A cidade do Rio registrou, no primeiro semestre de 2025, um crescimento real (descontada a inflação) de 37,2% na arrecadação do ISS, somente com impostos oriundos de serviços do setor aeroportuário. Foram recolhidos R$ 34,4 milhões — enquanto nos seis primeiros meses de 2024, foram R$ 25,1 milhões.
O levantamento é da Prefeitura do Rio, por meio da Secretaria municipal de Desenvolvimento Econômico e da Riotur, e analisou diversas atividades do setor, incluindo logística aeroportuária, o uso dos aeroportos, armazenagem, movimentação de mercadorias e apoio aeroportuário.
“Os números comprovam que houve um incremento no setor aeroportuário do Rio, após as medidas de coordenação entre os aeroportos Galeão e Santos Dumont. Isso só reforça a importância do trabalho que vem sendo feito pela recuperação do Galeão e nos dá ainda mais certeza de estarmos no caminho certo”, destacou Osmar Lima, secretário municipal de Desenvolvimento Econômico.
O subgrupo que trata da movimentação de passageiros em aeroportos registrou um crescimento real de 22,3%. Segundo a secretaria e a Riotur, o levantamento mostra como a política de coordenação entre os aeroportos do Rio impactou no volume de passageiros, no aumento de cargas e, consequentemente, na arrecadação. O estudo reforça a importância da articulação entre a Prefeitura do Rio, o governo do estado e o governo federal, que resultou na imposição de um limite de voos no Santos Dumont.
“O resultado reforça como os grandes eventos têm papel decisivo na movimentação da nossa economia. Carnaval, réveillon, Rock in Rio, Web Summit e tantos outros, não apenas atraem turistas, mas também ampliam a demanda por serviços ligados ao setor aeroportuário. Esses dados mostram que o Rio tem capacidade de receber, com qualidade, milhões de visitantes e de transformar essa vocação em desenvolvimento econômico, geração de empregos e arrecadação para a cidade”, avaliou Bernardo Fellows, presidente da Riotur.
Política de coordenação entre os aeroportos começou em 2021
A decisão de reequilibrar as operações dos aeroportos do Rio foi consolidada após mais de dois anos de discussões, culminando em um acordo entre o presidente Lula (PT) e o prefeito Eduardo Paes (PDT), em parceria com o governo do estado. A ideia era conter o esvaziamento do Galeão, que, entre 2019 e 2022, sofreu uma redução de 58% no número de passageiros, tornando-se apenas o 10º aeroporto mais movimentado do Brasil (2022).
O papel estratégico do setor aeroportuário para o Rio
O fortalecimento do setor aeroportuário tem impactos diretos na geração de empregos, no desenvolvimento econômico e na competitividade do Rio como destino global de turismo e negócios. Comparações internacionais demonstram o potencial desse setor: nos Estados Unidos, por exemplo, os cerca de 500 aeroportos do país geram 9,6 milhões de empregos e movimentam US$ 1,1 trilhão, representando 7% do PIB.
Além disso, com forte vocação turística e econômica, a cidade do Rio recebe anualmente centenas de milhares de turistas estrangeiros em eventos de cultura e negócios. Além do turismo, a economia carioca é fortemente baseada no setor de serviços, que representa 86% do PIB da cidade, com destaque para segmentos como saúde, tecnologia, finanças e construção civil.
Estudos da Secretaria de Desenvolvimento Econômico apontam que um setor aeroportuário fortalecido pode, em 10 anos, aumentar o PIB do Estado do Rio em R$ 50,6 bilhões e gerar 684 mil novos empregos. Esse crescimento também teria impacto no cenário nacional, adicionando 0,6% ao PIB do Brasil.
O presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) e candidato a governador Douglas Ruas (PL) está sendo investigado pelo Ministério Público (MPRJ) por suposta prática de crimes licitatórios, peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
O órgão recebeu uma denúncia que acusava o deputado estadual de suspeitas de conflito de interesses e enriquecimento ilícito. A ação foi instaurada em 17 de julho.
