O Rio de Janeiro registrou um aumento de 27% na quantidade de empresas na atividade de fabricação de cervejas e chopes nos últimos cinco anos, segundo Sebrae Rio. No total, o levantamento aponta que o estado tem 195 empresas, sendo 62% microempresas, 27% empresas de pequeno porte e 11% são médias e grandes empresas.
A Região Metropolitana concentra 35% das empresas produtoras de cervejas e chopes. A Região Serrana vem na sequência com 24%, seguida do Médio Paraíba com 14%, Centro-Sul com 9%, Região dos Lagos com 6%, Norte Fluminense com 5%, Noroeste com 4% e Costa Verde com 3%.
“O crescimento do segmento cervejeiro está acima da média nacional, e o estado é o sexto na quantidade de empresas em funcionamento ligadas à produção de cerveja e chope. Isso reforça a vocação do estado e o potencial para que novos investimentos surjam nos próximos anos”, avalia Carina Ferraz, coordenadora de Indústria do Sebrae Rio.
O crescimento no país de empresas em funcionamento voltadas para a produção de cervejas e chopes foi de 23% nos últimos anos. Atualmente, o Brasil conta com mais de 2,5 mil empresas, com 10 estados sendo os responsáveis por 91% dessa atividade econômica.
São Paulo lidera com 18% das empresas, seguido por Rio Grande do Sul (17%), Minas Gerais (15%), Santa Catarina (12%), Paraná (11%), Rio de Janeiro (8%), Espírito Santo (5%), Goiás (3%), Bahia (2%) e Mato Grosso (2%).
A ‘emergência’ que levou meses: Secretaria Estadual de Educação assina finalmente contrato de até R$ 158,9 milhões para apoio a alunos com deficiência e autismo
A Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro assinou, no último dia 14 de outubro, contrato emergencial com o Centro de Desenvolvimento Pessoal (CDP) para a prestação de serviços de Apoio Escolar (PAE). A contratação direta, orçada em até R$ 158.997.240,00, com parcelas mensais de R$ 15,8 milhões, tem o objetivo de atender estudantes com deficiência e Transtorno do Espectro Autista (TEA) na rede pública estadual.
O novo contrato emergencial tem vigência improrrogável até 11 de junho de 2027.
Histórico de falhas contratuais e intervenção do MP do Trabalho
A dispensa de licitação foi motivada pelo encerramento da cobertura do contrato com o Instituto Positiva Social. Ao longo dos exercícios de 2025 e 2026, a secretaria registrou descumprimentos recorrentes por parte da antiga prestadora, como atrasos nos pagamentos de salários e benefícios (vale-transporte e alimentação), não recolhimento de FGTS, paralisações durante o ano letivo e falhas na reposição de funcionários.
Diante do cenário, o governo firmou o Termo de Ajustamento de Conduta 99/2026 junto ao Ministério Público do Trabalho (MPT). Inicialmente, a secretaria tentou formalizar um termo aditivo para prorrogar o vínculo antigo como medida de transição. No entanto, a Procuradoria Regional do Trabalho da 1ª Região notificou a pasta sobre a incompatibilidade da prorrogação com os compromissos assumidos no TAC, inviabilizando a continuidade do contrato vencido em julho.
Em paralelo, a licitação ordinária, voltada à solução definitiva do problema, sofreu atrasos. Segundo os registros internos, o processo precisou ser readequado às exigências dos novos marcos normativos federais (decretos federais 12.686/2025 e 12.773/2025 e portaria do MEC 421/2026).
A tramitação também foi impactada por sucessivas trocas nas chefias da subsecretaria-executiva e das superintendências de Contratos e Licitações entre março e junho de 2026.
Alertas de controle jurídico
Antes da assinatura do contrato com o CDP, a assessoria jurídica da secretaria analisou a minuta da dispensa. No parecer, o órgão orientou que a área técnica apresentasse justificativas formais para a expansão do quantitativo de postos no contrato emergencial.
Os dados do planejamento mostravam que a rede tinha 1.761 alunos atendidos pelo contrato antigo e 1.617 em fila de espera (totalizando 3.378 postos). O projeto emergencial, contudo, fixou o teto em 4 mil postos de trabalho por prever uma “margem técnica” de 622 vagas.
A assessoria jurídica alertou para o entendimento do Tribunal de Contas da União (TCU) que veda a inclusão de margens de segurança para superdimensionar quantitativos em dispensas emergenciais.
