Washington Quaquá não saiu derrotado das urnas neste domingo (4). Longe disso. O prefeito de Maricá e vice-presidente nacional do PT elegeu o filho deputado federal, viu a ex-mulher renovar o mandato na Assembleia Legislativa e continuará sendo um dos principais líderes políticos do estado. Além de um personagem de peso na direção nacional do partido.
Mas, dentro de casa…
Diego Quaquá (PT) conquistou uma cadeira na Câmara dos Deputados com 68.798 votos. Em Maricá, porém, recebeu apenas 16.304. Quem passeou pelas urnas da cidade foi Fabiano Horta (PT), ex-prefeito, antigo aliado e hoje um desafeto: foram 50.396 votos.
É mais do que o triplo.
A diferença entre os dois chegou a 34.092 votos justamente na cidade que concentra o poder político construído por Quaquá ao longo de quase duas décadas. Horta governou Maricá por oito anos, de 2017 a 2024, sucedendo o próprio Quaquá. Diego foi seu vice no segundo mandato. Mas romperam.
No estado, Horta também ficou na frente: recebeu 82.902 votos, contra os 68.798 de Diego.
A expectativa do grupo de Quaquá era colocar o rebento entre os três petistas mais votados para a Câmara no Rio. Ele terminou em quinto lugar entre os seis eleitos.
E quem apareceu no topo foi justamente Lindbergh Farias, adversário de Quaquá nas disputas internas do PT e protagonista da recente briga pelo número 1313, que acabou entregue a Diego. Lindbergh recebeu 181.768 votos. Depois vieram Marcelo Freixo, com 172.969, Anielle Franco, com 149.726, e Fabiano Horta. Só então apareceu Diego, seguido por Nísia Trindade, com 67.350.
O resultado de Anielle também tem seu tempero. Ela e Quaquá já protagonizaram embates públicos dentro do partido e foi justamente a ex-ministra quem ocupou o lugar entre os três primeiros que o grupo do prefeito esperava ver reservado ao filho.
Nem Lula escapou das urnas implacáveis de Maricá
A votação para presidente acrescentou outro número incômodo ao domingo petista.
Flávio Bolsonaro (PL) venceu Lula (PT) em Maricá. O senador do PL recebeu 69.193 votos, ou 49,82% dos válidos, contra 59.972, ou 43,18%, de Lula. A diferença passou de 9 mil votos na cidade comandada pelo coordenador da campanha do presidente à reeleição.
E não é a primeira vez.
Em 2022, quando Lula voltou à Presidência da República, Bolsonaro (neste caso, o Jair) também ganhou em Maricá. No segundo turno, o adversário do PT teve 51,74% dos votos válidos, contra 48,26% de Lula.
A peculiaridade é que, naquele mesmo ano, Washington Quaquá foi disparado o candidato a deputado federal mais votado no município, com 29.766 votos.
Ou seja: Maricá pode ser o principal enclave municipal do PT no estado, governado pelo partido desde 2009. Mas seu eleitor já demonstrou, mais de uma vez, que não segue o que o seu líder político mandar.
A briga chegou também à Alerj
Outro antigo aliado apareceu no caminho da família Quaquá na eleição para a Assembleia Legislativa.
Allyson Elias (PT), filho do presidente da Câmara Municipal de Maricá, Aldair de Linda (PT), recebeu 16.256 votos na cidade. Zeidan (PT), ex-mulher de Quaquá e mãe de Diego, teve 15.183.
A diferença foi pequena — 1.073 votos —, mas carregada de história recente.
Na reta final da campanha, vereadores e lideranças da base municipal retiraram apoio a Allyson e passaram para Zeidan. Aldair reagiu publicamente e acusou Quaquá de estar por trás da debandada. Chegou a afirmar que Maricá vivia uma ditadura. Quaquá divulgou seus candidatos a deputado estadual sem incluir Allyson.
A urna resolveu à sua maneira: os dois foram eleitos.
Mas a trégua não veio com a vitória. Na comemoração de Allyson, Aldair voltou a atacar Quaquá; o prefeito respondeu nas redes sociais dizendo que havia se livrado das “cangalhas”. Para dois grupos que até recentemente estavam do mesmo lado, a reconciliação parece não ter entrado na apuração.
A turma não chegou inteira
Quaquá trabalhou para eleger um grupo mais amplo de aliados, e nem todos conseguiram atravessar a linha.
O ex-ministro Celso Pansera, parceiro de partido e de governo em Maricá, uma das grandes apostas do prefeito, ficou com 36.045 votos e em décimo lugar na lista dos candidatos do PT à Câmara dos Deputados. Quarto suplente. Dimas Gadelha (PT), que tentava reeleição também com o apoio de Quaquá, recebeu 45.520 votos e ficou com a terceira suplência.
Adilson Pires (PT) teve destino melhor. Com 42.467 votos, não esteve entre os campeões da Alerj, mas garantiu uma cadeira na próxima legislatura.
Zeidan também assegurou o quarto mandato, com 43.115 votos no estado. Portanto, apesar dos percalços, a família política de Quaquá terá representantes tanto em Brasília quanto no Palácio Tiradentes.























