Duas empresas com as quais Ruas tem vínculo societário — a Saur Construção, Terraplanagem e Locação LTDA e a DM Invest Consultoria e Participações LTDA — tiveram um crescimento patrimonial alto que coincidiria com a ascensão de Douglas na Alerj e de seu pai, Capitão Nelson (PL), na Prefeitura de São Gonçalo.
A Saur, por exemplo, adquiriu três imóveis, sendo dois em Duque de Caxias e um em São Gonçalo, totalizando um montante de R$ 7,4 milhões nas operações. Além disso, a empresa teve movimentações referentes a escrituras de compra e venda entre 31 de janeiro de 2023 e 27 de maio de 2025, que somam R$ 12,23 milhões.
No documento do MPRJ, há a informação de que, do montante apurado, R$ 9,8 milhões têm relação com negócios firmados com a EBL Participações e Empreendimentos LTDA. Em junho, o MP do Rio pediu à Procuradoria-Geral do Estado (PGE) dados sobre possíveis repasses do governo às empresas Saur e DM Invest. Em resposta enviada no mês seguinte, a PGE afirmou não ter localizado nenhum pagamento.
“O MP tem que cumprir o seu papel, apurar pra ver se existe veracidade. Recentemente, arquivaram uma dessas acusações porque eram inverdades, e eu nem fui chamado para prestar esclarecimento. Eu tenho certeza que essa em breve também será arquivada. Se o MP precisar de esclarecimento, eu estarei à disposição, mas como são mentiras tão grotescas, acredito que vai seguir esse mesmo caminho”, disse o candidato
O Gabinete de Segurança Institucional (GSI) do governador em exercício Ricardo Couto, que coordena as auditorias nos contratos da gestão de Cláudio Castro (PL), estima que até R$ 1,6 bilhão em contratos de obras e serviços da Secretaria de Educação tenham indícios de fraude e formação de cartel. Os contratos foram suspensos para reavaliação.
De acordo com levantamento do GSI, a suspeita é de que 95% das 1.241 escolas da rede tenham contratado obras de forma irregular.
As irregularidades também envolvem a forma como recursos foram liberados para reformas em unidades da rede estadual. Em uma resolução publicada em 2022 o então secretário de Educação Alexandre Valle estabeleceu em R$ 880 o limite para despesas emergenciais. A partir do ano seguinte, porém, passaram a ser recorrentes repasses acima desse teto, inclusive por meio de dispensas de licitação. A justificativa era compensar a redução dos recursos destinados às escolas durante os dois anos da pandemia.
Descentralização de recursos públicos
A resolução segue a Lei Federal, que previa a descentralização de recursos públicos para o pagamento de obras e serviços de emergência, mas logo virou um canal, segundo os investigadores, para o desvio de verbas. Como cabe às Associações de Apoio às Escolas (AAEs), por meio do diretor da unidade educacional, avaliar as melhores propostas na escolha da empresa, esses gestores financeiros passaram a ser assediados por seus superiores.
Na Rua General Sezefredo, em Realengo, na Zona Oeste do Rio, deveria ter sido inaugurada, no início deste ano, uma escola cívico-militar com capacidade para cerca de mil alunos, mas o terreno permanece abandonado, com materiais de construção espalhados e sem operários. Ao todo, foram aprovados R$ 14,3 milhões em despesas para o projeto, dos quais R$ 4,7 milhões correspondem à desapropriação do terreno.
Vistorias realizadas pela atual gestão da Secretaria estadual de Educação encontraram falhas no projeto e serviços que ficaram pelo caminho, como reservatórios de água que se transformaram em possíveis criadouros de mosquitos.
As empreiteiras responsáveis foram notificadas, mas não retomaram os trabalhos. Na inspeção, um dos poucos sinais de avanço foi a recuperação de 12 aparelhos de ar-condicionado que estavam trancados em um cômodo.
Indícios de cartel
De acordo com apuração do jornal “O Globo” no Sistema Eletrônico de Informações (SEI) do estado, também foram encontrados indícios de cartel em um dos contratos da escola cívico-militar de Realengo. A vencedora, LLC Construções, ofereceu R$ 5,7 milhões, com desconto de 4% sobre o valor de referência da Emop. A Top Fire propôs 3%, e a Unidos Construções e Reformas, 2%.
