08/08/2026 11:16

Moraes vota por manter preso ex-secretário de Castro acusado de ligação com o Comando Vermelho 

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) votou, em julgamento virtual na Primeira Turma, para que continue preso o advogado Alessandro Pitombeira Carracena, ex-secretário municipal de Ordem Pública do Rio na gestão de Marcelo Crivella; ex-subsecretário estadual de Defesa do Consumidor e ex-secretário estadual de Esportes no governo Cláudio Castro. Ele é acusado de receber propina do Comando Vermelho (CV).

Moraes defendeu que o advogado, preso desde setembro de 2025, siga na prisão. Ele foi alvo das recentes operações Zargun e Anomalia — que também levaram à prisão do ex-deputado estadual TH Joias e que apuraram relações políticas da facção e tráfico de influência.

Segundo a Polícia Federal, Carracena integrava o núcleo político da organização criminosa ligada ao Comando Vermelho e repassava informações privilegiadas sobre operações policiais em áreas comandadas pela facção.

Ainda segundo as investigações, o traficante Gabriel Dias de Oliveira, o “Índio do Lixão”, apontado como um dos chefes do CV, mantinha contato direto com o advogado.

Pedido da defesa de Carracena

O voto de Moraes foi dado no julgamento virtual de um pedido da defesa de Carracena. Além da liberdade do ex-secretário, os advogados querem que sejam consideradas ilícitas provas encontradas pelas investigações no celular do advogado. A alegação aponta que os dados foram extraídos do aparelho sem o acompanhamento de representantes da OAB e dos advogados de defesa.

Moraes, porém, afastou a alegação de que teria havido violação da cadeia de custódia das provas. Segundo o ministro, não existem “quaisquer indícios ou evidências concretas” que sustentem essa possibilidade. Ele também descartou a hipótese de que o sigilo das comunicações profissionais de Alessandro Carracena, na condição de advogado, tenha sido comprometido.

Além de rejeitar o recurso da defesa de Carracena, o ministro do STF votou por negar pedidos de outros investigados na Operação Anomalia. O ministro defendeu que se mantenham as prisões do policial militar Flávio Cosme Menezes Pereira e que Luiz Eduardo Cunha Gonçalves, ex-assessor parlamentar, continue detido em uma penitenciária federal.

Ainda participarão do julgamento os ministros Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin.

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Previsão do tempo: Rio terá calor de 31°C e pancadas de chuva nesta quinta-feira (10)

10/09/2026 06:00

O Rio de Janeiro terá uma quinta-feira (10) marcada por calor, aumento da nebulosidade e pancadas de chuva ao longo do dia. De acordo com a previsão meteorológica, os termômetros devem variar entre 20°C e 31°C.

A previsão mantém a tendência de instabilidade observada nos últimos dias. Na quarta-feira (09), o Rio já havia registrado chuva em diversos pontos da cidade e máxima de 27°C.

A manhã será de muitas nuvens, com possibilidade de pancadas de chuva isoladas em diferentes regiões da cidade. Os ventos devem soprar de norte a noroeste, com intensidade fraca.

Durante a tarde, o tempo fica mais instável. A previsão indica muitas nuvens, pancadas de chuva e trovoadas, enquanto a temperatura alcança a máxima de 31°C. Os ventos mudam de direção, passando a soprar entre sudoeste e oeste, também com intensidade fraca.

À noite, o cenário deve permanecer semelhante, com céu bastante encoberto, ocorrência de pancadas de chuva e trovoadas. Os ventos continuam fracos, predominando entre oeste e sudoeste.

A umidade relativa do ar deve variar entre 50% e 95%, favorecendo a formação de áreas de instabilidade ao longo do dia.

Com informações do Climatempo

Procuradoria Eleitoral pede indeferimento das candidaturas de Chiquinho da Mangueira, Marcos Dias e Filipe Pereira

09/09/2026 20:13

A Procuradoria Regional Eleitoral pediu o indeferimento de três candidaturas nas eleições de 2026 pelo Rio de Janeiro: Chiquinho da Mangueira, candidato a deputado estadual pelo Avante; Marcos Dias, que disputa o Senado pelo Podemos; e Filipe Pereira, candidato a deputado federal pelo mesmo partido.

