O governador eleito do estado do Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL), foi o candidato vitorioso ao cargo que mais recebeu verbas do Fundo Eleitoral no país. Foram R$ 17,8 milhões, que representaram 97% de tudo o que foi gasto em sua campanha. Ruas foi eleito no primeiro turno após os votos de Anthony Garotinho terem sido anulados pela Justiça Eleitoral. Eduardo Paes (PSD) ficou em segundo lugar.
O segundo candidato que mais recebeu verga foi Tarcísio de Freitas (Republicanos), que também ganhou a eleição: terá um segundo mandato em São Paulo. Em terceiro aparece Raquel Lyra (PSD-PE), com R$ 11,8 milhões. Ela também foi reeleita, em Pernambuco.
Enquanto isso, o senador Cleitinho (PSC-MG) abriu mão dos recursos do Fundo Eleitoral em sua campanha vitoriosa para o governo de Minas Gerais. No total, os 21 governadores eleitos em primeiro turno receberam R$ 135,4 milhões do Fundo Eleitoral.
Com informações do colunista Lauro Jardim, do jornal “O Globo”
A Comissão de Orçamento da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) aprovou por unanimidade, nesta terça-feira (27), o parecer prévio ao Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027. O colegiado também deu aval à revisão do Plano Plurianual (PPA) 2024-2027 do estado.
A proposta de orçamento, enviada pela gestão do governador em exercício Ricardo Couto, prevê um déficit de R$ 13,9 bilhões para o próximo ano.
O texto prevê despesas totais de R$ 138,37 bilhões contra uma receita líquida estimada em R$ 124,39 bilhões. Apesar de elevado, o desequilíbrio projetado para 2027 é cerca R$ 5 bilhões menor do que o rombo previsto no orçamento do ano anterior.
Votaram a favor do parecer prévio os deputados Gustavo Tutuca (PP), André Corrêa (PSD), Célia Jordão (PSD), Daniel Librelon (Republicanos), Bruno Dauaire (PL), Zeidan (PT) e Jair Bittencourt (PL).
As secretarias de Fazenda e de Planejamento do estado detalharam o projeto durante a audiência pública da Comissão na manhã desta terça. O projeto, agora, segue para análise dos deputados em plenário. A Alerj prevê realizar as primeiras discussões nos dias 3 e 4 de novembro, com votação final marcada para 17 de dezembro.
Uma autoridade dos Estados Unidos confirmou que o senador Flávio Bolsonaro (PL) está a caminho do país, segundo informações da agência de notícias internacionais Reuters. O parlamentar teria deixado o Brasil após perder a eleição presidencial de domingo (25) e se recusado a cumprir uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) para entregar os passaportes, de acordo com duas fontes ouvidas pela agência.
Procurada pela Reuters, a Embaixada dos Estados Unidos no Brasil ainda não respondeu ao pedido de comentário. O advogado do senador também se recusou a comentar o caso.
Aliados próximos à família confirmaram a ida aos EUA
A fuga do senador foi confirmada por pessoas próximas à família Bolsonaro e por aliados do parlamentar. O avião em que ele estaria já estaria em voo, mas interlocutores do senador ainda não sabem como exatamente ele deixou o território brasileiro.
A ex-primeira-dama e senadora eleita, Michelle Bolsonaro (PL), também teria confirmado que o enteado deixou o Brasil.
Flávio não dá notícias desde a manhã desta terça-feira (27). A última mensagem enviada pelo senador foi às 08h, para o senador Rogério Marinho (PL), que coordenou sua campanha presidencial. Na conversa, Flávio disse que estava “esfriando a cabeça”, mas não respondeu se havia deixado o país.
A fuga ocorre um dia após o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar que o senador entregasse seus passaportes à Polícia Federal (PF) em até 24 horas. A decisão também proibiu o parlamentar de deixar o Brasil e de manter contato com o advogado Willer Tomaz, investigado no mesmo inquérito, por suposta lavagem de dinheiro.
