Oito pessoas foram presas durante uma operação do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) contra um grupo criminoso conhecido como “Equipe Caos” na Zona Sudoeste do Rio. Dois fuzis foram apreendidos na ação, que aconteceu na comunidade Cesar Maia, em Vargem Grande, na manhã desta terça-feira (10).
O grupo estaria expandindo a atuação criminosa na região e coordenou, segundo a Polícia Militar, um ataque à Favela do Rola, em Santa Cruz. Entre os presos desta terça (10), está Willians da Silva Santos de Almeida, o “Lilinho”, um dos líderes do grupo.
Segundo as investigações, Lilinho é o principal articulador de invasões territoriais organizadas pela “Equipe Caos”. Além do ataque no Rola, ele teria coordenado invasões no Camorim e de Asa Branca. Seu histórico inclui acusações de homicídio, roubo e tráfico de drogas.
Os suspeitos e o material apreendido foram encaminhados para a delegacia de Vargem Grande. Moradores relataram tiroteios na região durante a operação do Bope. Não há registro de feridos.
Minha mais antiga lembrança eleitoral é um jingle: “É o M, é o D, é o B / É o M, é o D, é o B / É o meu povo que está com você / Nem precisa explicar porquê / É o MDB, é o MDB é o MDB”. Não precisava explicar nem podia explicar – porque essas eleições foram em 1970, em plena ditadura militar, e o MDB era o partido criado pelo regime para ser uma oposição comportada. Mas rolava um clima eleitoral: carros de som – fuscas com alto-falantes na capota – rodavam tocando os jingles dos dois partidos (o outro era o governista Arena) e até as crianças como eu eram abordadas pelos cabos eleitorais e recebiam santinhos dos candidatos a deputado estadual e federal e a senador (eleições para governador e presidente estavam banidas).
Nessas eleições 2026, eu nem decorei a nova versão do Rap do Silva e acho que nem ouvi o dos outros presidenciáveis. Nos bairros da Zona Sul e da Zona Norte, é possível andar quarteirões sem sequer aparecer um cabo eleitoral com bandeira ou santinho para distribuir. Por isso, nessa reta final de primeiro turno, gosto ainda mais de ir ao Centro do Rio, onde tem sempre uma caminhada de candidatos, um bandeiraço, um jingle tocando – nem que seja do candidato do ex-governador inelegível e investigado por esquemas diversos e do ex-presidente golpista atualmente em prisão domiciliar. A campanha está cada vez mais concentrada nas redes sociais, à mercê dos algoritmos e da desinformação em massa.
Às vésperas desse primeiro turno das eleições 2026, dei uma vasculhada em antigas fotos para entrar nessa brincadeira que o pessoal anda fazendo de como seria nos anos 80 – usando a IA. Como eu estava lá, posso dispensar a ferramenta. Busquei uma foto da primeira eleição para governador no Rio de Janeiro após o golpe militar, em 1982, quando votamos também para vereador, deputado estadual e federal e senador. Cheguei a distribuir santinhos para uma candidata, novata na política, à Câmara Municipal, “mulher, negra e favelada”, que foi eleita. Mas não achei fotos dessa eleição: aquela em que, apesar das manobras dos filhotes da ditadura aqui no Rio, no tempo que voto era de papel e as fraudes comuns, deu “Brizola na cabeça” – era o slogan do candidato.
Durante aqueles anos 1980, com a ditadura nos estertores, a política ganhou as ruas com a campanha pelas eleições diretas para presidente – milhões lotaram praças e avenidas por todo o país em 1984, mas o Congresso barrou a emenda. Mas teve eleição para prefeito da capital em 1985, eleição para a Assembleia Constituinte em 1986 (e novamente para governador), nova eleição municipal em 1988, e, finalmente, as primeiras eleições diretas para presidente em 1989. Em alguns pontos do Rio de Janeiro, nos anos de votação, o clima de campanha eleitoral era permanente e durava semanas – na Cinelândia, no Largo da Carioca, na Central do Brasil, no centro dos bairros da Zona Oeste, na estação das barcas de Niterói, nas praças principais de Duque de Caxias e Nova Iguaçu, maiores municípios da Baixada Fluminense.
