A disputa pela Presidência da República vai ser decidida no segundo turno. Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que tenta a reeleição, ficaram à frente na corrida presidencial, mas não conseguiram o número de votos necessário para encerrar a eleição neste domingo (04). Com isso, os brasileiros terão que esperar mais até o dia 25 de outubro para saber quem será o presidente da República pelos próximos quatro anos.
Com 98,67% das urnas apuradas às 21h05, Flávio Bolsonaro obteve 55.629.803 votos, o equivalente a 47,26% dos votos válidos. Já Lula alcançou 52.835.146 votos (44,89%).
Os dois candidatos a presidente podem voltar a fazer campanha depois de 24 horas do fim da votação — isto é, depois das 17h desta segunda-feira (05).
Flávio tenta escrever novo capítulo do sobrenome Bolsonaro
Senador pelo Rio desde 2019, Flávio Bolsonaro chega ao segundo turno de 2026 em sua primeira disputa pela Presidência da República. Filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro, o chamado “01” iniciou a carreira política em 2003, quando foi eleito o deputado estadual mais jovem do Rio. Permaneceu na Alerj por quatro mandatos consecutivos, até 2018, com atuação voltada principalmente para a área de segurança pública.
Eleito senador em 2018, Flávio manteve a segurança entre as principais pautas de seu mandato e, em 2025, presidiu a Comissão de Segurança Pública do Senado. Em 2026, foi escolhido por Jair Bolsonaro para disputar o Palácio do Planalto, tendo Alfredo Gaspar como candidato a vice na chapa.
Ao longo do período eleitoral, a campanha de Flávio explorou três temas principais: a segurança pública, o preço dos alimentos e a corrupção. A campanha também foi marcada pelos questionamentos em torno do contato entre Flávio e Daniel Vorcaro, do Banco Master, e o pedido de recursos para financiar o filme “Dark Horse”. Segundo o portal Intercept Brasil, o banqueiro teria repassado ao menos R$ 61 milhões para a obra no ano passado e Flávio teria feito contatos cobrando a liberação dos valores restantes do acordo de financiamento, que chegaria a R$ 134 milhões.
O caso, porém, não foi suficiente para fazer a candidatura de Flávio perder força diante de outros candidatos à Presidência e o senador terminou com a maior parte do voos.
Lula parte em busca do quarto mandato
Atual presidente da República, Lula chega ao segundo turno das eleições de 2026 em busca do quarto mandato no Palácio do Planalto. O petista voltou à Presidência em 2023, após ter governado o país por dois mandatos consecutivos, entre 2003 e 2010, e derrotado Jair Bolsonaro na eleição de 2022.
A trajetória política de Lula começou no movimento sindical, como liderança dos metalúrgicos do ABC Paulista. Em 1980, participou da fundação do PT e, quatro anos depois, foi eleito deputado federal. Após três derrotas presidenciais, venceu a eleição de 2002 e assumiu a Presidência em 2003.
Na campanha de 2026, Lula defende propostas como o fim da escala 6×1, a ampliação do Minha Casa, Minha Vida e a manutenção da política de valorização do salário mínimo. Às vésperas da eleição, também editou uma MP que proíbe a exploração, oferta, intermediação e publicidade de apostas de quota fixa, as chamadas bets, medida que provocou reação de clubes de futebol.
Os eleitores do Rio de Janeiro escolheram os dois candidatos do PL para as duas das três cadeiras do estado no Senado. Carlos Portinho (PL) foi reeleito e Carlos Jordy (PL) vai para seu primeiro mandato com o resultado da apuração das urnas neste domingo (07).
Com 99% dos votos apurados, Portinho recebeu 4.245.932 votos, o equivalente a 26,79% dos votos válidos. Já Jordyfoi eleito com 3.895.327 votos, o equivalente a 24,58% dos votos válidos.
Além dos senadores eleitos neste domingo, o estado também é representado no Senado por Romário (PSD), que é senador desde 2022. Até o início do ano, ele também era do PL, mas deixou o partido em agosto.