No endereço informado pela LLC à Receita Federal, em Jardim Gramacho, Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, funciona uma loja de material de construção, e os funcionários desconheciam que ali estivesse registrada outra empresa. Procuradas, as demais empresas não responderam à reportagem.
Ferragens à mostra de uma sala de aula da futura escola cívico-militar — Foto: Relatório da Coordenadoria de Engenharia da Secretaria de Educação
Trocas de diretores e cartas marcadas nas reformas de escolas estaduais
As investigações apontam ainda que as diretorias regionais — há 14 no estado — entre 2023 e 2026, estariam sendo alvo de políticos, interessados nos consideráveis repasses previstos pela Constituição Federal. Um dos diretores ouvidos na apuração chegou a relatar ter recebido um pendrive com os nomes das empresas que teria que indicar.
Segundo a Polícia Federal, há indícios de que o ex-presidente da Alerj e ex-deputado Rodrigo Bacellar exercia influência sobre a pasta de Educação. Ele e o ex-deputado Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias, são investigados na Operação Unha e Carne por integrarem uma organização criminosa envolvida em corrupção, lavagem de dinheiro e ligações com o crime organizado.
A auditoria do GSI identificou indícios de possível cartel em três contratos, que já são investigados pelo Ministério Público do Rio (MPRJ). Segundo o órgão, empresas pré-selecionadas pelos diretores das regionais apresentaram propostas com descontos sobre os valores estimados pela Empresa de Obras Públicas do Estado (Emop).
Um dos pontos que chamou a atenção foi a diferença gradual entre os descontos oferecidos pelas concorrentes. De acordo com o GSI, esse tipo de comportamento é apontado como possível sinal de cartel em materiais de orientação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Um dos casos apontados é o da disputa pela reforma do Colégio Estadual Nilo Peçanha, em Niterói, na Região Metropolitana: a vencedora ofereceu R$ 4.538.668,82 pela obra, com desconto de 4% sobre o valor inicial.
A segunda colocada ofereceu desconto de 3%, enquanto a terceira apresentou abatimento de 2%. A empresa vencedora, porém, participou da disputa sem comprovar que tinha recursos suficientes para executar o serviço. Os sócios haviam se comprometido a investir R$ 1 milhão na empresa, mas o aporte ainda não havia sido feito quando o certame ocorreu.
Descontos em sequência chamaram atenção em outros contratos
Em Silva Jardim, na Região dos Lagos, a empresa que venceu um contrato de R$ 5,6 milhões para reformar o Ciep Sérvulo de Mello, com desconto de 5%, teve cinco concorrentes. As demais propuseram descontos de 4%, 3%, 2% e 1%, respectivamente.
Enquanto que em São Gonçalo, a suspeita é sobre o contrato de R$ 4,6 milhões para a reforma do Ciep Túlio Rodrigues Perlingeiro, localizado em uma das principais vias de acesso ao Complexo do Salgueiro.
Também nesse caso, em 13 de maio de 2025, três empresas disputaram o contrato. A vencedora ofereceu desconto de 4% sobre o valor inicial do edital; a segunda colocada, 3%; e a terceira, 2%.
O fato de a mesma empresa ter apresentado a proposta menos vantajosa em duas licitações também chamou a atenção do GSI. Além do contrato de São Gonçalo, a mesma ficou em último lugar na disputa pela reforma do Ciep Brizolão Doutor Eiras de Miranda Saraiva, em Itaboraí.
Diretores alegam ‘falta de independência’ nas contratações
Diretores das escolas estaduais que passaram por reformas entre 2023 e 2025 disseram, em resposta à Secretaria estadual de Educação, que tinham pouca participação na escolha das empresas contratadas para obras. Segundo os profissionais, as planilhas já vinham prontas com as propostas de preço e os gestores das unidades deveriam indicar qual deveria ser contratada.
Na prática, restava indicar a que ofereceria o melhor preço — sendo que, em muitos casos, era a única opção, porque as concorrentes não apresentavam todos os atestados ou anexavam documentos vencidos.
Foi nesse período que os repasses para obras emergenciais sem licitação dispararam. Os valores passaram de R$ 56 milhões em 2018 para R$ 603,2 milhões em 2024, segundo levantamento do deputado estadual Flávio Serafini (PSOL), que pediu ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) uma análise sobre os gastos.
