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    Superintendente do Inea fez obra irregular em área protegida

    Renatinho Medeiros, ex-superintendente do Inea, fez obra irregular de 150 m² em área protegida de Nova Friburgo

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    Lula participou de ato nesta sexta-feira no Centro do Rio; caminhada foi da Candelária à Cinelândia. Foto: Divulgação/Ricardo Stuckert

    Lula reúne multidão em caminhada da Candelária à Cinelândia às vésperas das eleições

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    Após denúncia de deputado, possibilidade de contratação do novo sistema de bilhetagem do estado sem licitação é suspensa pelo TCE-RJ

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    Quem paga a conta? Campanhas no Rio já movimentam R$ 484,5 milhões, e 90% são recursos públicos

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    Bora lá: antes de ir às urnas, carioca pode aproveitar Festival do Rio, Rio Gastronomia e exposição inédita; confira dicas para fim de semana

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    Casarão do Firmino faz edição especial na quadra do Salgueiro com shows de Marvvila, Yan e Ananda

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    Bora lá: Jorge Aragão, Major RD, Hamilton de Holanda, Linn da Quebrada e muito mais agitam fim de semana no Rio

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    Flávio Bolsonaro participa de ato de campanha na reta final da eleição; religião ganhou espaço na disputa nos últimos dias

    A fé de Flávio

    Lula durante ato de campanha. A uma semana da eleição, o presidente colocou no centro do debate um tema que mistura futebol, economia e política: a proibição das bets.

    A aposta de Lula

    Há quem enxergue a crise recente no Supremo Tribunal Federal como um acidente. Um choque de egos. Uma divergência jurídica que saiu do controle. Talvez seja. Mas existe outra hipótese que merece atenção. E se nada disso tiver sido improvisado? André Mendonça não é um novato. Não chegou ontem ao Supremo. Conhece os ritos, conhece os colegas, conhece os limites e, principalmente, conhece as consequências de cada movimento dentro de uma Corte que vive sob tensão permanente. Por isso chama atenção o momento escolhido para determinados gestos e manifestações. Não apenas pelo conteúdo, mas pelo contexto. A data. O ambiente político. O início da gestão de Edson Fachin na presidência do tribunal. Tudo isso compõe um cenário que dificilmente pode ser tratado como coincidência. Fachin assume uma Corte fragmentada. Herdou um tribunal marcado por disputas internas, vazamentos, divergências públicas e uma exposição cada vez maior de suas próprias contradições. Não é segredo para ninguém que o Supremo atravessa uma crise de imagem.

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    sede do Tribunal Superior Eleitoral (TSE)

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Início Berenice Seara

Berenice Seara

30/08/24 09:24
  • Berenice Seara Berenice Seara

Defesa do estado não foi na propaganda eleitoral de Ramagem, mas do governo

No primeiro dia da propaganda eleitoral, Alexandre Ramagem sai em defesa do governo Cláudio Castro

No primeiro dia da propaganda eleitoral, Alexandre Ramagem sai em defesa do governo Cláudio Castro - Reprodução

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Ops, a colunista endoidou, ao noticiar, na manhã desta sexta-feira (30), que Alexandre Ramagem (PL) deu a partida na propaganda eleitoral gratuita com a defesa da segurança pública do governo do estado. O comercial que lista as realizações do governo Cláudio Castro (PL) é um institucional da própria administração estadual. Como na grade matutina da TV ele estava coladinho a uma inserção do programa eleitoral gratuito de Ramagem, a atenta — porém cansada — observadora juntou as duas coisas.

Sinais dos tempos, da velocidade e da sobrecarga de informação.

Não que Ramagem não pretenda defender Castro (PL). O candidato do PL à Prefeitura do Rio abriu o primeiro dia da propaganda eleitoral no rádio e na TV justamente falando do tema, lembrando que é delegado da Polícia Federal e que tem atuação na área para mostrar. Desde a largada da campanha, o prefeito Eduardo Paes (PSD), o grande adversário do PL, vem pondo a segurança pública do estado na berlinda. O assunto não sai da ordem do dia.

No comercial apresentado pelo cantor Dudu Nobre, o estado enumerou os avanços na área: as câmeras com reconhecimento facial instaladas em 2023, os novos núcleos do Segurança Presente e batalhões da Polícia Militar, o sistema de inteligência para a asfixia do crime organizado, a queda da letalidade.

Escrito por:

Berenice Seara Berenice Seara Ver publicações

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Justiça dá prazo de 15 dias para que o MPRJ corrija falhas em ação contra Waguinho por fraude em licitação; erro pode custar o arquivamento do processo 

Foto de Redação
Redação

03/10/2026 10:07

O ex-prefeito de Belford Roxo e candidato ao Senado pelo Republicanos, Waguinho, pode ser beneficiado por uma falha do Ministério Público do Rio (MPRJ) em uma ação que apura supostas irregularidades em licitações realizadas durante sua gestão.

Apresentada em março de 2023, a ação civil pública acusa Waguinho de envolvimento em um suposto esquema de direcionamento de licitações no município das Baixada Fluminense. No processo, porém, o MPRJ não apresentou os cálculos que justificariam o valor atribuído ao rombo financeiro nem detalhou os possíveis prejuízos aos cofres públicos.

A falha foi apontada pelo juiz Rafael Santana Garcia, da 1ª Vara Cível de Belford Roxo. Em decisão tomada na última semana, o magistrado determinou que o MP corrija o cálculo no prazo de 15 dias.

Caso a determinação não seja cumprida, a ação poderá ser rejeitada e arquivada sem que as acusações sejam analisadas no mérito.

Contratos milionários são alvo da ação

O processo trata dos primeiros 15 meses da gestão de Waguinho à frente da Prefeitura de Belford Roxo e também envolve o então secretário municipal de Obras, Bruno Paes Leme, e o ex-vereador Fabinho de Heliópolis.