Portinho foi reeleito; ele já ocupava uma cadeira no Senado desde 2020. Carioca, ele começou sua carreira na política como vereador na capital, em 2016, pelo PSD. Dois anos depois, pelo mesmo partido, foi eleito como primeiro suplente para o Senado. Com a morte do titular Arolde de Oliveira em 2020, Portinho assumiu a cadeira. No mesmo ano, se filiou ao PL no Senado e foi líder do Governo Federal nos últimos meses da gestão de Jair Bolsonaro.
Já Carlos Jordy é niteroiense e tem dois mandatos como deputado federal. Sua carreira na política começou como vereador em sua cidade natal. Lá, ele também concorreu a prefeito, em 2024, mas foi derrotado nas urnas por Rodrigo Neves (PDT).
Douglas Ruas (PL) e Eduardo Paes (PSD) estão matematicamente classificados para o segundo turno da eleição para governador do Rio de Janeiro, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Com 99,46% das urnas apuradas, Ruas soma 49,31% enquanto Paes tem 42,72% dos votos válidos.
Apesar do TSE informar que a eleição já está matematicamente decidida, há ainda dúvida sobre o que acontecerá com os 273.109 votos recebidos por Anthony Garotinho (Republicanos), que estão sub judice.
A disputa pelo Palácio Guanabara será decidida, então, em 25 de outubro.
Douglas Ruas: da Alerj à disputa pelo governo
Douglas Ruas (PL), de 37 anos, chegou à disputa pelo governo como deputado estadual em primeiro mandato e presidente da Assembleia Legislativa (Alerj). Nascido em São Gonçalo, ele é filho do prefeito da cidade, Capitão Nelson (PL), e servidor concursado da Polícia Civil.
Antes de chegar à Alerj, Ruas foi subsecretário de Trabalho de São Gonçalo e ocupou cargos na administração municipal durante a gestão do pai. Em 2022, foi eleito deputado estadual com 175.977 votos, mas não ficou muito tempo no cargo, já que se licenciou do mandato para assumir a secretaria estadual das Cidades, onde permaneceu até março de 2026.
O ‘Rio Real’ contra o ‘Rio das novelas’
A campanha transformou sua cidade de origem, São Gonçalo, em uma das principais marcas de Ruas. Sob o nome “Rio Real”, a coligação do PL apresentou o candidato como uma alternativa à política tradicional a partir da oposição entre o estado “da Região Metropolitana e do interior” e o “Rio das novelas”, de uma Zona Sul supostamente privilegiada pelo ex-prefeito Eduardo Paes.
Além disso, sua juventude e experiência como policial civil também foi incorporada à estratégia para conquistar o eleitorado que, segundo a pesquisa BTG/Nexus divulgada em 30 de setembro, vê a questão da segurança pública como o problema mais urgente do Brasil.
A trajetória de Ruas, porém, trazia uma contradição que virou alvo frequente de Paes: embora fosse apresentado como uma novidade eleitoral, ele havia sido secretário de Cláudio Castro (PL) até poucos meses antes de disputar o governo.
Na campanha, o candidato do PL buscou evitar que essa relação definisse sua candidatura e reforçou a ligação com Flávio Bolsonaro (PL). Ruas passou a se apresentar como o nome escolhido diretamente pelo senador para disputar o governo do estado.
Flávio Bolsonaro (PL) e Douglas Ruas (PL) durante evento em Copacabana – Foto: Divulgação
A estratégia ganhou força na reta final, quando Ruas passou a concentrar boa parte dos votos de eleitores autodeclarados como “bolsonaristas”.
Para tentar vencer Paes, Douglas Ruas construiu a campanha em torno da ideia de renovação e atacou o adversário como representante da “velha política”, nacionalizando a disputa ao explorar a relação entre o ex-prefeito do Rio e o presidente Lula (PT) durante episódios do escândalo da Lava Jato.
Eduardo Paes: da experiência na capital à tentativa de conquistar o estado
Na campanha pelo governo, Eduardo Paes (PSD) fez da experiência à frente da Prefeitura do Rio sua principal credencial. O candidato recorreu sobretudo às intervenções no transporte público para apresentar o que chamou de resultados concretos de gestão, com destaque para a renovação e expansão da frota do BRT — uma pauta capaz de alcançar também moradores da Região Metropolitana que dependem do sistema.
A Linha 3 do metrô, projeto que prevê a ligação entre Niterói, São Gonçalo e Itaboraí, entrou na mesma estratégia.
