Enquanto milhares de candidatos já receberam recursos dos fundos partidário e eleitoral, 352 aspirantes no Rio de Janeiro permanecem com arrecadação total declarada de R$ 0,00 — e avaliam declarar vulnerabilidade financeira de campanha para garantir ao menos santinho e gasolina até a urna.
A duas semanas do primeiro turno, a desigualdade deixou de ser apenas tema de programa de governo e passou a funcionar dentro das próprias campanhas. Enquanto alguns candidatos já receberam quantias suficientes para contratar marqueteiro, impulsionar redes e descobrir municípios que jamais visitaram, outros continuam com zero recurso declarado, fazendo campanha no regime de economia solidária: um amigo empresta o carro, outro imprime vinte santinhos e a família compartilha o vídeo no grupo do condomínio.
Diante da penúria, candidatos estudam a criação do Bolsa Família Eleitoral, benefício destinado a quem comprovar renda de campanha abaixo da linha da pobreza política. Pela proposta, o candidato receberia um auxílio básico para sobreviver até o dia da votação, com adicionais por dependente, como cabo eleitoral desempregado, coordenador sem gasolina e candidato a vice que ainda não descobriu por que aceitou o convite.
O pagamento seria suspenso imediatamente caso aparecesse uma transferência milionária do partido — fenômeno conhecido no meio político como “saída repentina da extrema pobreza”.






















































Comentários 1
Mas por que a população deveria bancar a campanha de alguém? Se não tem condições, não se candidata. Não deveria haver sequer fundo eleitoral. E os políticos, que dizem que querem servir à sociedade, não deveriam receber salários. Não se candidatam por ideais públicos???