O parecer jurídico também recomendou a complementação das justificativas técnicas sobre a mudança da remuneração de horista para mensalista e o enquadramento do cargo por analogia na Classificação Brasileira de Ocupações (CBO 5153-05 – Educador Social).
Início da operação
A contratação direta foi chancelada com fundamento no art. 75, inciso VIII, da Lei Federal nº 14.133/2021. A empresa selecionada, Centro de Desenvolvimento Pessoal (CDP), assumiu a prestação contínua dos serviços de apoio assistencial (locomoção, higiene, alimentação e acompanhamento em sala) enquanto o estado conclui o processo licitatório definitivo.
Uma infestação de pulgas obrigou o Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) a mudar o local de votação de eleitores de Jardim Sulacap, na Zona Oeste do Rio, neste domingo (25), segundo turno das eleições.
Os eleitores das seções 145 a 154 da 185ª Zona Eleitoral, que votariam na Escola Municipal Visconde de Porto Seguro, na Rua Teófilo Guimarães, 604, foram transferidos para o Colégio Marques Rodrigues, na Rua Pacífico Pereira, 289, no mesmo bairro.
O novo endereço fica a cerca de 500 metros do local original. A mudança afeta cerca de 3 mil eleitores.
A infestação foi identificada por servidores da Justiça Eleitoral no sábado (24), quando eles chegaram à escola para instalar as urnas para o segundo turno.
Mudança também ocorreu na Zona Norte
Jardim Sulacap é o segundo local de votação da capital que teve o endereço alterado entre o primeiro e o segundo turno.
Em Brás de Pina, na Zona Norte, mais de 1,8 mil eleitores das seções 123 a 127 também foram transferidos. O novo endereço fica na Penha Circular.
Segundo o presidente do TRE-RJ, desembargador Claudio de Mello Tavares, apenas dois dos 5.040 locais de votação do estado tiveram mudança de endereço entre os dois turnos. Os demais permanecem nos mesmos locais do primeiro turno.
O TRE-RJ orienta os eleitores a consultar o local de votação antes de sair de casa. A verificação pode ser feita pelo site do tribunal ou pelo aplicativo e-Título.
Ruas chegou ao local de votação acompanhado da esposa, Mariana Ruas, e do filho. Após votar, seguirá para Brasília, onde acompanhará a apuração ao lado de Flávio Bolsonaro.
Nas redes sociais, o governador eleito publicou um vídeo em que incentiva os eleitores a comparecerem às urnas. “Pessoal, já fiz a minha parte aqui. Você que não saiu de casa ainda, vá às urnas. É muito importante você participar, exercer o seu direito de cidadania para escolher o futuro do nosso país”, afirmou.
Ruas também declarou que pretende iniciar já nesta segunda-feira (26) os trabalhos para a transição do governo do Rio de Janeiro.
O ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos), que teve sua candidatura ao governo do estado do Rio no centro da disputa judicial que mudou o resultado da eleição favorável para Douglas Ruas (PL), não poderá votar no segundo turno das eleições neste domingo (25).
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) revogou, por unanimidade, a liminar que havia permitido ao político votar no primeiro turno.
A decisão foi tomada por unanimidade em 15 de outubro, no julgamento de um mandado de segurança apresentado pelo ex-governador para tentar garantir o direito ao voto. Depois da decisão, Garotinho afirmou que iria recorrer.
O voto dado por ele no 1º turno, em 4 de outubro, foi preservado porque a liminar ainda estava em vigor naquela data.
Impacto no resultado da eleição para governador
A situação de Garotinho também teve impacto direto no resultado já no primeiro turno sobre quem vai ser o próximo governador fluminense.
O ex-governador recebeu 274.411 votos no primeiro turno, em 4 de outubro, mas teve a candidatura barrada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que determinou a anulação dos votos. Com a mudança na contagem dos votos válidos, Douglas Ruas (PL) ultrapassou a marca de 50% e foi declarado vencedor ainda no primeiro turno, dispensando uma nova votação para governador.
Neste domingo, os eleitores fluminenses votam apenas para presidente da República.
Depois de uma campanha eleitoral movimentada, o candidato derrotado ao governo do estado do Rio de Janeiro Eduardo Paes parece pronto para deixar a política um pouquinho de lado… pelo menos por enquanto.
