O governador eleito do Rio de Janeiro, Douglas Ruas (PL), afirmou que pretende aproveitar as semanas que ainda terá à frente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) para negociar mudanças no orçamento estadual de 2027, que prevê um déficit superior a R$ 13 bilhões. Em sua primeira entrevista após a oficialização da vitória, neste sábado (10), ele defendeu a revisão das despesas públicas e a criação de um teto de gastos para conter o desequilíbrio das contas estaduais.
Além da situação fiscal, Ruas abordou propostas para a segurança pública e a saúde, falou sobre a prevenção de desastres climáticos e afirmou que começará a convidar integrantes de seu futuro secretariado neste domingo (11).
Douglas Ruas quer negociar mudanças no orçamento de 2027 antes de deixar a presidência da Alerj
Ruas afirmou que pretende reunir os chefes dos poderes estaduais para discutir alterações no projeto da Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2027 antes da votação na Alerj. Para o governador eleito, a proposta encaminhada ao Legislativo não deve ser aprovada sem mudanças diante do déficit projetado.
“Não concordo que a gente aprove essa peça da maneira que se encontra, com mais de R$ 13 bilhões em déficit. Nós vamos ter uma tarefa nos próximos meses para discutir e adequar as despesas”, afirmou.
O presidente da Alerj defendeu a criação de um teto de gastos para limitar o crescimento das despesas dos poderes estaduais à evolução da arrecadação. Segundo ele, a proposta já foi apresentada à Assembleia e tem como objetivo recuperar o equilíbrio entre receitas e despesas.
Ruas argumentou que, embora a arrecadação estadual tenha crescido 21% no período mencionado durante a entrevista, as despesas de dois poderes avançaram em ritmo superior. Ele não especificou quais instituições teriam registrado esse aumento.
Questionado sobre o prazo para promover as mudanças, considerando que assumirá o governo perto do fim do ano, Ruas afirmou que ainda haverá tempo para negociar ajustes. A votação do orçamento costuma ocorrer em dezembro, o que permitiria discutir as alterações nas comissões temáticas e no plenário da Assembleia.
O governador eleito também citou dois projetos que considera importantes para melhorar a situação fiscal do estado. Um deles trata do enquadramento de contribuintes inadimplentes; o outro prevê a transação tributária, mecanismo que permite negociar dívidas com o poder público.
Segundo Ruas, uma das propostas recebeu mais de 40 emendas parlamentares e está em análise nas comissões da Alerj. A expectativa, de acordo com ele, é que o texto volte ao plenário ainda em outubro.
Governador eleito promete convocar excedentes e ampliar efetivo da PM em mais de 15 mil policiais
Na segurança pública, Ruas reafirmou a promessa de ampliar o efetivo da Polícia Militar ao longo dos próximos quatro anos. A meta é alcançar os 60 mil agentes previstos na legislação estadual.
Segundo os números apresentados por ele, a corporação conta atualmente com pouco mais de 44 mil policiais. Para chegar ao quantitativo previsto, será necessário incorporar mais de 15 mil profissionais.
Ruas afirmou que pretende convocar os candidatos excedentes já aprovados em concursos e estabelecer um cronograma para a realização de novas seleções.
“O meu compromisso com a população do estado do Rio de Janeiro é convocar todos os excedentes já aprovados, estabelecer um cronograma para a realização de novos concursos, para que a gente possa perseguir e alcançar esse efetivo que já está previsto na lei nos próximos quatro anos”, disse.
O governador eleito estimou em R$ 1,6 bilhão o custo da recomposição do efetivo, valor que, segundo ele, representa aproximadamente 1% do orçamento estadual. Para cumprir a promessa, afirmou que será necessário encontrar espaço nas contas públicas.
Hospital do Câncer e do Coração de Nova Friburgo deve ser entregue nos primeiros 100 dias
Na saúde, Ruas estabeleceu um prazo para a entrega do Hospital do Câncer e do Coração de Nova Friburgo, na Região Serrana. A promessa é colocar a unidade em funcionamento nos primeiros 100 dias de governo.