Um exemplo dessa prática é o Colégio José Rascão, em São Pedro da Aldeia, na Região dos Lagos. O conselho escolar foi surpreendido com a liberação de R$ 1,6 milhão para obras que não haviam sido pedidas pela unidade. Diante disso, solicitou à Secretaria de Educação que a Associação de Apoio pudesse refazer a pesquisa de preços e tivesse mais liberdade para decidir como aplicar os recursos.
Colégio José Rascão, em São Pedro da Aldeia, recebeu R$ 1,6 milhão para obras que não foram solicitadas pela unidade — Foto: Reprodução/Redes Sociais
Segundo documentos obtidos no Sistema Eletrônico de Informações (SEI), o pedido foi negado pela pasta.
A unidade está entre as nove escolas que tiveram contratos analisados pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) após a representação. Em alguns casos, os técnicos encontraram indícios de preços acima do mercado e serviços dados como concluídos, mas que ainda não haviam sido executados.
Outro contrato que entrou na mira do TCE foi o da Escola Albert Sabin, em Campo Grande, onde foram gastos R$ 3,8 milhões na recuperação de um muro de alvenaria e da calçada em frente à unidade. Para os técnicos do tribunal, o valor não seria compatível com o que foi efetivamente feito.
O tribunal também determinou que o governo estadual mantenha suspensos os saldos dos contratos até que as análises sejam concluídas.
Com informações dos jornalistas Luiz Ernesto Magalhães e Vera Araújo, do jornal “O Globo”.
O governador em exercício Ricardo Couto publicou, no Diário Oficial desta quarta-feira (30), um decreto que determina acesso gratuito aos serviços de transporte público estadual nos dias das eleições de 2026. A medida é válida das 6h às 20h do próximo domingo (04); cado haja segundo turno, a medida se repete no dia 29 de outubro.
Além do governo do estado, a Prefeitura do Rio também anunciou que vai disponibilizar gratuidade nos transportes municipais nos dias de votação.
Confira os transportes com acesso gratuito no dia das eleições
Ônibus;
Barcas;
BRT;
VLT;
Trens;
Metrô;
Serviços de transporte complementar, como vans.
Ônibus rodoviários não estão inclusos na medida, exceto nos casos em que não existe serviço intermunicipal operado por coletivos urbanos.
Se dependesse unicamente da caneta do governador em exercício Ricardo Couto, o Diário Oficial desta quarta-feira (30) teria passado em branco no quesito movimentação de pessoal. Em dia de “caneta seca” no gabinete principal, Couto não assinou nenhuma exoneração e nenhuma nomeação.
Quem chamou a responsabilidade e tocou o barco foi a Casa Civil. Mesmo operando com o freio de mão meio puxado — em uma edição modesta em relação ao volume habitual —, o secretário assinou os atos do dia e manteve a tendência observada nas últimas semanas: o saldo final voltou a fechar no positivo para novos nomeados.
No placar do dia, foram 13 nomeações contra 12 exonerações — uma vitória magra de 13 a 12, mas suficiente para mostrar que a máquina estadual continua inchando no ritmo em que as cadeiras vagam.
O Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ) julga nesta quarta-feira (30), a partir das 14h30, a representação aberta pelo deputado estadual Marcelo Dino (PL) sobre a cobrança da Taxa de Turismo Sustentável (TTS) no município de Angra dos Reis, que estabelece a cobrança de tributos para visitantes que desembarcarem em todas as ilhas da região.
O tributo é aplicado desde 1º de junho e vem sendo alvo de críticas de operadores de turismo, que afirmam queda nas reservas de hotéis e pousadas.
A Associação dos Meios de Hospedagem da Ilha Grande se posicionou favorável à iniciativa contrária à taxa.
“Quem vive do turismo na Ilha Grande sente a redução no movimento e se preocupa com os empregos que dependem dele. A cobrança começou, mas problemas antigos de infraestrutura continuam à vista de moradores e visitantes. Esperamos que o TCE examine a forma como a taxa foi implantada e dê uma resposta à população”, informou .