Os casos são distintos. Chiquinho tem uma condenação por improbidade administrativa que resultou na suspensão de seus direitos políticos até janeiro de 2029. Já os pareceres contra Marcos Dias e Filipe Pereira têm como principal argumento a existência de elementos que, segundo a Procuradoria, indicam a participação de ambos em atividades ligadas a uma organização criminosa.

As manifestações não são decisões finais sobre os registros de candidaturas. Os pedidos ainda serão analisados pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ).

Chiquinho da Mangueira teve os direitos políticos suspensos até 2029

Chiquinho da Mangueira é candidato a deputado estadual pelo Avante e teve o registro contestado por conta de uma condenação por improbidade administrativa. A decisão da Justiça, já definitiva, determinou a suspensão dos direitos políticos por cinco anos, além de outras sanções, até 28 de janeiro de 2029.

No processo eleitoral, a defesa tentou afastar o impedimento e argumentou que a condenação não reuniria os requisitos para configurar a inelegibilidade prevista na Lei da Ficha Limpa, pedindo que fossem consideradas as mudanças feitas pela legislação mais recente.

A Procuradoria, porém, fez uma distinção entre as duas situações. Para a PRE, não se trata, neste momento, de discutir se a condenação se enquadra ou não na Lei da Ficha Limpa. O problema é que a suspensão dos direitos políticos, por si só, já impede uma possível candidatura.

Marcos Dias e Filipe Pereira são citados em investigação sobre grupo de Pastor Everaldo

Os candidatos Marcos Dias, que disputa o Senado pelo Podemos, e Filipe Pereira, que tenta uma cadeira na Câmara dos Deputados pelo mesmo partido, tiveram os registros de candidatura contestados com base em elementos de uma investigação sobre o grupo liderado por Everaldo Dias Pereira, o Pastor Everaldo.

Os dois foram apontados na investigação como integrantes da organização. Segundo os documentos analisados pela PRE, o grupo teria atuado para influenciar contratos e recursos públicos do estado, com suspeitas de direcionamento de contratações, fraudes e pagamento de vantagens indevidas. Os dois também foram alvo de mandados de busca e apreensão no curso da investigação.

No caso de Marcos Dias, o parecer cita a atuação atribuída a ele na administração de contratos e em estruturas ligadas ao grupo. Já Filipe, filho de Pastor Everaldo, é mencionado como integrante da organização e teve sua atuação empresarial e passagem pelo governo de Wilson Witzel incluídas na análise da Procuradoria.

As defesas sustentam que não há condenação criminal definitiva contra os candidatos. A PRE, porém, entende que isso não impede a aplicação da regra eleitoral analisada no processo.

Os pareceres citam o artigo 17, § 4º, da Constituição Federal e a interpretação dada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de que a barreira pode alcançar candidatos ligados a organizações criminosas quando houver elementos capazes de demonstrar risco de interferência dessas estruturas no processo eleitoral.

O TRE-RJ também julgou nesta quarta-feira (09) a aplicação do entendimento sobre a atuação das chamadas “milícias de gravata” e a tentativa de captura da máquina pública por estruturas criminosas. A Corte decidiu que esse tipo de organização também se enquadra na interpretação adotada pelo TSE para impedir candidaturas.

Fiscalização de ferros-velhos em Saquarema encontra motor raspado e comércio de peças irregular

09/09/2026 19:41

No mesmo dia em que um ferro-velho foi algo de uma operação no Rio, a cidade de Saquarema, na Região dos Lagos, também contou com uma ação do tipo, esta feita pelo Detran-RJ. Um motor automotivo raspado foi encontrado por agentes do órgão durante a uma ação da Operação Desmonte realizada, nesta quarta-feira (09). A ação foi no distrito de Vila Tour.

O proprietário do comércio situado na Estrada da Caixa D’Água, 4.629, foi conduzido à delegacia para prestar esclarecimentos sob suspeita de receptação. O comércio também não possuía cadastro junto ao departamento e as peças não estavam etiquetadas. O local também foi autuado por potencial risco ambiental, uma vez que funcionava em um terreno de terra batida, com lançamento de poluentes no solo. Todo o material foi apreendido e encaminhado para empresas de reciclagem.