Segundo a ação, nesse período a empresa ENG RIO, sediada em Belford Roxo, venceu quatro licitações para obras em postos de saúde, um viaduto e praças do município.

O magistrado também negou pedidos de medidas urgentes apresentados pelo MPRJ. Na decisão, afirmou que o órgão poderia ter obtido, por meio de seus próprios instrumentos de investigação, informações básicas sobre os envolvidos antes de recorrer ao Judiciário.

Com informações da coluna do jornalista Guilherme Amado no “Amado Mundo”. 
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Cultura

Bora lá: antes de ir às urnas, carioca pode aproveitar Festival do Rio, Rio Gastronomia e exposição inédita; confira dicas para fim de semana

Foto de Felipe Galeno
Felipe Galeno

03/10/2026 10:00

Outubro começou e as eleições ditam o tom de seu primeiro fim de semana. No entanto, antes ou após ir às urnas, dá tempo de aproveitar a sempre animada programação cultural do Rio. Entre este sábado (3) e domingo (4), a cidade recebe mais uma edição de uma das maiores festas do cinema da América Latina: o Festival do Rio. Tem, ainda, o grande encerramento do Rio Gastronomia no Jockey Club e a estreia de uma exposição inédita sobre o mestre baiano Mario Cravo Neto. Vote consciente e bora lá!

Festival do Rio ocupa cinemas da cidade com maratona de mais de 300 filmes

Para os apaixonados por cinema, o fim de semana é de maratona garantida com a abertura do Festival do Rio, que vai até 11 de outubro. A edição deste ano espalha mais de 300 produções nacionais e internacionais por 14 pontos da cidade — incluindo o tradicional Cine Odeon, no Centro, além do Cine Santa Teresa, Reserva Cultural Niterói, unidades do Estação Claro e salas populares como o CineCarioca Nova Brasília e a Areninha Cultural Renato Russo. Os ingressos custam a partir de R$ 16 (meia-entrada). A programação completa pode ser conferida direto no site oficial do festival.

Festival ocupa 14 cinemas no Rio — Foto: Rogerio Resende/Festival do Rio
Festival ocupa 14 cinemas no Rio — Foto: Rogerio Resende/Festival do Rio

Arlindinho marca o encerramento do Rio Gastronomia na Gávea

O fim de semana também é o último para aproveitar a edição 2026 do Rio Gastronomia, no Jockey Club Brasileiro, na Gávea. Além de pratos icônicos dos melhores bares e restaurantes cariocas, o evento conta com aulas de culinária com chefs, feirinha de produtores, roda-gigante e espaço para as crianças. A trilha sonora de sábado tem show de Mariah Marini às 16h e roda de samba com Arlindinho às 20h. Já no domingo, a diversão infantil fica por conta de Os Fabulosos às 16h, e o encerramento traz o funk do Bloco da Favorita às 19h30. Os ingressos de 1º lote saem a partir de R$ 88 (inteira) na Ticketmaster, com consumação cobrada à parte.

Arlindinho marca último fim de semana do Rio Gastronomia — Foto: Divulgação/Nallafilms
Arlindinho marca último fim de semana do Rio Gastronomia — Foto: Divulgação/Nallafilms

Caixa Cultural inaugura exposição gratuita com obras do mestre baiano Mario Cravo Neto

Quem estiver passeando pelo Centro a partir deste sábado (3) também não pode deixar de visitar a estreia da mostra inédita “Mario Cravo Neto: Sob o Sol da Bahia”, na Caixa Cultural, no Centro. Com curadoria do filho do artista, Christian Cravo, a exposição gratuita reúne fotografias, vídeos em 8 mm, objetos e aquarelas produzidas entre o final dos anos 1960 e meados dos 1970. O acervo mergulha no período mais experimental de Cravo Neto, revelando as raízes de sua linguagem visual antes da fama internacional, com foco nas gentes, paisagens e na religiosidade baiana. A visitação é gratuita e funciona de terça a sábado, das 10h às 20h, e nos domingos, das 10h às 18h.

Mario Cravo Neto: Sob o Sol da Bahia" estreia na Caixa Cultural — Foto: Divulgação
Mario Cravo Neto: Sob o Sol da Bahia” estreia na Caixa Cultural — Foto: Divulgação

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Berenice Seara

Douglas Ruas cresce na reta final vendendo renovação — e deixando o passado fora do programa

Foto de Berenice Seara
Berenice Seara

03/10/2026 09:00

Douglas Ruas (PL) começou a campanha para o governo do estado do Rio com um problema básico: ninguém sabia quem era… Douglas Ruas. Quarenta e nove dias depois, chega às urnas, neste domingo (04), em outro patamar. O presidente da Assembleia Legislativa já pode ser considerado figurinha carimbada. Conseguiu crescer, encurtou (muito) a distância para o favorito Eduardo Paes (PSD) e, principalmente, avançou sobre um eleitorado essencial: o de Flávio Bolsonaro (PL).

Os números do Datafolha revelam essa escalada. Em agosto, Douglas tinha 19% das intenções de voto. Na pesquisa divulgada em 14 de setembro, chegou a 25%. No levantamento mais recente do instituto, publicado nesta quinta-feira (01), alcançou 31%. No mesmo período, Paes passou de 41% para 42%.

A distância entre os dois, portanto, caiu de 22 para 11 pontos.

Mais avassalador é o crescimento dentro do campo bolsonarista. Ainda segundo o Datafolha, Douglas chegou a 55% entre os que se definem como alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro. E, entre os eleitores de Flávio, a ascensão foi ainda mais acentuada: a adesão a Douglas passou de 37% para 56% e chegou a 63% na reta final.