Segundo o governador eleito, as obras estão próximas da conclusão, mas ainda é necessário contratar uma organização responsável pela gestão do hospital.
“O Hospital do Câncer e do Coração de Nova Friburgo, o meu compromisso é entregar nos primeiros 100 dias de gestão. É uma obra que está muito pertinho de acabar”, afirmou.
Ruas também reiterou a proposta de implantar centros integrados regionais de saúde. Para ampliar a rede de atendimento, ele pretende buscar parcerias com as prefeituras e aproveitar imóveis públicos já existentes, evitando a necessidade de construir novas unidades em todos os municípios contemplados.
Ruas defende reassentamento de famílias que vivem em áreas de risco no estado
A prevenção de desastres climáticos também foi abordada durante a entrevista. Ruas defendeu a combinação de obras de contenção de encostas com programas habitacionais para retirar famílias de locais onde não seja possível eliminar os riscos.
Durante o programa, um levantamento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) apontou que pelo menos 860 mil pessoas vivem em áreas de risco em 15 dos 92 municípios fluminenses mapeados. O número pode ultrapassar um milhão quando consideradas outras localidades.
Petrópolis, na Região Serrana, foi citada como exemplo das dificuldades para enfrentar o problema. Segundo os dados apresentados na entrevista, mais de 70 mil moradores do município vivem em áreas de risco, enquanto a escassez de terrenos disponíveis dificulta o reassentamento das famílias.
Ruas reconheceu que obras de engenharia não são suficientes para solucionar todos os casos e defendeu a transferência de moradores para locais seguros quando não houver alternativas para eliminar o perigo.
“Existem casos em que não é uma obra de encosta, de contenção, que vai resolver. É necessário, sim, dialogar com a população, explicar que aquela área é uma área de risco e que não há uma obra que possa resolver”, afirmou.
O governador eleito também defendeu investimentos em habitação de interesse social para viabilizar a mudança dessas famílias.
Outra medida mencionada foi a continuidade do programa Limpa Rio ao longo de todo o ano, com ações de desassoreamento e limpeza de cursos d’água para reduzir os impactos das chuvas intensas.
A preparação do estado para o próximo período chuvoso deverá entrar na pauta da transição de governo. Segundo Ruas, será necessário avaliar a estrutura disponível e a eventual contratação de profissionais para reforçar a capacidade de resposta a emergências.
Secretariado de Douglas Ruas está quase definido, mas convites começam neste domingo
Ruas afirmou que já tem praticamente definida a equipe que pretende levar para o governo estadual. Apesar disso, não antecipou nomes e disse que começará a formalizar os convites neste domingo, após a oficialização do resultado eleitoral pelo TRE-RJ.
“Na minha cabeça, o time está quase todo pronto, mas eu não fiz o convite a nenhuma das pessoas ainda formalmente. Então, eu pretendo fazer a partir de amanhã, porque de fato saiu a retotalização hoje”, declarou.
Questionado sobre como pretende evitar que indicações políticas comprometam a administração estadual, especialmente em áreas como a educação, o governador eleito afirmou que pretende priorizar profissionais com experiência e conhecimento técnico.
Com informações do jornal “O Globo” e do “RJTV”.
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Mais um incêndio. Num Shopping. Os empreendedores preocupam-se com Fogo na Amazônia, mas não cuidam da fábrica do pão nosso de cada dia. E as Construções são planejadas para prevenir (diferente de combater) incêndios? Culpa do Estado. Empreendedires! Por esses dias um incêndio numa boate na Europa. Há um ano no Rio de Janeiro um barracão do Samba do Carnaval pegou fogo. É a Fábrica do Pão nosso de cada dia sendo queimada. A culpa é do Estado. Empreendedores!!!! Xxxxxx