Se a urna eletrônica é sabidamente uma caixinha de surpresas, quem manda nela não é. O Estado do Rio de Janeiro chegou a 12.857.388 eleitores aptos em 17 de julho de 2026. Distribuído por 92 municípios, esse contingente apresenta três características centrais: é majoritariamente feminino, tem um perfil etário maduro e está fortemente concentrado em grandes cidades da Região Metropolitana.
As mulheres somam 6.946.548 eleitoras, o equivalente a 54% do cadastro estadual. São 1.043.460 mulheres a mais que os 5.903.088 homens, que representam 45,9% do eleitorado.
Ao mesmo tempo, 6.863.822 eleitores têm 45 anos ou mais, correspondendo a 53,4% do total. Isso significa que mais da metade das pessoas aptas a votar no Rio já ultrapassou os 45 anos. O maior grupo etário isolado é o de 45 a 59 anos, formado por 3.249.402 eleitores, ou 25,3% de todo o cadastro.
A geografia do voto é igualmente concentrada. A capital tem 4.950.545 eleitores, reunindo sozinha 38,5% do eleitorado fluminense. Quando somados Rio de Janeiro, São Gonçalo, Duque de Caxias e Nova Iguaçu, os quatro maiores colégios eleitorais chegam a 6.854.535 pessoas, ou 53,3% do total estadual.
Em outras palavras, mais da metade dos eleitores do Rio está concentrada em apenas quatro dos 92 municípios.
Capital reúne quase quatro em cada dez eleitores
A cidade do Rio de Janeiro ocupa uma posição desproporcional na estrutura eleitoral do estado. Seus 4,95 milhões de eleitores representam quase quatro em cada dez pessoas aptas a votar.
O segundo maior colégio eleitoral é São Gonçalo, com 653.502 eleitores, equivalente a 5,1% do estado. Na sequência aparecem Duque de Caxias, com 635.094, Nova Iguaçu, com 615.394, e Niterói, com 411.412.

Os cinco maiores municípios somam 7.265.947 eleitores, aproximadamente 56,5% do total estadual. Já os dez maiores colégios eleitorais concentram 68,3% do cadastro.
A Região Metropolitana está no centro de qualquer estratégia eleitoral
Entre os cinco maiores municípios, todos estão inseridos no espaço metropolitano.
A capital tem o maior peso individual, mas a soma dos demais municípios continua decisiva: 61,5% dos eleitores fluminenses vivem fora da cidade do Rio. Isso significa que uma vantagem na capital pode ser neutralizada ou ampliada pelo desempenho na Baixada Fluminense, no Leste Metropolitano, nas regiões Norte e Sul e nas cidades do interior.
Duque de Caxias e Nova Iguaçu, por exemplo, reúnem juntos 1.250.488 eleitores. São Gonçalo, sozinho, possui mais eleitores que cada um desses municípios individualmente.
Os números não indicam preferência eleitoral, mas mostram onde está concentrado o maior potencial de votos.
Campo Grande é o maior bairro eleitoral da capital
Dentro da cidade do Rio, a distribuição do eleitorado também é desigual. Campo Grande é o maior bairro eleitoral da capital, com 298.924 eleitores.
O bairro tem 130.439 eleitores a mais que Santa Cruz, segundo colocado, que reúne 168.485 pessoas aptas a votar. Campo Grande concentra aproximadamente 6% de todo o eleitorado carioca.
Depois de Campo Grande e Santa Cruz, aparecem Tijuca, Realengo, Copacabana e Bangu.