Achei uma foto dos anos 80, exatamente do comício no segundo turno da primeira campanha de Lula a presidente em 1989: uma multidão ocupou a Candelária, tomando as pistas da Avenida Presidente Vargas, mais de 200 mil pessoas com certeza, um milhão na conta otimista dos organizadores. Nas outras grandes manifestações do Rio, tinha ido trabalhando: repórter, cobri todas as eleições de 1982 a 1988. Mas, em 1989, trabalhava na Editoria de Esporte: fui de manifestante mesmo, podia levar bandeira e fazer o L.
O palanque naquela noite de dezembro remetia ao comício pelas Diretas Já, cinco anos antes, pois reunia novas lideranças do país, como o próprio Lula; políticos que haviam sido exilados e voltaram após a anistia, como Miguel Arraes e Leonel Brizola, que engoliu suas diferenças com o PT; líderes que tiveram mandatos cassados como Mário Covas e Franco Montoro, fundadores do então recém-nascido PSDB, e políticos que resistiram na oposição consentida do MDB, capitaneados pelo veterano Ulysses Guimarães.
Bandeiraço perto do Largo da Carioca: Centro do Rio é um dos poucos lugares da cidade com clima eleitoral na campanha 2026, em que redes sociais substituíram o corpo-a-corpo nas ruas (Foto: Oscar Valporto)
Era uma frente de democratas contra Fernando Collor de Mello, de tradicional família de fazendeiros e políticos de Alagoas, com um discurso populista de estado-mínimo e caça aos “marajás do serviço público”. Com Collor, ficaram os filhotes e saudosistas da ditadura, malufistas e os setores mais reacionários da sociedade, inclusive um certo Ronaldo Caiado, que fora presidenciável (menos de 1% dos votos no primeiro turno), após ser presidente da União Democrática Ruralista, conhecida por representar os mais atrasados proprietários de terra do país.
Nestas eleições 2026, as ruas não servem mais como termômetro. Candidatos e partidos ainda reúnem multidões em grandes eventos – mas, na maior parte do país, falta aquele corpo-a-corpo de décadas, o pedido de voto olho no olho, a interpelação popular ao candidato na rua. As campanhas foram recuando para os meios de comunicação, para internet, para as redes sociais.
Eleitor veterano, sinto falta da poluição sonora dos jingles, da sujeira cívica dos santinhos impressos. Mas sigo animado e esperançoso que, nas eleições 2026, a democracia vença mais uma vez, que os democratas mais uma vez derrotem os golpistas de sempre, os saudosistas da ditadura, os inimigos da igualdade, da liberdade, da ciência, do planeta.
Especialistas saíram em defesa de Paolla Oliveira após a atriz ser alvo de comentários deselegantes nas redes sociais logo depois de postar fotos em que aparece na Praia da Barra da Tijuca jogando futevôlei. “Não, ela não é gorda. Não, ela não precisa de mounjaro! Nem comer menos carbo. Ela não é ‘magra o suficiente’ para uma sociedade que idolatra o corpo excessivamente magro, que confunde anorexia com disciplina e transforma a magreza em extrema virtude”, escreveu o nutricionista Ricardo Durante, defendendo o estilo de vida da nova rainha de bateria da Imperatriz Leopoldinense.
Durante seguiu questionando os ataques e louvando a opção de vida saudável e sem neuroses da atriz.
“Paolla tem lipedema, já falou abertamente sobre as questões que enfrenta como o próprio corpo. Mesmo assim, está longe de ser uma pessoa com obesidade. Está apenas fora daquele padrão inatingível e doentio que 99% das mulheres nunca vão conseguir manter. E é exatamente isso que perturba. Uma mulher que trabalha na mídia, que aparece de barriga de fora sem se esconder, que não está se matando numa dieta maluca nem gastando uma fortuna em procedimentos, e ainda assim parece bem consigo mesma, vira um espelho desconfortável”.
O lipedema se caracteriza pelo acúmulo desproporcional de gordura nas pernas ou nos braços. Ele costuma ser muito mais comum entre mulheres (cerca de 90% dos casos). Estimativas médicas apontam que a condição, que é crônica, atinja 12,3% de indivíduos do sexo feminino no Brasil. Em muitos casos, o lipdema acaba sendo confundido com obesidade ou celulite. Mas é uma coisa diferente. Costuma causar dor e desconforto.