A decisão de Moraes foi tomada após a derrota de Flávio para Lula (PT) no segundo turno da eleição presidencial, realizado no último domingo (25). O senador havia sido apontado pelo irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, como alguém que deveria deixar o Brasil caso perdesse a disputa.
Repercussão internacional
O prazo para a entrega dos documentos terminou nesta terça, mas, até o momento, não havia confirmação de que ele os tivesse entregado.
A fuga de Flávio foi noticiada primeiro pelo “Infobae”, um site de notícias da Argentina que apontou que o candidato derrotado cruzou a fronteira para a Argentina e iria embarcar em Puerto Iguazú, na província de Misiones. A decolagem estava prevista para as 02h , em um Gulfstream G400.
Flávio teria atravessado a fronteira usando o documento nacional de identidade.
Com informações da agência Reuters e dos portais “Metrópoles” e “UOL”.
O advogado Marcello Ramalho, que defende Erica Marques Pinho, flagrada fazendo uma saudação nazista numa seção eleitoral em Botafogo no último domingo (25), disse que ela estava respondendo a provocações. Ela teria sido chamada de nazista e racista por usar uma camisa do candidato Flávio Bolsonaro (PL) e um boné vermelho com a sigla MAGA (Make America Great Again), slogan usado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
“Ela foi chamada de nazista, de racista, porque estava com o boné do Trump. Quando ela levanta o braço, foi um tom de deboche às acusações recebidas, sem intenção de expressar adesão ao racismo”, disse o advogado Marcello Ramalho.
O advogado prometeu ainda que a cliente iria pedir desculpas à comunidade judaica durante seu depoimento à Polícia Civil, nesta terça-feira. Segundo Ramalho, o gesto aconteceu “no calor da discussão”.
“Ela respeita profundamente a comunidade judaica e ela vai pedir excusas à comunidade judaica”, disse o advogado.
O caso aconteceu no Colégio Santo Inácio, durante a votação. Ao ser flagrada fazendo o gesto, Érica ainda debochou das pessoas que filmavam. Um eleitor judeu, Ian Andrade, que estava no local, ficou indignado e disse que “que sentiu nojo”:
“Eu não vou te falar medo, porque eu não tenho medo dessa gente, mas senti realmente um enjoo, um nojo. Tenho 31 anos e nunca vivenciei isso na minha vida como judeu”, declarou Ian.
O vereador Flávio Valle (PSD) cobrou do Ministério Público do Rio providências sobre o caso.
“É inadmissível que ainda tenhamos que testemunhar atitudes como essa em pleno exercício do voto, símbolo maior da democracia. Solicitei ao Ministério Público que acompanhe o caso até que esta cidadã seja responsabilizada e presa por crime de racismo. O Brasil não pode tolerar, relativizar ou naturalizar gestos que evocam um dos períodos mais sombrios da história da humanidade”, disse o vereador, que é presidente da Frente Parlamentar de Combate ao Antissemitismo da Câmara do Rio.
A Polícia Federal apura junto às autoridades argentinas se o senador Flávio Bolsonaro (PL) deixou o Brasil pela fronteira com o país vizinho após a derrota na disputa pela Presidência da República. Em meio às suspeitas, um voo particular com destino a Miami, nos Estados Unidos, foi cancelado poucas horas antes da decolagem, na manhã desta terça-feira (27), no Aeroporto Internacional de Puerto Iguazú, na Argentina, segundo informações do jornal argentino Clarín.
A aeronave tinha previsão de transportar quatro passageiros, mas a identidade deles não foi divulgada. Há suspeitas de que o voo seria destinado a Flávio e a familiares.
Segundo informações publicadas pela imprensa argentina, a única justificativa apresentada para o cancelamento foi que “um dos passageiros teve um problema”. A lista de passageiros, de acordo com fontes ouvidas pela reportagem do jornal Clarín, não chegou a ser entregue ao Serviço de Imigração e Alfândega.
