÇÃO às 19h30 com posicionamento da Secretaria Municipal de Saúde. Leia na íntegra abaixo.
Profissionais da rede municipal de saúde do Rio denunciam a substituição de contratos com carteira assinada, feitos pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), por vínculos de pessoa jurídica (PJ) nas unidades municipais.
De acordo com o Sindicato dos Médicos do Rio de Janeiro (SinMed-RJ), a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) autorizou as Organizações Sociais (OSs) a substituição dos vínculos. Segundo a entidade, o próprio secretário Rodrigo Prado confirmou a autorização durante reunião com representantes do sindicato.
Nesta quarta-feira (4), a vereadora Maíra do MST (PT) enviou um ofício ao secretário cobrando explicações sobre o avanço da “pejotização” na rede municipal de saúde.
Demissões e novas contratações via PJ atingem unidades municipais
Uma das unidades em que foi constatada a substituição de médicos contratados pelo regime CLT por profissionais PJ é o Centro de Emergência Regional (CER) do Leblon, na Zona Sul. De acordo com Alexandre Telles, presidente do SinMed-RJ, a medida levou à saída de médicos que tinham mais de dez anos de vínculo com a unidade.
Na Maternidade Municipal Maria Amélia Buarque de Hollanda, no Centro, a SPDM, organização social responsável pela gestão, começou a anunciar vagas para profissionais PJ em meio à greve de obstetras e pediatras e às negociações com os trabalhadores.
Segundo o sindicato, a mudança ocorreu sem aviso prévio e com aval da Secretaria Municipal de Saúde, embora os vínculos na unidade fossem, até então, exclusivamente pelo regime CLT. A mesma movimentação também foi identificada na Maternidade Municipal Alexander Fleming, em Marechal Hermes.
Vereadora cobra explicações sobre três unidades
Maíra do MST informou que seu gabinete tem recebido diversas reclamações de trabalhadores da saúde, relatando mudanças nos modelos de contratação, demissões de equipes e mobilizações contra a “pejotização”.
No documento encaminhado à SMS, a vereadora questiona as justificativas para a alteração dos vínculos e afirma que a medida pode precarizar as relações de trabalho e comprometer a qualidade do atendimento à população.
Entre os casos destacados está justamente o da Maternidade Maria Amélia Buarque de Hollanda, onde obstetras e pediatras estão em greve há mais de três meses. As profissionais reivindicam reajustes salariais e denunciam que a SPDM realizou dezenas de contratações emergenciais com remunerações até 70% superiores às pagas às médicas que já trabalhavam na unidade.
A contratação de profissionais em caráter emergencial pela organização social também está no centro das reclamações das equipes, que questionam a diferença entre os valores oferecidos aos novos médicos e os salários dos profissionais em greve.
Outro caso citado é o da Maternidade Municipal Alexander Fleming, administrada pelo Instituto de Gestão e Desenvolvimento Social (IGEDES). Segundo o ofício, os profissionais da unidade questionam a transição dos modelos de contratação e apontam possíveis prejuízos às condições de trabalho, além de indícios de tentativas indiretas de implantação do regime de pessoa jurídica.
A terceira situação envolve a CER do Leblon, administrada pelo Centro de Estudos e Pesquisas Científicas Francisco Antônio de Salles (FAS). Na unidade, médicos intensivistas teriam recebido determinação de demissão para dar lugar a profissionais que atuem exclusivamente como pessoas jurídicas.
Além de cobrar explicações sobre os casos, Maíra pede que a Secretaria Municipal de Saúde informe quais razões jurídicas justificam a substituição dos vínculos celetistas por contratos de pessoa jurídica nas três unidades.
Sindicato alerta para impacto na assistência
Para Alexandre Telles, a “pejotização” representa não apenas a retirada de direitos trabalhistas dos médicos, mas também um risco à continuidade e à qualidade do atendimento prestado à população. O presidente do SinMed-RJ destaca que os profissionais da rede estão sem reajuste salarial desde 2018 e avalia que a substituição dos vínculos pode provocar maior rotatividade nas equipes.
Segundo o dirigente, a contratação de médicos sem vínculo direto com as unidades pode levar à troca constante de profissionais e prejudicar a continuidade da assistência.
O que diz a Secretaria Municipal de Saúde
Em nota enviada ao Tempo Real na última semana, sobre o caso da maternidade Maria Amélia, a SMS informou que está em negociação com os profissionais e que a contratação via PJ “visa suprir vagas que estão abertas e não substituir a força de trabalho atual”.
