O diretor de um colégio da rede estadual no Noroeste Fluminense denunciou à Polícia Federal (PF) um esquema de propina e pressão política envolvendo o deputado Thiago Rangel (Avante), preso por suspeita de envolvimento com fraudes na Secretaria de Educação do estado do Rio (Seeduc).
Segundo o relato, o parlamentar pressionou o diretor para desviar R$ 200 mil do colégio para financiar a campanha eleitoral de Thamires Rangel (PMB), filha do deputado e vereador em Campos dos Goytacazes. O servidor, que pediu exoneração do cargo após o caso, acusa Thiago Rangel de emitir uma nota fiscal falsa de serviços para conseguir a verba.
Em relato à PF, o diretor disse ter negado os pedidos do deputado de início. No entanto, segundo ele, Thiago Rangel intensificou a cobrança após a recusa inicial. O assessor parlamentar Luis Fernando Passos de Souza, apontado pela PF como operador financeiro do esquema de fraudes na Seeduc, teria feito, inclusive, uma ligação de vídeo para o diretor, na qual o próprio deputado aparecia pedindo o desvio de verba.
Thiago Rangel foi preso na Operação Unha e Carne
O deputado foi preso em uma nova etapa da Operação Unha e Carne, que, agora, apura um esquema de direcionamento de contratos da Seeduc para empresas selecionadas.
A PF já enviou um dossiê sobre o caso ao Supremo Tribunal Federal (STF) e informou que os relatos convergem com provas de outras apurações, como a Operação Postos de Midas, que investiga fraudes financeiras em posto de gasolina no interior do Rio. O relatório também aponta um aumento suspeito no patrimônio de Thiago Rangel, que foi de R$ 224 mil em 2020 para mais de R$ 1,9 milhão em 2022.
Análises no celular do parlamentar, apreendido pela PF, revelaram o vídeo de uma mala com cerca de R$ 500 mil em espécie. O dinheiro vinha de um esquema de caixa dois para campanhas no interior do Rio, estimado em R$ 2,9 milhões.
Deputado nega acusações
A Polícia Federal indica que o esquema de contratos fraudulentos de reformas escolares expandiu-se na Seeduc após a eleição de Rangel para a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). A apuração também menciona suspeitas sobre a participação do ex-presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União Brasil), na articulação de repasses de recursos. Bacellar, no entanto, nega qualquer envolvimento com irregularidades.
Em nota, a defesa de Thiago Rangel declarou que o parlamentar é inocente e que as acusações são baseadas em denúncia anônima sem verificação prévia. Os advogados negaram a existência de um operador financeiro e afirmaram que os valores em espécie descobertos pela PF são fruto da atividade privada do deputado no ramo de postos de combustíveis.
Com informações do jornal “O Globo“.

