O governador eleito Douglas Ruas (PL) está mudando o eixo das negociações políticas no Rio. Em vez de discutir a composição do futuro governo com os cardeais dos partidos, prefere conversar diretamente com os deputados que vão integrar sua base na Assembleia Legislativa (Alerj).
É uma mudança importante em relação ao modelo adotado por seu antecessor, Cláudio Castro (PL), que deu aos dirigentes partidários grande influência sobre a distribuição de espaços na administração.
Na lista dos que perderam protagonismo nas conversas estão nomes de peso, como Dr. Luizinho (PP), Antônio Rueda (União Brasil), Áureo Ribeiro (Solidariedade) e André Português (Republicanos). Ao que tudo indica, Douglas Ruas não pretende entregar aos dirigentes o poder de indicar nomes e controlar fatias do governo, como acontecia na gestão anterior.
A lógica do futuro governador é outra. Afinal, é na Alerj que vão tramitar seus projetos e onde ele precisará reunir os votos necessários para aprová-los. Talvez seja mais importante construir uma relação direta com os parlamentares do que negociar a sustentação política por intermédio dos presidentes das legendas.
Não significa, necessariamente, ignorar os partidos. Mas muda quem se senta à mesa — e, principalmente, quem passa a ter influência sobre as decisões.
Jair Bittencourt, o homem da ponte com a Alerj
Com isso, ganha ainda mais importância o deputado estadual Jair Bittencourt (PL), escolhido para assumir a Secretaria de Governo a partir de janeiro.
Experiente, ex-prefeito de Itaperuna, rei do Noroeste Flumienense e com bom trânsito entre os colegas, ele terá a missão de cuidar da articulação política do Palácio Guanabara, especialmente da relação com a Assembleia. Caberá a ele ajudar a transformar as conversas individuais de Douglas Ruas com os deputados numa base capaz de sustentar as propostas da futura administração.
Jair Bittencourt deverá ser o único deputado estadual a deixar a Alerj para ocupar um cargo no primeiro escalão. Os demais parlamentares serão ouvidos, terão espaço nas articulações, mas a intenção, ao menos até agora, é mantê-los na casa.
Em outras palavras, Douglas quer os deputados perto do governo, mas não necessariamente dentro dele.
Os partidos continuam importantes. Seus presidentes, nem tanto
A mudança fica especialmente evidente na relação com a Federação União Progressista, que reúne PP e União Brasil. A Federação já fechou com Douglas Ruas, acrescentando nove deputados à base governista: cinco do PP e quatro do União Brasil. Mas a aproximação passou diretamente pelos parlamentares.
Gustavo Tutuca (PP), por exemplo, retirou sua pré-candidatura à presidência da Alerj para apoiar Anderson Moraes (PL), o nome escolhido por Douglas. Em seguida, recebeu do governador eleito o convite para assumir a liderança do governo na Assembleia.
O contraste com Dr. Luizinho é particularmente significativo. Durante a gestão Castro, o deputado federal exerceu grande influência sobre a Secretaria estadual de Saúde. Douglas, porém, já declarou publicamente que não aceitará indicações de Luizinho para a pasta.
O poder muda de mãos — e de endereço
A opção de Douglas também tem relação com sua própria trajetória. Antes de se eleger governador, ele presidiu a Assembleia e construiu ali uma rede de aliados que conhece de perto.
Em abril, a turma já identificava os quatro homens de confiança de Douglas na Alerj: Anderson Moraes, Bruno Dauaire (União Brasil), Jair Bittencourt e Gustavo Tutuca. Parlamentares de partidos diferentes, mas próximos ao então presidente da Casa.




















