Dos dez maiores bairros eleitorais, sete ficam nas zonas Oeste ou Sudoeste: Campo Grande, Santa Cruz, Realengo, Bangu, Barra da Tijuca, Taquara e Paciência.
A concentração evidencia o peso eleitoral da região, mas não significa que esses bairros formem um bloco político homogêneo. São territórios com perfis sociais, econômicos e urbanos diferentes, mesmo quando localizados na mesma área da cidade.
Mulheres são maioria e somam mais de um milhão de votos a mais
As mulheres constituem a maioria absoluta do eleitorado fluminense. São 6.946.548 eleitoras, contra 5.903.088 homens. A diferença, de 1.043.460 pessoas, é maior que todo o eleitorado individual de qualquer município do estado, com exceção da capital.
Em termos proporcionais, as mulheres representam 54% dos eleitores. Isso significa que, a cada grupo de 100 pessoas aptas a votar no Rio, aproximadamente 54 são mulheres e 46 são homens.
A predominância feminina é ainda maior em alguns dos principais colégios eleitorais. Em Niterói, as mulheres correspondem a 55,6% do cadastro municipal. Na cidade do Rio, representam 54,8%.
O peso numérico torna impossível tratar o eleitorado feminino como um segmento secundário. Em uma disputa estadual, políticas e discursos relacionados a saúde, segurança, emprego, renda, mobilidade, cuidado, educação e combate à violência alcançam diretamente a maioria dos eleitores.
Os dados, no entanto, não autorizam concluir que as mulheres votam de maneira uniforme. O eleitorado feminino é atravessado por diferenças de idade, renda, escolaridade, território e condições sociais que não estão completamente representadas nesta base.
Mais da metade do eleitorado tem 45 anos ou mais
O perfil etário mostra um eleitorado predominantemente maduro. Das quase 12,9 milhões de pessoas aptas a votar, 6.863.822 têm 45 anos ou mais, correspondendo a 53,4%.
O grupo de 45 a 59 anos reúne 3.249.402 pessoas, sendo a maior faixa etária isolada do estado. Sozinho, representa mais de um quarto do cadastro, com 25,3%.
O eleitorado com 60 anos ou mais soma 3.614.420 pessoas, ou 28,1% do total. Isso significa que mais de um em cada quatro eleitores fluminenses já chegou aos 60 anos. Entre eles, 1.807.165 têm 70 anos ou mais, o equivalente a 14,1% de todo o eleitorado estadual.
Na outra ponta, os jovens de 15 a 17 anos somam 90.162 eleitores, representando apenas 0,7% do cadastro. Para esse grupo, o voto é facultativo.
A diferença entre os extremos é expressiva. Para cada eleitor de 15 a 17 anos, existem aproximadamente 40 eleitores com 60 anos ou mais.
O dado não reduz a importância política da juventude, mas mostra que seu peso direto nas urnas é muito menor que o dos grupos mais velhos.
Essa estrutura etária tende a colocar no centro do debate eleitoral questões relacionadas a saúde, previdência, emprego, renda, segurança, mobilidade, custo de vida e cuidado com familiares. Isso não significa que os eleitores mais velhos tenham comportamento político semelhante, mas indica que propostas voltadas às necessidades dessa população alcançam uma parcela numericamente ampla do cadastro.
Capital tem quase um terço de eleitores idosos
A proporção de eleitores com 60 anos ou mais varia significativamente entre os municípios.
Valença apresenta a maior participação entre as cidades destacadas: 33,2% de seu eleitorado possui pelo menos 60 anos. Em seguida aparecem Italva e Miguel Pereira, ambas com 32,1%, Itaocara, com 32%, e a cidade do Rio de Janeiro, com 31%.

Na capital, praticamente um em cada três eleitores tem 60 anos ou mais. Como o município possui quase 5 milhões de eleitores, o percentual representa um contingente absoluto especialmente relevante.
Macaé, Porto Real, Queimados, Japeri e Rio das Ostras aparecem entre os municípios com menor proporção de idosos. A base disponível, porém, não informa os percentuais exatos de cada um, impedindo uma comparação numérica completa com as cidades de perfil mais envelhecido.
Também não é possível afirmar que o eleitorado esteja envelhecendo. Para isso, seriam necessários dados de anos anteriores produzidos com a mesma metodologia.
Apenas 9,5% do eleitorado declararam ter ensino superior completo
A escolaridade declarada no cadastro eleitoral revela uma das maiores assimetrias sociais da base.
No conjunto do estado, 25,4% dos eleitores declaram ter ensino médio completo. Outros 23,1% possuem ensino médio incompleto, enquanto 22,3% informam ensino fundamental incompleto.
Apenas 9,5% declaram ensino superior completo, enquanto 1,8% aparecem como analfabetos.
Cerca de 60% do eleitorado não consta no cadastro com ensino médio completo, o que corresponde, de forma aproximada, a 7,7 milhões de pessoas*.

As diferenças entre os municípios são profundas.
Em Niterói, 28% dos eleitores declaram possuir ensino superior completo. O percentual é quase três vezes a média estadual de 9,5%. Depois de Niterói aparecem Rio das Ostras, com 13,9%, Rio de Janeiro e Vassouras, ambas com 12,9%, e Bom Jesus do Itabapoana, com 12,3%.
Na outra extremidade, Japeri registra apenas 1,8% de eleitores com ensino superior completo. Belford Roxo tem 2,1%, Tanguá, 2,7%, São Francisco de Itabapoana, 2,9%, e Itaboraí, 3,3%.