Em outro ferro-velho, localizado no bairro Bicuíba, no mesmo município, agentes também encontraram peças sem registro junto ao Detran RJ. Em grande parte do material, os fiscais perceberam que as numerações que possibilitavam o rastreamento foram arrancadas ou suprimidas para evitar identificação. Agentes do Instituto Estadual do Ambiente (INEA) também detectaram potencial risco ambiental. O comércio funcionava em um barranco e em um terreno de terra com lançamento de óleo e outros dejetos no solo. Todo o material foi recolhido e também será enviado para empresas de reciclagem.

Participaram da ação agentes da Diretoria de Desmontagem do Detran RJ, policiais militares e técnicos do INEA. A operação visa fiscalizar o comércio de peças automotivas com o objetivo de credenciar os comerciantes, cadastrar o material vendido e trazer segurança ao consumidor final de peças automotivas usadas, mostrando a procedência e legalidade das mesmas. Denúncias sobre ferros-velhos irregulares podem ser feita para o Ouve RJ.

Após apelo feito em prédio da Central, Cavaliere decreta tarifa zero nos dias de prova do Enem

09/09/2026 19:00

A manifestação feita no dia 03 (quinta) por movimentos sociais e coletivos deu resultado. O prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere, atendeu ao apelo feito e concedeu, nesta quarta (09), a tarifa zero no transporte municipal a todos os estudantes que farão as provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) nos dias 8 e 15 de novembro. A medida vale tanto para alunos da rede pública quanto os que estudam em escolas particulares. Com isso, 150 mil inscritos receberão um total de R$ 20 por meio de crédito no aplicativo Jaé.

Cavaliere se reuniu com representantes estudantis na tarde desta quarta (09) na sede da prefeitura, na Cidade Nova. A vereadora Maíra do MST (PT) também participou da reunião junto com os estudantes. A conversa aconteceu cinco dias depois do grupo fazer uma projeção no prédio da Secretaria Estadual de Fazenda (Sefaz), na Região da Central do Brasil, exibindo mensagens em defesa do benefício nos transportes públicos. Durante a conversa, o prefeito elogiou a iniciativa e defendeu a valorização da educação superior.

“Temos que criar mecanismos que aproximem as pessoas da universidade. Nossa administração está comprometida com essa demanda da tarifa zero que vocês trouxeram. Do ponto de vista político, é uma disputa que a gente tem que fazer na sociedade. Precisamos trazer esses jovens de volta ao ensino superior e o passe livre pode ser um estímulo”, defendeu Cavaliere.

A vereadora Maíra do MST comemorou o resultado da reunião e disse que o anúncio da tarifa zero é uma vitória dos movimentos sociais e entidades estudantis.

“Essa conquista é fruto de décadas de luta dos movimentos e de muita articulação política do nosso mandato. A tarifa zero é uma política de inclusão e incentivo à educação superior. Vamos seguir trabalhando para avançar cada vez mais em direitos para a juventude carioca”, celebrou.

A expectativa, é que o passe livre beneficie principalmente jovens de baixa renda, moradores de favelas, periferias e regiões afastadas do Rio. A ativista Maria Clara Delmont, coordenadora da ONG Meu Rio, comentou sobre o desinteresse da juventude atual em acessar as universidades.

“Precisamos construir soluções de incentivos à educação e facilitar o caminho para que o jovem volte a enxergar o vestibular como um futuro possível. Temos que defender a educação como emancipação pessoal e profissional, como uma medida estrutural para combater a desigualdade”, enfatizou.

Funcionamento do benefício nos dias de prova

O secretário municipal de Transportes, Jorge Arraes, explicou como a tarifa zero vai funcionar na prática.

“No total, são 150 mil inscritos no Enem este ano, tanto de escolas públicas, quanto de escolas privadas. O candidato que ainda não estiver cadastrado no JaÉ e ainda não tiver o benefício da gratuidade vai precisar realizar esse cadastro para vincular o CPF no aplicativo. A partir disso, a prefeitura já vai liberar um crédito de R$10 com direito à integração modal em cada domingo de prova. Como serão dois dias de Enem, isso dá um total de R$20 por estudante. A prefeitura estima investir até R$3 milhões nesse projeto”, pontuou Arraes.