A troca do chapéu Panamá pelo de vaqueiro
Muito associado à imagem de prefeito carioca, Paes tentou ampliar seu personagem eleitoral para além da capital. O chapéu de vaqueiro, as cavalgadas e as agendas pelo interior passaram a fazer parte da campanha, numa tentativa de se aproximar de um eleitorado que tradicionalmente não está no centro de sua vida política.
Eduardo Paes (PSD) e Benedita da Silva (PT) em Itaguaí durante a campanha eleitoral de 2026 – Foto: Reprodução/Redes sociais
Jane Reis (MDB), integrante de uma das principais famílias políticas de Duque de Caxias, também foi parte dessa estratégia. A escolha da vice ajudou a aproximar a chapa da Baixada e reforçou o esforço de Paes para se apresentar como candidato de todo o estado, e não apenas da cidade do Rio.
O ataque à ‘continuidade’ do governo Cláudio Castro
Paes sustentou, durante a campanha, a narrativa de que seu adversário Douglas Ruas (PL) representava a “continuidade” do grupo político que comandou o estado nos últimos anos. O candidato explorou principalmente a passagem de Ruas pela secretaria estadual das Cidades durante o governo Cláudio Castro (PL) e sua relação política com Rodrigo Bacellar (União) — ex-presidente da Alerj preso por manter uma suposta ligação com o Comando Vermelho.
Na reta final, Eduardo Paes também explorou a investigação sobre irregularidades encontradas na secretaria gerida por Douglas Ruas. Segundo a apuração, empresas contratadas pela pasta para executar obras públicas compravam materiais de uma pedreira da família do deputado Altineu Côrtes (PL), que, por sua vez, contratou uma companhia ligada a Ruas para transportar brita por R$ 1,5 milhão.
A eleição que também foi disputada na Justiça
Com munição de sobra dos dois lados, a disputa entre Eduardo Paes e Douglas Ruas ganhou um segundo campo de batalha: o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ). Ao longo da campanha, as duas coligações recorreram repetidamente à Justiça para tentar tirar do ar propagandas do adversário, conseguir direito de resposta ou impedir a divulgação de conteúdos considerados ofensivos ou falsos.
E a disputa judicial reproduziu justamente as principais narrativas das duas campanhas. Paes tentou associar Ruas a Castro, Bacellar e ao crime organizado, enquanto o candidato do PL buscava atacar a ligação de Paes com Lula e citar episódios da Lava Jato.
Ruas soma 2.359.207 votos e Paes tem 1.912.994. Anthony Garotinho (Republicanos) aparece na terceira posição da parcial, com 157.125 votos — 3,38% do apurado até agora.
Os números ainda representam um estágio inicial da apuração; ao todo, 56,91% urnas foram apuradas. 21.440 seções eleitorais já foram totalizadas.
O senador pelo Rio de Janeiro Flávio Bolsonaro (PL) lidera a corrida pela Presidência da República com 64,81% das urnas apuradas, segundo os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Você pode acompanhar a apuração em TEMPO REAL clicando aqui.
O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro está com 37.566.895 votos, o que representa 49,58% do total de votos válidos contabilizados até o momento. Seu principal rival na disputa, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), aparece em segundo lugar, com 32.007.853 votos (42,25%).
A apuração segue em andamento e os números mudarão conforme novas urnas são contabilizadas.
A atriz Giovanna Lancellotti disse ontem que presenciou a morte do eleitor de 62 anos numa seção eleitoral na Barra da Tijuca. Ela, que é casada com o presidente da Liga Independente das Escolas de Samba do Rio (Liesa), Gabriel David, relatou que estava esperando sua vez de votar e ficou desesperada com a cena:
“Foi do meu lado. Foi horrível, o atendimento médico demorou uma hora e meia para chegar”, reclamou ela.
O homem passou mal enquanto esperava para votar. De acordo com informações do Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ), ele recebeu atendimento de uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas morreu às 12h43. Imagens nas redes sociais mostraram momentos de desespero, com outras pessoas na fila tentando reanimar o homem.
As pessoas ficaram desesperadas tentando reanimar o homem, sem sucesso. Foto: Reprodução
O Corpo de Bombeiros informou que o Quartel da Barra da Tijuca foi acionado às 11h51 para atender uma ocorrência na Rua Rosalina Brand 200, onde fica o Ginásio Experimental Tecnológico (GET) República da Colômbia. A ocorrência acabou ficando com o Samu, que tinha uma equipe mais próxima do local.
