A lei que cria um “botão do pânico” para profissionais da saúde do estado do Rio foi sancionada pelo governador Cláudio Castro (PL) no Diário Oficial desta sexta-feira (19). O projeto prevê que unidades de saúde disponibilizem um dispositivo que aciona a polícia em casos de agressão ou ameaça de violência.
A medida vale para hospitais, clínicas e demais unidades, sejam públicas, privadas ou conveniadas. Ao ser pressionado, o botão enviará um chamado direto ao Centro Integrado de Comando e Controle (CICC) da Polícia Militar e ao circuito interno de segurança da unidade.
O dispositivo deverá enviar a localização exata da ocorrência e a polícia deverá enviar uma viatura mais próxima para a cobertura da ocorrência. A regulamentação e a tecnologia usada para desenvolver o dispositivo devem ser divulgadas em breve.
Mulheres são as principais ameaçadas em unidades de saúde, segundo autor da lei
Aprovada pela Assembleia Legislativa (Alerj) no fim de novembro, a norma é de autoria do deputado Guilherme Delaroli (PL). Segundo o parlamentar, dados de violência em unidades de saúde levantados pelo Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro (Cremerj) baseiam a medida.
“As mulheres são as principais vítimas, representando 62,5% dos casos no primeiro semestre de 2023. Além disso, 67% das agressões ocorrem na rede pública. Infelizmente essas situações não são pontuais e as agressões fazem parte do dia a dia desses profissionais”, declarou Delaroli.
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) marcou para 25 de outubro a eleição suplementar para prefeito e vice-prefeito de Itaguaí, na Região Metropolitana do Rio. O novo pleito foi convocado após o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) barrar definitivamente a candidatura de Dr. Rubão (Podemos), eleito em 2024.
Rubão esteve no comando da Prefeitura de Itaguaí pela primeira vez em 2020
Ao manter o indeferimento da candidatura, o TSE entendeu que a eleição de Rubão em 2024 configuraria um terceiro mandato consecutivo, situação vedada pela Constituição Federal.
De acordo com o calendário definido pela Justiça Eleitoral, os partidos e federações terão até o dia 25 de agosto para registrar as candidaturas que disputarão a nova votação. A chapa vencedora tomará posse em novembro deste ano e cumprirá mandato até 31 de dezembro de 2028, completando o período correspondente ao mandato iniciado após as eleições municipais de 2024.
A previsão de vendaval, provocado pela combinação entre um ciclone extratropical e a chegada de uma frente fria, levou o governo do estado e diversas prefeituras fluminenses a suspenderem as aulas nesta sexta-feira (7).
A medida foi tomada como precaução, visando a segurança de estudantes e profissionais diante do risco de rajadas que podem ultrapassar os 90 km/h em diversas regiões.
Confira as redes com atividades suspensas por causa do vendaval
Rede estadual:
Suspensão em todo o estado, incluindo unidades da Faetec.
Redes municipais:
Rio de Janeiro
Niterói
Nova Iguaçu
Queimados
São João de Meriti
Nilópolis
Seropédica
Itaguaí
Mangaratiba
Angra dos Reis
Paraty
Petrópolis
Belford Roxo
Alerta e Prevenção
A capital fluminense entrou em Estágio 2 de mobilização na noite de ontem.
A recomendação das autoridades é que a população evite atividades ao ar livre, não se abrigue sob árvores devido ao risco de quedas e fique atenta aos comunicados da Defesa Civil ao longo do dia.
O histórico Cine Vaz Lobo, um dos maiores símbolos da memória cultural da Zona Norte do Rio está prestes a iniciar uma nova fase. A prefeitura deu o passo decisivo para a recuperação do espaço e publicou no Diário Oficial nesta sexta-feira (07) um decreto, assinado pelo prefeito Eduardo Cavaliere (PSD), que declara de utilidade pública, para fins de desapropriação total, os imóveis do antigo cinema de rua.
A medida abrange os prédios localizados na Avenida Vicente de Carvalho, nº 04 e 04-Loja E, além do lote 05 da Rua Oliveira Figueiredo. A desapropriação assegura o suporte jurídico necessário para que o município incorpore o edifício ao seu patrimônio e dê início ao Projeto de Recuperação do Cine Vaz Lobo.
