Poucas semanas depois de anunciar uma reestruturação para reduzir despesas e valorizar servidores de carreira, a Agência Estadual de Fomento do Estado do Rio (AgeRio) voltou a contratar funcionários sem concurso público (os chamados extraquadros). Levantamento feito com base em publicações do Diário Oficial, dados de lotação, relatórios do site da instituição e tabelas salariais mostra que novas admissões anularam rapidamente a economia obtida com as demissões recentes.
Em meados de julho, a agência divulgou ter exonerado cerca de 32% dos contratados sem concurso, prevendo uma economia projetada de mais de R$ 5 milhões na folha até dezembro de 2026. Além de uma nova composição do quadro de pessoal — com 65% de empregados concursados e 35% de extraquadros.
No entanto, os dados oficiais de lotação revelam que o corte real foi de apenas 12 empregados em um quadro total de 155 (redução de 7,7%, e não 32%). A economia no salário base entre julho e agosto foi de R$ 98.712,95 (passando de R$ 2,44 milhões para R$ 2,34 milhões).
Além disso, a promessa de economizar R$ 5 milhões passou longe da projeção: como o custo médio mensal por empregado (salário + benefícios) é de R$ 18.553,44, para atingir essa meta a AgeRio precisaria ter demitido algo em torno de 49 funcionários e mantido o enxugamento até o fim do ano.
Acontece que, já no mês de setembro, atas e tabelas de pessoal comprovam que, depois das exonerações, houve a admissão de 10 novos extraquadros, elevando a folha de salário base para R$ 2,40 milhões. A variação líquida da folha em relação a julho ficou em uma economia irrisória de R$ 41.210,05 mensais — apenas 1,69% de redução — jogando por terra a ideia de grande enxugamento.
A proporção de concursados, que chegou a 62%, já recuou para 58% em setembro.
Discurso ao vento e cadastro de reserva preterido
A movimentação expõe ainda uma contradição do presidente da AgeRio, André Vila Verde. Primeiro funcionário concursado a assumir o comando da agência de fomento (foi presidente em 2021 e voltou agora, em maio de 2026), Vila Verde declarou publicamente, ao lançar o concurso de 2023, que a instituição valorizava o desenvolvimento de seu quadro permanente.
Na ocasião, a AgeRio informava que 57,93% dos empregados e diretores eram concursados e 88,89% dos cargos de gestão estavam ocupados por integrantes do quadro permanente. Além disso, o concurso público de 2023 continua válido até agosto de 2027 e tem cadastro de reserva.
Apesar disso, a direção optou por ampliar novamente os cargos de livre nomeação.
Aumentos salariais para os cargos da AgeRio
Ainda em 2021, Vila Verde presidia a AgeRio, quando o Conselho de Administração da entidade era comandado por Vinícius Sarciá Rocha, irmão de criação do governador Cláudio Castro — que, posteriormente, foi alvo de busca e apreensão da Polícia Federal. À época, reportagem da “Folha de S.Paulo” revelou que ambos pautaram e votaram aumentos superiores a 25% para os seus próprios salários na agência de fomento.
A conduta atual destoa da orientação divulgada pelo governo do estado, que vem prometendo corte rigoroso de cargos comissionados e valorização dos servidores de carreira.
Comments 5
É um absurdo destruir o buraco do lume q junto com a praça Mário Lago era um dos poucos respirou q ainda existe na cidade.
Puxa finalmente. Eu fui uma das primeiras a tirar foto e publicar nas redes esse crime. Eles estavam começando a cercar quando tirei fotos. Venho escrevendo que isso é um crime ambiental, serão derrubadas 71 arvores sendo centenarias e pau brasil. Nao conheco a deputada, nao sou política, nem de esquerda nem de direita, nada, mas parabéns a deputada e espero que tombem o local e melhorem.
O Centro já tem praças demais, a maioria suja e abandonada. Se trazer novos moradores auxiliar a economia do bairro (trazendo também supermercados e comércio de bairro, escassos na região), então que se construa. E vale lembrar que não é todo o Buraco do Lume que será ocupado pelo empreendimento, e sim uma parte que hoje serve de dormitório e banheiro para a população de rua.
Capitalismo atrazo de vida
Penso que o empreendimento imobiliário aqui nesse Estado tem um poder incrível, visto a orla de Copacabana o tamanho dos prédios que foram construídos… teremos que ter bastante peso para impedir essa falácia!!! Estamos num tempo que isso não pode ter mais lugar!!!!