Neste domingo (25), após votar no segundo turno das eleições, o ex-prefeito do Rio publicou nas redes sociais uma foto com seu antigo título de eleitor e uma coleção de comprovantes de votação. Entre eles, o documento deste domingo, devidamente circulado na imagem.
“Eu sou old school! Carrego todos os comprovantes! Agora foi! Fuiiiiiii! Vacaciones!”, escreveu Paes.
Com o resultado da eleição definido, Paes aproveitou o clima de despedida do pleito para anunciar que vai tirar férias. Nos comentários, teve até quem lamentasse a ausência: “Queria ter votado em você hoje!”, escreveu um seguidor.
Por enquanto, então, é isso: comprovante guardado, eleição encerrada e… “vacaciones”.
A votação do segundo turno das eleições presidenciais brasileiras no exterior já terminou em alguns países, com vitórias tanto do presidente Lula (PT) quanto do senador Flávio Bolsonaro (PL). Enquanto Lula venceu na Nova Zelândia, na Coreia do Sul, na China, em Cingapura e na Austrália, Flávio foi o mais votado no Japão, na Malásia, nas Filipinas, na Tailândia, nos Emirados Árabes Unidos e na Indonésia.
Quase 919 mil brasileiros estão aptos a votar fora do país neste domingo (25). A votação no exterior termina apenas à noite, no Canadá, onde o horário local permite que o processo se estenda por mais de 29 horas, considerando a diferença de fuso em relação ao Brasil.
A Nova Zelândia foi o primeiro país a encerrar a votação, às 17h no horário local (1h de Brasília). Após o fechamento das urnas, os primeiros boletins de urna indicaram que Lula recebeu 418 votos, contra 101 de Flávio.
Em cidades europeias, como Paris, Lisboa e Londres, a votação foi marcada por filas. Também houve manifestações em algumas localidades.
Onde Lula venceu
Na Nova Zelândia, Lula recebeu 418 votos, enquanto Flávio Bolsonaro teve 101. Na Coreia do Sul, o presidente somou 148 votos, contra 82 do adversário. Na China, foram 502 votos para Lula e 267 para Flávio.
Em Cingapura, Lula venceu por 213 votos a 121. Na Austrália, a diferença foi maior: o presidente recebeu 6.017 votos, enquanto o candidato do PL teve 3.465.
Onde Flávio Bolsonaro venceu
O Japão registrou a maior votação entre os países listados em que Flávio Bolsonaro saiu vitorioso: o senador recebeu 28.538 votos, contra 7.098 de Lula. Na Malásia, Flávio teve 44 votos, enquanto Lula recebeu 41. Nas Filipinas, o resultado foi de 39 votos para o candidato do PL e 27 para o petista. Na Tailândia, Flávio venceu por 60 a 56.
Nos Emirados Árabes Unidos, Flávio recebeu 772 votos, contra 643 de Lula. Na Indonésia, foram 23 votos para o senador e 15 para o presidente.
Voto brasileiro no exterior
Ao todo, 918.911 eleitores estão aptos a votar no exterior em 2026. A votação ocorre em 1.361 seções eleitorais, distribuídas por 134 países, com 1.407 urnas eletrônicas.
Para que uma seção eleitoral seja instalada fora do Brasil, é necessário haver pelo menos 30 eleitores aptos na localidade. O número de brasileiros registrados para votar no exterior cresceu 31,8% em relação a 2022 e alcançou o maior patamar desde 1989. Na eleição presidencial anterior, 697.078 eleitores estavam aptos a votar fora do país.
A chuva que atinge o Rio neste domingo (25) e o movimento atípico por causa do segundo turno das eleições têm provocado transtornos no trânsito em diferentes regiões da cidade durante a manhã.
Entre as ocorrências registradas pelo Centro de Operações Rio (COR-Rio), estão o tombamento de uma carreta na Avenida Brasil, acidentes na Linha Vermelha e em outras vias, além de um carro que ficou enguiçado no Túnel Rebouças.
Três acidentes na Avenida Brasil
Na Avenida Brasil, uma carreta tombou no início da manhã, na altura de Santa Cruz, ocupando uma faixa no sentido Centro. Um reboque foi enviado ao local para auxiliar na ocorrência.
Mais tarde, outro acidente, envolvendo um carro na altura do Atacadão, em Benfica, também provocou a interdição de uma faixa no sentido Centro. Segundo a atualização mais recente do COR-Rio, a via já havia sido liberada por volta das 10h30 e o trânsito apresentava boas condições no trecho.
