Falar sobre o ano de 2026 no governo do estado do Rio não vai ser um tarefa muito fácil para os futuros historiadores. Desde o início do ano, a linha do tempo do Executivo fluminense inclui uma sucessão de episódios políticos e judiciais, que começou com a crise na linha sucessória para governador e chegou, agora, na discussão envolvendo os votos recebidos por Anthony Garotinho (Republicanos) e a análise do TSE sobre a validade deles.
No primeiro semestre, o centro da controvérsia era quem iria comandar o Palácio Guanabara após a saída de Cláudio Castro (PL) e as mudanças na presidência da Assembleia Legislativa (Alerj). O PSD, partido de Eduardo Paes, levou ao Supremo Tribunal Federal (STF) questionamentos envolvendo a eleição indireta para governador e a própria linha sucessória.
Nesse período, Douglas Ruas (PL) foi eleito presidente da Alerj e entrou na linha sucessória, mas não chegou a assumir o governo do estado.
Disputa foi do mandato-tampão à candidatura de Garotinho
Meses depois, já durante a campanha eleitoral, a disputa judicial mudou de endereço e de objeto. A coligação de Eduardo Paes passou a atuar no processo de registro de candidatura de Garotinho, que acabou indeferido pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ).
O candidato do Republicanos recorreu ao TSE e permaneceu na disputa enquanto seu caso ainda estava pendente de uma definição definitiva.
O tema ganhou peso decisivo depois da votação para governador no último domingo (04). Douglas Ruas recebeu 4.271.199 votos, ou 49,27%, enquanto Eduardo Paes somou 3.706.984, equivalentes a 42,76%. Garotinho teve 274.411 votos, ou 3,17%.
A definição jurídica sobre esses 274 mil votos pode alterar a conclusão da eleição. Caso eles sejam definitivamente excluídos da base de votos válidos, Douglas passa a ter aproximadamente 50,9% dos votos considerados válidos, percentual suficiente, em tese, para uma vitória no primeiro turno.
Garotinho desistiu de recurso no TSE
Na segunda-feira (05), Garotinho apresentou pedido para desistir do recurso que tramita no TSE. A desistência, porém, não foi imediatamente homologada. O tribunal determinou a manifestação da Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) antes de decidir sobre os efeitos do pedido.
Assim, uma disputa que começou com questionamentos sobre quem deveria ocupar o Palácio Guanabara chega ao pós-eleição com potencial para definir se haverá ou não segundo turno no Rio. O resultado proclamado nas urnas permanece condicionado ao desfecho dos processos relacionados ao registro de Garotinho e à validade de seus votos.
A LINHA DO TEMPO
- Janeiro e fevereiro — começa a crise na sucessão estadual
Com a ausência de vice-governador, o afastamento de Rodrigo Bacellar da presidência da Alerj e o anúncio que Cláudio Castro deixaria o cargo para disputar as eleições, o futuro do comando do Executivo fica incerto.
- 13 de março — PSD aciona o STF
O PSD leva ao Supremo Tribunal Federal questionamentos sobre as regras da eleição indireta para a escolha de um governador-tampão até as as eleições.
- 23 de março — Cláudio Castro renuncia e Couto assume
Com a saída definitiva de Castro e sem vice-governador, o presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Ricardo Couto, passa a ocupar interinamente o Palácio Guanabara.
- 27 de março — eleição indireta é suspensa
Em ação apresentada pelo PSD, o ministro Cristiano Zanin suspende a realização da eleição indireta na Assembleia Legislativa até decidir se a saída de Castro foi por renúncia ou cassação.
- 17 de abril — Douglas Ruas assume a presidência da Alerj
Douglas Ruas é eleito presidente da Assembleia Legislativa. Apesar da posição na linha sucessória, não assume o governo do estado por conta do imbróglio judicial.
- 24 de abril — STF mantém Ricardo Couto no governo
Zanin mantém Ricardo Couto no comando interino do estado até decisão sobre mandato-tampão. Posteriormente, o ministro Luiz Fux também rejeita pedido para que Douglas Ruas assuma o Palácio Guanabara.
- 15 de agosto — começa a disputa judicial sobre Garotinho
Já durante a corrida de campanhas para as eleições de governador, a coligação de um dos candidatos, Eduardo Paes, atua na Justiça Eleitoral contra a candidatura de Anthony Garotinho.
- 27 de agosto — TRE-RJ impõe restrições
Garotinho sofre uma primeira derrota no TRE-RJ, com restrições relacionadas ao uso de recursos eleitorais, propaganda e participação na campanha.
- 11 de setembro — TRE-RJ indefere o registro
O Tribunal Regional Eleitoral indefere o registro de candidatura de Garotinho. A defesa recorre ao TSE.
- 30 de setembro — Garotinho permanece na disputa
O ministro Floriano de Azevedo Marques, do TSE, permite que Garotinho continue fazendo campanha e recebendo votos enquanto o recurso não é definitivamente julgado.