Ou seja: o candidato do PL finalmente começou a encontrar o eleitor do PL.

Bolsonaro como padrinho — e como atalho

Flávio Bolsonaro nunca foi um personagem lateral na candidatura de Douglas. Foi parte de sua razão de existir.

O deputado estadual de primeiro mandato foi escolhido para dar um palanque próprio no Rio ao candidato a presidente pelo PL e entrou na disputa com seu aval. Disse, em entrevistas, que gostaria de ter Flávio ao seu lado todos os dias — não chegou a tanto, mas pode desfilar com ele, só durante o período oficial da campanha, em pelo menos 12 eventos (fora os que estão programados para hoje, em Bangu e Campo Grande).

Já na abertura da disputa, na Praia de Copacabana, se apresentou ao eleitorado mais à direita, afirmando ter recebido do próprio Jair Bolsonaro a missão de disputar o governo do estado.

A família virou a estrela dos programas eleitorais. Flávio e Jair Bolsonaro apareceram na propaganda de Douglas desde a estreia. Na reta final, a campanha chegou a usar, sem autorização, a imagem de Vini Jr numa peça que fazia uma comparação entre casais só para chegar à mensagem que realmente interessava: de um lado, Lula e Paes; do outro, Bolsonaro e Douglas.

Pode ter sido uma peça discutível — sobretudo pelo uso não autorizado da imagem do jogador, que foi até proibido pela Justiça Eleitoral — mas deixava cristalina a estratégia.

Douglas precisava transformar o sobrenome Bolsonaro em fermento eleitoral.

O candidato novo e os velhos conhecidos

A campanha investiu numa comunicação leve, rápida, com linguagem voltada especialmente para os mais jovens e forte ênfase na ideia de renovação. Aos 37 anos e disputando pela primeira vez uma eleição majoritária, Douglas tem características (inclusive físicas) que ajudam a sustentar essa embalagem.

Douglas Ruas corre, no primeiro programa eleitoral: imagem de juventude e vitalidade
Douglas Ruas corre, no primeiro programa eleitoral: imagem de juventude e vitalidade – Foto: Reprodução das redes sociais

O problema é que sua biografia política é menos nova do que a propaganda sugere.

Douglas está em seu primeiro mandato na casa legislativa do Largo da Carioca, mas ocupa há anos cargos públicos e políticos. Além da Alerj, passou pela Prefeitura de São Gonçalo, pelo Inea e pelo primeiro escalão do governo estadual. Em 2023, Cláudio Castro o nomeou secretário estadual das Cidades, pasta que comandou até março deste ano. A própria biografia oficial da Alerj registra a passagem pelo governo Castro.

Sua trajetória também está ligada a dois personagens experientes do PL fluminense: o pai, Capitão Nelson, prefeito de São Gonçalo, e o deputado federal Altineu Côrtes, vice-presidente da Câmara Federal. Levantamento publicado pela “Folha de S.Paulo”, em março, mostrou que Douglas acumulava nove anos em cargos sob a influência política dos dois.

Trata-se de uma das contradições mais interessantes da campanha: a renovação é um dos principais produtos vendidos por um candidato formado dentro de estruturas políticas para lá de tradicionais.

Castro? Que Castro?

Se Flávio Bolsonaro foi trazido para o altar do projeto eleitoral do PL no Rio, Cláudio Castro foi relegado à sacristia. Douglas comandou durante cerca de dois anos uma das principais secretarias do governo Castro, a das Cidades, responsável por grandes investimentos em obras nos municípios.

O partido também esteve presente em outras pastas — e em muitos outros escalões.

Mas, durante a campanha, todo mundo procurou marcar distância do ex-governador.

Ao ser questionado, o candidato a governador recusou-se a dar uma nota à administração da qual participou, disse desaprovar a gestão e afirmou que Castro não subiria em seus palanques.

Em outro momento, classificou a relação entre os dois como apenas “política e institucional”.

Um colunista da “Folha” observou que a campanha praticamente retirou do currículo eleitoral de Douglas os dois anos à frente da Secretaria das Cidades.

Embora haja uma dificuldade óbvia nessa estratégia: foi justamente a passagem pela secretaria que ajudou o candidato do PL a ampliar sua presença fora de São Gonçalo. À frente da pasta, ele teve contato direto com prefeitos — para quem levou investimentos em pavimentação, drenagem, equipamentos públicos e mobilidade.

Ou seja, aquilo que a campanha prefere não associar a Castro foi também o que ajudou Douglas a construir seu nome na política do estado inteiro.

Bacellar também ficou fora da foto

Rodrigo Bacellar é outro personagem cuja proximidade se tornou inconveniente. Douglas e o ex-presidente da Alerj foram aliados na Assembleia — como, aliás, quase que a Assembleia inteira. Depois da prisão de Bacellar, praticamente todos procuraram afastar de si qualquer responsabilidade pelo antigo aliado.

Ao comentar sobre o ex-presidente da Alerj que hoje está no presídio de segurança máxima de Mossoró, no Rio Grande do Norte, afirmou só que qualquer pessoa envolvida com práticas criminosas deve ser punida.

Nos debates, os adversários exploraram a convivência entre os dois. Eduardo Paes (PSD), o maior oponente, principalmente. Mas William Siri (PSOL), por exemplo, chamou Douglas repetidamente de “pupilo” de Castro e Bacellar. Douglas respondeu com a frase que acabou funcionando quase como um resumo de sua estratégia de campanha: “Não sou candidato de ninguém. Eu tenho identidade própria.”

A força que vem de fora da capital

Se Paes montou uma operação para conquistar prefeitos, especialmente na Baixada Fluminense, Douglas nem precisou, porque contava com a capilaridade do PL e de suas próprias relações no interior. A passagem pela Secretaria das Cidades lhe deu contato com administrações municipais de diferentes regiões.