Investimento de R$ 19 milhões e projeto multifuncional
O decreto viabiliza o plano municipal que prevê um investimento de R$ 19 milhões — montante que engloba o pagamento da desapropriação, a restauração da arquitetura original, a aquisição de mobiliário e a instalação de equipamentos para som e projeção.
O objetivo é transformar o prédio, fechado há décadas, em um espaço cultural multifuncional para atender os moradores de Vaz Lobo, Madureira, Serrinha e bairros vizinhos. O projeto prevê:
Sala principal de cinema e teatro com restauro dos camarotes, palco, sancas de iluminação e forro acústico originais;
Salas multiúso e de projeção secundárias no mezanino para palestras, seminários e cineclube;
Espaços de formação: salas de cursos, oficinas de dança, estúdios de edição de áudio e vídeo e centro de TI;
Áreas de convivência: biblioteca, museu digital, cafeteria e reurbanização do entorno com praça e teatro de arena.
Após mais de 15 anos de mobilização comunitária, a publicação do decreto consolida uma antiga reivindicação pela preservação do Cine Vaz Lobo. Criado em 2010 por historiadores e moradores organizados no Movimento Cine Vaz Lobo – Preservação, Cultura e Memória (MCVL) e no Instituto Histórico e Geográfico da Baixada de Irajá (IHGBI), o grupo reúne uma série de conquistas importantes em diferentes anos.
Em 2011, impediu a demolição do prédio durante as obras do BRT Transcarioca, conseguindo a alteração do traçado viário. Em 2015 conseguiu o tombamento oficial da volumetria e da fachada em estilo art déco como patrimônio histórico da cidade. E agora, em 2026, conquistou a desapropriação pública e a destinação orçamentária para a reabertura do espaço.
‘Palácio cinematofgráfico’ do subúrbio
Localizado na Avenida Vicente de Carvalho, o Cine Vaz Lobo foi durante décadas um importante ponto de encontro dos moradores da região. As sessões de cinema movimentavam o comércio e faziam parte da rotina de gerações de famílias do bairro.
Inaugurado em 5 de janeiro de 1941 com a presença de Darcy Vargas e capacidade para 1.800 espectadores, o espaço era considerado um dos “palácios cinematográficos” do subúrbio. Agora, com a posse do poder público, a Prefeitura do Rio iniciará a elaboração dos projetos executivos e o processo licitatório para o início das obras.
Dois eventos extraordinários concentraram pesadas perdas reconhecidas pela Cedae no exercício de 2025. A companhia registrou R$ 222,8 milhões referentes à perda integral de uma aplicação no Banco Master e R$ 292,8 milhões em despesas com acordos judiciais.
Somados, os dois lançamentos negativos atingiram R$ 515,6 milhões no ano.
Esse montante de lançamentos negativos ajudou a impulsionar o crescimento dos custos e despesas operacionais da estatal, que passaram de aproximadamente R$ 2,62 bilhões, em 2024, para R$ 3,65 bilhões, em 2025 — um avanço de 39%, ou pouco mais de R$ 1 bilhão.
Em decorrência dessa pressão de despesas e de outros ajustes operacionais do período, a atividade operacional da Cedae encerrou o ano no vermelho: o resultado operacional (EBIT) saiu de um lucro de R$ 627,4 milhões em 2024 para um prejuízo operacional de R$ 423,9 milhões em 2025.
O lucro líquido consolidado da companhia registrou forte queda de 78,5%, passando de R$ 1,02 bilhão para R$ 219,4 milhões. A empresa só permaneceu no azul no resultado final graças ao desempenho das receitas financeiras, que geraram um resultado financeiro líquido positivo de R$ 781,4 milhões no ano.
Banco Master provoca perda integral de R$ 222,8 milhões
Um dos principais choques do exercício veio do setor financeiro. A Cedae mantinha R$ 222,8 milhões aplicados em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) emitidos pelo Banco Master. Em 18 de novembro de 2025, após a decretação da liquidação extrajudicial do Master pelo Banco Central do Brasil, os pagamentos da instituição foram suspensos e a estatal perdeu o acesso imediato aos recursos aplicados.