Aliados de Flávio teriam sido avisados de que ele saiu do Brasil, segundo a coluna da Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo. Não há confirmações oficiais sobre o paradeiro dele.
Detalhes do voo foram divulgados
O avião em questão é um bimotor Gulfstream G400, de matrícula LV-JQW, que chegou a Puerto Iguazú por volta da meia-noite de segunda (27) para terça, com três tripulantes a bordo. A decolagem para os Estados Unidos estava prevista para as 2h30 da manhã, mas a equipe só soube do cancelamento depois de chegar à cidade.
Segundo a imprensa argentina, os dois pilotos e a comissária de bordo passaram a noite em um hotel e aguardavam novas instruções da companhia aérea.
As informações oficiais dos governos brasileiro e argentino são de que Flávio Bolsonaro não passou oficialmente pela fronteira regular do Brasil com a Argentina. A PF faz também uma checagem de voos entre os dois países.
PF determinou entrega de passaportes de Flávio Bolsonaro
A decisão foi tomada no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e possíveis irregularidades financeiras relacionadas ao financiamento do filme “Dark Horse” e a supostas ligações com o empresário Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Até o momento, não há confirmação de que Flávio Bolsonaro ou familiares estivessem entre os passageiros previstos para o voo cancelado. Também não há informação que comprove uma ligação entre o cancelamento e as medidas judiciais impostas a integrantes da família.
A Polícia Federal (PF) informou agora há pouco, nesta terça-feira, que cancelou os passaportes do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) depois que se esgotou o prazo para que ele entregasse os documentos. O anúncio acontece no momento em que vários boatos dão conta de que o candidato derrotado à presidência fugiu do país. Há rumores dizendo que ele iria para Argentina, governada pelo aliado Javier Milei, e depois seguiria para os Estados Unidos. Nada disso foi confirmado ainda.
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), será comunicado sobre o descumprimento da decisão judicial que determinou a entrega dos documentos até a manhã desta terça-feira. A Polícia Federal ainda não tem registros formais de saída do Brasil.
Segundo informações divulgadas pelo site argentino “Infobae”, Flávio Bolsonaro teria atravessado a fronteira com a Argentina. De lá, ainda na madrugada desta terça-feira, teria embarcado em um avião particular que decolaria de Puerto Iguazú. A Polícia Federal tenta obter colaboração dos colegas argentinos para confirmar a informação.
Flávio Bolsonaro (PL) havia prometido entregar os passaportes horas depois de ser intimado, na segunda-feira (26). Ele é alvo de dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF), que investigam se o senador lavou dinheiro usando plataformas de apostas ao lado do advogado Willer Tomaz e se houve irregularidades no financiamento do filme “Dark Horse”.
A Polícia Federal investiga quanto dinheiro Flávio recebeu do banqueiro Daniel Vorcaro, dono e principal nome do escândalo do Banco Master, para a realização o filme sobre a trajetória de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso.
“A decisão da Alexandre de Moraes se baseou numa fala do Eduardo de 23 de outubro, que eu deveria deixar o país se eu perdesse a eleição. Eu nunca falei isso. Isso é motivo para tirar meu passaporte? Isso é justiça? E mais, essa decisão foi tomada no domingo à noite, logo depois do anúncio do resultado da eleição”, reclamou Flávio depois de ser intimado.
“Eu? Votar naquele barbudo comunista?” Eram assim as primeiras reações ao nome do deputado federal eleito Marcelo Freixo (PT) no mundo das escolas de samba. Isso nos idos de 2012. Mas devagar, devagarinho, como ensinou o mestre Martinho da Vila, o político de esquerda insistiu. E foi se aproximando, até chegar a momentos de apoteose como festejar a vitória do presidente Lula (PT) no segundo turno recebendo o carinho do povo e das rainhas de Paraíso do Tuiuti e Mangueira, Mayara Lima e Evelyn Bastos, na festa que as agremiações fizeram em São Cristóvão na noite de segunda-feira (26).
