Cercada pelas águas da Baía de Guanabara, conhecida pelas ruas tranquilas, bicicletas e pela ausência de automóveis particulares, a Ilha de Paquetá ganhou mais uma característica nas eleições de 2026: a de um pequeno território eleitoral vermelho.
Na ilha, Lula (PT) venceu Flávio Bolsonaro (PL) nos dois turnos da eleição presidencial, Eduardo Paes (PSD) superou Douglas Ruas (PL) na disputa pelo governo estadual e Benedita da Silva (PT) e Mônica Benício (PSOL) ocuparam as duas primeiras posições na corrida pelo Senado.
O levantamento identificou 3.129 eleitores aptos a votar, distribuídos em oito seções eleitorais, todas instaladas na Escola Municipal Joaquim Manoel de Macedo, na Rua Padre Juvenal 74. As urnas pertencem à 204ª Zona Eleitoral, que também abrange regiões do Centro e de São Cristóvão. A análise considerou exclusivamente as seções da ilha, sem misturar seus resultados aos dos demais bairros.
Lula ampliou a vantagem no segundo turno
No primeiro turno, Lula recebeu 1.191 votos, contra 655 de Flávio Bolsonaro. O petista conquistou 60,2% dos votos válidos, enquanto o candidato do PL ficou com 33,1%.
No segundo turno, a diferença aumentou. Lula alcançou 1.454 votos, equivalentes a 67,7% dos válidos, contra 695 votos de Flávio, ou 32,3%. Em números absolutos, o presidente ganhou 263 votos entre os dois turnos, enquanto seu adversário acrescentou apenas 40. A vantagem de Lula saltou de 536 para 759 votos.
O crescimento também coincidiu com maior participação dos eleitores. O comparecimento à votação presidencial passou de 2.117 pessoas no primeiro turno para 2.229 no segundo, acréscimo de 112 votantes. A abstenção caiu de 32,3% para 28,8% do eleitorado.
Lula venceu em todas as oito seções de Paquetá, tanto em 4 quanto em 25 de outubro. O resultado contrasta com o conjunto do Estado do Rio, onde Flávio Bolsonaro havia liderado a votação presidencial no primeiro turno.
Benedita e Mônica fizeram dobradinha na ilha
A preferência por candidaturas de esquerda também apareceu na disputa pelo Senado. Benedita da Silva (PT) foi a candidata mais votada, com 1.024 votos, seguida de Mônica Benício (PSOL), com 626.
Pedro Paulo (PSD) ficou em terceiro, com 584 votos. Os candidatos do PL que conquistaram as duas cadeiras do Rio no Senado, Carlos Portinho (PL) e Carlos Jordy (PL), terminaram apenas na quarta e quinta posições em Paquetá, com 515 e 481 votos, respectivamente.
Eduardo Paes também venceu com folga
Na eleição para governador, Paquetá deu 1.184 votos a Eduardo Paes (PSD), o equivalente a 56% dos votos registrados para o cargo. Douglas Ruas (PL) recebeu 504, ou 23,8%.
A vantagem de Paes foi de 680 votos. William Siri (PSOL) apareceu em terceiro lugar, com 98 votos. O resultado local foi diferente daquele registrado no conjunto do estado, que deu a vitória a Douglas Ruas após a retotalização dos votos.
Mas nem todo voto da pequena Cuba foi para a esquerda
Nas eleições proporcionais, Paquetá demonstrou um comportamento mais diversificado. Para deputado federal, Laura Carneiro (PSD) foi a campeã de votos, com 314, seguida de Daniel Soranz, também do PSD, com 231. Rick Azevedo (PSOL) apareceu na terceira posição, com 71.
Para deputado estadual, João Pires (PSD) liderou com 218 votos, seguido de Flávio Serafini (PSOL), com 112. Márcio Canella (União Brasil) recebeu 81 votos, Rafael Sorrilha (PSD) teve 76 e Renata Souza (PSOL), 74.
O desempenho dessas candidaturas mostra que a preferência por Lula e pelas duas candidatas de esquerda ao Senado não se traduziu em voto exclusivamente partidário nas disputas para a Câmara e para a Assembleia Legislativa.