A administração informou ter avaliado a possibilidade de recuperação do crédito levando em consideração a ordem de preferência dos credores, o histórico de recuperações em casos semelhantes e a posição ocupada pela Cedae no processo de liquidação. Ao final, adotando uma postura conservadora, optou por reconhecer a perda integral do valor mediante a constituição de provisão contábil.
A perda foi registrada integralmente em 2025, embora a estatal ainda possa vir a recuperar parte dos recursos ao longo do processo de liquidação promovido pelo Banco Central.
Acordos judiciais crescem mais de 1.500% em um ano
Outro vetor de pressão apareceu na rubrica de despesas administrativas. Os gastos classificados como acordos judiciais saltaram de R$ 17,5 milhões, em 2024, para R$ 292,8 milhões em 2025.
A alta foi de aproximadamente 1.576% em apenas um ano.
A rubrica, sozinha, respondeu por cerca de dois terços do aumento das despesas gerais e administrativas da companhia, que passaram de R$ 587,2 milhões para R$ 1,03 bilhão.
Entre os registros citados no balanço está um acordo consensual de reequilíbrio econômico-financeiro relacionado ao contrato da Estação de Tratamento de Esgotos (ETE) de Alegria, celebrado com um consórcio de empresas, além de outros acordos ligados a processos judiciais.
Diferentemente de uma provisão para perdas futuras incertas, os acordos representam obrigações já negociadas ou reconhecidas pela companhia, com valores e condições de pagamento formalmente definidos.
Decisão do STF reduz pressão em R$ 711,6 milhões
Uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) funcionou como contrapeso relevante no conjunto das provisões judiciais. Ao rever o Tema 414 da repercussão geral, no julgamento do ARE 1.584.607, o STF reconheceu a legalidade da cobrança da tarifa mínima de água multiplicada pelo número de economias existentes em imóveis com um único hidrômetro.
Com a mudança, a Cedae reclassificou de “provável” para “remoto” o risco de processos ainda sem decisão definitiva. As ações somavam R$ 711,6 milhões.
A reversão reduziu significativamente o impacto líquido das contingências no balanço. Sem esse efeito favorável da Suprema Corte, a pressão sobre o resultado operacional teria sido ainda maior.
Apesar do prejuízo operacional, a companhia teve lucro líquido final de R$ 219,4 milhões
O balanço de 2025 revela um ano desafiador para a Cedae. A combinação entre a perda integral no Banco Master e o pico nas despesas com acordos judiciais produziu forte impacto nas contas da estatal.
Embora o resultado financeiro positivo e a reversão de provisões ligada ao STF tenham assegurado um lucro líquido final de R$ 219,4 milhões, a atividade operacional da companhia encerrou o período no vermelho, evidenciando o peso dos eventos extraordinários sobre a saúde financeira da empresa.
Conhecido pelo envolvimento com a causa animal, Luciano Guerreiro, candidato a deputado federal pelo MDB no Rio de Janeiro, declarou à Justiça Eleitoral patrimônio de R$ 47.295.510,76 nas eleições de 2026, segundo os dados exibidos nos prints do sistema DivulgaCandContas.
Entre os bens informados está um relógio avaliado em R$ 400 mil. A declaração também registra outros quatro relógios, nos valores de R$ 160 mil, R$ 365 mil, R$ 145 mil e R$ 160 mil — somando R$ 1,23 milhão apenas em relógios. O candidato declarou ainda R$ 792 mil em joias, R$ 2 milhões em dinheiro em espécie e US$ 175 mil e € 120 mil em moedas estrangeiras.
A maior parte do patrimônio está concentrada em participações empresariais, que somam pelo menos R$ 32,97 milhões, além de R$ 7 milhões classificados como “valores de diversos créditos”. Também aparecem na relação imóveis, incluindo uma cobertura declarada por R$ 884,1 mil e duas casas. Os valores correspondem à declaração apresentada, sem informações, nos prints, sobre marca, modelo ou valor de mercado dos relógios.