O nutricionista seguiu criticando a ditadura da magreza:
“Ela incomoda quem sacrifica a própria vida, saúde, dinheiro, sanidade tentando alcançar um ideal que não existe. Porque quando alguém vive fora desse padrão e está bem, a ilusão de que a felicidade depende de caber nele começa a rachar. E muita gente prefere atacar o corpo alheio do que questionar a própria prisão”.
A terapeuta em emagrecimento Nathy Fitness também comentou o caso nas redes.
“Quem decidiu que você não é bonita não foi você. Fotos da Paolla Oliveira na praia viralizaram, e veio o de sempre: gente avaliando o corpo de uma mulher que só estava curtindo o lazer”, publicou.
Alessandra Negrini e Paolla brilharam em vídeo. Foto: Reprodução
Ignorando completamente o tema (nem tocou no assunto nas redes), Paolla segue brilhando como rainha de bateria no carnaval carioca e viralizou essa semana com um vídeo que comemora os 15 anos da Netflix no Brasil. A plataforma mostrou a atriz e a colega Alessandra Negrini retocando a maquiagem e batendo papo no banheiro feminino durante uma festa. Publicações ressaltaram que as duas atrizes “esbanjaram beleza, humor, sensualidade”.
O deputado estadual Flávio Serafini (PSOL) protocolou nesta terça-feira (29) duas ações contra o também deputado estadual Alexandre Knoploch (PL) na Justiça Eleitoral após a confusão ocorrida no dia anterior, em frente ao comitê de Serafini, na Praça Saens Peña, na Tijuca, Zona Norte do Rio.
Serafini apresentou uma notícia-crime, destinada ao Ministério Público Eleitoral (MPE), e uma petição cível com pedido de tutela de urgência, apresentada ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ).
No segundo documento, Maria de Lourdes do Carmo, candidata a suplente ao Senado conhecida como Maria dos Camelôs, também aparece como requerente.
Ameaça com arma de fogo
As ações acusam Knoploch de ter usado gás de pimenta contra pessoas que estavam no local e de ter as ameaçado com uma arma de fogo durante a discussão. A cena, registrada em vídeo mostra o deputado com uma pistola presa à cintura e, em determinado momento, levando a mão à região em que ela se encontra.
Segundo o relato apresentado à Justiça, Knoploch teria ido até o comitê de Serafini para reclamar do volume de uma música que estava sendo tocada pela equipe do candidato.
A discussão teria aumentado após a aproximação de militantes. De acordo com os denunciantes, o deputado disparou spray de pimenta contra pessoas que estavam no local e, depois, levantou a blusa para mostrar a arma presa à cintura, em um gesto interpretado como ameaça.
As ações também relatam que assessores que acompanhavam Knoploch teriam feito ofensas de caráter machista contra Maria dos Camelôs. As petições afirmam ainda que o deputado deixou o local mesmo após uma ordem policial para aguardar a chegada de reforços.
Serafini pede à Justiça que Knoploch fique a pelo menos 200 metros longe de seu comitê
Na esfera criminal, a notícia-crime pede que o MPE solicite a abertura de inquérito policial para investigar possíveis crimes de lesão corporal, ameaça, violência política contra a mulher, injúria eleitoral e desobediência.
Os advogados também pedem a apreensão da arma e do spray de pimenta utilizados no episódio, além da suspensão do porte de arma de Knoploch.
Já a ação cível busca impedir novos confrontos durante os últimos dias da campanha. Entre as medidas solicitadas estão a determinação para que Knoploch mantenha distância mínima de 200 metros do comitê de Serafini, não tenha contato com as pessoas envolvidas no episódio e não porte armas ou spray de pimenta em eventos de campanha.
A ação prevê multa de R$ 50 mil em caso de descumprimento e pede a remoção de um vídeo em que Knoploch admite ter usado spray de pimenta e diz recorrer ao equipamento contra quem tenta agredi-lo.
Entenda o episódio envolvendo os dois deputados estaduais
A confusão ocorreu nesta segunda (28), quando Knoploch fazia campanha na Tijuca e passou em frente ao comitê de Serafini. Segundo a versão apresentada pelo deputado do PL, ele foi questionado por uma mulher sobre uma música com termos de baixo calão que era reproduzida pela equipe do candidato do PSOL.