No total, foram registradas quatro mortes no Brasil em locais de votação. No município de Cupira, em Pernambuco, outro homem, de 68 anos faleceu. Ele foi identificado como José Roberto da Silva. Já no Tocantins, Maria de Lourdes Costa, de 71 anos, aguardava na fila quando passou mal. Ela chegou a ser encaminhada para uma UPA, mas não resistiu. Em Manaus (AM), Manoel Biel Rabelo, de 75 anos, foi outra vítima fatal. Os indícios é de que ele sofreu um acidente vascular cerebral (AVC).
Já começou a apuração das Eleições 2026 no Rio de Janeiro — e o TEMPO REAL estreia neste domingo (04), uma ferramenta para acompanhar a contagem dos votos.
Em um só lugar, o leitor poderá acompanhar a atualização dos resultados para presidente, governador, senadores e para as cadeiras da Câmara dos Deputados e da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), conforme as seções eleitorais forem sendo apuradas.
A ferramenta foi desenvolvida para facilitar o acompanhamento da apuração, reunindo os principais resultados da eleição no estado em uma única página e com atualização dos números ao longo da noite.
A Polícia Federal instaurou um inquérito neste domingo (04) para investigar a distribuição e o uso de broches equipados com dispositivos eletrônicos em Cabo Frio, na Região dos Lagos. A suspeita é de que os equipamentos pudessem ser utilizados para filmar o voto de eleitores na urna eletrônica durante o primeiro turno das Eleições 2026.
Segundo a PF, os dispositivos foram apreendidos e entregues pela Polícia Civil. Os broches teriam, na parte frontal, o número de um candidato e, na parte traseira, um adesivo que esconderia uma câmera acompanhada de bateria.
Os materiais foram encontrados com um homem, que também teve o celular apreendido. Ele optou por permanecer em silêncio durante a ocorrência.
Os equipamentos e o aparelho celular serão submetidos a perícia técnica criminal. O resultado da análise deverá auxiliar a investigação sobre a origem dos dispositivos e a possível finalidade de utilização durante a votação.
O primeiro turno das Eleições 2026 transcorre dentro da normalidade no estado do Rio de Janeiro, segundo avaliação apresentada neste domingo (04) pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ). Até 14h29, pelo menos 159 urnas eletrônicas haviam sido substituídas, o equivalente a 0,36% do total de equipamentos disponibilizados para a votação.
O presidente do TRE-RJ também destacou que 72 locais de votação foram alterados por questões de segurança em 20 municípios fluminenses. A mudança atingiu cerca de 202 mil eleitores e teve como objetivo retirar seções de áreas consideradas de risco por causa da atuação do crime organizado. Ao todo, 277 locais de votação foram modificados no estado para estas eleições por diferentes motivos.
Entre as ocorrências registradas neste domingo está a morte de um homem de 62 anos que passou mal enquanto ia votar na Barra da Tijuca. Segundo informações preliminares do Corpo de Bombeiros, ele teria sofrido uma parada cardíaca e não resistiu.
O TRE-RJ também acompanha ocorrências relacionadas a crimes eleitorais, incluindo suspeitas de boca de urna e compra de votos. Os números de prisões ainda precisam ser fechados e confirmados pelo tribunal antes de serem apresentados como balanço definitivo.
O estado do Rio de Janeiro tem mais de 12 milhões de eleitores aptos a votar. A votação termina às 17h, e somente após o encerramento será possível conhecer oficialmente o número de eleitores que compareceram às urnas.
Morreu na última quinta-feira (1º) a influenciadora, escritora e palestrante Fernanda Fialho, aos 29 anos. Autista, nível dois de suporte, a notícia da morte de Fernanda entristeceu toda a comunidade de pessoas autistas, neurodivergentes e famílias atípicas.
Amigo de Fernanda, o vereador Paulo Messina, pai de dois jovens autistas, fez um relato emocionado nas redes sociais.