Uma ilha com comportamento próprio
Mais do que uma curiosidade geográfica, o resultado demonstra como comunidades relativamente pequenas podem apresentar um perfil eleitoral distinto daquele observado no território estadual. Paquetá não votou de maneira uniforme em todos os cargos, mas foi consistente nas escolhas para presidente, governador e Senado.
Na imensidão da Baía de Guanabara, entre barcas, bicicletas e praias, a pequena Cuba resistiu como metáfora eleitoral: um ponto vermelho que, nas urnas de 2026, preferiu Lula duas vezes e reservou a Benedita e Mônica os primeiros lugares na disputa pelo Senado.
Metodologia
O levantamento do TEMPO REAL teve como base os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), na planilha de votação por seção dos dois turnos e na consolidação dos resultados do primeiro turno por local de votação.
Comentários 6
SÓ AGORA ESSE IMBECIL VIU ISSO, EDUARDO PAES, NÃO SERÁ GOVERNADOR DO RIO DE JANEIRO, NAO VOTEM NESSE ELEMENTO, NÃO TEM NOÇÃO NENHUMA DE SEGURANÇA PÚBLICA, DE COMO FUNCIONA TRAFICANTES DO RIO… ESCOLHA ALGUÉM Q SAIBA COMO ABATER CRIME.
Não vai ser eleito governador? O resultado depende de vc agora? Fala sério, quer que continue o crime organizado no palácio Guanabara? Com o Castrinho do PL? Que o próprio funcionário atual falou que a corrupção existe dentro do palácio?
Se a opção alternativa ao Paes for algum bolsonarista, continuo votando no Paes, tudo é melhor que o bolsonarismo. Paes tirou Crivela e Ramagem, os dois comprometidos com a lei. Ramagem já condenado a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de estado e Crivela q já deveria ter sido cassado. No auge da pandemia, o Paes lutou pelas vacinas e vemos melhorias na cidade. Nenhum governante vai agradar a todos ao mesmo tempo. Não sou fã do Paes e sinceramente essa recente bajulação dele ao Malafaia não caiu nada bem, mas no momento q contou ele não abaixou a cabeça para o então presidente, hj PRESIDIÁRIO, Bolsonaro.
Parabéns meu irmão pelo esclarecimento, com certeza um dia a casa vai cair pera esse lacaio dos Petralhas
não só abaixou a cabeça e as calças pro Bolsonaro ,que aceitou ajuda do governo . ,pergunta pro servidor público da prefeitura quem pagou essa conta ,sabe de nada ! Aumento previdenciário ,congelamento de benefícios tudo pra pagar essa conta .
A REALIDADE DIANTE DOS NOSSOS OLHOS
Ruim com o Paes pior sem o Paes!
O Estado do Rio de Janeiro vem detonado e derrotado, em todos os sentidos, há anos, sendo que neste século XXI, a desgraça só vem aumentando.
Não temos líderes humanistas e populares no Rio de Janeiro, infelizmente.
Não temos gestores eficientes para implantar e gerir políticas públicas para cariocas e fluminenses.
Não temos Projeto Político para o desenvolvimento sustentável do Estado do Rio de Janeiro.
Não atoa, mas como consequência, o crime organizado e desorganizado tomou conta do nosso Estado, e dizem que a sede central está dentro do próprio desgoverno atual do miliciano bolsonarista Cláudio Castro, inclusive, ora denunciado por um de seus secretários que foi exonerado em seguida.
Enfim, num cenário desses só resta votarmos no Eduardo Paes, fanfarrão, populista, fisiológico e utilitário, para pelo menos termos algum governo no RJ, alterar um pouco a conjuntura decadente e evitarmos que o bolsonarismo siga destruindo o Estado Fluminense.
Não se trata de reeditarmos experiências desastrosas passadas, do tipo Sérgio Cabral, Família Garotinho, Pezão, mas elegermos políticos que tenham algum compromisso com o Estado do Rio de Janeiro.
Portanto, ou é o Eduardo Paes, ou o voto nulo, posto que infelizmente o RJ não tem líderes políticos de Esquerda e Centro-Esquerda com votos para vencer todo esse oscurantismo que se acostou no RJ e derrotarmos o neonazifascismo bolsonarista.
Eduardo Paes, Governador do Rio de Janeiro!
Luiz Inácio Lula da Silva, Presidente do Brasil!