Antes disso, porém, havia a fortaleza familiar de São Gonçalo. Em 2022, Douglas foi o segundo deputado estadual mais votado do Rio, com 175.977 votos — e 149.576 deles vieram apenas de São Gonçalo, onde obteve 33% dos votos válidos.

É quando entra a força do PL. O partido ofereceu uma estrutura capaz de transformar uma base municipal extraordinariamente concentrada numa candidatura estadual.

A alquimia do horário eleitoral

Douglas entrou no horário eleitoral com o segundo maior tempo de televisão entre os candidatos ao governo. Mas o tempo foi o de menos. A  campanha elaborada pelo publicitário Paulo Vasconcelos apresentou um candidato jovem, policial civil concursado, pai de família, ligado a Bolsonaro e distante, na narrativa eleitoral, dos problemas recentes do governo estadual. Um golaço reconhecido até pelos adversários.

O candidato família foi enfatizado pela campanha eleitoral
O candidato família foi enfatizado pela campanha eleitoral – Foto: Reprodução das redes sociais

Segurança pública, o assunto do momento, até ocupou um espaço importante, mas a propaganda procurou evitar um Douglas excessivamente sisudo. A linguagem mais leve e as peças voltadas à juventude ajudaram a construir a imagem de alguém que estaria chegando para renovar a política fluminense.

Uma campanha que escolheu muito bem o que colocar em foco.

E, principalmente, o que deixar à margem dele.

A eleição que Douglas conseguiu mudar

O presidente da Assembleia Legislativa chega ao fim do primeiro turno olhando (muito) do alto a posição em que começou. Paes continua líder, mas o adversário encostou — e, independentemente do resultado final, já deixou sua marca na eleição.

Com uma história política que passa por Capitão Nelson, Altineu Côrtes, o governo Castro e a própria cúpula da Alerj, o Douglas que vai às urnas é uma mistura peculiar de novidade e continuidade: um rosto jovem, apresentado numa campanha arejada — que está conseguindo convencer o eleitor de que sua trajetória política começou bem mais recentemente do que a realidade pode provar.

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Berenice Seara

Paes monta uma tropa de prefeitos e traz Lula para o palanque. Resta saber se consegue transformar tudo isso em voto

Foto de Berenice Seara
Berenice Seara

03/10/2026 08:00

O ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) passou o primeiro turno fazendo uma campanha com dois movimentos simultâneos. De um lado, consolidou o apoio de Lula e do PT. Do outro, percorreu o estado atrás de prefeitos e lideranças locais, com atenção especial à Baixada Fluminense, território indispensável para quem pretende trocar o Palácio da Cidade pelo Guanabara.

A costura política funcionou. Paes chega à última semana de campanha com uma aliança ampla, uma coleção de prefeitos no palanque e o apoio explícito do presidente da República. A questão agora é outra: quanto dessa força política chegará às urnas?

As pesquisas mostram por que a pergunta ganhou importância na reta final. No Datafolha de agosto, Paes tinha 41% e Douglas Ruas (PL), 19% — uma diferença de 22 pontos. No início de setembro, Paes marcou 43% e Ruas, 25%. No levantamento divulgado na última quinta-feira (01), o ex-prefeito permaneceu com 42%, enquanto o adversário chegou a 31%. Em outras palavras: Paes praticamente não perdeu intenção de voto, segundo o Datafolha, mas viu sua vantagem sobre Ruas encolher de 22 para 11 pontos em pouco mais de um mês.

A pergunta de milhões na campanha é: vai dar para resolver no primeiro turno?

Lula no palanque, mas na medida

A relação com Lula foi um dos equilíbrios mais interessantes da campanha de Paes. O PT escolheu, ainda em abril apoiá-lo formalmente e transformá-lo em seu principal palanque para a campanha presidencial no Rio. A votação no diretório estadual foi unânime.

Decisão tomada, Lula não economizou elogios. Em agosto, no primeiro grande comício de sua campanha na capital, em Moça Bonita, chamou Paes de amigo e defendeu sua eleição para o governo. No palco estavam também Benedita da Silva, candidata do PT ao Senado, e Pedro Paulo, do PSD.

Nas pesquisas internas feitas pelo PSD, a intenção de votos começou imediatamente a cair. Daí que Paes retribuiu a parceria, mas procurou não fazer dela a única identidade de sua candidatura.

Segundo o Datafolha do dia 24, Paes tem 70% entre os eleitores que se identificam com o PT e também lidera entre os que não se alinham nem ao petismo nem ao bolsonarismo, com 42%. Já entre os eleitores identificados com o bolsonarismo, Douglas Ruas tem 55%, contra 20% de Paes. Na reta final, a campanha passou a dosar as aparições com Lula, principalmente nas áreas em que o bolsonarismo é mais forte. A ideia foi manter a aliança com o presidente, mas preservar uma identidade própria diante do eleitorado que não é lulista.

Uma espécie de casamento com quartos separados quando necessário: ninguém esconde a aliança, mas cada um sabe que há lugares onde é melhor bater à porta antes de entrar.

Com Lula, no lançamento da campanha, no Estádio de Moça Bonita, em Bangu - Foto: Reprodução das redes sociais
Com Lula, no lançamento da campanha, no Estádio de Moça Bonita, em Bangu – Foto: Reprodução das redes sociais

A conquista dos prefeitos

Se a aproximação com Lula garantiu a Paes um lado importante do mapa político, a ofensiva sobre os prefeitos tratou do território. E nenhum território recebeu tanta atenção quanto a Baixada Fluminense. Há uma razão histórica para isso. A cidade do Rio reúne 4,9 milhões de eleitores, 38,5% do eleitorado estadual, mas ser forte na capital está longe de garantir o Palácio Guanabara. Nenhum ex-prefeito do Rio é eleito governador desde Marcello Alencar, em 1994.