 

Batida entre carro e trem deixa uma pessoa ferida e interrompe circulação em parte da Baixada Fluminense

09/09/2026 17:34

Um acidente entre um carro e uma composição do trem deixou uma pessoa ferida em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, nesta quarta (09). De acordo com informações de testemunhas, o veículo atravessou a linha férrea enquanto a composição passava na altura da estação Campos Elíseos.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, a vítima ficou presa às ferragens do automóvel e estava consciente. A corporação foi acionada às 15h26 para atender à ocorrência. O socorro foi realizado pelo Grupamento de Operações de Produtos Perigosos (GOPP). Quem estava ao volante era um homem, que não teve o nome divulgado, e foi levado com ferimentos moderados ao Hospital Municipal Adão Pereira Nunes, em Saracuruna, em Duque de Caxias.

A corporação informou que, enquanto realizava o socorro ao motorista ferido, uma mulher que estava dentro do trem passou mal e precisou ser atendida por soldados do 14º GBM, também em Caxias,. Ela foi encaminhada à Unidade de Pronto Atendimento de Sarapuí, que fica no mesmo município.

De acordo com a TrensRJ, a colisão aconteceu por volta das 15h20. A concessionária informou que o veículo atravessou a linha férrea de forma irregular.

Por causa do acidente, a concessionária informou que a circulação de trens no ramal Saracuruna encontra-se apenas entre as estações Central do Brasil e Gramacho. Por isso, não é possível embarcar nas estações Campos Elíseos e Jardim Primavera, que estão fechadas, no momento. Apesar do acidente, as extensões Vila Inhomirim e Guapimirim operam normalmente.

Secretaria cita prejuízos por causa de acesso irregular à linha férrea

De acordo com a Secretaria Estadual de Transportes, o acesso irregular provocou um prejuízo estimado em mais de R$ 1 milhão ao sistema ferroviário e afetou cerca de 5 mil passageiros. Acrescentando que o valor “ainda é preliminar”, o prejuízo, de acordo com a pasta, considera os impactos já contabilizados com a indisponibilidade do trem e o atendimento à ocorrência e recuperação da infraestrutura ferroviária atingida.

Do total, cerca de R$ 500 mil correspondem ao impacto estimado pela indisponibilidade da composição, que deverá permanecer fora de operação por, no mínimo, 15 dias. Outros R$ 500 mil estão relacionados ao atendimento da ocorrência, ressarcimentos e à recuperação da via permanente.

 

‘Milícia de gravata’: TRE-RJ amplia norma sobre organizações criminosas e admite barrar candidaturas por ‘captura do Estado’

09/09/2026 17:16

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) ampliou nesta quarta-feira (09) a interpretação sobre organizações criminosas que podem impedir uma candidatura e incluiu no conceito a atuação de grupos que, mesmo sem o uso ostensivo de armas ou o controle territorial típico das milícias e facções narcotraficantes, se apropriam da máquina pública para operar esquemas criminosos. A interpretação, batizada no julgamento de “milícia de gravata”, foi aprovada por 4 votos a 3.

A decisão parte do artigo 17, §4º, da Constituição Federal, que proíbe os partidos políticos de utilizar organização paramilitar. O TRE-RJ se baseou em interpretações recentes do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que ampliaram a proteção constitucional para organizações “congêneres” e para grupos criminosos organizados capazes de interferir no voto em determinadas regiões.

Candidato de Teresópolis levou o TRE-RJ a ampliar o debate sobre crime organizado

Foi a partir de uma ação de registro de candidatura que o Tribunal travou esse debate. O processo analisava o caso de Paulo Lomenha, que desejava disputar uma vaga de deputado federal pelo Mobiliza, mas teve a candidatura contestada pelo Ministério Público Eleitoral.

A Procuradoria sustentou que Lomenha havia sido apontado como líder e articulador de uma organização criminosa investigada na Operação Serro, que teria atuado em fraudes a licitações e contratos públicos em municípios do estado.

Segundo a denúncia, o grupo que Lomenha foi acusado de integrar não teria como método de atuação o uso de violência, ameaças, intimidação ou armas para exercer domínio sobre determinado território. Foi com base nessa distinção que a defesa contestou o pedido do MPE e afirmou que não havia elementos para enquadrar o candidato como integrante de uma organização paramilitar — que é o tipo expressamente vedado pelo artigo 17, §4º, da Constituição.

O advogado sustentou ainda que os precedentes anteriores do TRE-RJ e do TSE envolviam situações em que a atuação de grupos criminosos interferia diretamente na liberdade do eleitor, com domínio territorial, presença armada ou imposição de medo.

