O Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou, nesta sexta-feira (8), um pedido de habeas corpus do empresário Matheus Sales Teixeira Bandoli Vieira, primo do deputado federal Dr. Luizinho (PP-RJ). Sócio do laboratório PCS Saleme, Matheus está preso preventivamente após a constatação que pacientes transplantados receberam órgãos infectados com HIV por erros em testes.
O PCS Saleme é apontado pelo Ministério Público do Rio (MPRJ) como a empresa responsável por falhas no controle de qualidade que levaram a diversos erros nos testes de HIV feitos em órgãos a serem transplantados.
No pedido de habeas corpus, a defesa do empresário afirmou que não há indícios suficientes de autoria da prática delitiva, pois ele não exercia qualquer atividade de análise laboratorial na empresa e, em razão disso, não pode ser responsabilizado por erros não intencionais eventualmente cometidos por terceiros.
Em 22 de outubro, o MPRJ denunciou sócios e funcionários do PCS Lab Saleme pelas irregularidades nos exames. No dia seguinte, a 2ª Vara Criminal de Nova Iguaçu aceitou a denúncia. O Tribunal de Justiça do Rio (TJRJ) analisou apenas a liminar do habeas corpus pleiteando a soltura do empresário.
Mérito do pedido deve ser analisado antes pelo tribunal estadual
Para o presidente do STJ, ministro Herman Benjamin, a análise do mérito desse pedido deve ser feita primeiramente pelo TJRJ, sendo inviável a intervenção da corte superior nesse momento processual. Nessas hipóteses, o STJ aplica, por analogia, a Súmula 691 do Supremo Tribunal Federal (STF).
Ainda para o tribunal, não há manifesta ilegalidade na decisão que decretou a prisão do empresário para justificar a atuação do STJ no caso.
“Verifica-se que a prisão foi decretada com base em elementos concretos a indicar a gravidade do delito, tendo em vista o suposto modus operandi utilizado na prática delitiva, bem como por conveniência da instrução criminal, pois, em tese, teria havido tentativa por parte dos investigados em destruir provas”, explicou o ministro.
Importantes dinastias políticas fluminensens elegeram seus representantes no Rio nestas eleições de 2026. O herdeiro com mais destaque é o filho do ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos), o ex-prefeito de Campos Wladimir Garotinho (PL). Ele foi eleito deputado federal com nada desprezíveis 81.7987 votos.
Embora seja um exemplo de sobrenome famoso, Wladimir já tem uma história própria na política. Ele já foi deputado federal, mas renunciou ao mandato em 2021 para concorrer à prefeitura de sua cidade natal. Depois de reeleito no Norte Fluminense, mais uma vez resolveu trocar de cargo — e agora deixou o posto no município com o vice, Frederico Paes (MDB), para voltar a Brasília.
O ex-prefeito é um famoso representante das dinastias, mas não o único. Outro eleito, desta vez a deputado estadual, com 70.552 votos, foi Nelsinho Ruas (PL), filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson (PL), e irmão do candidato do Partido Liberal ao governo do estado, Douglas Ruas — que passou ao segundo turno como o mais bem colocado e à frente de Eduardo Paes (PSD).
Márcio Rezende (PSD) também mostrou a força do interior. Irmão do prefeito de Macaé, Welberth Rezende, foi eleito deputado federal com mais de 75.148 votos. Diego Quaquá (PT), filho do prefeito de Maricá, Washington Quaquá, e da deputada estadual Rosângela Zeidan, teve mais de 68 mil votos.
Felipe Pampolha (PP), eleito deputado estadual, teve mais de 61 mil votos. Ele é primo de Thiago Pampolha, atual conselheiro do Tribunal de Contas do Estado depois de ser parlamentar por três mandatos e vice-governador do Rio, no governo Cláudio Castro.
Dinastias da antiga também estão entre os destaques
Rafael Picciani (União), filho do lendário ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Jorge Picciani (1955-2021), também vai ocupar um cargo na Alerj. Ele teve 44.333 votos.
Jorge Felippe Neto (PL) foi reeleito deputado estadual. É filho da ex-vereadora Vanessa Felippe, neto do vereador Jorge Felippe e enteado do ex-deputado Rodrigo Bethlem.
Rogéria Bolsonaro (PL), candidata a deputada federal, ficou na suplência. Ela é mãe de Flávio, Eduardo e Carlos Bolsonaro, e ex-mulher do ex-presidente Jair Bolsonaro. Quem também bateu na trave foi Daniela do Waguinho (Republicanos), que não conseguiu se reeleger. Ela é casada com o ex-prefeito de Belford Roxo, Waguinho.