Paes tratou de tentar romper essa barreira antes mesmo de a campanha começar oficialmente.

A escolha da vice já foi um sinal. Jane Reis (MDB) é irmã de Washington Reis, ex-prefeito de Duque de Caxias e uma das principais lideranças políticas da Baixada. Depois vieram os prefeitos. Em agosto, Paes já reunia em torno da candidatura nove dos 13 prefeitos da região. Um dos movimentos mais simbólicos aconteceu em Nova Iguaçu: o ex-prefeito Rogério Lisboa, que chegou a ser anunciado como vice de Douglas Ruas, do PL, declarou apoio a Paes. O atual prefeito, Dudu Reina, fez o mesmo.

Mas prefeito traz partido, vereadores e lideranças locais (às vezes), estrutura e presença territorial. Mas eleitor é outra história. Ainda mais que a Baixada é justamente uma região onde o bolsonarismo mantém forte presença.

Com a vice, Jane Reis, abrindo as portas da Baixada Fluminense e do interior
Com a vice, Jane Reis, abrindo as portas da Baixada Fluminense e do interior – Foto: Reprodução das redes sociais

Uma campanha com poucos sustos — até a reta final

O primeiro turno de Paes teve mais avanços políticos do que crises. Ele começou a campanha como líder e, mesmo caindo, permaneceu líder. Conseguiu o apoio formal do PT sem precisar mudar seu estilo, incorporou Lula ao palanque, construiu uma chapa com pontes para a Baixada e ainda recebeu adesões de políticos do interior que inicialmente estavam no campo adversário.

O sinal amarelo apareceu na reta final. Não porque Paes tenha despencado nas pesquisas, mas porque Ruas cresceu enquanto o líder permaneceu praticamente parado.

O fator Garotinho

Com registro indeferido pelo TRE-RJ e recurso possível ao TSE, ocupando uma parcela pequena, mas não desprezível nas pesquisas eleitorais, Anthony Garotinho, o candidato do Repúblicaos, acrescenta uma variável incomum à matemática eleitoral — inclusive pela possibilidade de seus votos terem efeito sobre a totalização. Se forem anulados, reduzem o universo dos votos válidos, beneficiando quem estiver na primeira posição.

Ou seja, os votos anulados de Garotinho podem ser o fiel da balança. E fundamentais para Paes continuar sonhando vencer no primeiro turno.

Um domingo com máxima importância para Paes

Para qualquer candidato que lidera uma eleição, vencer no primeiro turno é melhor do que disputar o segundo. Mas para Paes, desta vez, há razões adicionais.

Douglas Ruas, que está em ascensão, teria mais três semanas para tentar reunir o eleitorado antipetista e bolsonarista, enquanto a aliança de Paes com Lula provavelmente ganharia ainda mais peso na campanha. Isso não significa que o resultado do confronto esteja dado — e pesquisas de primeiro turno não permitem essa conclusão.

Mas significa que a eleição passaria a obedecer a outra lógica.

Paes chegou às urnas do do primeiro turno tendo feito quase tudo o que a política recomenda: juntou partidos, trouxe o presidente da República, conquistou prefeitos, atravessou a Avenida Brasil e fincou bandeiras na Baixada e no interior. Mas nenhuma articulação consegue resolver tudo.

Amanhã é o dia de descobrir se toda essa engenharia política vale 50% mais um.

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Rio

Previsão do tempo: Rio terá chuva no sábado e 30°C no domingo de eleição

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Redação

03/10/2026 06:30

O primeiro fim de semana de outubro será de chuva e mudança brusca de temperatura no Rio. No sábado (03), a previsão é de tempo chuvoso durante todo o dia e à noite, enquanto o domingo (04), dia da eleição, terá calor de até 30°C e chuva forte à tarde.

No sábado, os termômetros devem marcar entre 19°C e 22°C. A possibilidade de chuva é de 99%, com previsão de acumulado de 30,2 milímetros ao longo do dia.

A chuva deve aparecer também durante a madrugada, manhã, tarde e noite. Os ventos devem soprar de leste, com velocidade média de 8 km/h e rajadas de até 34 km/h.

Domingo de eleição

No domingo (4), o cenário muda. A temperatura sobe bastante e pode chegar aos 30°C, enquanto a mínima prevista permanece em 19°C.

O dia começa com sol e muitas nuvens pela manhã. A previsão indica chuva forte à tarde e pancadas de chuva durante a noite. A possibilidade de chuva é de 72%, com acumulado estimado em 15,2 milímetros.

Os ventos devem soprar do norte, com velocidade média de 8 km/h e rajadas de até 46 km/h. A umidade relativa do ar deve variar entre 59% e 95%.

Para quem vai votar, a previsão indica um início de domingo mais quente e com períodos de sol, mas a possibilidade de chuva aumenta ao longo do dia, principalmente à tarde.

Com informações do Climatempo 

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Política

Renatinho Medeiros, ex-superintendente do Inea, fez obra irregular de 150 m² em área protegida de Nova Friburgo

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Redação

02/10/2026 19:40

O ex-superintendente regional do Instituto Estadual do Ambiente (Inea) em Nova Friburgo, Renato José Vieira de Almeida, conhecido como Renatinho Medeiros, é alvo de um processo administrativo disciplinar após a construção de um imóvel em uma área de preservação permanente (APP) às margens do córrego Curuzu, na Região Serrana do Rio.

A obra já havia sido embargada pelo Inea dois anos antes da demolição. Na ocasião, os fiscais constataram degradação ambiental “de difícil reparação”.