Em petição protocolada nesta quinta-feira (06), o promotor Alexey Kolouboff pediu à Justiça urgência para executar a condenação por improbidade administrativa do ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos) e comunicar à Justiça Eleitoral a suspensão de seus direitos políticos por oito anos, em razão do período de registro das candidaturas. Garotinho está na disputa, de novo, pelo comando do Palácio Guanabara.
Como não há mais recursos pendentes após o trânsito em julgado da ação, o Ministério Público requer a imediata execução da sentença. Além da comunicação à Justiça Eleitoral, o órgão pede a inclusão do nome de Garotinho no Cadastro Nacional de Condenados por Ato de Improbidade Administrativa.
Garotinho também foi multado
O órgão também requer que o ex-governador seja intimado a quitar os valores da condenação. Segundo os cálculos atualizados apresentados à Justiça, o ressarcimento ao erário, originalmente fixado em R$ 234,4 milhões, chega hoje a R$ 2,55 bilhões. O MP ainda cobra R$ 778,9 mil de multa civil e R$ 11,9 milhões por danos morais coletivos.
Com informações do colunista Lauro Jardim, do jornal “O Globo”
O empresário Alex Ofredi Melim, conhecido nas urnas como Alex Melim, declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 30.233.522,35 para disputar o cargo de deputado estadual pelo Agir no Rio de Janeiro.
Os dados foram obtidos no DivulgaCand, portal do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). As informações patrimoniais são autodeclaradas pelos candidatos e permanecem sujeitas à análise da Justiça Eleitoral.
Aplicação concentra 99% dos bens
A declaração patrimonial é concentrada quase integralmente em uma única aplicação de renda fixa, avaliada em R$ 30 milhões.
O investimento, identificado pelo código PB0122F5GL6, representa cerca de 99,2% de todo o patrimônio informado À Justiça Eleitoral.
Os demais oito bens declarados somam R$ 233.522,35 e incluem aplicações de renda fixa em diferentes instituições financeiras, além de um depósito bancário no valor de R$ 0,01.
Empresário do setor de seguros
De acordo com os dados do registro de candidatura, Alex Melim nasceu no Rio de Janeiro em 2 de junho de 1976, é casado, possui ensino médio completo e declarou exercer a profissão de empresário.
Em documento de consulta pública da Casa da Moeda do Brasil, Alex Ofredi Melim aparece como representante da Melim Corretora de Seguros Ltda., empresa que atua no setor de seguros e planos de saúde.
Declaração de bens de Alex Melim em 2026 — Foto: Reprodução/Divulgacand
O plenário do Tribunal de Contas do Estado do Rio (TCE-RJ) aprovou a notificação e ex-gestores e conselheiros do Instituto de Previdência Social de Itaguaí (Itaprevi) terão 15 dias para apresentar defesa nas acusações de graves irregularidades identificadas na aplicação de R$ 59,6 milhões em Letras Financeiras do Banco Master.
A deliberação ocorre após a revelação de que a operação foi articulada durante a gestão da advogada Fernanda Pereira da Silva Machado, ex-gerente de Controle Interno e Auditoria do Rioprevidência. Fernanda assumiu o comando do Itaprevi e, em menos de duas semanas, viabilizou os aportes milionários na instituição bancária — repetindo o mesmo padrão de operações que a tornou alvo da Polícia Federal na investigação sobre os investimentos do fundo estadual.
Mais de 20% da carteira compremetida sob ‘risco de default’
De acordo com o relatório de auditoria do TCE-RJ, os R$ 59,6 milhões alocados no Banco Master entre junho e julho de 2024 representavam mais de 20% de toda a carteira de investimentos do Itaprevi. A equipe técnica do Tribunal classificou o processo decisório como “negligente e temerário”.
Entre os principais pontos apontados pela auditoria estão:
Mudança brusca na estratégia de investimento: a alocação em letras financeiras foi elevada de 2% para 20% logo na primeira reunião da nova gestão, desrespeitando os estudos técnicos e pareceres da consultoria financeira contratada, que desaconselhavam o investimento de longo prazo.