O ex-deputado Léo Picciani (PV) não teve a mesma sorte do irmão e acabou na suplência da Câmara. Marco Antônio Cabral, filho do ex-governador Sergio Cabral, também não conseguiu se eleger deputado estadual.
Dezessete deputados estaduais que disputaram a reeleição para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) não conseguiram renovar o mandato nas urnas neste domingo (04). Entre os nomes que ficaram de fora da próxima legislatura estão Alexandre Knoploch (PL), Carlos Minc (PSB) e Célia Jordão (PSD).
Dos 60 parlamentares que estavam na disputa por mais quatro anos na Casa, 43 foram eleitos. Outros 27 nomes que não faziam parte da atual composição também conquistaram uma cadeira, o que representa uma renovação de 38,6% da Alerj.
Quem disputou a reeleição, mas não estará na próxima legislatura da Alerj
Alexandre Knoploch (PL)
Carlos Macedo (Republicanos)
Carlos Minc (PSB)
Célia Jordão (PSD)
Dionísio Lins (PP)
Dr. Deodalto (PL)
Fabiani Vasconcellos (Agir)
Fábio Silva (União)
Filipe Soares (PSDB)
Fred Pacheco (PL)
Lilian Behring (PCdoB)
Professor Josemar (PSOL)
Renan Jordy (PL)
Renato Machado (PT)
Sérgio Fernandes (PSD)
Val Ceasa (PRD)
Valdecy da Saúde (PL)
A composição da Assembleia é definida pelo sistema proporcional. Além da votação individual dos candidatos, o resultado considera os votos recebidos pelos partidos e federações para a distribuição das cadeiras.
Parte dos atuais deputados estaduais também não estará na próxima composição da Alerj, mas por motivos diferentes de uma derrota nas urnas. Enquanto alguns não concorreram nesta eleição, outros deixaram a disputa local para tentar outro cargo.
Entre esses, Douglas Ruas (PL) concorre ao governo do estado; Samuel Malafaia (PL) venceu a 1ª suplência de senador na chapa de Carlos Portinho; e Thiago Gagliasso (PL), Sarah Poncio (Solidariedade), Wellington José (União), Martha Rocha (PDT) e Vitor Júnior (PDT) tentaram uma vaga na Câmara dos Deputados.
O Partido Liberal deu uma lavada no que diz respeito aos deputados federais eleitos para o Congresso Nacional. Foram 15 representantes, contra seis do PT. O partido de esquerda ainda ficou com apenas um deputado à frente de outro partido de direita, o PP, que fez cinco deputados.
DEPUTADOS FEDERAIS ELEITOS PELO RJ — 46 VAGAS
PL — 15
1. Altineu Côrtes — 175.161 votos
2. Sóstenes Cavalcante — 170.290
3. General Pazuello — 146.148
4. Soraya Santos — 141.443
5. Manoela Peres — 117.648
6. Dani Cunha — 116.984
7. Julia de Castro — 103.880
8. Diogo Balieiro Diniz — 102.026
9. Rafael Satiê — 91.074
10. Chris Tonietto — 81.966
11. Poubel — 81.960
12. Wladimir Garotinho — 81.797
13. Douglas Gomes — 80.310
14. Thiago Gagliasso — 67.700
15. Jorge Miranda — 67.298
Nas eleições deste domingo (04), os eleitores do Rio de Janeiro escolheram os 70 deputados estaduais que vão compor a Assembleia Legislativa (Alerj) a partir de fevereiro do próximo ano. O Partido Liberal, do ex-presidente Jair Bolsonaro, garantiu a maior bancada da Casa, segundo os resultados divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A composição da Alerj é definida pelo sistema proporcional. Além da votação individual dos candidatos, o resultado considera os votos recebidos pelos partidos e federações para a distribuição das cadeiras no Poder Legislativo estadual.
Nomes conhecidos ficam fora
Entre os deputados que não conseguiram se reeleger está Carlos Minc (PSB). O parlamentar, que já acumulava dez mandatos na Alerj e quatro décadas de atuação como deputado estadual, recebeu 30.383 votos e terminou como primeiro suplente do partido.
Dr. Rogério Amorim (PL), por sua vez, recebeu 35.810 votos e ficou como suplente. A candidatura tinha a expectativa de herdar os votos de seu irmão, Rodrigo Amorim, deputado estadual mais bem colocado nas eleições de 2018.