Relator defende que o crime organizado pode capturar o Estado ‘sem recorrer à violência armada’

O relator do caso, porém, adotou outra leitura. Guilherme Calmon, desembargador eleitoral, afirmou que o julgamento exigia estabelecer uma premissa que poderia orientar não apenas o caso de Paulo Lomenha, mas outros registros de candidatura para as eleições de 2026 que envolvessem suspeitas de infiltração de organizações criminosas na política. Para o desembargador, limitar a proteção constitucional às estruturas armadas deixaria de fora uma transformação do crime organizado que já ocorre dentro do próprio Estado.

Foi nesse ponto que Calmon apresentou o conceito de “milícia de gravata” ou “milícia burocrática”: “os termos descrevem grupos com atuação interna no aparato do Estado, sem necessidade de violência armada aparente, desempenhando o mesmo papel que a milícia tradicional exerce geograficamente”.

Em vez de controlar um território pela força, esses grupos podem, segundo a tese apresentada no julgamento, influenciar contratações públicas, nomeações, beneficiários de serviços e decisões administrativas, além de utilizar cargos políticos para preservar sua influência.

Na avaliação do desembargador, a diferença está no instrumento de poder, e não necessariamente no objetivo. A referência a organizações “congêneres” feita anteriorimente pelo TSE permitiria alcançar “todo e qualquer grupo criminoso organizado” que interfira direta ou indiretamente no processo eleitoral.

Divergência alerta para risco de criar nova causa de inelegibilidade por interpretação da Constituição

Depois do voto do relator, Bruno Bodart abriu divergência e afirmou que os precedentes do TSE tratavam de grupos com violência armada, domínio territorial e coação do eleitorado. Para ele, estender a regra a organizações criminosas que atuam na máquina pública significaria criar uma nova restrição ao direito de candidatura.

“Os precedentes têm um denominador comum que não é a corrupção, não é o aparelhamento do Estado, não é a existência de ação penal, é a violência armada como um instrumento de domínio de território e de coação do eleitorado”, contestou.

O desembargador ainda considerou que a aplicação dessa interpretação nas eleições de 2026 poderia representar uma mudança relevante na jurisprudência durante o processo eleitoral. Por isso, levantou também a proteção do artigo 16 da Constituição, que estabelece a anterioridade de um ano para alterações que afetem o pleito.

‘O crime organizado chegou ao ponto de disputar orçamento com a caneta’

O desembargador Fábio Ribeiro Porto acompanhou o relator e aprofundou a ideia de que a atuação do crime organizado não pode mais ser analisada apenas a partir da presença de armas ou do domínio de territórios. Para ele, a evolução dessas estruturas também alcançou a disputa por recursos públicos e a capacidade de influenciar decisões.

“O crime organizado percorreu em pouco mais de duas décadas uma trajetória que nenhum de nós poderia imaginar. Começou disputando território com arma, passou a disputar mercado com empresas e chegou ao ponto de disputar agora orçamento com caneta”, explicou.

Na frase mais contundente do voto, Porto resumiu o que, para a maioria, caracteriza a chamada “milícia de gravata”: “a milícia no conceito constitucional que desta construção resulta não é o grupo que tem armas, é o grupo que tem o Estado”.

Com Calmon, Porto e Fernando Cerqueira, três desembargadores defenderam a aplicação ampliada do artigo 17, §4º, da Constituição. Bodart, Paulo Cesar Salomão e Tathiana Costa ficaram na corrente contrária, entendendo que a jurisprudência não poderia ser estendida a grupos criminosos sem atuação armada imediatamente. O placar entre os desembargadores terminou empatado em 3 a 3.

Coube ao presidente do TRE-RJ, Cláudio de Mello Tavares, dar o voto de desempate. Ao acompanhar Calmon, ele não apenas definiu o resultado do registro de Paulo Lomenha, mas também reforçou a interpretação de que a jurisprudência sobre organizações paramilitares e seus “congêneres” pode alcançar grupos que utilizem a estrutura pública para interferir na disputa eleitoral.

Prefeitura faz operação para desocupar Palacete Imperial, prédio histórico no Centro do Rio interditado há 18 anos

09/09/2026 17:06

A Prefeitura do Rio realizou, nesta quarta-feira (09), uma operação para retirar pessoas em situação de rua que ocupavam o Palacete Imperial, prédio histórico da UFRJ localizado em frente ao Campo de Santana, no Centro do Rio.

