O vereador Flávio Valle (PSD) cobrou do Ministério Público do Rio providências sobre o caso de apologia ao nazismo ocorrido no último domingo (25), quando uma eleitora fez uma saudação com o braço erguido numa seção eleitoral do Colégio Santo Inácio, em Botafogo. Abordada e alvo de protestos, ela debochou das outras pessoas presentes.
“É inadmissível que ainda tenhamos que testemunhar atitudes como essa em pleno exercício do voto, símbolo maior da democracia. Solicitei ao Ministério Público que acompanhe o caso até que esta cidadã seja responsabilizada e presa por crime de racismo. O Brasil não pode tolerar, relativizar ou naturalizar gestos que evocam um dos períodos mais sombrios da história da humanidade”, disse o vereador.
A mulher que fez a saudação nazista já teria sido identificada nas redes sociais. Seus dados foram fornecidos a autoridades.
Flávio é o único judeu na Câmara do Rio e presidente da Frente Parlamentar de Combate ao Antissemitismo. Ele ressaltou que “manifestações dessa natureza são incompatíveis com os princípios fundamentais da dignidade da pessoa humana, da igualdade e da tolerância, além de representarem grave afronta à memória das vítimas do Holocausto e aos valores democráticos que sustentam o Estado brasileiro”.
Ian Andrade, um dos eleitores que presenciou a cena, disse que “que sentiu nojo”:
“Eu não vou te falar medo, porque eu não tenho medo dessa gente, mas senti realmente um enjoo, um nojo. Tenho 31 anos e nunca vivenciei isso na minha vida como judeu”, declarou Ian.
A mulher filmada fazendo o gesto nazista estava usando uma camisa amarela da Seleção Brasileira. Também tinha um boné do “Maga”, acessório que faz sucesso entre a extrema-direita, que apoia o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. “Maga” tem a ver com a expressão “Make America Great Again” (“torne os Estados Unidos grandes novamente”).
A Federação Israelita do Estado do Rio de Janeiro (FIERJ) condenou o episódio e publicou nota:
“Conforme relato recebido pela Federação, acompanhado de registro em vídeo, uma mulher teria realizado reiteradamente a saudação nazista, inclusive após ser questionada por cidadãos que presenciaram a cena. Ao ser informada de que um dos presentes era judeu, teria respondido: ‘Pior ainda’.
Trata-se de uma manifestação absolutamente inaceitável, que ultrapassa os limites da liberdade de expressão e afronta os valores democráticos, a dignidade humana e a memória das milhões de vítimas do nazismo.
É especialmente grave que um episódio dessa natureza ocorra durante o exercício do voto, um dos símbolos mais importantes da democracia brasileira.
A FIERJ informa que o caso foi levado ao conhecimento das autoridades policiais e acompanhará sua apuração, cobrando a identificação dos responsáveis e a adoção das medidas legais cabíveis”.



























































