O fim da concessão da SuperVia, em maio deste ano, abriu uma disputa sobre uma dívida de R$ 1,9 bilhão com o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O financiamento foi contratado pela própria concessionária para a compra de 30 trens e, segundo documentos públicos, o débito era tratado pelo banco como uma obrigação da empresa.
Agora, com a saída da SuperVia do sistema, o BNDES sustenta que o Estado do Rio deve assumir a dívida que, por sua vez, questiona a transferência. Segundo o Executivo, até o momento n]ao existe um documento documento público que determine que o passivo passe automaticamente para os cofres estaduais.
Dívidas podem afetar o funcionamento do sistema ferroviário
Além da dívida bilionária em discussão, a SuperVia teria encerrado a concessão deixando débitos com fornecedores e empresas responsáveis pela manutenção de vagões, fabricação de peças, sinalização e outros serviços.
Para o presidente da Comissão de Transportes da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), deputado Dionísio Lins (Progressistas), o cenário exige atenção para evitar que problemas financeiros da antiga concessionária acabem afetando a operação do sistema ferroviário e a qualidade do serviço prestado aos passageiros.
Segundo o parlamentar, somente em maio, as dívidas com fornecedores diretos chegavam perto de R$ 15 milhões. Para ele, a falta de pagamento pode comprometer a manutenção da estrutura e dos equipamentos utilizados diariamente por milhares de passageiros.
“Se o fornecedor não recebe, ele não entrega a peça e não faz manutenção; e quem acaba pagando a conta é o trabalhador”, alerta Dionísio.
Escadas rolantes sem funcionar
Um dos problemas que já chegaram à Comissão de Transportes é o abandono das escadas rolantes em diversas estações. Diante das reclamações de usuários, Dionísio encaminhou nesta segunda-feira (21) um ofício ao presidente da Trens Rio, atual concessionária, cobrando informações sobre a situação dos equipamentos.
A empresa terá 15 dias para informar quantas escadas rolantes estão paradas, qual empresa é responsável pela manutenção, o valor do contrato e quais medidas estão sendo adotadas para acelerar os reparos, além de garantir a vistoria e o funcionamento dos equipamentos.
“Não dá mais para ficarmos vendo diariamente pessoas idosas e com dificuldade de mobilidade sofrerem para embarcar nas estações. É desumano o que o usuário vem passando em estações como Madureira e Méier, onde as escadas simplesmente não funcionam”, afirma Dionísio.
O deputado também cobra atenção para que os problemas financeiros deixados pela antiga concessionária não afetem a operação da nova empresa. Após 27 anos à frente do sistema ferroviário do Rio, a SuperVia encerrou a concessão, enquanto a Trens Rio, administrada pelo consórcio Nova Via Mobilidade, assumiu a operação.
Apesar de não ser uma estatal, a nova operadora atua sob um contrato de permissão regulado pelo governo estadual.
Problemas de segurança nas estações
Outro ponto de preocupação levantado pelo presidente da comissão é a segurança. Segundo informações da própria Trens Rio, cerca de 14 estações estariam sob influência do crime organizado — malha ferroviária atravessa 179 comunidades controladas por esses grupos.
Dionísio confia que o governo estadual está atento à situação e deverá intervir quando necessário. Segundo ele, os passageiros não podem ser penalizados duas vezes, tanto pela violência quanto pelo descaso com o serviço.
Caso a resposta da concessionária ao ofício não seja considerada consistente, a Comissão de Transportes pretende recorrer ao Ministério Público para pedir uma apuração sobre as condições do serviço. A realização de uma audiência pública também está sendo avaliada.
Comentários 1
A verba indenizatória não é privilégio, não é segredo e muito menos escândalo. Trata-se de um instrumento legal, previsto em lei, utilizado por todos os deputados e senadores para custear despesas necessárias ao exercício do mandato parlamentar.
O que muitos fingem ignorar é o essencial: essa verba é totalmente transparente.
Qualquer cidadão pode acessar os portais oficiais da Câmara e do Senado e verificar nota por nota, gasto por gasto, com fiscalização permanente de órgãos de controle, tribunais de contas, imprensa e da própria sociedade. É um dos recursos públicos mais vigiados do país, analisado sob verdadeira lente de aumento.
Criar escândalo em cima do que já é público e auditável não é combate à corrupção.
É desvio de foco.
Enquanto se tenta criminalizar despesas parlamentares que estão escancaradas para qualquer eleitor, escândalos muito mais graves vêm sendo revelados no INSS, com investigações que apontam para esquemas, favorecimentos e envolvimento de figuras ligadas ao núcleo do poder — incluindo pessoas próximas à família do Presidente da República, além de senadores e deputados do campo da esquerda, justamente aqueles que posam de paladinos da moralidade.
O silêncio ensurdecedor sobre esses fatos diz muito.
E a tentativa de jogar a opinião pública contra o Parlamento, atacando uma verba que já é transparente, parece ter um único objetivo: esconder o que realmente está atolado até o pescoço.
Não é coincidência.
É método.
Quando a esquerda se vê pressionada por denúncias que alcançam seu próprio campo político, recorre à velha tática da cortina de fumaça: criar um inimigo fácil, confundir os desavisados e impedir que o debate chegue onde realmente dói.
Transparência não é problema.
Problema é corrupção escondida, aparelhamento de instituições e uso político de escândalos seletivos.
Quem faz barulho contra o que já é transparente, normalmente tem muito interesse em que o país não olhe para o INSS e para os verdadeiros responsáveis pelo rombo.