“Obrigado, minha amiga Fernanda, por tudo o que você fez pelas famílias autistas, incluindo a nossa. Eu já te disse que quero dizer aqui também que nós passamos mais de 20 anos procurando uma solução para uma questão de interocepção do Arthur. Vários médicos, especialistas… Bastou uma palestra sua para acordar a gente pra isso. A gente sempre vai estar com a sua família para tudo o que precisarem. Meus sentimentos à família. Descanse em paz, minha amiga Fernanda. Sua mensagem vai continuar viva em todos nós”, despediu-se Messina.
O vereador também vai pedir um minuto de silêncio em homenagem a Fernanda na próxima sessão plenária da Câmara do Rio.
Fernanda Fialho reuniu mais de 177 mil seguidores em uma de suas redes sociais, onde postava conteúdos relacionados ao autismo, à neurodivergência e à saúde mental. Sua experiência pessoal, incluindo o diagnóstico tardio, se transformou em um dos principais temas de conteúdo da página “Para que tabu”, voltada ao autismo e à neurodivergência.
A influenciadora também relatava as dificuldades enfrentadas até conseguir atendimento e compreender melhor sua condição.
Além do trabalho como criadora de conteúdo, Fernanda atuava como palestrante e escritora, com três livros publicados. Fernanda Fialho deixa uma filha de 4 anos, também autista.
Quatro anos após o escândalo dos pagamentos irregulares via cartões-salário vir à tona — e provocar a condenação do então governador Cláudio Castro (PL) — a Fundação Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do Rio de Janeiro (Ceperj) começa a virar a página.
Integrada novamente à estrutura da Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag), a instituição apresentou um plano de desenvolvimento estratégico focado em recompor seus quadros técnicos, reforçar mecanismos de integridade e reestruturar sua atuação.
À frente da nova gestão, a gestora pública Marília Ortiz, ex-secretária de Fazenda de Niterói, entre outras funções, assumiu a presidência e incluiu a nomeação de quadros de carreira e a adoção de um pacote de dez medidas imediatas de compliance. Entre as providências adotadas estão a criação de uma Comissão de Ética formada por servidores efetivos, a implementação de uma matriz de risco para licitações e contratos, além do compromisso de publicar um Plano de Integridade e Compliance atualizado.
Para além da reestruturação interna, o plano da nova administração busca resgatar o papel histórico do órgão na produção de dados estatísticos e na formação de servidores públicos. Entre os projetos prioritários está o lançamento de um novo portal institucional que centraliza pesquisas, cursos da Escola de Governo e informações sobre processos seletivos.
As publicações do novo Ceperj – Foto: Reprodução
Em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado (Faperj), o Ceperj trabalha na estruturação de um Observatório de Indicadores Estratégicos — que reúne mais de 150 variáveis sobre os 92 municípios do estado, além da expansão da Infraestrutura de Dados Espaciais (IDE-RJ) e da criação de um Índice de Desenvolvimento Social (IDS) em âmbito estadual.
O planejamento prevê ainda a criação de um programa de residência em gestão pública para atração de talentos universitários e a transição integral dos processos administrativos para o meio digital.
O desmonte do Ceperj: restam apenas três servidores do quadro próprio
A mudança de rumo ocorre no momento em que a fundação contabiliza as marcas deixadas pela crise institucional travada entre 2015 e 2022. No auge das irregularidades, investigações apontaram cerca de 29 mil pagamentos sem controle de ponto ou vínculo formal transparente, com um prejuízo estimado em R$ 240 milhões às cofres públicos.
O impacto refletiu-se diretamente no quadro funcional: entre 2014 e 2026, o contingente total de trabalhadores caiu de 225 para 85. Hoje, restam apenas 19 servidores efetivos em exercício, dos quais apenas três pertencem ao quadro próprio da Ceperj.
Lipe Portinho e Pille-Rite Rei se apresentam no Acaso Cultural, em Botafogo, nesta quinta-feira (1º) — Foto: Divulgação
Em busca de resultados práticos
O cronograma de metas fixa o curto e o médio prazo para a consolidação das entregas, projetando para os próximos anos a realização de um diagnóstico da força de trabalho com vistas à futura realização de concursos públicos. O desafio agora consiste em converter o planejamento estratégico em resultados práticos, recuperando a credibilidade de um órgão com seis décadas de tradição que viu suas atividades operacionais seriamente comprometidas no passado recente.