Na política fluminense, é consenso que o melhor caminho para a carreira de Eduardo Paes (PSD), depois da derrota para Douglas Ruas (PL) na disputa pelo governo do estado, passa pela reeleição do presidente Lula (PT).
Paes foi o candidato de Lula ao Palácio Guanabara. Mas perdeu a eleição ainda no primeiro turno e, com ela, a oportunidade de assumir o governo estadual. Para muitos, só uma vitória do presidente poderia abrir, neste momento, novos rumos para o seu grupo político, agora obrigado a recalcular a rota.
O ex-prefeito até parece ter entendido o tamanho da encrenca. Com Eduardo Cavaliere, seu sucessor no comando da cidade do Rio, entrou na campanha de Lula, gravou vídeos, convocou e participou de atos em favor do presidente.
Mas, se eles têm noção de gratidão — e de que a sobrevivência política da turma está ligada por tubos e fios a uma vitória no próximo domingo (25) — boa parte de seus aliados parece não ter sido avisada.
Nas redes, de tudo um pouco — menos Lula
O caso mais emblemático é o de Pedro Paulo. Lula foi fiel ao deputado federal até o fim da campanha eleitoral, pedindo votos para o candidato ao Senado do PSD, mesmo diante de vaias e uma enxurrada de críticas. Agora, quando é o presidente quem precisa de apoio, a reciprocidade não aparece nas páginas do futuro ex-deputado.
No perfil de Pedro Paulo tem de tudo um pouco: o fim da escala 6×1; o Dia do Professor; a PEC da Segurança Pública; a visita do futuro deputado federal Márcio Ribeiro, seu pupilo, à Câmara.
Sobre a eleição de domingo, um alerta para a mudança de locais de votação em Brás de Pina.
Mas não se vê uma linha sobre a eleição presidencial. Muito menos um pedido de voto em Lula.
Outro exemplo é João Pires, que ganhou projeção nas redes combatendo a chamada máfia dos postos de combustíveis e foi eleito deputado estadual. Sobre a disputa presidencial, nenhuma manifestação sobre Lula.
E a lista de aliados de Paes que não demonstram o mesmo entusiasmo pela campanha do presidente é longa: Diego Vaz, Flávio Valle, Guilherme Schleder, Márcio Ribeiro, Renan Ferreirinha e os Caiado — Cláudio e Carlo.
É uma turma numerosa para um grupo político que, em tese, teria motivos de sobra para trabalhar pela reeleição do presidente.
‘Na política, não tem espaço para a covardia’
Há exceções, claro. Daniel Soranz, Laura Carneiro, Salvino Oliveira e Joyce Trindade estão entre os poucos que efetivamente colocaram a cara, as redes sociais e até os adesivos na camisa a serviço da campanha de Lula.
O contraste chama atenção. Enquanto esses aliados assumem publicamente a defesa da reeleição, outros mantêm uma discrição que, em plena reta final de uma disputa presidencial, ganha significado político.
O próprio Soranz, deputado federal reeleito, reclamou na redes social. Chamou de “covardia” o que os “aliados” de Lula estão fazendo neste segundo turno.
“Eu entendo o cidadão comum não querer se posicionar, nesse momento de polarização. Agora, o que não dá para entender é alguém que foi candidato, e pessoas que têm mandato, não se posicionarem a favor do presidente Lula (…). A sua posição faz diferença. Por isso estou chamando você, que ainda não postou um vídeo a favor do presidente Lula nas suas redes sociais, que se posicione. Na política, não tem espaço para a covardia”, disse, em vídeo postado no início da semana.
Comentários 2
Com certeza o próprio MP,estava nas falcatruas do governo anterior, o próprio governador a época não aceitou a tríplice votação do órgão, onde que venceu foi uma desembargador. O Dr Couto tem que fazer uma varredura
Com certeazw