Rating especulativo: a aplicação prendeu os recursos previdenciários por 10 anos em uma instituição que possuía rating B+ (grau especulativo com alto risco de inadimplência), violando princípios de segurança e liquidez.
Alteração regimental retroativa: a gestão do Itaprevi editou norma com efeitos retroativos para apagar a exigência de que instituições financeiras recebedoras de recursos tivessem rating mínimo A.
Credenciamento e loteamento de cargos: o credenciamento do Banco Master ocorreu sem análise prévia de consultoria e sem aprovação formal dos colegiados. Além disso, a auditoria constatou nomeações ilegais para cargos estratégicos do Itaprevi, incluindo membros sem as certificações exigidas por lei e o não funcionamento do Conselho Fiscal.
Prazo para defesas e comunicação ao MPRJ
O voto do relator José Gomes Graciosa, aprovado pelo plenário do TCE-RJ, determina a notificação da ex-presidente do Itaprevi Fernanda; do ex-prefeito de Itaguaí, Rubem Vieira de Souza, o Rubão; e de outros diretores e conselheiros do fundo municipal.
Além disso, o tribunal aprovou a expedição de ofício com cópia integral do processo ao Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), para que avalie a apuração de possíveis ilícitos nas esferas cível e criminal, e à Secretaria de Regime Próprio e Complementar do Ministério da Previdência Social.
Referência nacional e internacional da música instrumental no Brasil, o gaitista Mauricio Einhorn vai receber no dia 11 de agosto, terça-feira, o Conjunto de Medalhas Pedro Ernesto, maior homenagem concedida pela Câmara do Rio. A solenidade está marcada para as 18h30, no Palácio da Cidade, em Botafogo.
Entre as justificativas da homenagem, de autoria dos vereadores Pedro Duarte (PSD) e Rafael Aloisio Freitas (PSD), está a enorme contribuição de Einhorn para a música brasileira.
O músico é tido como um dos maiores gaitistas do mundo, já tendo tocado com pesos pesados como Sarah Vaughan e Nina Simone.
O trabalho mais recente do artista foi a apresentação “Harmonia Viva”, na qual o instrumentista percorreu diversas unidades pelo Sesc na cidade do Rio.
Com 94 anos de idade, Einhorn começou a tocar gaita ainda na infância, com apenas 5 anos. Filho de imigrantes judeus poloneses, ele descobriu o instrumento graças aos pais. que também eram gaitistas. No Brasil, já fez apresentações e parcerias com famosos nomes da Música Popular Brasileira, como Elizeth Cardoso, Hermeto Pascoal, Chico Buarque e Maria Bethânia.
Nesta sexta-feira, dia 7 de agosto, a Lei Maria da Penha completa 20 anos de existência. Embora seja um importante marco no combate pelo fim da violência contra a mulher, o Rio de Janeiro mostra que as estatísticas vão em sentido oposto a essa luta. O estado fluminense registrou alta em quatro dos cincos índices desse tipo de crime.
De acordo com o Instituto de Segurança Pública (ISP), entre 2024 e 2025, houve aumento nos seguites casos:
Violência moral: de 37.571 para 38.819 (crescimento de 3,2%)
Violência patrimonial: de 8.334 para 8.492 (alta de 1,9%)
Violência psicológica: de 47.473 para 48.999 (aumento de 3,21%)
Violência sexual: de 8.339 para 8.681 (crescimento de 4,1%, a maior alta percentual dos índices).
A única estatística que apresentou queda foi a de violência física, que passou de 43.743 em 2024 para 43.307 registros no ano seguinte, uma baixa de 1%. Todas as informações constam na página ISP Mulher.
Símbolo dessa batalha, a atriz e jornalista Cristiane Machado vivenciou essa realidade em 2018, quando se tornou conhecida do público ao filmar as agressões que sofria do ex-marido, o empresário e ex-diplomata Sérgio Schiller Thompson-Flores. Em setembro do ano seguinte, a Justiça do Rio o condenou a três anos de prisão em regime semiaberto.
Em conversa com o TEMPO REAL RJ, Cristiane analisa o que ainda falta às mulheres na hora de denunciar os companheiros por violência doméstica.
