O prefeito Eduardo Cavaliere (PSD) tem, mais do que ninguém no Rio de Janeiro, bons motivos para respirar aliviado nesta segunda-feira (26). A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), numa virada espetacular no segundo turno, afastou a perspectiva de um isolamento político que vinha sendo desenhado desde a vitória de Douglas Ruas (PL) na disputa pelo governo do estado do Rio.
Com Ruas no Palácio Guanabara e Flávio Bolsonaro (PL) no Palácio do Planalto, Cavaliere corria o risco de ficar espremido entre dois governos adversários — e diante de uma ofensiva bolsonarista para conquistar também o comando da Câmara Municipal.
O prefeito, o vice que herdou a administração de Eduardo Paes (PSD) quando o antecessor deixou o cargo para disputar o governo estadual, havia se tornado um dos principais alvos do grupo político de Bolsonaro no Rio.
A derrota de Paes para Ruas, ainda no primeiro turno, deu fôlego aos adversários. E a eleição da mesa diretora da Câmara, marcada para dezembro, passou a ser vista como uma oportunidade de ampliar o cerco à prefeitura.
Os pré-candidatos na Câmara do Rio
O próprio governador eleito passou a interferir na escolha do próximo presidente do Legislativo municipal. Douglas Ruas ligou para os vereadores do PL para articular uma candidatura de oposição. Seu nome preferido é o veterano Jorge Felippe (PP), que vai retornar à condição de titular na Cinelândia com a saída de Leniel Borel (PP), eleito deputado federal no último dia 4.
Outro interessado é o atual vice-presidente, Willian Coelho (Avante), que também disputa espaço nesse campo político.
Do lado do prefeito está Carlo Caiado (PSD), atual presidente da Câmara e principal nome do grupo governista na disputa. Caiado está no seu terceiro mandato — mas, como é considerado o mais forte candidato, quase uma unanimidade entre os 51 vereadores — buscava uma saída legal para tentar o próximo.
A eleição, que já prometia uma boa briga, ganhou uma dimensão ainda maior com a entrada de Douglas Ruas nas articulações.
A vitória de Lula não elimina a ameaça, mas muda o equilíbrio de forças
Cavaliere continuará tendo de negociar com um governador de oposição e enfrentar as ambições do PL na capital. Mas terá em Brasília um presidente politicamente próximo ao grupo de Eduardo Paes.
E isso faz toda diferença. A manutenção da interlocução com o governo federal ganha importância tanto para a administração municipal quanto para o projeto de reeleição de Cavaliere, em 2028.
Com a vitória de Lula, o prefeito do Rio não se livrou dos adversários.
Mas, pelo menos, escapou de ficar sozinho na briga.






















