O imóvel, que pertence à UFRJ mas estava sob responsabilidade do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), está interditado pela Defesa Civil desde 2008 por risco de desabamento.

A ação foi conduzida pelas secretarias municipais de Assistência Social e de Habitação. Até o momento, não foi informado oficialmente o número de pessoas encontradas no prédio nem o destino oferecido a elas.

Imóvel é de responsabilidade da UFRJ

Segundo informações veiculadas em julho deste ano pelo jornal O Globo, cerca de 40 pessoas estavam morando no imóvel. O Iphan acompanhou a operação e afirmou que foram adotadas medidas para garantir a segurança e os direitos das pessoas que estavam no local.

Segundo o Iphan, a UFRJ e o órgão concluíram o distrato do Termo de Cessão de Uso, e o prédio voltou a ficar sob gestão da universidade.

Em 2012, o instituto havia assumido a responsabilidade pelo imóvel para instalar no local uma unidade especial do Centro Nacional de Arqueologia (CNA). O projeto nunca saiu do papel; o centro funciona atualmente na sede do instituto, em Brasília.

A Defesa Civil informou que o prédio está interditado desde 2008 e já realizou pelo menos dez vistorias no local desde então.

Prédio histórico abandonado

Construído em 1862, na esquina da Praça da República com a Rua Visconde do Rio Branco, o Palacete Imperial é considerado patrimônio histórico do Rio. O imóvel testemunhou acontecimentos importantes da história do país e já abrigou a Escola de Comunicação da UFRJ e o Instituto de Eletrotécnica.

O casarão passou a integrar o patrimônio da UFRJ em 1978, após ter pertencido à União.

Novo projeto cultural

Após anos sem uma solução para o imóvel, a UFRJ tenta dar uma nova destinação ao Palacete. Em outubro do ano passado, foi aprovada uma proposta para restaurar e conservar o prédio e transformá-lo no Observatório de História, Memória e Arte do Rio de Janeiro, por meio da Lei Rouanet.

O projeto prevê um complexo cultural e acadêmico voltado à pesquisa, ao ensino e à extensão nas áreas de história, patrimônio, arte, cultura e inovação. A proposta também inclui laboratórios e núcleos multidisciplinares.

O orçamento estimado é de R$ 17 milhões, e o projeto ainda está na fase inicial de captação de recursos.

Com informações do jornal O Globo e da Veja.

Projeto Rocinha Mundo Afora vai premiar iniciativas de turismo comunitário com até R$ 25 mil

09/09/2026 16:33

Moradores da Rocinha que desenvolvem iniciativas ligadas à cultura, gastronomia, arte, música, turismo e economia criativa terão a oportunidade de transformar suas ideias em produtos turísticos. O projeto Rocinha Mundo Afora lança o concurso Experiências de Cria, que vai selecionar cinco propostas de turismo de base comunitária. Cada iniciativa escolhida receberá R$ 5 mil para colocar a experiência em prática e terá acompanhamento de mentoria especializada. Ao final do processo, a experiência vencedora receberá mais R$ 20 mil para fortalecer e ampliar o negócio.

Realizada pela Embratur em parceria com a ONG Cieds, a iniciativa busca transformar criatividade, cultura e conhecimento local em oportunidades de geração de renda, empreendedorismo e valorização do território.

Podem participar pessoas físicas maiores de 18 anos que morem na Rocinha e apresentem propostas a serem realizadas dentro da própria comunidade. O concurso contempla oito categorias: gastronomia; guiamento e passeios; arte e cultura; música e entretenimento; ecoturismo; ofícios e saberes tradicionais; bem-estar; e vivências criativas.

A proposta é estimular experiências em que o visitante tenha contato ativo e respeitoso com a comunidade, sempre com moradores no protagonismo. As iniciativas devem valorizar locais de interesse do território, como ateliês, mirantes, becos históricos e projetos sociais; contar histórias e memórias a partir do olhar de quem vive na Rocinha; e oferecer atividades práticas, como oficinas, degustações e outras formas de interação com a cultura local.