“Creio que duas coisas ainda impedem as mulheres de seguirem adiante nesta batalha. A vergonha e o medo. Porque é necessário ter mais do que coragem para seguir adiante no enfrentamento à violência doméstica. Pois muitas têm medo do agressor sob dois pontos de vista. O primeiro é o temor de continuar viva e estar ao lado do agressor. E o outro é o que vai acontecer com ela depois que a denúncia for feita. Afinal, há o receio que alguma brecha legal permita que o agressor, de alguma forma, fique impune”, comenta.
Passados oito anos após as agrssões se tornarem públicas nacionalmente, Cristiane cita qual o principal item que acredita ser necessário que as autoridades tenham mais rigor.
“A Lei Maria da Penha é muito boa. Eu fui salva graças a ela. Mas, infelizmente, ainda é muito falha na fiscalização. Isso é uma coisa que deixa as mulheres vulneráveis. Porque apesar de alguma vítima poder acionar o botão do pânico, não há uma equipe policial que atue para fiscalizar se o agressor, de fato, está próximo da vítima e, consequentemente, sofra a punição por ter violado alguma medida protetiva, por exemplo. Além disso, também penso que deveria ter mais preparo com as pessoas que trabalhem na linha de frente desse combate. Ou seja, juízes, assistentes sociais e psicólogos que atuem com as mulheres que são vítimas de agressões”, argumentou.
A atriz foi a primeira mulher a receber o benefício do “botão do pânico”, ferramenta criada em 2019 pela Polícia Militar do Rio. O objeto é conectado a uma tornozeleira eletrônica usada pelo agressor. Em caso de aproximação, a central de monitoramento é acionada e entra em contato com a vítima e o agressor por telefone.
A atriz Cristiane Machado foi a primeira mulher no estado do Rio a receber o “botão do pânico” — Foto: Divulgação.
Professora de boxe criou método exclusivo para mulheres
A professora de boxe Ana Lúcia Moreira percebeu que algumas mulheres que frequentavam a academia onde ela dá aulas, a Boxe Fit, na Taquara, buscavam, além da melhora na autoestima e cuidados com o corpo, superar o medo da violência. Foi quando teve a ideia de criar turmas exclusivamente femininas como forma de encorajá-las.
“A ideia de dar aulas especificas para mulheres se defenderem de casos de violência surgiu do encontro entre a prática do esporte e a observação de uma demanda real do cotidiano feminino. O principal gatilho que muitas sentem é a constatação do medo. Por isso, os treinamentos vão além dos socos. O foco principal é a consciência situacional e a capacidade de reação rápida antes mesmo que o contato físico aconteça”, comenta.
A professora de boxe Ana Lúcia Moreira — Foto: Acervo pessoal.
Anallu, como é conhecida, explica que ensina os golpes sem o uso de sparring, que é a presença de uma pessoa treinada para receber socos. Para isso, usa sacos de pancada, dos pequenos aos grandes, e bonecos de silicone em tamanho adulto para que elas treinem todos os movimentos. Ela relembra o caso de uma mulher conseguiu se livrar das agressões do ex-marido graças às aulas.
“Eu tive uma aluna que era bem tímida nas aulas. Parecia ter vergonha ao fazer os movimentos de socos. Chegava até a dar risada nos movimentos de tão sem graça que ficava. Até que houve um dia em que ela acordou com um soco do esposo por causa de ciúmes. Depois ele a pegou pelos cabelos e a levou arrastada ao banheiro. Ela me contou que só conseguia pensar nos golpes dos exercícios. Então se defendeu, conseguiu se livrar dele e fugiu”, recorda.
Ana Lúcia (ao centro, próximo da parede) orientando as alunas durante uma aula na academia Boxe Fit — Foto: Divulgação.
Ana Lúcia fala de outras dicas que passa para as mulheres, além dos movimentos e socos.
“Ao treinar minhas alunas para identificarem e lidarem com a proximidade de um potencial agressor. Também trabalhamos as orientações técnicas e comportamentais. Então a gente orienta sobre espaço, tempo de reação e uso de força relativa, além de trabalhar o limite corporal e a imposição de voz”, finaliza.