Visitantes devem emitir voucher
A cobrança é baseada em Unidades Fiscais de Referência, um índice utilizado pela prefeitura para definir e atualizar o valor da taxa de turismo. Pela regra original,
O modelo de cobrança passou por alterações nos valores mínimos em comparação com o projeto original que estava, inicialmente, previsto para começar a valer em janeiro.
Quem desembarcasse em uma das 365 ilhas do município até janeiro de 2027 teria que pagar 10 Ufirs (R$ 49,60) por até 24 horas de permanência e uma Ufir (R$ 4,96) por cada dia a mais de visita, além de uma taxa de serviço de 12% (sobre o total) pela emissão da autorização. Caso o embarque se desse em Conceição de Jacareí ou Mangaratiba, o valor dobraria.
Agora, o preço mínimo começa em 5 Ufirs (R$ 24,80) para quem chega em Angra e faz um bate e volta às ilhas; ou 9 Ufirs (R$ 44,64) se chegar por outra cidade, mais a taxa de 12%.
O sistema opera de forma totalmente virtual por meio do portal Viva Angra. Tanto moradores quanto pessoas que trabalham na cidade ou nas ilhas devem se cadastrar no portal Viva Angra e emitir uma carteirinha com foto. Já os turistas precisam pagar a taxa. Na cidade e na Ilha Grande há totens para quitar o tributo; e há opção de fazê-lo pela internet, via portal.
O visitante deve indicar se vai simplesmente fazer uma visita (sem qualquer outra despesa), se ficará hospedado ou se contratou algum passeio específico (nestes casos, é preciso registrar o comprovante do serviço contratado).
A lei prevê que caso algum fiscal identifique turistas que não quitaram o tributo, a multa será o dobro da taxa devida.
Hospedagem informal fica fora do sistema de vouchers
Outro ponto questionado é a situação das hospedagens informais. Quem chega à Ilha Grande por Conceição de Jacareí paga cerca de R$ 50 pelo voucher caso apresente a comprovação de, pelo menos, duas diárias em um estabelecimento regularizado e cadastrado no portal Viva Angra. Sem o comprovante, o valor sobe para R$ 100.
O sistema , porém, não contempla moradores que alugam quartos ou imóveis por temporada sem CNPJ. Nesses casos, não é possível emitir o voucher.
De acordo com a Prefeitura de Angra dos Reis, o documento é restrito a serviços de hospedagem legalizados. Do valor arrecadado, 12% ficam com a Cash Pago, empresa responsável pela gestão do portal Viva Angra. Segundo o município, a contratação ocorreu sem licitação porque a empresa seria a única a oferecer o serviço necessário.
ATUALIZAÇÃO ÀS 08h23: o MetrôRio informou que a linha 4 voltou a circular, mas os intervalos ainda estão em processo de normalização.
A operação da linha 4 do MetrôRio está temporariamente interrompida na manhã desta quarta-feira (30) devido a um problema técnico. Segundo a concessionária, equipes trabalham para normalizar o serviço.
As linhas 1 e 2 seguem em operação. A Linha 1 opera entre as estações General Osório e Uruguai com intervalos regulares, assim como a Linha 2, que funciona normalmente entre Pavuna e Botafogo.
O MetrôRio ainda não informou se há previsão para a retomada da operação da linha 4.
Mas já passava da meia-noite quando as redes sociais deram a resposta. Entre o ex-prefeito e o presidente da Assembleia Legislativa, os insones que acompanharam o embate até o fim acharam mais divertido o desempenho de… Anthony Garotinho (REP).
Performance teatral à parte, o encontro teve a clássica formação todos contra um — mais especificamente, contra Douglas Ruas. Identificando o presidente da Assembleia Legislativa como o que está mais próximo do governo Cláudio Castro (PL), os adversários, do franco atirador Garotinho ao único representantes da esquerda, William Siri (PSOL), voltaram suas baterias para ele. Eduardo Paes, o adversário mais direto, e principal interessado na contenda, aproveitou até para passar parte da noite vendo a luta da arquibancada.
Desde o início, ficou clara a estratégia de cada um: Ruas reforçou que é o candidato de Flavio Bolsonaro e tentou colar Lula em Paes; o ex-prefeito relembrou a ligação de Ruas com Cláudio Castro, Rodrigo Bacellar e o esquema de corrupção da Alerj. E só falou de Lula quando não teve outro jeito.
