A Megaoperação Contenção, que deixou 122 mortos nos complexos do Alemão e da Penha, Zona Norte do Rio, completa um ano nesta quarta-feira (28), e segue com 33 alvos da ação foragidos até hoje — entre eles chefes da facção Comando Vermelho, como Doca, Gardenal e Pedro Bala, que seguem vivendo na região.
A operação mais letal da história do Rio de Janeiro mobilizou cerca de 2,5 mil policiais civis e militares para cumprir mandados contra integrantes da facção. Dos 51 alvos com ordens de prisão, 17 foram presos durante a ação.
No dia da ação, 99 pessoas foram presas: 17 eram alvos de mandados de prisão e outras 82 foram detidas em flagrante.
Chefes do CV seguem foragidos
Entre os principais alvos da Megaoperação Contenção estão cinco traficantes apontados pelas autoridades como integrantes da cúpula do Comando Vermelho. Edgar Alves Andrade, o Doca, identificado pela polícia como chefe do tráfico na Penha e principal liderança da facção em liberdade; Pedro Paulo Guedes, o Pedro Bala, que ocupa o segundo posto na hierarquia do grupo, abaixo de Doca; Carlos da Costa Neves, o Gardenal, apontado como homem de confiança da cúpula da facção na Penha; Washington César Braga da Silva, o Grandão, identificado como responsável pela rotina do tráfico; e Juan Breno Malta Rodrigues, o BMW, tido como responsável por executar pessoas a mando da liderança do grupo.
Registros de tiroteios e mortes violentas diminuíram
No período posterior à megaoperação, houve redução nos registros de tiroteios nos complexos da Penha e do Alemão. Dados do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro (ISP-RJ) também apontam queda nos indicadores de mortes violentas em uma área mais ampla, que abrange as duas comunidades e outros bairros da região.
Nos 12 meses anteriores à operação, o Instituto Fogo Cruzado registrou 41 tiroteios nos dois complexos, com 12 mortos e 17 feridos. Já nos 11 meses e 15 dias seguintes à ação, foram contabilizadas 16 ocorrências, com uma morte e uma pessoa ferida. A redução no número de tiroteios foi de 61%, embora os períodos comparados tenham durações ligeiramente diferentes.
Antes da megaoperação, 33 dos 41 tiroteios ocorreram durante ações ou operações policiais. No período posterior, quatro das 16 ocorrências foram registradas nesse contexto, sendo uma delas classificada pelo instituto como operação policial.
Os dados do ISP-RJ também mostram queda nos indicadores de violência na área da 22ª Circunscrição Integrada de Segurança Pública (CISP), correspondente à região da 22ª DP. O território inclui, além dos complexos da Penha e do Alemão, áreas de Brás de Pina, Olaria, Penha e Penha Circular.
MPRJ denuncia policiais por crimes durante a operação
Nos meses seguintes à Megaoperação Contenção, o Ministério Público do Rio de Janeiro denunciou 28 policiais militares que participaram da ação. As 12 denúncias mencionadas no levantamento se referem a crimes que teriam sido cometidos pelos agentes e registrados pelas próprias câmeras corporais, incluindo o roubo de um fuzil, peças de automóvel, um celular e até um picolé da casa de um morador.
As investigações também apontaram invasões a residências, obstrução de imagens e desligamento dos equipamentos de gravação. Segundo o promotor Fábio Corrêa, coordenador do Grupo de Atuação Integrada em Segurança Pública (GAESP) do MPRJ, mais de 4 mil horas de imagens das câmeras corporais estão sendo analisadas.
Um dos casos envolve o sargento Fábio Vicente de Souza, flagrado tentando retirar a bateria da câmera e direcionando o equipamento para mesas, barris, muros e veículos. Segundo a investigação, ele manteve o dispositivo guardado dentro da viatura por aproximadamente cinco horas consecutivas, impedindo o registro das ações policiais naquele período.
O sargento também teria invadido uma casa na Vila Cruzeiro e permanecido no local armado, contra a vontade de um morador. Um laudo técnico de análise de vídeo confirmou que a entrada na residência ocorreu momentos antes de o policial iniciar uma sequência de nove desligamentos da câmera operacional.
Fábio já havia sido investigado em 2017 pela Delegacia de Combate às Drogas (DCOD), sob suspeita de atuar como segurança particular de um operador financeiro do Terceiro Comando Puro (TCP), em Madureira.
Na época, o operador financeiro era conhecido como Thiego Raimundo dos Santos. Anos depois, já conhecido como TH Jóias, ele se tornou deputado estadual e foi preso pela Polícia Federal por suspeita de envolvimento com o Comando Vermelho.
A investigação conduzida pela Corregedoria da Polícia Militar naquele período identificou indícios de infração penal militar atribuída ao sargento, que então era lotado no 15º BPM, em Duque de Caxias.
Com informações do G1.
Comentários 1
Ainda há versões divergentes sobre a origem e destino dos vôos, já disseram que o helicóptero somente com piloto viria do Santos Dumont em direção a região serrana e o outro iria para Angra e não voltando de lá.