ATUALIZAÇÃO, às 17h10, com nota do advogado Victor Travancas, publicada na íntegra no fim do texto.
Anthony Garotinho (Republicanos) não está disposto a sair — sem resistência — da corrida eleitoral de 2026.
O ex-governador contratou ninguém menos que Admar Gonzaga, ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), para a sua defesa no processo de registro de candidatura.
Victor Travancas foi para a reserva.
O que provocou a condenação de Garotinho
Nesta segunda-feira (10), o juiz Ricardo Cyfer, da 4ª Vara da Fazenda Pública da Capital, determinou a expedição de ofícios urgentes ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) comunicando formalmente que os direitos políticos de Garotinho estão suspensos por oito anos.
Como o encerramento definitivo da fase de recursos no Supremo Tribunal Federal (o chamado trânsito em julgado) da sentença no caso “Saúde em Movimento” ocorreu em 2025, a contagem do prazo faz com que a suspensão vigore até 10 de julho de 2033.
Garotinho foi condenado, em 2018, sob a acusação de participar de um esquema que desviou R$ 234,4 milhões da Secretaria estadual de Saúde entre 2005 e 2006. Na época, o estado era governado por Rosinha Matheus, e o hoje candidato era seu secretário de Governo.
A Justiça entendeu que a contratação da Fundação Pró-Cefet para a gestão do projeto “Saúde em Movimento” foi ilícita. De acordo com a sentença emitida em 2018, o contrato só foi possível porque Garotinho intercedeu para que fosse rompido o contrato com a Fundação Escola de Serviço Público (Fesp), que administrava o projeto, abrindo caminho para o acordo com a Pró-Cefet.
A manutenção da condenação significa que ele está juridicamente inelegível e fora da corrida para o governo do estado em 2026.
Quem é Admar Gonzaga
O atual advogado de Garotinho foi ministro efetivo do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) entre 2017 e 2019, nomeado por Michel Temer para vaga destinada a advogados.
Com carreira eleitoral desde 1993, Admar exerceu cargos de assessoria no Congresso Nacional e integrou a Comissão Especial de Juristas criada para propor mudanças no texto do Código Eleitoral. É membro do Instituto Brasileiro de Direito Eleitoral, autor de livros e manuais, professor e palestrante de eventos sobre a matéria.
O que diz Victor Travancas
O advogado Travancas enviou nota. Segue a íntegra:
“A propósito da matéria intitulada “Garotinho contrata ex-ministro do TSE como advogado; Victor Travancas vai para o banco de reservas”, cumpre-me prestar alguns esclarecimentos, sobretudo para que uma metáfora futebolística espirituosa não termine por substituir a realidade dos fatos.
De início, registro que seria, sem dúvida alguma, uma grande honra estar no “banco de reservas” do Ministro Admar Gonzaga, profissional de reconhecida trajetória e notória especialização no Direito Eleitoral, em cujo trabalho depositamos plena confiança.
Há, contudo, um pequeno inconveniente na metáfora: ela não corresponde aos fatos.
Minha relação profissional com o Governador Anthony Garotinho não se limita à atuação como advogado em questões pontuais ou em processos específicos. Exerço a condição de seu procurador plenipotenciário, com poderes conferidos por procuração para representá-lo, agir e falar em seu nome, além de coordenar sua estratégia jurídica e ser responsável, inclusive, pela contratação dos profissionais que integram sua defesa.
Nesse contexto, a contratação do Ministro Admar Gonzaga, longe de significar minha substituição ou afastamento, constitui justamente ato praticado no exercício das atribuições que me foram confiadas.
Em outras palavras: não fui para o banco de reservas. Ajudei a escalar o time”.
O que diz a defesa

























































Comments 1
Se diz tão pobre, mas tem um verdadeiro exército de advogados, e sempre os mais gabaritados e caros. De onde vem o dinheiro???