O governador em exercício e desembargador Ricardo Couto, que chegou a chorar ao receber elogios do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em julho, deve estar tonto. Com o resultado do primeiro turno, ficou em baixa. Com a reeleição do petista, neste domingo (25), voltou a subir.
Uma roda gigante em velocidade supersônica.
Antes de assumir o estado, Couto já era cotado para uma cadeira no Superior Tribunal de Justiça (STJ). Seu desempenho à frente do governo fluminense, no entanto, despertou atenções mais ambiciosas em Brasília. O nome do desembargador passou a circular também como alternativa para o Supremo Tribunal Federal (STF).
A possibilidade ganhou força em setembro, quando integrantes do governo federal e aliados de Lula passaram a defender sua indicação à mais alta corte do país.
Mas veio o primeiro turno das eleições. A vitória de Douglas Ruas (PL) sobre Eduardo Paes (PSD) no Rio e o fortalecimento do bolsonarismo no Senado fizeram a perspectiva de uma indicação parecer bem mais distante. Com Flávio Bolsonaro (PL) na Presidência da República, os planos poderiam simplesmente ir por água abaixo.
Só que a roda-gigante deu mais uma volta.
Com Lula reeleito, Couto volta a ter diante de si um horizonte de possibilidades. E não são poucas.
Presidente terá muitas opções de vaga para Couto
Até o fim de 2030, o presidente poderá indicar até sete ministros para o STJ e quatro para o STF. No Superior Tribunal de Justiça, seis vagas decorrem de aposentadorias compulsórias, algumas já ocorridas, e uma sétima poderá surgir com o eventual desligamento do ministro Marco Buzzi, condenado administrativamente por envolvimento em dois casos de assédio.
No Supremo, além da cadeira deixada por Luís Roberto Barroso, outras três serão abertas com as aposentadorias de Luiz Fux, Cármen Lúcia e Gilmar Mendes.
Um cenário que recoloca o nome do governador em exercício nas conversas sobre o futuro dos tribunais superiores.
A candidatura é anterior ao governo do estado
Desde antes de assumir o comando do Palácio Guanabara, Couto é um dos principais candidatos à vaga decorrente da aposentadoria compulsória do ministro Antonio Saldanha Palheiro — e o preferido de um grupo do STJ liderado pelo ministro Marco Aurélio Bellizze. Enfrenta como maior oponente o desembargador Mauro Pereira Martins, candidato do ministro Luis Felipe Salomão, presidente do STJ.
Como Saldanha era oriundo do Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ), a tradição — embora não seja uma regra obrigatória — gera uma pressão para que a vaga permaneça com um magistrado fluminense.
O Senado é uma pedra para o governador em exercício
Mas no meio do caminho tem um Senado. A partir de fevereiro, a Casa terá uma composição ainda mais bolsonarista. E todas as indicações de Lula para os dois tribunais precisarão passar pelo crivo dos senadores.
O presidente já conhece bem as dificuldades desse terreno. Em abril, o Senado rejeitou a indicação de Jorge Messias para o STF, numa derrota histórica para o governo.
No caso de Couto, há ainda uma particularidade: para chegar ao STJ, seu nome precisaria primeiro integrar uma lista elaborada pelo próprio tribunal. Para o Supremo, a escolha é diretamente do presidente da República, embora dependa igualmente da aprovação do Senado.
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Agora vai….