Evelyn, que ralou tanto na campanha de Lula quanto na de Freixo, recebe o carinho do deputado — Foto: Reprodução
“O Freixo entendeu lá atrás que escola de samba não é coisa de bicheiro. É uma estrutura que agrega milhares de trabalhadores, que dão duro, são explorados e têm seus desejos, reivindicações”, conta um sambista que conhece todos os atalhos dos barracões à Sapucaí.
“Houve uma mudança completa. Freixo é recebido com todo o carinho em todas as quadras, por todo mundo”, conta outro especialista no mundo das escolas de samba que é carnavalesco até a alma.
Gravação com sambistas da Vila Isabel, Porto da Pedra, Unidos da Ponte, Paraíso do Tuiuti e Mangueira
Para se ter uma ideia, na gravação do jingle da candidatura a deputado, reuniu-se uma seleção do samba. Xande de Pilares, Pixulé, do Paraíso do Tuiuti, Tinga, Vila Isabel, Wantuir, da Porto da Pedra. Isso sem falar no apoio de bambas como Bruno Ribas, da Portela, Serginho do Porto, da Unidos da Ponte, Igor Sorriso, do Salgueiro e Cacá Nascimento, da Mangueira.
O político do PT conseguiu, de fato, sair da bolha e circular pelo verdadeiro mundo do carnaval, em vez de ficar de chorinho na Praça São Salvador, em Laranjeiras, tradicional reduto da esquerda.
Quando foi presidente da Embratur, Freixo ajudou a articular o repasse de R$ 51,6 milhões para as escolas de samba do Grupo Especial, das Séries Ouro, Prata e Bronze, além do Grupo de Avaliação.
Na campanha avassaladora do segundo turno que terminou com a vitória de Lula de virada sobre Flávio Bolsonaro (PL), o mundo do samba também pisou firme nas ruas. Um ato do samba, na Lapa, reuniu dezenas de milhares de pessoas, num dos momentos em que a candidatura de Lula mostrou que ia mesmo ganhar no grito.
A Cedae inicia esta semana as obras de construção da Estação de Tratamento de Água (ETA) do sistema Novo Guandu, em Nova Iguaçu. Orçado em R$ 1,35 bilhão, o projeto prevê que a ETA produza 7,5 mil litros de água tratada por segundo, beneficiando cerca de 3 milhões de pessoas na Baixada Fluminense e na Zona Oeste da capital.
O prazo de conclusão está previsto para abril de 2030, e a obra faz parte do sistema Novo Guandu, que terá ainda o maior reservatório da Companhia, o Novo Marapicu, com capacidade para armazenar 55 milhões de litros de água.
A ETA Novo Guandu vai atuar em conjunto com a ETA Guandu, elevando a produção de água tratada para 50 mil litros por segundo e atendendo 12 milhões de pessoas na Região Metropolitana. As obras do sistema também incluem duas elevatórias — uma de água bruta e outra de água tratada —, uma adutora de água tratada de 3,9 quilômetros e um tronco distribuidor de 1 quilômetro.
As obras do sistema, que já começaram, estão orçadas em R$ 2,5 bilhões. O Novo Guandu foi projetado para se expandir conforme as necessidades futuras. O sistema modular poderá chegar a produzir até 24 mil litros por segundo, acompanhando o crescimento da população e a demanda por água.
Ministério Público do Trabalho processa Índia Armelau e pede multa de R$ 500 mil por assédio eleitoral; deputada sugeriu que patrões demitam quem apoiou Lula
Após a vitória de Lula (PT) no segundo turno da disputa presidencial, a parlamentar escreveu nas redes sociais: “Empresário, olha a rede social do teu funcionário aí e confere se ele fez ‘L’. Acho que não faz sentido nenhum manter na tua empresa quem odeia empresários”.