Ainda segundo a pasta, “o custo da contratação como PJ é equivalente ao do profissional admitido pelo regime CLT, que tem todos os direitos e benefícios trabalhistas assegurados, além dos encargos sociais que são pagos pela gestão”.
A reportagem entrou em contato novamente com a Secretaria Municipal de Saúde sobre as denúncias de demissões dos médicos CLT para contratação via PJ em outras unidades. Em resposta, a pasta informou que as contratações PJ são feitas para suprir vagas em aberto. Leia na íntegra o posicionamento enviado nesta quarta (04):
“Contratações na modalidade PJ são realizadas para suprir vagas em aberto que não foram preenchidas pelo regime CLT, de forma complementar às equipes existentes. A medida visa garantir a cobertura das escalas médicas e atender a demanda assistencial.”

Comentários 14
O Governador Cláudio Castro, é Caloteiro sem Caráter, deve a Recomposição Salarial dos Aposentados com a Cumplicidade do TCE, PGE, E A JUSTIÇA ?? QUE NÃO DETERMINA QUE O GOVERNADOR CALOTEIRO PAGUE A DEVIDA RECOMPOSIÇÃO E AUMENTO DOS SALÁRIOS DO EXECUTIVO.
Não entendo porque não há um incentivo à demissão voluntária para os funcionários das empresas públicas do Estado.
Isso resultaria em enxugamento do quantitativo de funcionários que se aposentaram, mas continuam na função, muitas das vezes “fingindo” trabalho.
Só na EMATER-RIO, pelo que sei, 60% dos funcionários só estão aguardando o incentivo à demissão voluntária para se desligarem de vez.
De acordo. E não terá meu voto
Os orgãos estaduais não abrem cocurso há mais de 10 anos, se todo mundo sair para de funcionar.
Pois é
Nada mais lícito e correto.
Questiono o tempo todo o fato de aposentados, como eu que tive que cumprir tempo e normas para paridade e ficar de fora. A paridade fica rodando ou corroída com esses penduricalhos que governos de direita inventam e ficamos de fora. Estou aposentada e preciso também me alimentar. Triste!!!!
Esse desgovernador desde 2023 não dá aumento para os funcionários do Estado, más dá gratificação para o pessoal que está na ativa e os amigos, vergonhoso. Pior é que tem servidor que elogia esse Governo, porque não atrasou o salário, é obrigação dele não atrasar os salários, não é mérito.
EMATER-RIO É REGIDO PELA CLT. NÃO SÃO SERVIDORES ESTATUTÁRIOS.
Enquanto estava de ferias, licença perdi. Voltei agora e vou me aposentar e vou perder de novo. Tinham que dar para aposentados. Os aposentados só ficam com os vencimentos. Faz muita diferença
Uma coisa boa, mesmo em regime de recuperação em que se encontra o RJ. Me lembro bem do trio do guardanapo no jantar em Paris… enquanto isso o Rio afundava em dívidas e no momento atual. Então, não defendo o governador atual, mas cabe lembrar em que pé o RJ se encontra ainda
Servidor Público que votar nesse para o Senado é burro.
Claudio Castro é caloteiro, deveria ter o mandato cassado e ficar inelegível por 8 anos.
Que o TSE cumpra seu papel.
É vergonhoso como este Governo trata a Educação. Muitas promessas, legislação com aprovação automática, piso nacional? Considera o teto como Piso. E, Ministério Público, PGR, ninguém FAZ NADA. Tem professor com mais de vinte anos de trabalho com salário de 2.000,00. Mínimo… Mínimo… Depois dizem que não sabe porque a Educação do Estado é a pior no ranking brasileiro. Sem salário digno, sem descanso digno, sem vida digna e tranquila, escolas sem infraestrutura e com verbas baixíssimas para merenda. É muita mazela para “esperançar”. Qualquer dinheiro no salário, só vendo para crer. Vergonhoso.
Penduricalho criado e sem pagamento de imposto. Msemo sem trabalhar os caras recebem vale alimentação….detesto essa raça de servidores publicos e os 3 poderes…a gente sustenta essa vagabundagem toda!!!! E tem gente que fica mamando neles!
Triste ser aposentada por tempo de serviço pro estado , sem nunca ter se quer, direito ao cartão alimemtar.
APOSENTÁDO NÃO SE ALIMEMTA ?
O que não se faz para garantir mamatas???
Mais aumento nos salários principalmente ao piso dos professores isso não é prioridade.
E aí o funcionário público se deixa levar por esta esmola. Pague o piso….libere os processos ajuizados dos professores que estão há anos com os desembargadores sentados em cima dos mesmos. E que não escape da INEGIBILIDADE.MODOS OPERANTES DO PL.