O prefeito Eduardo Cavaliere (PSD) publicou, no Diário Oficial desta quinta-feira (02), o decreto que institui a Área de Proteção do Ambiente Cultural (Apac) Bossa Nova, abrangendo os bairros de Ipanema e Leblon. E fica legalmente blindada a identidade cultural e a harmonia urbana de duas das áreas mais valorizadas da Zona Sul.
A nova regulamentação impacta diretamente o planejamento urbano de um perímetro que soma aproximadamente 750 edificações. A ideia é conter o avanço da especulação imobiliária predatória, garantindo critérios rigorosos que preservem a ventilação natural, a paisagem tradicional da região e, sobretudo, a incidência de sol na praia.
Gabarito reduzido a 20 metros
A partir de agora, novas construções e acréscimos em imóveis localizados nos eixos delimitados pela prefeitura enfrentarão um forte freio: o gabarito de altura máxima foi reduzido para 20 metros em áreas específicas de preservação.
Além disso, o texto traz regras rígidas contra o “sufocamento” visual dos bairros. Fica expressamente proibida a construção de empenas cegas (as famosas paredes laterais ou de fundos totalmente sem janelas) e veda-se qualquer intervenção que gere novas sombras sobre o calçadão ou a faixa de areia. Painéis publicitários e toldos comerciais que ocultem elementos arquitetônicos e decorativos das fachadas protegidas também passam a ser proibidos.
Fachada do Colégio São Paulo é tombada definitivamente
A consolidação da Apac Bossa Nova também converteu em definitivo o tombamento de 17 imóveis residenciais e comerciais em ruas históricas como Prudente de Morais, Rainha Elizabeth e Garcia D’Ávila. Entre os patrimônios protegidos, destaca-se a antiga casa do jurista Pontes de Miranda e a fachada do tradicional Colégio São Paulo.
O icônico calçadão de pedras portuguesas da orla, cujo famoso traçado geométrico foi desenhado em 1965 pelo arquiteto e paisagista Renato Primavera Marinho, agora também é formalmente considerado bem tombado pelo município.
O berço da Bossa Nova vira patrimônio
Para além do concreto e do urbanismo, o decreto faz um resgate afetivo da história carioca. O lendário Bar Garota de Ipanema (antigo Bar Veloso), localizado na esquina da Rua Vinícius de Moraes com Prudente de Morais, foi consagrado como Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial da Cidade.
O local, que serviu de ponto de encontro para Tom Jobim e Vinícius de Moraes darem vida à canção que apresentou o Rio ao mundo, será formalmente inscrito nos Livros de Registro de Lugares e de Celebrações do Instituto Rio Patrimônio da Humanidade (IRPH).
Com a medida, qualquer alteração física ou restauração nos bens tombados precisará passar pelo crivo do Conselho Municipal de Proteção do Patrimônio Cultural. Em caso de descumprimento ou demolições irregulares, os proprietários serão obrigados a reconstruir os imóveis reproduzindo fielmente as características arquitetônicas originais.