Ainda na via expressa, uma queda de moto na altura do BRT Irajá ocupava uma faixa da pista central, no sentido Zona Oeste, por volta das 11h. O trânsito apresenta retenções desde a altura de Parada de Lucas. Agentes da CET-Rio e do Corpo de Bombeiros estão no local.
Impactos na Linha Vermelha, Recreio dos Bandeirantes e na Zona Norte
Um acidente envolvendo um carro e uma moto ocupa uma faixa da Linha Vermelha no final desta manhã na altura do Galeão, no sentido Centro. O trânsito está lento desde a Cidade Universitária.
No Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste, um carro invadiu a calha do BRT na Avenida das Américas, na altura da estação Recanto das Garças, no sentido Guaratiba. O trecho foi liberado após a retirada do veículo, mas o trânsito seguia lento na região.
Nem os motoristas que trafegam pela Zona Norte escaparam dos impactos no trânsito: um acidente envolvendo um ônibus e um carro ocupou uma faixa da Estrada Adhemar Bebiano, na altura da Avenida Pastor Martin Luther King Jr, no Engenho de Rainha, no sentido Inhaúma. O Corpo de Bombeiros foi acionado para conter um princípio de incêndio.
No Rio Comprido, um acidente envolvendo um carro ocupa uma faixa da Avenida Paulo de Frontin, no sentido Túnel Rebouças, na altura da Rua Haddock Lobo.
Na Zona Oeste, um acidente entre um caminhão e uma moto interditou parcialmente duas faixas da Estrada da Paciência, na altura do número 460. O Corpo de Bombeiros e a Guarda Municipal foram acionados. De acordo com a atualização do COR-Rio, os veículos foram retirados e a via foi liberada, com boas condições de trânsito.
O Centro de Operações orienta os motoristas a redobrar a atenção durante os deslocamentos. Com a chuva, as pistas molhadas podem ficar escorregadias e aumentar o risco de acidentes.
A Secretaria Municipal de Saúde do Rio abriu um processo seletivo para escolher a organização da sociedade civil que ficará responsável pela gestão compartilhada do Hospital Federal Cardoso Fontes e do Centro de Emergência Regional (CER) de Jacarepaguá.
O contrato terá duração inicial de dois anos, com investimento estimado em R$ 561,1 milhões para operacionalizar, modernizar e manter o funcionamento das duas unidades.
Melhorias nas unidades hospitalares
A parceria busca manter e ampliar os serviços oferecidos à população da Zona Sudoeste do Rio. Entre as medidas previstas no plano de trabalho está a ampliação do atendimento oncológico, com capacidade para receber mais 212 pacientes por mês. O planejamento também inclui o reforço dos serviços de urgência e emergência 24 horas no CER Jacarepaguá.
No Hospital Cardoso Fontes, estão previstas obras de infraestrutura, como a reforma das enfermarias e a construção de passarelas e a instalação de elevadores para conectar os diferentes blocos da unidade.
Os atendimentos continuarão sendo realizados integralmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), de forma gratuita para a população.
As organizações interessadas deverão entregar as propostas técnicas e os documentos de habilitação em 23 de novembro de 2026, às 10h, na sede da Secretaria Municipal de Saúde, na Cidade Nova.
A escolha da entidade vencedora levará em conta a experiência comprovada em gestão hospitalar de média e alta complexidade, a qualidade do plano de trabalho e a proposta econômica apresentada.
Antes de seguir para a seção eleitoral, o petista conversou com apoiadores e jornalistas e afirmou que nunca havia recebido tanto carinho durante uma campanha presidencial.
Lula estava acompanhado da primeira-dama, Janja Lula da Silva; do vice-presidente e candidato a vice na chapa, Geraldo Alckmin (PSB); do ex-ministro Fernando Haddad (PT); da ex-ministra Simone Tebet (PSB); da ministra Marina Silva (Rede); e do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Breve conversa com a imprensa
Lula afirmou para jornalistas presentes que, apesar de participar da vida política há cinco décadas e de ter acompanhado todas as campanhas presidenciais desde 1989, nunca havia presenciado manifestações de apoio como as registradas neste segundo turno.
“Eu estou com 80 anos, participo da vida política há 50. Já participei da campanha de 1989, participei de todas as campanhas presidenciais. Eu, sinceramente, nunca vi nada igual”, declarou.