O imóvel, de cerca de 150 metros quadrados, foi construído em uma área que deveria ser protegida por uma faixa de 30 metros em cada margem do córrego. Durante o período em que Renatinho era o responsável pela Superintendência Regional de Dois Rios, em Nova Friburgo, a área de proteção foi reduzida para apenas cinco metros.

Segundo o Inea, a alteração favoreceu a construção do imóvel. Porém, Renatinho não tinha competência para modificar a faixa de proteção. A atribuição seria da Diretoria de Licenciamento Ambiental do Órgão.

O superintendente foi nomeado durante o governo de Cláudio Castro (PL) pelo então secretário estadual do Ambiente e vice-governador, Tiago Pampolha — que hoje é conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ).

Mais de 100 licenças da gestão de Renatinho foram canceladas

A atuação da estrutura comandada por Renatinho também passou a ser revisada pelo Inea, que criou um grupo de trabalho para revisar todas as licenças ambientais concedidas na região entre 2019 e 2024. Até o momento, mais de 100 licenças já foram canceladas por apresentarem indícios de irregularidades. Outras 900 permanecem sob análise dos técnicos.

O Instituto também abriu um processo administrativo disciplinar contra Renatinho Medeiros e integrantes de sua equipe. Ele já foi notificado três vezes por meio do Diário Oficial para apresentar sua defesa, mas não compareceu nem enviou representante.

Técnicos do Inea também tentaram fazer a notificação na Companhia Docas, onde Renatinho trabalha como gerente de acesso terrestre, porém funcionários informaram que não o conheciam e que ele não possuía cadastro para acessar o local.

Com informações do “RJ2”.

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Política

Treta de Erika Hilton com Benny Briolly agora é oficial; deputada paulista aciona TRE contra candidata carioca

Foto de João Arruda
João Arruda

02/10/2026 19:00

Agora a treta é oficial. A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) acionou o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro nesta quinta-feira (1) contra Benny Briolly, que é candidata a deputada federal pelo PT, por veiculação de propaganda eleitoral irregular. A representação alega que materiais de campanha da postulante carioca estão usando sua imagem. O expediente consistiria, inclusive, em utilização de nome, identidade visual e até número na urna para dar a impressão de que Erika apoia a candidatura de Benny, o que não é o caso.

Material de campanha de Benny tem o rosto de Erika
Material de campanha de Benny tem o rosto de Erika. Foto: Reprodução

Na petição, Erika alega ainda que chegou a fazer um pedido diretamente a Benny para que não continuasse a usar seu nome no material de campanha. A deputada federal paulista reafirmou que seu único candidato ao cargo no Rio é Rick Azevedo (PSOL), fundador do Movimento Vida Além do Trabalho (VAT) e militante pelo fim da escala 6×1.

Liminar contra o uso de material e pedido de multa

Erika solicitou ao Tribunal Regional Eleitoral uma liminar para que Benny pare agora com a veiculação e a distribuição dos materiais. No mérito da ação, o pedido é que as publicações sejam removidas definitivamente, além da aplicação de multa prevista na legislação eleitoral. O TRE ainda não analisou o caso.

O TEMPO REAL adiantou na última terça-feira (29) que havia um alerta de treta entre Erika e Benny. Na ocasião, a parlamentar de São Paulo publicou um vídeo dizendo para eleitores não caírem “em golpes”, com candidatos que usam o nome dela mesmo sem o apoio declarado da parlamentar de São Paulo.

“Sim, o meu candidato a deputado federal pelo estado do Rio de Janeiro pra montar a bancada LGBTQIA+, que eu acredito, é Rick Azevedo. É o único candidato LGBTQIA+ que tem o meu apoio aí no estado do Rio de Janeiro. Não caiam em golpes, hein, porque tem muita gente por aí dizendo que tem meu apoio, que não sei o quê”.
O que gerou o burburinho é o fato de o rosto de Erika estar no material de campanha da candidata Benny Briolly (PT), que faz uma convocação: “rumo à bancada trans”. O material traz ainda os rostos de Thabatta Pimenta (PV-RN) e Duda Salabert (PSOL-MG), ambas candidatas ao Congresso.

Com informações de Lauro Jardim, do jornal “O Globo”

 

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Política

Votos em Garotinho para governador do Rio deverão ser anulados, determina ministro do TSE

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Redação

02/10/2026 18:55

O ministro Floriano de Azevedo Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), revogou nesta sexta-feira (02) a liminar que permitia a Anthony Garotinho (Republicanos) manter as prerrogativas de candidato ao governo. Com a nova decisão, os votos recebidos pelo ex-governador no primeiro turno deverão ser considerados “anulados sub judice” enquanto estiver mantido o indeferimento de seu registro de candidatura.

Garotinho continuará aparecendo na urna eletrônica neste domingo (04). Segundo Floriano, porém, os votos destinados ao candidato “não devem ser considerados válidos para qualquer fim”.

A decisão não representa o julgamento do recurso apresentado pela defesa para tentar reverter o indeferimento da candidatura. O ministro afirmou que o recurso ordinário já foi apresentado, recebeu as contrarrazões e está “na iminência” de ser remetido ao TSE.

Liminar havia garantido direitos de candidato a Garotinho

A decisão de Floriano também retirou as garantias que haviam sido concedidas anteriormente a Garotinho enquanto a situação do registro era analisada pela Justiça Eleitoral. A liminar anterior permitia ao ex-governador acessar recursos do Fundo Partidário e do Fundo Eleitoral, além de utilizar o horário de propaganda de TV e rádio.

Ao revogar a medida, o ministro levou em consideração o julgamento unânime do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), que manteve o indeferimento do registro de candidatura. Segundo ele, deixou de existir, ao menos até a análise do recurso pelo TSE, a plausibilidade da condição de elegibilidade que permitia tratar Garotinho como candidato “sub judice”.

O ministro afirmou que cabe à Corte evitar “a incerteza dos eleitores e a instabilidade do pleito” que acontece neste domingo (04).