João Pires, Coronel Menezes e Costenaro são eleitos para a Alerj
A nova composição também teve algumas surpresas. João Pires (PSD), ex-secretário municipal do Rio de Janeiro de Defesa do Consumidor, foi eleito com 90.195 votos. Ele ganhou projeção nas redes sociais ao participar de vistorias que resultaram no fechamento de postos de combustíveis que adulteravam o resultado das bombas.
Outro destaque foi Coronel Menezes (PL), ex-secretário estadual de Polícia Militar, eleito com 46.700 votos.
Já Costenaro foi o único deputado eleito pelo Novo. Ele ficou conhecido nacionalmente após ser expulso da Câmara dos Deputados pelo deputado federal Glauber Braga (PSOL).
Com 83.326 votos no total — sendo 39.715 só em Niterói —, Fernanda Neves (PDT), esposa do prefeito de Niterói, Rodrigo Neves (PDT), tornou-se a deputada estadual mais votada da história do município e também a candidata mais votada do partido no Rio.
Ao longo da campanha, Fernanda apresentou propostas voltadas para áreas como segurança pública, educação, proteção às mulheres, primeira infância, cuidado com idosos, inclusão de pessoas com deficiência e famílias atípicas, mobilidade, geração de empregos e desenvolvimento econômico.
Entre as principais bandeiras estão o fortalecimento das políticas de enfrentamento ao feminicídio, a ampliação da rede de proteção às mulheres, a valorização da educação pública, a retomada dos CIEPs, a expansão da rede de cuidados e a defesa de investimentos estruturantes em transporte, segurança e desenvolvimento regional.
“Recebo esses mais de 83 mil votos com muita emoção, gratidão e, principalmente, com um enorme senso de responsabilidade. É uma votação que representa a confiança de milhares de pessoas em Niterói e em todo o estado. Quero retribuir esse carinho com muito trabalho, presença e compromisso com quem mais precisa”, afirmou Fernanda Neves.
O prefeito Rodrigo Neves também celebrou o significado político da votação.
“A Fernanda fez uma campanha propositiva e muito próxima das pessoas. Esse resultado histórico mostra a força do trabalho construído em Niterói ao longo dos últimos anos e, ao mesmo tempo, a capacidade de dialogar com todo o Estado do Rio. É uma votação que nos enche de orgulho e aumenta ainda mais a nossa responsabilidade com o futuro”, afirmou.
Fernanda Neves é niteroiense, pedagoga e professora concursada da rede pública há mais de 30 anos. Entre as experiências associadas à sua atuação estão o Niterói Por Elas, o Escritório de Políticas de Cuidados, o Pacto Niterói Contra a Violência, o Auxílio Social para Mulheres Vítimas de Violência e o Espaço Empreender Mulher. A proposta de levar essas experiências para outras regiões do estado foi um dos eixos da campanha.
Dr. Luizinho (PP) foi o candidato a deputado federal mais votado no estado do Rio, com 213 mil votos, seguido de Rick Azevedo (PSOL), com 191 mil votos. O campeão de votos no Rio é médico e tem uma trajetória política ligada à gestão da Saúde. Dr. Luizinho foi secretário da pasta no estado do Rio em dois períodos. O primeiro, no governo de Luiz Fernando Pezão. Voltou ao cargo no governo de Cláudio Castro. Ele começou sua carreira política em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, onde também ocupou o cargo de titular na Saúde. Dr. Luizinho é presidente do diretório estadual do PP e líder de seu partido no Câmara dos Deputados, em Brasília. Este será seu terceiro mandato consecutivo. Veja aqui os eleitos para a Assembleia Legislativa.
O Rio de Janeiro tem o segundo maior eleitorado do país e ocupa a segunda posição no número de cadeiras na Casa, com 46 deputados federais, atrás apenas de São Paulo, com 70 representantes.
Índia Armelau (PL) chega à nova legislatura como a deputada estadual mais votada do Rio de Janeiro. A parlamentar foi eleita pela primeira vez em 2022 e conquistou a reeleição em 2026, consolidando-se como um dos principais nomes da direita bolsonarista na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).
Com forte presença nas redes sociais, Índia reúne cerca de 914 mil seguidores no Instagram, onde produz conteúdo voltado à defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro e de pautas identificadas com o campo conservador.
Veja os 10 deputados estaduais mais votados no Rio de Janeiro
Índia Armelau (PL) — 248.504
Márcio Canella (União) — 197.178
Renata Souza (PSOL) — 176.871
Dani Balbi (PCdoB) — 169.474
Guilherme Delaroli (PL) — 166.374
Rosenverg Reis (MDB) — 139.866
Elika Takimoto (PT) — 135.271
Anderson Moraes (PL) — 129.325
Costenaro (Novo)— 121.780
Dra. Gabriela (PL) — 96.267
A composição da Alerj é definida pelo sistema proporcional. Além da votação individual dos candidatos, o resultado considera os votos recebidos pelos partidos e federações para a distribuição das cadeiras no Poder Legislativo estadual.
