Seguindo uma das mais antigas máximas políticas brasileiras — a que reza ser o segundo turno uma nova eleição — o Rio de Janeiro começa tudo de novo nesta segunda-feira (05). Isso, claro, enquanto o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não anular os votos dados em Anthony Garotinho (Republicanos).
Douglas Ruas (PL) e Eduardo Paes (PSD) voltam à disputa numa campanha que começa do zero — mas com uma diferença fundamental: agora os dois sabem exatamente o tamanho do adversário.
Paes entrou na campanha como favorito nas pesquisas, liderou a corrida durante boa parte do primeiro turno e chegou ao dia da votação tentando transformar essa vantagem em vitória definitiva. Não conseguiu. Terminou com 3.706.984 votos (42,76% do total) e em segundo lugar.
Ruas, que começou em patamar bem mais baixo, cresceu ao longo das últimas semanas e atropelou Paes; chegou com a larga vantagem, 4.271.199 votos (49,27%) e a moral alta por ter virado o jogo.
Agora são 21 dias até 25 de outubro. Hora de comprovar quem tem mais sangue frio e capacidade de organização. Não serão mais nove candidatos disputando o mesmo eleitor. Não haverá aspirantes a deputado estadual ou federal pedindo votos e dividindo palanques. Não será a mesma grande quantidade de números, nomes e mensagens embaralhando a escolha do eleitor.
Conquistar os votos dados a Garotinho (Republicanos), William Siri (PSOL), André Marinho (Novo) e todos os nanicos — além de ainda “roubar” o que for possível do adversário — é a tarefa.
Os desafios de Paes e Ruas
Paes vai precisar administrar o fato de sua liderança nas pesquisas não ter se convertido em vitória. O ex-prefeito do Rio terá agora de conter a expansão de Ruas e, ao mesmo tempo, evitar que a percepção de uma disputa aberta provoque uma corrida de apoios políticos para o adversário.
Porque segundo turno é isso: uma disputa pelo voto, mas também pela expectativa de poder.
Prefeitos, senadores e deputados eleitos, lideranças partidárias e grupos políticos que passaram as últimas semanas divididos entre diferentes candidaturas terão seu peso reavaliado. A eleição proporcional acabou. Os palanques serão reorganizados.
Cada declaração de apoio passa a ser lida como sinal de força de um lado — e de fraqueza do outro.
Ruas chega à segunda rodada com a tarefa de transformar crescimento em consolidação.
O segundo turno sob a influência dos candidatos à presidência
Com a disputa reduzida a Paes e Ruas, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), a eleição para o Palácio Guanabara ainda será atravessada, de maneira mais explícita, pela disputa nacional.
Mais um desafio para Paes. Flávio Bolsonaro conquistou uma vantagem acachapante no Rio, com 53,01%, enquanto Lula ficou com 39,41%.
No primeiro turno, a transferência de votos entre Flávio e Douglas se mostrou para lá de eficiente.
Mas, como reza o velho ditado, segundo turno é outra eleição.
























