E como ninguém ia dar espaço para Garotinho, ele tratou de cavar seu próprio — e hilário — caminho.
Na parte séria da contenda, o estreante bem treinado conseguiu levar o experiente Paes às cordas duas vezes. A pergunta sobre as acusações de violência doméstica contra Pedro Paulo (PSD), fiel escudeiro e candidato a senador, tirou o ex-prefeito do eixo. Ele devolveu com a informação de que um irmão do adversário passou por processo semelhante e, como Pedro Paulo, fora inocentado.
Mas titubeou e não foi enfático o suficiente para rebater o provocador. Ainda nervoso, tentou engatar, em seguida, numa dobradinha com William Siri — esquecendo-se que o candidato do PSOL já havia respondido antes e não poderia ser perguntado.
Paes também não deu explicações quando Douglas Ruas perguntou se havia encontrado Bacellar em algum momento, no período em que o ex-presidente da Assembleia deixou a prisão.
No fim do debate, parecendo estar sem energia, disse que “depois responderia” as acusações que ficaram no ar.
Garotinho provocou, salpicou denúncias e flanou pelo debate
André Marinho (Novo) não foi convidado para a festa, mas deu “carteirada” ao conseguir uma decisão do presidente do TSE, o ministro Nunes Marques. Não fez diferença no espetáculo.
William Siri se saiu melhor ao defender as bandeiras do PSOL e conquistou alguns momentos nos refletores quando fez dobradinha com Paes. Ainda teve algumas tiradas irônicas, como quando perguntou a Douglas Ruas se o candidato do PL “veio de Marte”, e não sabia “nada do que está acontecendo” no Rio.
Mas foi Garotinho quem roubou a cena. Logo de saída, citou a existência de uma tal “lista do Bacellar”, que teria nomes de políticos envolvidos em corrupção da Assembleia Legislativa. “E tem gente de tudo quanto é partido, inclusive do meu”, disse.
Em outro momento, lembrou de um projeto que implantara chamado “Leitinho feliz” e arrancou risadas dos adversários.
O ex-governador está com o registro indeferido e tem pouquíssimas chances de ganhar a eleição, mas aproveitou cada minuto. Leu, numa tosca folha de papel cheia de anotações e rabiscos, uma interminável lista de acusações, deixou outras no ar. Desmoralizou o governo do estado (“que não sabe nem dividir o estado”), e flanou pelo palco.
“O Leo Dias da política fluminense”, disse André Marinho (Novo) em sua melhor tirada, referindo-se ao polêmico e performático colunista.
Douglas foi bem, mas Paes pode sair ganhando
Se dá para dizer que o embate teve algum vencedor, pode-se concluir que Douglas Ruas saiu-se bem, apesar de apanhar muito. O principal adversário também seguiu, com sucesso, o plano de mostrar as contradições do candidato do PL.
Mas, no fim, pode ser Paes o mais beneficiado.
Apesar de hoje estar legalmente fora da disputa, Garotinho aproveitou o momento e fez um recall de seu nome em grande estilo. Ele está recorrendo ao TSE para conseguir voltar ao jogo, de preferência, antes de domingo. Mesmo que não tenha sucesso, seu nome estará na urna, e ele poderá receber os votos que sua performance no debate ajudou a conquistar.
E votos para candidato indeferido são anulados. Votos anulados ajudam quem estiver na frente na disputa — que hoje é… Eduardo Paes.
Os ataques ao ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PSD) e ao presidente da Assembleia Legislativa Douglas Ruas (PL) — e claro, aos embates entre eles — deram o tom do último debate “frente a frente” com os principais candidatos ao governo do estado nas eleições de 2026, promovido pela TV Globo nesta terça-feira (29). Enquanto era constantemente citado como a continuidade do ex-governador Cláudio Castro (PL) e chamado de “reserva de Rodrigo Bacellar”, o atual presidente da Alerj tentava se esquivar dos ex-aliados ao colar sua imagem no senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL).