Knoploch afirmou que, depois de responder que a música seria ilegal, integrantes do comitê se aproximaram e o ameaçaram. O candidato disse ter registrado a ocorrência e afirmou que também pretende denunciar Serafini à Justiça Eleitoral pelo conteúdo da música.
A versão do deputado não nega o uso do spray de pimenta. Nas imagens divulgadas após o episódio, ele aparece armado diante de integrantes da campanha e leva a mão à região da pistola presa à cintura.
A campanha de Serafini afirmou que vai entregar às autoridades os vídeos e demais registros da confusão.
No documento, as entidades se colocam à disposição para consultorias caso o futuro governador decida adotar uma política de estado para o desenvolvimento da engenharia e arquitetura públicas.
A carta de CREA-RJ, CAU/RJ e Coppe/UFRJ também pede a criação de estruturas estaduais voltadas para a prevenção de enchentes e deslizamentos e a presença de engenheiros e arquitetos à frente de órgãos públicos com atividade-fim no setor.
Instituto de Engenharia do estado é uma das preocupações de CREA-RJ, CAU/RJ e da Coppe
Um dos assuntos destacados pelos órgãos no documento é o futuro do Instituto Estadual de Engenharia e Arquitetura (IEEA). O trio propõe que o IEEA exerça, nas áreas técnicas, função equivalente à desempenhada pela Procuradoria-Geral do Estado (PGE) no âmbito jurídico, com planos de carreira e formação continuada.
A carta sugere também a criação de uma secretaria estadual de recuperação da infraestrutura para estabelecer estratégias permanentes de recuperação e renovação das infraestruturas existentes.
Linha 3 do Metrô e criação de nova secretaria estão entre propostas da carta
Um outro eixo do documento reúne projetos estruturantes que as três entidades consideram indispensáveis para o desenvolvimento econômico do estado. Os projetos incluem a implantação da Linha 3 do Metrô, a revitalização e segurança da malha ferroviária, a ferrovia EF-118 e a construção do Anel Rodoviário da BR-101 em Campos dos Goytacazes.
O documento destaca, ainda, a transição de estruturas no estado; CREA-RJ, CAU/RJ e Coppe consideram urgente recuperar instalações críticas antes que ocorram falhas operacionais ou tragédias, como o Sistema de Transposição de Santa Cecília e os sistemas de sinalização ferroviária.
Para operacionalizar essa estratégia preventiva, as instituições sugerem a criação de uma
Secretaria de Recuperação de Infraestrutura estadual. Inspirada no modelo de conservação
urbana, a pasta terá a missão específica de inventariar, monitorar e restaurar grandes obras de arte especiais e estruturas vitais do Estado, incluindo pontes, viadutos, túneis, emissários e adutoras.
Presidentes e diretores das entidades assinaram carta no campus da UFRJ
A solenidade de assinatura da carta aconteceu na sede da Coppe, no campus da UFRJ, na manhã desta segunda. Lideranças das três entidades compareceram.
De acordo com o idealizador do movimento, o presidente do CREA-RJ Miguel Fernández, a iniciativa da carta dos órgãos no período eleitoral é inédita.
“A gente acabou de assinar uma carta inédita que une o CREA do Rio de Janeiro, o CAU/RJ e a Coppe/UFRJ, traçando uma visão de longo prazo para o desenvolvimento do setor tecnológico, da Engenharia e da Arquitetura públicas do nosso estado”, afirmou Fernández.
A diretora da Coppe/UFRJ, a engenheira Suzana Kahn Ribeiro, reforçou a importância da carta.
“Estamos nos unindo em prol do desenvolvimento do Rio. A gente acredita que o governo do estado tem uma capacidade muito grande para construir esse futuro, mais desenvolvido, com mais inovação e oportunidades, além de mais qualidade de vida para toda a nossa população”, disse Kahn.
O presidente do CAU/RJ, o arquiteto e urbanista Sydney Menezes, lembrou que o diferencial do documento é a afirmação da necessidade da retomada do planejamento nas políticas públicas para o setor.