- 1º de outubro — coligação de Paes pede urgência
A coligação de Eduardo Paes solicita ao TSE rapidez na análise do recurso e na definição sobre o registro de Garotinho.
- 2 de outubro — situação dos votos é alterada
Floriano revoga a decisão anterior. Os votos destinados a Garotinho passam a ficar registrados como anulados sub judice, sujeitos ao resultado definitivo do processo.
- 4 de outubro — resultado das urnas coloca questão jurídica no centro da eleição
Acontece o primeiro turno. Douglas Ruas recebe 4.271.199 votos (49,27%). Eduardo Paes recebe 3.706.984 votos (42,76%). Anthony Garotinho recebe 274.411 votos (3,17%).
- Exclusão dos votos pode mudar o resultado
Caso os votos de Garotinho sejam definitivamente retirados da base de votos válidos, Douglas Ruas passa a aproximadamente 50,9%. Nesse cenário, o candidato do PL poderá ser considerado eleito governador no primeiro turno, afastando a realização de um segundo turno contra Eduardo Paes.
- 5 de outubro — Garotinho pede desistência do recurso
Garotinho apresenta pedido de desistência no processo que tramita no TSE. A Corte não homologa imediatamente o pedido e determina que a Procuradoria-Geral Eleitoral se manifeste.
- TSE terá a palavra sobre o desfecho
A definição sobre os efeitos do processo de Garotinho e sobre a contabilização definitiva dos votos poderá determinar se o Rio terá segundo turno entre Douglas Ruas e Eduardo Paes ou se a eleição será encerrada ainda no primeiro turno.
Comentários 12
Parabéns a PF lado do bem ‘So uma Pergunta;A PF em centenas de Buscas Apreende Relógios Caríssimos Importados’Dai ONDE Vão Parar Todos os Bens que São Levados Pela Polícia Federal ,?Estou entre Milhões de Brasileiros ‘Dazendo ESSA Pergunta ‘Alguém Teria Uma Resposta QUE NOS estamos Esperando ? Grata E Deus SALVE NOSSAS Intituicoes A Serviço DO BEM!
Os bens são formalmente apreendidos e colocados à disposição da Justiça. Em caso de futura condenação, há o perdimento dos bens, que vão a leilão, com os proveitos destinados à União ou Estado, dependendo do caso.
Se houver absolvição, os bens são restituídos ao dono/réu, que foi absolvido.
Não há mistérios, tudo sempre documentado.
Cada vez que tomo conhecimento dessas notícias associado a PMs e agentes públicos, fico a impressão de que eles so se vestem de servidores públicos somente para o enriquecimento ilícito,muito das vezes envolvidos em fraudes e associação com o crime organizado, que precisa de um laranja pra lavar o dinheiro sujo.??
Cada vez que tomo conhecimento dessas notícias associado a PMs e agentes públicos, fico a impressão de que eles so se vestem de servidores públicos somente para o enriquecimento ilícito,muito das vezes envolvidos em fraudes e associação com o crime organizado, que precisa de um laranja pra lavar o dinheiro sujo.🤮🚓
Vejo estas notícias com tristeza por saber que não há mais políticos confiável todos os dias agente se depara com noticiário do tipo em todas as esferas que se julgam poderosas e lamentável não?
Parabens pela PF excelente operação, que essa operação tenha continuidade e não pare por ai , porque ainda tem muita gente envolvidas nesse mesmo delito. inclusive acho ate que deveria de obter o fechamento dos postos de gasolina .
Desde sempre são n só em postos de gasolina + em casa de prostituição, ferro velho, desmanches , algumas Restaurantes de comida japonesa e as autoridades sabem disso!! E fingem demência ô país viu kkkkk
Eu me pergunto quantos mais precisarão ser presos e condenados para que 40% do eleitorado se convença de que a familícia é toda ela CRIMINOSA? Eu me desânimo sempre que vlleio resultados de pesquisas eleitorais. Eu me desânimo quando vejo religiosos alinhando bandidos em seus púlpitos, cientes de que aqueles não têm um pingo de fé em seu coração.
Exatamente Filippo
O problema é que nao vai dar em nada! Aqui em icarai na paulo cesar o posto tbm é dele, o que tem a drogaria pacheco! Rede chefao, rede Osório esse Pablo Russo é dono de dezenas de posto de gasolina! Tinha que estar preso!
A reportagem só não deixou bem claro que é mais um bolsonarista miliciano amigo e apoiado pela família bolsonaro
Pra mim é só faixada ????????????? Muitas empresas de telecomunicações está bem apontado sem nenhuma investigação rigorosa de pente fino essas sim são grandes criminosos e posso afirmar en qualquer justiça internacional como Genebra ,Lisboa, e Estados Unidos da América.