Escolhido por sorteio para abrir o primeiro bloco com o tema transporte público, Ruas escolheu o ex-prefeito para iniciar o confronto questionando sobre a Linha 3 do Metrô de São Gonçalo, município governado pelo seu pai, Capitão Nelson (PL). Lembrando da aliança de Paes com o ex-governador Sérgio Cabral e Lula, apontou que o candidato do PSD faz parte da “velha política de promessas”, e que sequer sabia quanto a obra custaria.
Paes retrucou lembrando que Ruas foi secretário de Cidades de Castro e também pouco fez: “Quem acabou de falar foi o secretário do Cláudio Castro e quem substituiu o Rodrigo Bacellar na Alerj e na candidatura do governo, e isso porque ele está preso. Como secretário do Castro, não fez uma obra de mobilidade, não priorizou a Baixada e nem o corredor de ônibus de São Gonçalo”, disparou Paes, aproveitando para lembrar que entregou o Terminal Gentileza.
Listas de corrupção
Quando o tema foi saneamento, William Siri (PSOL) dirigiu a pergunta a Anthony Garotinho (Republicanos), não sem antes alfinetar Ruas como aliado do grupo que privatizou a Cedae. Na breve dobradinha, ambos defenderam a reestatização da companhia e prometeram a redução da conta de água. “Vou anular o contrato juridicamente. Tenho provas que edital foi montado com favorecimento”, disparou Garotinho.
Sorteado para falar sobre dívida estadual com Marinho, o ex-governador aproveitou para comentar uma possível lista de políticos que teriam recebido dinheiro do bicheiro Adilsinho. O candidato do Novo, por sua vez, afirmou que todos são “farinha do mesmo saco”.
“O problema do Rio de Janeiro não é falta de dinheiro, é excesso de ladrão. Mas você também não tem moral com esse seu longo rabo preso do tamanho da Ponte Rio-Niterói”, disparou Marinho, usando sua veia de comediante.
Já em um bate-bola com Siri, Garotinho aproveitou para sacar outra lista, a qual chamou de “lista de Bacellar” – quando arrancou risadas ao citar que tinha até gente do próprio partido. O franco atirador do Republicanos, que acabou sendo deixado por último no debate em alguns momentos, ainda fez questão de reivindicar autoria de frase citada pelo psolista: “É minha a frase de que o gabinete do crime organizado é o gabinete do Palácio Guanabara, e a subsecretaria é a Alerj”
Só neste momento, quando já tinha passado da meia-noite, Siri fez a primeira menção a Daniel Vorcaro, associando-o a Flávio Bolsonaro. O governo de Castro destinou bilhões do Rioprevidência para o Banco Master. “Quem queria o Bacellar no governo do Rio era o Flávio, que estava junto com o Vorcaro”, disse Siri.
Polarização Lula x Bolsonaro
Ao abrir o segundo bloco, Siri escolheu Ruas para questioná-lo sobre a sua posição sobre o fim da escala 6×1 e associou o tema ao embate entre Lula e Bolsonaro. Durante a pergunta, o psolista dedicou um tempo para chamar Flávio de “miliciano” e de “bandido”. Ruas, por sua vez, defendeu o aliado quanto disse que o custo da folga ao trabalhador não deve cair sobre os empresários.
“Não entra nessa, não (fazer ofensas a Flávio). As pessoas aqui querem saber de propostas”, cutucou Ruas.
Enquanto Siri citou lula inúmeras vezes, Paes apenas falou do aliado em um momento do programa ao lembrar de parcerias com o presidente: “Essa é a nossa relação. Eu não preciso ficar aqui repetindo Lula, Lula. A gente estabelece parceria, ele não é meu patrão. A gente trabalha em conjunto”.
Violência contra mulher
Com a nova chance de escolher um oponente, o presidente da Alerj mirou em Paes para tratar do combate à violência contra a mulher, o que deu margem à troca de farpas mais intensa. Ruas citou as acusações contra Pedro Paulo. Ao tentar citar propostas de fato, como criação de delegacias da mulher e aumento da ronda Maria da Penha, Paes defendeu Pedro Paulo e apontou para a família de Ruas.