Para o MPT, a mensagem estimula o assédio eleitoral e a discriminação por convicção política. O órgão sustenta que a imunidade parlamentar não protege discursos discriminatórios e que o alcance de Índia Armelau pode levar empresários a acreditarem que a prática é legítima.
O órgão pede que a deputada retire a publicação do ar e publique no mesmo perfil, em até 24 horas após a decisão, um comunicado informando que empregados podem escolher livremente seus candidatos e que empregadores não podem retaliar ninguém por causa do voto.
Em caso de descumprimento, o MPT pede multa de R$ 100 mil por obrigação. A Justiça ainda vai analisar o pedido.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) descumpriu a ordem do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF) e não entregou na manhã desta terça-feira (27) o passaporte à Polícia Federal no prazo que havia sido estabelecido. A decisão do Supremo saiu na noite de domingo (25) e está relacionado ao inquérito em que Flávio é investigado ao lado do advogado Willer Tomaz são investigados por lavagem de dinheiro.
Flávio Bolsonaro (PL) havia prometido entregar o passaporte horas depois de ser intimado, na segunda-feira (26). Ele é alvo de dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF), que investigam se o senador lavou dinheiro usando plataformas de apostas ao lado do advogado Willer Tomaz e se houve irregularidades no financiamento do filme “Dark Horse”.
A Polícia Federal investiga quanto dinheiro Flávio recebeu do banqueiro Daniel Vorcaro, dono e principal nome do escândalo do Banco Master, para a realização o filme sobre a trajetória de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que está preso.
“A decisão da Alexandre de Moraes se baseou numa fala do Eduardo de 23 de outubro, que eu deveria deixar o país se eu perdesse a eleição. Eu nunca falei isso. Isso é motivo para tirar meu passaporte? Isso é justiça? E mais, essa decisão foi tomada no domingo à noite, logo depois do anúncio do resultado da eleição”, reclamou Flávio depois de ser intimado.
Flávio disse que a decisão de obrigá-lo a entregar o passaporte estava relacionada ao resultado da eleição presidencial, que ele perdeu após uma virada histórica do presidente Lula (PT).
“Pensa comigo, se eu tivesse ganhado as eleições, ia acontecer a mesma coisa? Flávio Bolsonaro eleito, essa PF ia estar do mesmo jeito me intimando no meio da rua? Isso é um sinal que a nossa democracia faliu. Foi uma decisão tomada conforme o resultado da eleição. Uma questão política, não pode ser assim”.
Flávio também ficou revoltado com a decisão do Supremo:
“Não fui eu que perdi, foi o sistema que ganhou. Por fim, hoje de manhã eu fui visitar o meu pai, como vocês sabem, ele está em prisão domiciliar. E quando eu estava saindo, a Polícia Federal do Lula estava na porta da casa dele, e no meio da rua eu fui intimado a entregar os meus passaportes e também estou proibido de deixar o país”.
Chovia no Rio de Janeiro na noite de segunda-feira, 5 de outubro, um dia sombrio para os democratas após as urnas indicarem a liderança de Flávio Bolsonaro, filho de Jair, no primeiro turno das eleições presidenciais de 2026. Em Niterói, antiga capital do estado, alunos da Faculdade de Direito da UFF (Universidade Federal Fluminense), promoveram um ato, organizado pelo Centro Acadêmico, para mostrar que os estudantes estavam dispostos a reagir e resistir. Não demorou e centenas de alunos de outros cursos estavam reunidos em frente à faculdade: eram mais de dois mil estudantes quando eles saíram em passeata pela cidade, ainda debaixo de chuva.