Embratur fará avaliação técnica em uma das etapas

O processo seletivo terá duas etapas. Na primeira, uma avaliação técnica da Embratur e de uma comissão do CIEDS, com apoio de universidades, selecionará cinco propostas, considerando critérios como inovação, narrativa cultural e viabilidade comercial. Os projetos escolhidos passarão por um período de mentoria e, entre outubro e novembro, serão executados na comunidade.

Na segunda etapa, as cinco experiências serão avaliadas pelos próprios turistas participantes, que irão considerar aspectos como hospitalidade, segurança e autenticidade. A análise também levará em conta um produto audiovisual promocional produzido durante a realização das iniciativas. A experiência com maior pontuação será premiada com R$ 20 mil.

As inscrições estão abertas de 2 de setembro a 2 de outubro. Podem participar exclusivamente moradores da Rocinha, e as propostas precisam ser executadas dentro da comunidade. Projetos que não atendam aos critérios territoriais ou que desrespeitem os princípios de segurança e ética do turismo comunitário serão desclassificados.

O cronograma prevê a avaliação das propostas entre 5 e 19 de outubro, início das mentorias em 22 de outubro, realização das experiências entre 26 de outubro e 23 de novembro e evento final em 3 de dezembro. O regulamento completo e as inscrições podem ser feitas no site do CIEDS (cieds.org.br). O Rocinha Mundo Afora busca fortalecer a Rocinha como território de economia criativa e turismo de base comunitária, estimulando experiências construídas e narradas por quem vive na comunidade. As iniciativas selecionadas também poderão ganhar visibilidade nas ações de promoção do turismo internacional realizadas pela Embratur.

BolsoPaes da Baixada: quando o santinho junta Eduardo Paes, Flávio Bolsonaro e a família Reis

09/09/2026 14:46

As urnas eletrônicas aceitam combinações inusitadas, e a família Reis — capitaneada por Washington Reis — acaba de colocar a sua nas ruas. Em publicação conjunta nas redes sociais, os deputados Gutemberg Reis (candidato à reeleição para a Câmara) e Rosenverg Reis (candidato à reeleição para a Alerj) divulgaram o “santinho” oficial da campanha com uma dobradinha pragmática.

No cenário estadual, o grupo fechou apoio à candidatura de Eduardo Paes (PSD) ao Palácio Guanabara, indicando a própria irmã, Jane Reis (MDB), para a vaga de vice. O material ainda traz a indicação de Pedro Paulo (PSD) para o Senado.

O malabarismo aparece na corrida presidencial. Enquanto a coligação de Paes marcha alinhado ao presidente Lula (PT), os irmãos Reis mantêm o pé no eleitorado conservador e pedem votos abertamente para o senador Flávio Bolsonaro (PL) — com o número 22 estampado em destaque no anúncio.

É o BolsoPaes a toda.

Um olho no Guanabara, com Paes; outro no conservadorismo, com Bolsonaro

A estratégia do MDB parece ser o velho e eleitoralmente seguro hábito de manter um pé em cada canoa: assegurar presença no Palácio Guanabara ao lado do ex-prefeito da capital — que, afinal, permanece em primeiro lugar nas pesquisas); e, ao mesmo tempo, preservar a interlocução com a base bolsonarista que domina a região.

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‘Voto Migrante’: PF faz operação contra fraude para transferir eleitores e influenciar eleições na Baixada Fluminense

09/09/2026 14:24

A Polícia Federal realizou, nesta quarta (09), a Operação Voto Migrante, em São João de Meriti, município da Baixada Fluminense. O objetivo da ação é o de combater a prática do crime de fraude eleitoral.

De acordo com a investigação, diversos eleitores teriam tido seus domicílios eleitorais alterados mediante o uso de documentos falsos, com o objetivo de aumentar artificialmente a quantidade de votos de um determinado grupo ou candidato.

Na ação desta quarta (09), policiais federais cumprem dois mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Poder Judiciário, em endereços vinculados aos possíveis autores.

Durante as buscas, foram apreendidos um aparelho celular e documentos diversos de interesse para a investigação, que serão submetidos à perícia técnica criminal.

As apurações prosseguem com a análise do material apreendido, a fim de esclarecer integralmente os fatos e identificar eventuais outros envolvidos.

O nome da operação faz referência à suposta tentativa de “migrar” eleitores para outro domicílio eleitoral, mediante o uso de documentos falsos, com o objetivo de influenciar o resultado de eleições locais.

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