Candidato ao governo do estado do Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL) pode ser eleito ainda no primeiro turno caso os 274.411 votos recebidos por Anthony Garotinho (Republicanos) sejam anulados pela Justiça Eleitoral.
A situação pode mudar, no entanto, caso os votos de Garotinho, que estão sub judice, sejam definitivamente retirados da contagem. Nesse cenário, os votos válidos são recalculados e poderia garantir a vitória no primeiro turno para Ruas, que teria 50,88%, contra 44,16% de Paes.
Por que os votos de Garotinho podem ser anulados
O ex-governador Anthony Garotinho teve o registro de candidatura indeferido pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio (TRE-RJ) por conta de uma condenação por improbidade administrativa. A decisão foi contestada pela defesa no TSE, deixando a candidatura sub judice.
Enquanto o recurso não é julgado em definitivo, os 273.109 votos recebidos pelo candidato permanecem na totalização. Caso a Justiça Eleitoral confirme o indeferimento e determine a anulação dos votos, o resultado da eleição poderá ser recalculado — o que abriria a possibilidade de Douglas Ruas superar 50% dos votos válidos e ser eleito já no primeiro turno.
Os eleitores do Rio de Janeiro escolheram os dois candidatos do PL para as duas das três cadeiras do estado no Senado. Carlos Portinho (PL) foi reeleito e Carlos Jordy (PL) vai para seu primeiro mandato com o resultado da apuração das urnas neste domingo (07).
Com 100% dos votos apurados, Portinho recebeu 4.264.932 votos, o equivalente a 26,77% dos votos válidos. Já Jordy foi eleito com 3.912.405 votos, o equivalente a 24,56% dos votos válidos.
Benedita da Silva (PT), que era a principal representante da esquerda na disputa, não conseguiu uma cadeira e teve 20,22% dos votos — 3.220.765 dos válidos.
Além dos senadores eleitos neste domingo, o estado também é representado no Senado por Romário (PSD), que é senador desde 2022. Até o início do ano, ele também era do PL, mas deixou o partido em agosto.
Portinho foi reeleito; ele já ocupava uma cadeira no Senado desde 2020. Carioca, ele começou sua carreira na política como vereador na capital, em 2016, pelo PSD. Dois anos depois, pelo mesmo partido, foi eleito como primeiro suplente para o Senado. Com a morte do titular Arolde de Oliveira em 2020, Portinho assumiu a cadeira. No mesmo ano, se filiou ao PL no Senado e foi líder do Governo Federal nos últimos meses da gestão de Jair Bolsonaro.
Já Carlos Jordy é niteroiense e tem dois mandatos como deputado federal. Sua carreira na política começou como vereador em sua cidade natal. Lá, ele também concorreu a prefeito, em 2024, mas foi derrotado nas urnas por Rodrigo Neves (PDT).
Douglas Ruas (PL) e Eduardo Paes (PSD) estão matematicamente classificados para o segundo turno da eleição para governador do Rio de Janeiro, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Com 100% das urnas apuradas, Ruas soma 49,27% enquanto Paes tem 42,76% dos votos válidos.
Apesar do TSE informar que a eleição já está matematicamente decidida, há ainda dúvida sobre o que acontecerá com os 274.411 votos recebidos por Anthony Garotinho (Republicanos), que estão sub judice.
Até o momento, a disputa pelo Palácio Guanabara será decidida em 25 de outubro.
Douglas Ruas: da Alerj à disputa pelo governo
Douglas Ruas (PL), de 37 anos, chegou à disputa pelo governo como deputado estadual em primeiro mandato e presidente da Assembleia Legislativa (Alerj). Nascido em São Gonçalo, ele é filho do prefeito da cidade, Capitão Nelson (PL), e servidor concursado da Polícia Civil.
Antes de chegar à Alerj, Ruas foi subsecretário de Trabalho de São Gonçalo e ocupou cargos na administração municipal durante a gestão do pai. Em 2022, foi eleito deputado estadual com 175.977 votos, mas não ficou muito tempo no cargo, já que se licenciou do mandato para assumir a secretaria estadual das Cidades, onde permaneceu até março de 2026.