“É o resgate do planejamento, do pensar o desenvolvimento econômico e social do Estado e, mais do que isso, colocar as instituições à disposição para os governos, com uma mensagem muito clara e objetiva: governador, ouça os profissionais, as instituições públicas, as instituições técnicas, para ajudar no êxito, no sucesso e no resultado de governo para atender à qualidade de vida das pessoas”, disse Menezes.
O Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ) decidiu manter a prisão preventiva do ex-delegado da Polícia Civil Maurício Demétrio, preso desde junho de 2021 acusado de liderar uma organização criminosa envolvida na cobrança de propina de lojistas da Rua Teresa, em Petrópolis, na Região Serrana.
O juiz Thiago Portes Vieira de Souza, da 1ª Vara Criminal Especializada rejeitou o pedido da defesa para revogar a medida. Na decisão, o magistrado afirmou que os argumentos apresentados pela defesa não afastam os fundamentos que levaram à prisão preventiva.
Entre os pontos levantados pelos advogados estavam a exoneração de Demétrio do cargo de delegado, o encerramento da instrução processual para a acusação e a absolvição do réu em outro processo por acusações de obstrução da Justiça.
Ao analisar o pedido, o magistrado citou processos conexos nos quais Demétrio responderia por fatos de igual gravidade e apontou, entre os motivos para a manutenção da custódia, a gravidade concreta dos fatos atribuídos ao réu, o risco de reiteração delitiva e a suposta utilização da estrutura estatal para a prática de crimes.
Dados de autoridades foram citados
A decisão também menciona o uso indevido de sistemas sigilosos e de bancos de dados restritos da Administração Pública para obter informações sobre autoridades, integrantes do Ministério Público, testemunhas e familiares de agentes públicos.
O magistrado considerou ainda que o processo está pronto para sentença. Por isso, determinou a remessa dos autos ao juiz responsável pela conclusão da instrução, para que seja analisada uma eventual vinculação para proferir a decisão.
A situação prisional de Demétrio deverá ser reavaliada no momento da sentença.
Com informações do colunista Ancelmo Gois, do jornal “O Globo”.
A biblioteca da mansão mais cara do Brasil, localizada no Leblon e avaliada em R$ 220 milhões, atraiu mais de 80 lances. O terreno do imóvel será ocupado pelo condomínio de alto padrão Estância Pernambuco — batizado em referência ao nome original do imóvel, “Jardim Pernambuco”.
O mobiliário da biblioteca foi adquirido pelos donos de um Hotel Fazenda de Minas Gerais, que utilizarão na decoração do empreendimento. Já os nove mil livros da coleção foram arrematados pelo ex-senador de Minas Gerais Wellington Salgado. O político é um dos herdeiros da Universidade Salgado de Oliveira, com sede em São Gonçalo.
Mansão no Leblon será demolida
A mansão, construída em 1986 pela família Amaral, ex-proprietária da rede de supermercados Disco, será demolida para dar lugar ao Estância Pernambuco, condomínio fechado com dez residências de alto padrão.
Com arquitetura em estilo inglês, a casa tem cerca de 4 mil metros quadrados e reúne seis suítes, 18 banheiros, 15 vagas de garagem, salas de estar e jantar, estúdio de música, sala de reuniões, biblioteca, sauna, churrasqueira, piscina semiolímpica e uma casa de bonecas.
A propriedade também contava com um anexo destinado aos funcionários, com capacidade para acomodar 40 empregados, estrutura utilizada para a manutenção da mansão.
Novembro promete ser um mês tão promissor para os aluguéis de temporada no Rio quanto o próprio carnaval carioca. Os americanos respondem por 41% das estadias internacionais e o volume de reservas para novembro, quando os “gringos” comemoram o Dia de Ação de Graças, já é o mesmo de fevereiro.
Os dados são do levantamento da Casapē Rio, especializada em imóveis na orla da Zona Sul, que revelam que os argentinos, famosos frequentadores da capital fluminense, estão representando apenas 13% das estadias internacionais. Acompanhando, vêm os britânicos, com 6%; chilenos, com 5%; e franceses, com 4%.
A “invasão” norte-americana também marca uma estadia mais longa que o comum: com uma diária média de R$ 2.850, a permanência tem ficado em torno de seis noites, o que representa mais que o dobro da média do setor de hotelaria.