“Ele fala como se tivesse vindo do além, mas era secretário do Castro. E não fala do irmão dele, que agrediu a mulher. Então pare de falar de quem já provou inocência”, disparou Paes, em referência ao vereador de São Gonçalo Nelsinho Ruas, alvo de processo de denúncia de agressão envolvendo a ex-companheira. O caso foi arquivado.
Bloco sobre regiões do estado é o campeão de propostas no debate
Destinado a perguntas sobre as regiões do estado, o terceiro bloco trouxe um pouco mais de propostas. Ruas defendeu a criação de escritórios; Paes prometeu baixar o pedágio da Via-Lagos; Siri disse que, se eleito, construirá hospital em Itaguaí. Garotinho a construir Hospital do Câncer em Campos e Marinho fazer plano de contingência para chuvas na Região Serrana.
No enquanto, o quarto bloco voltou a esquentar com Siri questionando Ruas sobre as possíveis ligações de políticos do seu partido com o rombo no Rioprevidência. O presidente da Alerj disse que agentes públicos envolvidos devem pagar e receber duras penas.
Já na sua vez de perguntar, Ruas se voltou para Paes para falar sobre propostas para pessoas com espectro de autismo, lembrando que o adversário já usou termos preconceituosos. Paes não retrucou, reconheceu e pediu desculpas. Aproveitou para falar da proposta de atendimento multidisciplinar e criação de centros estaduais.
Já em debate com Garotinho, Eduardo Paes questionou o que chamou de “enriquecimento rápido” de Douglas Ruas, mas foi surpreendido pelo fantasma das vigas da Perimetral.
“Tudo que você falou é verdade, mas todo mundo quer saber onde está a viga da Perimetral. Você era prefeito e a viga sumiu. É um perigo esse rapaz ser governador, se sumiram as vigas, qual o risco de a gente amanhecer sem a Ponte Rio-Niterói”.
Bom de briga que é, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou que os diferentes levantamentos sobre a disputa pelo Senado no Rio mostram um cenário mais amplo do que o retratado pela pesquisa Quaest divulgada nesta terça-feira (29), que apontou Benedita da Silva (PT), Carlos Jordy (PL) e Carlos Portinho (PL) com 15%.
“É importante olhar o conjunto das pesquisas e, principalmente, a evolução dentro de cada instituto. Só a Quaest mostra a Benedita estacionada nas últimas rodadas”, diz Lindbergh. “No Datafolha, ela foi de 15% para 18% e chegou a 19%. No Paraná, passou de 29,6% para 30,7% e agora está em 32%. E na Prefab, depois de marcar 15,2% em agosto, chegou a 22,8% e agora aparece com 27,2%. Pesquisa boa mesmo é a que a gente vê na urna”, ironizou Lindbergh.
O candidato do Novo ao governo do estado do Rio de Janeiro, André Marinho, tem direito de participar do debate da TV Globo nesta terça-feira (29), segundo decisão do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques.
A decisão foi tomada a partir de um pedido do Diretório Nacional do Novo. O magistrado determinou a inclusão do partido entre os que atendem ao requisito de representação parlamentar previsto na legislação eleitoral e ordenou que as emissoras responsáveis pelos debates sejam comunicadas.
O encontro está previsto para começar às 22h15 e, até então, reuniria apenas Eduardo Paes (PSD), Douglas Ruas (PL), Anthony Garotinho (Republicanos) e William Siri (PSOL). Marinho já havia participado do primeiro debate entre os candidatos ao governo do estado, realizado pela Band em agosto.
Além de Marinho, medida atinge o candidato à Presidência Romeu Zema
O Novo entrou na Justiça após os candidatos da legenda serem deixados de fora de debates eleitorais. No pedido, o partido citou a ausência de Romeu Zema, candidato à Presidência; Kiko Caputo, candidato ao governo do Distrito Federal; e André Marinho.
O ministro considerou que o partido cumpria o requisito de representação parlamentar previsto na legislação eleitoral. Em 20 de julho, cinco deputados federais estavam filiados à legenda, número usado como referência para a análise.
Para Nunes Marques, considerar apenas o partido pelo qual esses parlamentares foram eleitos criaria uma restrição que não está prevista na regra. O ministro também afirmou que a inclusão dos candidatos do Novo não impede a participação dos demais concorrentes já incluídos nos debates.