A proporção de eleitores com ensino superior completo em Niterói é aproximadamente 15,6 vezes maior que a registrada em Japeri. A comparação entre os dois municípios é um dos retratos mais claros da desigualdade social presente no cadastro eleitoral fluminense.
Essas diferenças podem influenciar a forma como informações políticas e eleitorais circulam, mas a base não permite estabelecer uma relação direta entre escolaridade e preferência de voto.
Também é necessário considerar que a escolaridade é declarada no cadastro eleitoral e pode estar desatualizada. O indicador não substitui informações do Censo Demográfico ou de pesquisas educacionais específicas.
Quase uma em cada cinco seções tem mais de 400 eleitores
A realização das eleições no estado depende de uma estrutura formada por 5.054 locais de votação e 38.742 seções eleitorais. Na média, cada seção possui 332 eleitores, enquanto cada local reúne 2.544 pessoas aptas a votar.
A média, porém, esconde uma concentração significativa. Das 38.742 seções, 7.568 possuem mais de 400 eleitores cadastrados. Esse conjunto representa 19,5% das seções existentes. Na prática, quase uma em cada cinco seções ultrapassa a marca de 400 eleitores.
A maior seção do estado tem 528 pessoas cadastradas
O número de eleitores aptos não corresponde necessariamente ao comparecimento, porque parte das pessoas pode se abster. Ainda assim, seções mais numerosas podem exigir atenção especial em horários de pico.
A distribuição dos eleitores pelos locais de votação também varia bastante.
São Gonçalo apresenta a maior média entre os municípios destacados, com 4.244 eleitores por local de votação. Maricá aparece em segundo lugar, com 3.948; seguida pela capital, com 3.414; Niterói, com 3.141;, e Volta Redonda, com 3 mil.
Santa Maria Madalena tem a menor densidade: 634 eleitores por local. A média de São Gonçalo é aproximadamente 6,7 vezes maior que a de Santa Maria Madalena.
Isso não comprova que São Gonçalo tenha mais filas ou problemas operacionais. A capacidade de atendimento depende do número de seções em cada imóvel, da estrutura física, da distribuição do comparecimento e da organização eleitoral.
O indicador, contudo, mostra onde existe maior concentração de pessoas e onde a operação pode exigir planejamento mais complexo.
Maiores locais superam 11 mil eleitores
O maior local de votação do Estado do Rio é a unidade da Suam/Luso Carioca, em Bonsucesso, na capital, com 13.078 eleitores*.
O segundo é o CEPT Leonel Brizola, em Maricá, com 12.545. Na sequência aparecem a Uerj no Maracanã, com 11.208; o Colégio Salesiano Santa Rosa, em Niterói, com 11.140; e a Uerj Patronato, em São Gonçalo, com 11.108.
Estado tem 141 mil eleitores com deficiência registrados
A base registra 141.435 eleitores com deficiência, equivalentes a 1,1% do cadastro estadual.
A cidade do Rio concentra o maior contingente absoluto, com 52.988 pessoas. Niterói aparece em segundo lugar, com 9.527; seguida por Caxias, com 8.434; São João de Meriti, com 6.009; e São Gonçalo, com 5.310.
Um estado eleitoralmente desigual
O conjunto dos dados mostra que o eleitorado fluminense está longe de ser homogêneo.
A capital concentra 38,5% dos eleitores, enquanto quatro municípios reúnem mais da metade do cadastro. As mulheres formam a maioria e superam os homens em mais de 1 milhão de pessoas.
Mais da metade do eleitorado tem 45 anos ou mais, e 28,1% já alcançaram os 60 anos. Ao mesmo tempo, os jovens de 15 a 17 anos representam menos de 1% das pessoas aptas a votar.
Na escolaridade, a proporção de eleitores com ensino superior completo varia de 28% em Niterói a 1,8% em Japeri. Na estrutura eleitoral, a média de eleitores por local vai de 4.244 em São Gonçalo a 634 em Santa Maria Madalena.
Essas diferenças ajudam a dimensionar os desafios políticos, comunicacionais e logísticos de uma eleição estadual.
Os números não antecipam resultados e não revelam em quem cada grupo pretende votar. Eles mostram, porém, onde estão os eleitores e quais segmentos possuem maior peso numérico.
Nota metodológica
A análise utiliza exclusivamente dados extraídos da base do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 17 de julho de 2026. Os dados representam uma fotografia estática. Sem informações comparáveis de anos anteriores, não é possível afirmar que o eleitorado cresceu, diminuiu ou envelheceu.
Em 18 casos, números de zonas eleitorais são compartilhados por dois municípios e aparecem agregados nos arquivos demográficos por zona. Isso exige cautela em análises municipais construídas exclusivamente a partir desse recorte.
O arquivo de eleitores com deficiência por seção contém 30.697 registros, diante de um total de 38.742 seções. A diferença indica que seções sem registros provavelmente foram omitidas, em vez de apresentadas com valor zero.
As categorias de deficiência podem se sobrepor, e a escolaridade é declarada no cadastro eleitoral, podendo apresentar defasagem em relação à situação atual do eleitor.
Por fim, eleitorado apto não equivale a comparecimento ou votos válidos. Abstenções, justificativas, votos brancos e nulos alteram o universo efetivamente contabilizado em uma eleição.
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Comments 1
O irmão dela tem uma acusação forte por aí sabe, não é dificil de encontrar. E qual é o posicionamento dela sobre? DEFESA do irmão.
E é a a presidente da comissão das Mulheres????