A situação poderá mudar caso o TSE aceite o recurso e reverta a decisão que barrou o registro. Nesse caso, os efeitos sobre os votos recebidos pelo candidato poderão ser alterados. Porém, se o indeferimento for mantido, todos permanecerão anulados.

A votação no TSE, portanto, ainda será necessária para estabelecer de forma definitiva a situação da candidatura e dos votos de Garotinho.

Com informações do jornal “O Globo”.

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Transparência

Luz no fim do túnel? Prefeitura do Rio autoriza cessão de contrato de R$ 212,9 milhões para obra de ligação viária na Zona Oeste, mas OECI permanece no negócio

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Redação

02/10/2026 18:26

A Secretaria de Infraestrutura da Prefeitura do Rio autorizou, no último dia 17 de setembro, a cessão do contrato nº 23/2023 para a construção de um conjunto de vias entre a Estrada da Posse e a Avenida Brasil — com viadutos, pontes e um túnel sob o Morro João Vicente, em Campo Grande e Santíssimo — para o Consórcio Ligação Viária Oeste.

A contratada original, a OECI S.A. (antiga Odebrecht), integra o consórcio, formado também pela Hydra Engenharia e Saneamento Ltda. O valor transferido é de R$ 212.885.784,53, o equivalente a 68% dos R$ 311,7 milhões pelos quais o contrato foi assinado em julho de 2023. A composição do consórcio não havia sido divulgada nos documentos inicialmente localizados pela reportagem. A prefeitura confirmou posteriormente a participação da Hydra.

Na prática, mais de dois terços de uma das maiores obras viárias em curso na Zona Oeste terão sua execução transferida para um consórcio sem que nenhuma nova licitação seja feita. A OECI, no entanto, continuará como parte contratual, diz a prefeitura.

E o contrato que agora troca de mãos já deveria ter terminado. O prazo original era de 540 dias, o que levava a conclusão para o início de 2025. Passado mais de um ano e meio desse marco, a obra segue sendo prorrogada em etapas de 30 e 60 dias.

Licitação com um só concorrente

A concorrência (CO-SMI nº 02/2023) teve uma só participante. Na sessão de 22 de junho de 2023, a OECI foi a única empresa a entregar envelopes, foi habilitada no mesmo dia e ofereceu desconto de 1,75% sobre o orçamento. Levou o contrato por R$ 311.688.159,04.

O detalhe ganha peso agora. O consórcio que passa a executar o saldo do contrato não precisou enfrentar concorrência alguma, nem a mínima que houve em 2023. Quem eventualmente teria interesse em disputar os R$ 212,9 milhões restantes não teve essa oportunidade.

A prefeitura afirma que a cessão ocorreu “dentro dos trâmites previstos em lei” e a pedido da própria OECI, que teria alegado razões econômicas e logísticas.

Oito aditivos e 13 multas relevadas

O histórico publicado no Diário Oficial ajuda a entender o desempenho da obra.

Entre outubro de 2023 e janeiro de 2026, a Secretaria de Infraestrutura abriu 13 processos de aplicação de multa referentes ao contrato nº 23/2023. Em todos, no entanto, a decisão final foi a mesma: “relevo a aplicação de multa, com base nas justificativas apresentadas pela contratada”.

No mesmo período, o contrato recebeu oito termos aditivos. Seis deles prorrogaram prazo. Os outros dois readequaram o cronograma físico-financeiro e alteraram, qualitativa e quantitativamente, os serviços. Entre abril e junho de 2025, a execução ficou suspensa. Só em 2026 foram quatro prorrogações seguidas, todas para a mesma 18ª etapa: 30 dias em maio, 30 em junho, 60 em julho e mais 60 em setembro.

A partir de outubro de 2024, os extratos publicados passaram a identificar a contratada como “OECI S.A. – em recuperação judicial”. O grupo da antiga Odebrecht Engenharia e Construção teve o pedido de recuperação judicial deferido pela Justiça de São Paulo em junho daquele ano.

A Prefeitura diz que a OECI pediu a cessão da obra ao consórcio por razões econômicas e logísticas. A resposta, porém, não detalha quais dificuldades foram alegadas pela empresa nem explica por que, diante dessas dificuldades, não houve aplicação das multas previstas nos processos já instaurados.

Também ficam algumas indagações sobre a nova configuração do contrato: qual será, exatamente, a participação da OECI na execução da obra, já que a empresa permanecerá como parte contratual e integrará o consórcio ao lado da Hydra?

E quais serão as responsabilidades de cada uma das empresas na execução dos R$ 212,9 milhões restantes?

A tentativa de 2024

A cessão de agora não é a primeira tentativa de trazer outra empresa para dentro do contrato. Em junho de 2024, a então secretária autorizou a elaboração de um termo aditivo para constituir um consórcio entre a OECI e a Geoter Geotecnia Ltda.

Dois meses depois, em agosto, o ato foi tornado sem efeito, sem explicação publicada.

Prorrogação num dia, cessão no outro

A sequência das últimas semanas chama atenção pela velocidade. O requerimento da OECI foi protocolado em 4 de setembro. No dia 9, o secretário Wanderson José dos Santos assinou dois atos sobre o mesmo contrato: autorizou mais 60 dias de prazo e criou uma Comissão Especial para fazer o “levantamento físico-financeiro das obrigações parcialmente cumpridas pela empresa contratada”.

No dia 16, a SMI assinou o 8º termo aditivo, que prorrogou o prazo da OECI. No dia 17, autorizou a cessão do contrato ao consórcio. No dia 18, cancelou parcialmente o empenho da OECI “em virtude da cessão do contrato” e autorizou a mesma despesa em favor do Consórcio Ligação Viária Oeste.