O sócio fundador da Casapē Rio, Patrick Dinis, disse ao jornal “O Globo” que os hóspedes permanecem em média 5,8 noites, mais que o dobro da média típica de hotéis urbanos. A explicação pode estar no feriado norte-americano do Dia de Ação de Graças. Fora do calendário festivo brasileiro, a demanda internacional cresce nesse período.
Quem vê a candidata ao Senado Benedita da Silva (PT) fazendo uma agenda intensa de campanha, subindo em trios-elétricos, fazendo carreatas, indo a feiras e caminhando no meio da multidão, costuma fazer a mesma pergunta: de onde vem tanta energia, aos 84 anos?
Ela explica: além de uma boa herança familiar, ela tem cuidados cultivados ao longo da vida.
A longevidade está na família. Seu pai, seu João, viveu até os 107 anos, lúcido e saudável, e morreu enquanto dormia. Mas Benedita também tem seus hábitos: procura fazer hidroterapia bem cedinho (a agenda de campanha tem atrapalhado essa rotina), come muitas frutas e não toma café — prefere chá, muitos chás de ervas. À noite, procura não comer depois das 19h.
À mesa, não há segredo sofisticado. Ela gosta do que chama de “comida de verdade”: arroz, feijão, legumes e carne. “Sou carnívora”, conta. Também nunca fumou nem bebeu. A decisão tem uma razão pessoal, além da religiosa: a convivência com o alcoolismo da mãe e do falecido marido marcou sua relação com a bebida.
Para Benedita, a disposição que chama atenção na campanha e deixa as novinhas que a acompanham de língua de fora vem de uma vida inteira de escolhas simples — e, ela reconhece, de uma boa dose de sorte na genética.
Benedita no primeiro carro, ao lado de Lula, no meio da multidão em São Gonçalo – Foto: Divulgação
Na política, como na religião, há terrenos em que é melhor entrar com cuidado. Flávio Bolsonaro resolveu peregrinar justamente por um deles na reta final da eleição: a fé.
Ao tentar responder à polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida, o candidato acabou colocando no mesmo altar dois públicos que o bolsonarismo aprendeu a disputar: católicos e evangélicos. O gesto de levantar a imagem da santa parecia uma tentativa de encerrar a controvérsia. Mas a história ganhou novos capítulos: da reação da CNBB à disputa judicial que chegou ao Supremo.
Na reta final de uma eleição, até os santos podem entrar na campanha — e não apenas os ‘santinhos’. Nossa Senhora Aparecida, pelo jeito, ganhou lugar de destaque (ou no altar) na disputa presidencial.
Tudo começou com a repercussão de um comentário durante um telejornal que associa(va) Flávio à ideia de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil. O projeto citado, porém, não é de Flávio: trata-se de uma proposta apresentada por outro parlamentar em 2007 e arquivada no ano seguinte. Flávio negou qualquer intenção nesse sentido e passou a classificar a informação como fake news.
É importante, no entanto, separar as coisas.
Uma é o que foi publicado. Outra é o que Flávio Bolsonaro diz que pretende fazer. E uma terceira, talvez mais interessante para uma eleição, é o que suas próprias declarações anteriores permitem que o eleitor interprete.
Em agosto, Flávio disse que, se eleito, um de seus primeiros atos seria “decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo”. A frase ganhou novo significado político quando a controvérsia sobre Nossa Senhora Aparecida chegou às redes sociais. Foi aí que a campanha entrou num terreno delicado.
De um lado, um eleitorado evangélico para o qual a linguagem cristã de Flávio conversa diretamente. De outro, os católicos, para quem Nossa Senhora Aparecida é um dos maiores símbolos religiosos e culturais do país. E há uma diferença importante entre esses universos: evangélicos, em geral, não veneram imagens de santos. Na tradição católica, as imagens fazem parte da expressão da fé e da devoção.
Não é uma diferença pequena. E, numa eleição disputada voto a voto, talvez não seja uma diferença que qualquer candidato queira transformar em trincheira.
Flávio então apareceu ao lado de Tarcísio de Freitas levantando uma imagem de Nossa Senhora Aparecida. A fotografia fala por si. Se foi uma tentativa de encerrar o assunto, o efeito não foi exatamente esse.
