Quem vê o VLT passando pelos trilhos do Rio, lento, e com um sininho barulhento, talvez pense que seja impossível ser atingido por ele — afinal, apesar de ter o nome completo de “veículo leve sobre trilhos”, ele é conhecido nas ruas pelo apelido “veículo lento sobre trilhos”.
Mesmo assim, apesar da velocidade não tão significativa, os riscos de atropelamento existem e pedestres devem ficar atentos ao cruzar os trilhos. Desde janeiro de 2025, oito pessoas foram atropeladas pelos trens, de acordo com dados da concessionária Motiva, responsável pela operação do VLT Carioca.
A Motiva informou que, destes, três casos ocorreram em 2026. Os outros cinco aconteceram em 2025, todos sem gravidade.
O biofísico Leonardo Oliveira está nessas estatísticas. Em dezembro de 2025, ele circulava pela Cinelândia ouvindo música no fone de ouvido com o volume muito alto. Na hora de atravessar os trilhos do VLT, ele só olhou para um dos lados da via e não ouviu a buzina do veículo.
“No momento em que eu pisei no trilho, o VLT bateu em mim e eu saí rolando pra frente, e logo após já lembro de um policial estar comigo”, conta.
Depois do atropelamento, o biofísico foi para um hospital e foi liberado para casa no mesmo dia. Porém, continuou sentindo dores. Alguns dias depois, retornou a um atendimento de emergência e descobriu que havia fraturado a clavícula.
A fama de lentidão do VLT não é por acaso: a velocidade média do veículo é de 15 km/h. No entanto, por conta das interferências externas, principalmente o acesso indevido de veículos e pedestres à via, em alguns trechos, essa velocidade precisa ser reduzida para 13 km.
Concessionária do VLT fez 450 manobras preventivas
O gerente executivo de operação da Motiva, Rodrigo Feitoza, esclareceu que os condutores dos trens seguem uma série de medidas para identificar situações de risco e realizar frenagens de emergência sempre que necessário.
“A orientação sempre é dirigir de forma preventiva, atentando aos riscos ao longo do trajeto, que são muitos. E quando há essas situações de risco, seja com pessoas ou veículos, a orientação é sempre reduzir a velocidade. E, se necessário for, aplicar a frenagem de emergência, que é sempre para garantir a segurança de todos”, disse Rodrigo.
De acordo com a concessionária, entre janeiro e outubro de 2026 foram realizadas cerca de 450 dessas manobras preventivas.
Já recuperado do encontro com o VLT, Leonardo reconhece a importância da conscientização dos riscos de acidentes como o dele e ainda deixa um alerta para que outros tomem cuidado em situações semelhantes.
“Minha mensagem para as pessoas é que elas se preocupem bastante ao atravessar lugares movimentados, não só trilhos do VLT. Que elas olhem sempre para os dois lados e que não se use fone de ouvido na rua”.
*Estagiária sob supervisão de Felipe Galeno e Berenice Seara