Do pedido à autorização, foram 13 dias.

O despacho que autoriza a cessão se apoia no “exposto pela contratada”, no “nada a opor da fiscalização” e em uma manifestação da Procuradoria. O processo no sistema SEI.Rio — plataforma digital para gestão de documentos e processos administrativos da Prefeitura do Rio — estava com acesso restrito.

Questionada sobre o motivo da prorrogação do contrato da OECI na véspera da cessão, a prefeitura respondeu que a medida foi necessária “como procedimento administrativo, a fim de assegurar a vigência do contrato”.

A secretaria também afirmou que a Comissão Especial foi criada para avaliar as obrigações cumpridas pela contratada e detalhar os serviços que caberiam ao consórcio.

A resposta, porém, não apresentou as conclusões da comissão.

Outro ponto que ficou sem resposta específica foi a razão pela qual a Prefeitura não deixou o contrato chegar ao fim para, então, realizar uma nova licitação para os R$ 212,9 milhões restantes.

A secretaria não explicou, na resposta enviada ao TEMPO REAL, por que essa alternativa não foi adotada.

O que diz o Tribunal de Contas da União

O Tribunal de Contas da União tem posição firme contra a substituição da empresa contratada. Desde 2002, o TCU considera “ilegal e inconstitucional a sub-rogação da figura da contratada”. Em 2010, o tribunal registrou que a regra não permite que uma empresa vencedora da licitação “seja substituída por outra que não logrou vencer o certame”, porque a manobra configura “burla ao dever de licitar”.

No caso do Rio, porém, a prefeitura afirma que não houve simples substituição da contratada. Segundo a secretaria, a OECI, vencedora da licitação e única licitante, permanece como parte contratual e integra o Consórcio Ligação Viária Oeste ao lado da Hydra.

A questão, portanto, é como essa estrutura se enquadra juridicamente na execução do saldo contratual de R$ 212,9 milhões e quais são efetivamente as responsabilidades de cada empresa.

Ceder a execução de dois terços de um contrato atrasado, que teve uma única proponente e cuja execução vinha sendo sustentada por prorrogações sucessivas, produz na prática uma mudança significativa na estrutura originalmente contratada.

A diferença é que, desta vez, sem um novo edital e sem uma nova disputa.

Da Cedae à Prefeitura do Rio

A OECI é a mesma empresa responsável pelo Reservatório Novo Marapicu, da Cedae.

Lá, o contrato de R$ 277,81 milhões e 900 dias, iniciado em fevereiro de 2023, acumulou defasagem de 55,73% no cronograma em abril de 2024, recebeu prorrogação de 480 dias e aditivo de R$ 17,9 milhões, e teve o prazo empurrado para dezembro de 2026.

A Cedae ainda precisou licitar mais R$ 46,3 milhões para uma obra complementar.

Os dois contratos foram assinados em 2023, com poucos meses de diferença, e seguiram um roteiro parecido de atrasos, advertências e aditivos. Chama a atenção, nos dois casos, a reiteração de descumprimentos contratuais sem a aplicação de multas e rescisões unilaterais pelos contratantes.

Na Zona Oeste, a solução permitida pela prefeitura foi incorporar uma nova empresa ao contrato por meio do consórcio.

O que diz a Prefeitura do Rio

A Secretaria Municipal de Infraestrutura afirmou que a autorização da cessão ocorreu dentro dos trâmites previstos em lei e por pedido da própria empresa contratada, que alegou razões econômicas e logísticas. Segundo a pasta, a medida teve como objetivo dar prosseguimento às obras da ligação viária entre a Estrada da Posse e a Avenida Brasil.

A prefeitura confirmou que o Consórcio Ligação Viária Oeste é constituído pela OECI S.A. e pela Hydra Engenharia e Saneamento Ltda. Segundo a secretaria, a OECI permanece como parte contratual e “está vinculada às obrigações de contratada, assegurando a continuidade e regularidade do contrato, assim como evitando a paralisação dos trabalhos”.

Sobre a Comissão Especial,  informou que ela foi constituída para avaliar as obrigações cumpridas pela contratada e detalhar os serviços que caberiam ao consórcio.

A secretaria também afirmou que a prorrogação do contrato foi necessária para assegurar sua vigência.

As obras, segundo a Prefeitura do Rio, fazem parte do anel viário de Campo Grande, conjunto de intervenções de infraestrutura e mobilidade urbana que tem o objetivo de desafogar o trânsito e melhorar a fluidez no bairro mais populoso do Brasil.

Sobre o processo administrativo, negou que haja sigilo ou restrição de acesso. Segundo a secretaria, para um cidadão externo à administração pública acessar o inteiro teor, é necessário formalizar um requerimento de informação por meio do SEI.Rio. A pasta justificou o procedimento burocrático pela necessidade de tratar ou ocultar dados considerados pessoais antes da disponibilização dos documentos, em razão da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

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Política

Datafolha: Flávio Bolsonaro tem 51% e Lula, 42%, no segundo turno; números iguais aos da pesquisa anterior

Foto de João Arruda
João Arruda

02/10/2026 17:49

A pesquisa Datafolha mostrou estabilidade nas intenções de voto para presidente no segundo turno no Rio de Janeiro. O senador Flávio Bolsonaro (PL) manteve os 51% que foram registrados no último levantamento, em 25 de setembro. O presidente Lula (PT) continuou com 42%. Os percentuais de brancos/nulos (6%) e indecisos (1%) também ficaram iguais.

A pesquisa foi contratada pela Globo e pelo jornal “Folha de S.Paulo”. O Datafolha entrevistou 1.204 pessoas entre 28 de setembro e 1º de outubro. A margem de erro é de 3 pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. A pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral sob o número RJ-02070/2026 e BR-01272/2026.

Com informações do g1

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