A CNBB entrou na história. Flávio havia acusado pessoas ligadas à entidade de ajudar a espalhar o que classificava como fake news. A Conferência negou ter produzido, autorizado ou participado da divulgação da informação e repudiou a acusação. Depois, Flávio agradeceu à entidade pela nota. E a disputa chegou ao Supremo.
Primeiro, o ministro André Mendonça, do TSE, determinou a remoção de publicações relacionadas ao caso. Depois, Flávio Dino restabeleceu uma delas em nome da liberdade de expressão. A defesa de Flávio recorreu a Luiz Fux, que suspendeu a decisão de Dino e restabeleceu a ordem anterior. O caso deve ser analisado pelo plenário do STF.
É aí que a campanha começa a parecer uma ladainha: entra uma questão, sai outra; pede-se explicação, depois retratação; levanta-se a santa, mas também se discute judicialmente o que pode ou não ser dito sobre a santa. E talvez esteja aí o cerne da questão. Não é preciso decidir quem ganhou a disputa religiosa. É preciso observar o risco político de entrar nela.
Flávio pode estar tentando falar com os evangélicos ao afirmar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo. Pode também estar tentando tranquilizar os católicos ao levantar Nossa Senhora Aparecida. Uma coisa não necessariamente anula a outra.
Mas também não é possível saber, antes da urna, se esse movimento aproxima ou afasta qualquer eleitor.
É justamente o eleitor — e não o candidato, o adversário, a igreja ou o jornalista — quem vai dizer isso.
Porque não existe um único voto católico. Tampouco existe um único voto evangélico. Há brasileiros religiosos e não religiosos, católicos e evangélicos, pessoas que veneram imagens e pessoas que entendem a veneração como algo incompatível com sua fé.
E há ainda uma questão maior: até onde a linguagem religiosa é uma expressão de fé e a partir de quando passa a ser linguagem eleitoral? Essa fronteira ficou mais estreita na última semana.
Talvez a mensagem mais importante esteja aqui embaixo mesmo e não nos céus: fé é assunto sério demais para caber inteira numa campanha eleitoral.
E, nesta eleição, Flávio decidiu, talvez por conta própria, prosseguir por esse calvário. Agora, resta saber o que encontrará pelo caminho.
A Casa Civil manteve, na edição desta terça-feira (29) do Diário Oficial, o movimento de recomposição dos quadros do governo do estado. Foram 15 movimentações no total, sendo 11 nomeações e quatro exonerações.
O cenário é diferente do observado no início da gestão, quando as exonerações apareciam em volume maior nas publicações. Nas últimas semanas, a relação vem se invertendo, com novas nomeações ocupando cada vez mais espaço na reorganização dos quadros.
Entre os destaques da rodada estão duas exonerações e uma nomeação na Secretaria de Estado de Educação. Também houve mudanças no Degase, Detran-RJ, Secretaria de Fazenda, Rioprevidência, Loterj, Secretaria estadual do Ambiente e Sustentabilidade, Secretaria estadual de Trabalho e Renda e Controladoria-Geral do Estado (CGE).
Mudanças pontuais
As movimentações desta terça-feira se espalharam por diferentes áreas do governo. No Degase, Julio César de Oliveira deixou a direção da unidade do CAI Belford Roxo, que passa a ser ocupada por Carlos Yuri Ferreira Dias.
No Detran-RJ, João Eduardo Rodrigues Albuquerque foi exonerado da direção do VII Ciretran de Duque de Caxias. Na mesma edição, Pedro Paulo Cosme Santos Melo foi nomeado para o cargo de assistente III do departamento.
A Secretaria de Fazenda recebeu dois reforços: Luana Almeida da Silva Fidelis foi escolhida para o cargo de assessora, enquanto Henrique Martins Vieira assumiu a função de corregedor auxiliar.
Na CGE, o auditor do Estado Thiago Couto Lage foi nomeado para o cargo de assessor.
Nomeações seguem ganhando espaço no Diário Oficial
Com 11 nomeações e quatro exonerações, a edição mantém a diferença que vem aparecendo nas últimas semanas.
O movimento segue a sequência recente de nomeações acima das exonerações, em um cenário de recomposição dos quadros do governo.