O ‘Rio Real’ contra o ‘Rio das novelas’
A campanha transformou sua cidade de origem, São Gonçalo, em uma das principais marcas de Ruas. Sob o nome “Rio Real”, a coligação do PL apresentou o candidato como uma alternativa à política tradicional a partir da oposição entre o estado “da Região Metropolitana e do interior” e o “Rio das novelas”, de uma Zona Sul supostamente privilegiada pelo ex-prefeito Eduardo Paes.
Além disso, sua juventude e experiência como policial civil também foi incorporada à estratégia para conquistar o eleitorado que, segundo a pesquisa BTG/Nexus divulgada em 30 de setembro, vê a questão da segurança pública como o problema mais urgente do Brasil.
A trajetória de Ruas, porém, trazia uma contradição que virou alvo frequente de Paes: embora fosse apresentado como uma novidade eleitoral, ele havia sido secretário de Cláudio Castro (PL) até poucos meses antes de disputar o governo.
Na campanha, o candidato do PL buscou evitar que essa relação definisse sua candidatura e reforçou a ligação com Flávio Bolsonaro (PL). Ruas passou a se apresentar como o nome escolhido diretamente pelo senador para disputar o governo do estado.
Flávio Bolsonaro (PL) e Douglas Ruas (PL) durante evento em Copacabana – Foto: Divulgação
A estratégia ganhou força na reta final, quando Ruas passou a concentrar boa parte dos votos de eleitores autodeclarados como “bolsonaristas”.
Para tentar vencer Paes, Douglas Ruas construiu a campanha em torno da ideia de renovação e atacou o adversário como representante da “velha política”, nacionalizando a disputa ao explorar a relação entre o ex-prefeito do Rio e o presidente Lula (PT) durante episódios do escândalo da Lava Jato.
Eduardo Paes: da experiência na capital à tentativa de conquistar o estado
Na campanha pelo governo, Eduardo Paes (PSD) fez da experiência à frente da Prefeitura do Rio sua principal credencial. O candidato recorreu sobretudo às intervenções no transporte público para apresentar o que chamou de resultados concretos de gestão, com destaque para a renovação e expansão da frota do BRT — uma pauta capaz de alcançar também moradores da Região Metropolitana que dependem do sistema.
A Linha 3 do metrô, projeto que prevê a ligação entre Niterói, São Gonçalo e Itaboraí, entrou na mesma estratégia.
A troca do chapéu Panamá pelo de vaqueiro
Muito associado à imagem de prefeito carioca, Paes tentou ampliar seu personagem eleitoral para além da capital. O chapéu de vaqueiro, as cavalgadas e as agendas pelo interior passaram a fazer parte da campanha, numa tentativa de se aproximar de um eleitorado que tradicionalmente não está no centro de sua vida política.
Eduardo Paes (PSD) e Benedita da Silva (PT) em Itaguaí durante a campanha eleitoral de 2026 – Foto: Reprodução/Redes sociais
Jane Reis (MDB), integrante de uma das principais famílias políticas de Duque de Caxias, também foi parte dessa estratégia. A escolha da vice ajudou a aproximar a chapa da Baixada e reforçou o esforço de Paes para se apresentar como candidato de todo o estado, e não apenas da cidade do Rio.
O ataque à ‘continuidade’ do governo Cláudio Castro
Paes sustentou, durante a campanha, a narrativa de que seu adversário Douglas Ruas (PL) representava a “continuidade” do grupo político que comandou o estado nos últimos anos. O candidato explorou principalmente a passagem de Ruas pela secretaria estadual das Cidades durante o governo Cláudio Castro (PL) e sua relação política com Rodrigo Bacellar (União) — ex-presidente da Alerj preso por manter uma suposta ligação com o Comando Vermelho.
Na reta final, Eduardo Paes também explorou a investigação sobre irregularidades encontradas na secretaria gerida por Douglas Ruas. Segundo a apuração, empresas contratadas pela pasta para executar obras públicas compravam materiais de uma pedreira da família do deputado Altineu Côrtes (PL), que, por sua vez, contratou uma companhia ligada a Ruas para transportar brita por R$ 1,5 milhão.
A eleição que também foi disputada na Justiça
Com munição de sobra dos dois lados, a disputa entre Eduardo Paes e Douglas Ruas ganhou um segundo campo de batalha: o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ). Ao longo da campanha, as duas coligações recorreram repetidamente à Justiça para tentar tirar do ar propagandas do adversário, conseguir direito de resposta ou impedir a divulgação de conteúdos considerados ofensivos ou falsos.
E a disputa judicial reproduziu justamente as principais narrativas das duas campanhas. Paes tentou associar Ruas a Castro, Bacellar e ao crime organizado, enquanto o candidato do PL buscava atacar a ligação de Paes com Lula e citar episódios da Lava Jato.