O petista citou manifestações em estados como Bahia, Pernambuco, Maranhão, Pará e Minas Gerais, além do ato realizado na Avenida Paulista, em São Paulo, no sábado (24).
“Acho que a Avenida Paulista nunca recebeu a quantidade de gente participando de um ato público”, afirmou.
Emocionado, Lula disse que iria às urnas agradecido pelo apoio recebido dos eleitores durante a campanha.
“O que o povo fez comigo nesses dias é uma coisa que não tenho como pagar. É muita generosidade, é muito carinho, é muito amor. Eu serei eternamente grato”, disse.
Muito antes de o Rio ganhar os contornos que hoje percorrem o mundo todo por meio das fotografias — e, mais recentemente, das redes sociais —, um pequeno teleférico começou a transportar passageiros entre a Praia Vermelha e o alto do Pão de Açúcar. Inaugurado em 1912, o Bondinho, primeiro teleférico do Brasil e terceiro do mundo, completa 114 anos na próxima terça-feira (27) com uma trajetória que se confunde com a própria história do turismo carioca e atravessa avanços tecnológicos, mudanças na paisagem da cidade e, claro, a vista, que continua sendo unanimidade entre moradores e visitantes.
A ideia de construir um “caminho pelo ar” surgiu em 1908, quando o engenheiro brasileiro Augusto Ferreira Ramos participou da organização da Exposição Nacional. O projeto parecia ousado para a época: vencer os paredões de pedra para conectar os três pontos por meio de um sistema de cabos suspensos. As obras começaram em 1910, com o trabalho de centenas de operários, que precisaram transportar materiais por terrenos íngremes e de difícil acesso.
O engenheiro civil Augusto Ferreira Ramos foi o idealizador do Bondinho — Foto: Reprodução
Em 27 de outubro de 1912, o primeiro trecho do Bondinho entrou em funcionamento, ligando a Praia Vermelha ao Morro da Urca. Mas só em 1969 a Companhia do Pão de Açúcar foi autorizada a duplicar a linha. Depois dessas reformas, os bondinhos também foram trocados, passando para a capacidade de 75 passageiros.
A terceira parte do trajeto, que iria ligar o Bondinho ao Morro da Babilônia, nunca chegou a ser feita. A primeira e a segunda parte possuem 600 e 850 metros de extensão, respectivamente, e estão ativas até hoje no passeio.
De acordo com o historiador Carlos Ditadi, do Arquivo Nacional, o Bondinho foi uma iniciativa privada e, até hoje, pertence à mesma família do construtor.
“O bondinho foi construído por alpinistas suíços especialmente treinados que levaram as peças nas costas em escaladas super perigosas. Estima-se que, ao todo, carregaram quatro toneladas de equipamentos. Os dois bondinhos de madeira maciça, feitos na Alemanha, com capacidade para 22 passageiros, foram içados por cabos de aço e um guincho manual desmontável construído no topo do Morro da Urca”, disse o historiador.
Bondinho em 1940 — Foto: Reprodução
Cinema e música marcam a história do Bondinho
Na época, as cabines eram diferentes das atuais e também transportavam menos passageiros. Mas o sistema passou por uma grande modernização em 1972, quando os antigos bondinhos deram lugar a cabines maiores, com laterais transparentes, ampliando a capacidade de transporte através da oferta de uma nova experiência para quem fazia o trajeto: além de chegar ao alto dos morros, o visitante passou a ter uma visão ainda mais ampla da cidade durante a subida.
A história do bondinho também se cruza com momentos que “furam a bolha” e ultrapassam os limites do turismo. Em 1979, o teleférico foi cenário de produções internacionais, como o filme 007 Contra o Foguete da Morte, de 1979. da franquia James Bond, além de receber personalidades como Albert Einstein, em 1925; Marie Curie, em 1926; o ex-presidente dos Estados Unidos, John Kennedy, em 1941; e Bob Marley, em 1980.
Alguns anos antes, em 1973, o conjunto formado pelos morros do Pão de Açúcar, da Urca, Cara de Cão e Babilônia — complexo geográfico e histórico na Zona Sul do Rio — foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em reconhecimento à sua importância para a paisagem do município.
O Morro da Urca também ganhou “vida própria” para além do embarque e desembarque dos passageiros e em 1980 passou a receber o projeto Noites Cariocas, idealizado pelo produtor Nelson Motta, que levou artistas e shows ao espaço e ajudou a consolidá-lo como um verdadeiro palco da música brasileira.