As imagens viralizaram facilmente através das redes sociais – como tantas manifestações de jovens, sob muitos outros pretextos, neste século 21. Só que estas imagens inspiraram milhares de alunos – das universidades à frente, depois do ensino médio, depois até crianças. E, no dia seguinte, já eram dezenas de passeatas estudantis, uma novíssima geração de manifestantes, ocupando as ruas, enchendo as praças, cantando e gritando com entusiasmo e alegria para enfrentar o medo – o medo do retrocesso, da violência, do preconceito, da opressão.
No Rio de Janeiro, os mais idosos lembraram da Passeata dos 100 mil, em 1968, contra a ditadura militar, liderada por universitários, que hoje são octogenários. A minha geração recordou as manifestações pela anistia em 1980 – inclusive para trazer de volta os líderes de 68 – e, principalmente a campanha das Diretas Já, em 1984: eram os políticos no palanque e os jovens tomando as ruas, com um movimento estudantil recém-renascido. São cinquentões hoje os líderes estudantis de 1992, quando a juventude cara-pintada, tomou as ruas para gritar ‘Fora Collor’.
Nas ruas ocupadas de 2026, vimos, com os olhos de manifestações passadas na mesma Candelária e na mesma Cinelândia, uma juventude mais diversa, de uma geração universitária revigorada pela política de cotas, com consciência da ameaça da extrema-direita aos seus direitos, aos direitos de todos, ao direito à vida.
O deputado André Janones ainda estava organizando seu exército digital quando as ruas já estavam tomadas por essa juventude defendendo Lula lá de novo. Na sua primeira disputa eleitoral, em 1989, na primeira eleição presidencial após a ditadura, Lula representava, para uma legião de jovens eleitores, a esperança no futuro da nova democracia brasileira. Quatro décadas depois, o octogenário Lula representa, para a juventude, a resistência aos piores retrocessos. Sob essa inspiração, essa multidão de jovens transformou essas três semanas numa sequência de manifestações alegres, animadas, barulhentas, indignadas, divertidas: é uma geração se encontrando na luta, se encontrando nas ruas.
Manifestação liderada por estudantes na Candelária: mobilização dos jovens, enfrentando com alegria e entusiasmo os horrores do retrocesso, contagiou o Rio e o Brasil — Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil – 18/10/2026)
Foi o professor e historiador Luiz Antonio Simas quem deu a letra nas redes sociais que foi ficando gravada no meu espírito a cada manifestação estudantil. “Eu gosto sempre de lembrar que a alegria é um elemento crucial, inclusive nesse momento de tensionamento. da história brasileira. Mas não uma alegria alienada, uma alegria boba; uma alegria que é compatível com a raiva, como elemento mobilizador do nosso processo histórico. Uma alegria no sentido de transgredir, de resistir, de reinventar mundos onde aparentemente só a morte devia prevalecer”, disse mestre Simas.
Filósofo das ruas e pesquisador das encruzilhadas cariocas, Simas gosta de estudar festa: “não a festa no sentido de alienação, mas a festa como reconstrução do modo coletivo de vida diante de projetos de aniquilação, horror e morte”, como explicou no vídeo onde defende ainda que é crucial que a luta venha acompanhada dessa dimensão de festa, alegria e transgressão. Esse vídeo foi publicado na tarde do dia 5 quando, em Niterói, os estudantes estavam preparando aquele ato de resistência e transgressão, que transbordou para a rua com alegria e entusiasmo.
Tomara que essa novíssima geração de manifestantes siga ocupando as ruas, com essa alegria compatível com a raiva, com disposição para resistir e para avançar. E, sem esquecer, na vitória, aquela lição da derrota de 2018: “ninguém solta a mão de ninguém”; porque a luta precisa ser coletiva. E porque “é na luta que a gente se encontra” – como diz o samba-enredo da Mangueira campeã de 2019, o primeiro Carnaval sob Bolsonaro. Aliás, aqui no Rio de 2026, o samba também ocupou a rua pela reeleição de Lula, mostrando sua legítima raiz de resistência e transgressão, herança nobre dos africanos escravizados.