O Bondinho completa 114 anos na próxima terça (27) — Foto: Divulgação/Parque Bondinho Pão de Açúcar
Modernização ao longo de uma história que se confunde com a do próprio Rio
Ao longo das décadas, o Bondinho passou por modernizações para acompanhar os avanços tecnológicos e ampliar a segurança da operação. Em 2008, as cabines foram substituídas por modelos fabricados na Suíça, com recursos como sistema digitalizado, controle automatizado do trajeto e painéis que monitoram fatores como o vento e a pressão dos freios. O processo de modernização incluiu ainda a implantação de um novo sistema de esgoto, trazendo mais eficiência e suporte à operação do atrativo.
Quatro anos depois, no centenário do teleférico, o Rio recebeu da Unesco o título de Patrimônio Mundial na categoria Paisagem Cultural, que reconhece e contempla a relação entre a natureza e a ocupação humana na cidade, incluindo áreas como a Baía de Guanabara, o Pão de Açúcar e a orla de Copacabana.
De acordo com informações divulgadas pelo Parque Bondinho Pão de Açúcar, mais de 50 milhões de visitantes passaram pelo local desde a inauguração, em 1912.
Disputa pela tirolesa no Pão de Açúcar
Mas a relação entre turismo e preservação da paisagem, que acompanha a história do Bondinho, também está no centro de uma disputa mais recente na Justiça. O projeto de instalação de uma tirolesa entre os morros da Urca e do Pão de Açúcar provocou questionamentos sobre os impactos da estrutura em uma das áreas mais emblemáticas do Rio.
A concessionária do parque tentou retomar os planos para a atração, mas o Tribunal Regional Federal manteve a paralisação e a exigência de que a empresa apresente um plano de recuperação da área degradada. Isso porque o projeto é alvo de críticas sobre os impactos ambientais provocados pelo corte das rochas.
O projeto da Tirolesa do Parque Bondinho foi aprovado em maio de 2022 e, desde então, passou por sucessivas paralisações e tentativas de retomada. Segundo a concessionária do parque, a nova atração teria quatro linhas de 755 metros, por onde os visitantes poderiam atingir uma velocidade máxima de 100 km/h em menos de um minuto.
Obras no Parque Bondinho — Foto: Reprodução/MPF
Novo posicionamento de marca nos 114 anos
A tentativa de ampliar as experiências oferecidas aos visitantes não é a única novidade do Bondinho. O parque também passa por uma renovação de imagem, com o lançamento do novo posicionamento de marca: Original do Rio, que procura destacar a relação da atração centenária com a identidade da cidade.
O conceito faz referência tanto ao pioneirismo do parque, primeiro atrativo turístico do Brasil, criado a partir de uma ideia visionária, quanto à essência carioca que inclui criatividade, simpatia e a capacidade de ainda se surpreender com a beleza do Rio — mesmo já acostumado com a paisagem.
O posicionamento também destaca que, embora seja um cartão-postal visitado por turistas de todas as partes do mundo, o Parque Bondinho é genuinamente carioca. Essa identidade também se expressa na relação do parque com a cultura, a música e outras expressões culturais do Rio.
Programação especial para o dia 27
Além do trajeto entre os morros, o Parque Bondinho mantém uma programação que inclui atividades culturais, ações ligadas à natureza e iniciativas voltadas à memória do local. Entre elas estão o projeto Amanhecer no Parque Bondinho, o Bem-Estar no Parque Bondinho, o Bosque das Artes e o Espaço de Memória Cocuruto.
Ao longo de 114 anos, o teleférico passou por mudanças tecnológicas e acompanhou as transformações do Rio, mas manteve o percurso que o tornou conhecido.
A vista da cidade a partir dos morros da Urca e do Pão de Açúcar continua sendo uma das principais atrações para quem visita o local e, para marcar o aniversário na próxima terça-feira (27), o parque preparou uma programação com atividades culturais, música e experiências para diferentes faixas etárias. Confira:
10h: recepção dos visitantes do Parque Bondinho com mate, Biscoito Globo e exposição;
De 10h às 17h: oficina de personalização de cartões-postais;
14h: apresentação do grupo de passinho “Charme Du Bom”;
15h: hora do “parabéns” no Espaço Maria Ercília para celebrar os 114 anos do parque;